Sunday, February 7, 2010

Buenos Aires, 3º dia: brasileiros se reconhecem

Fiz o mesmo trajeto do dia anterior, só que desta vez sozinha. A ideia era chegar ao Cementerio de la Recoleta às 11h, para participar da visita guiada gratuita. Mas quando parei em um dos parques-jardins do bairro para checar no mapa em qual rua virar, dois caras vieram em minha direção, acenando e perguntando em português se eu era... brasileira.

Buenos Aires Bus?!

Arturo e Gustavo têm no máximo 30 anos, se tudo isso. São de Pernambuco (Nordeste do Brasil) e estavam em Buenos Aires também para o Ano Novo. Como me reconheceram? Provavelmente, pela minúscula bandeira do Brasil aplicada na regata preta do projeto Tamar. Ou será que foi pela estampa das famosas tartarugas? Como não falam espanhol, me chamaram para confirmar se era ali mesmo, naquela praça onde estávamos, que poderiam pegar o Buenos Aires Bus. Hã?

Não fosse por eles, nunca teria descoberto a existência desta praticidade ambulante, que, desde maio de 2009, conjuga o desejo do turista com o do mochileiro! Sente só a maravilha: o Buenos Aires Bus é um ônibus amarelo, com teto aberto, que tem 12 pontos de parada nas principais atrações da cidade. Das 9h às 20h, você pode escolher se vai fazer um city tour de 2h45m por todos os pontos turísticos de Buenos Aires ou se vai descer em determinada atração e explorar aquele canto da cidade pelo tempo que desejar. Nesse segundo esquema, quando você enjoar, basta aguardar o próximo ônibus, subir e, se quiser, dali a meia hora descer para conhecer o próximo ponto turístico e as redondezas.

O preço do bilhete para ter o direito de rodar/subir/descer é único: $ 50 (adulto), por 24 horas, ou $ 60 (adulto), válido por 48horas. Se você é mais pra turista ou pra mochileiro, tanto faz: você escolhe como quer conhecer a cidade e pode até mesmo fazer das duas maneiras. De manhã, city tour; à tarde, parar nos locais que mais te encantaram.

Considerando tudo isso, ouso dizer que essa foi a melhor invenção do governo, porque poupa o bolso, o tempo e o emocional do visitante, que não precisa pegar táxi nem esperar longas horas debaixo de sol quente por um ônibus municipal desconfortável e, quem sabe, errado.

O Buenos Aires Bus é uma excelente opção para qualquer turista de qualquer parte do mundo, mas recomendo para os mais comodistas, os que não sabem falar espanhol e principalmente para quem nunca foi à cidade e/ou ficará poucos dias.

Vai por mim: o ponto inicial de partida/final de chegada é sempre na Calle Florida e vale a pena começar o passeio de lá. Porém, chegue cedo, especialmente em feriados brasileiros prolongados (Carnaval, Semana Santa, Natal/Ano Novo), que é quando a cidade entope de brasileiros e a fila do busão - que já é grande - fica maior ainda.

O barato pode sair caro: exceto na Florida, se o ônibus estiver lotado, em todos os demais 11 pontos de parada você só sobe se alguém descer ou se houver lugar vago. Isso às vezes gera transtorno para o viajante tipo mochileiro, porque se ele sair para passear, pode correr o risco de ter que esperar horas pelo próximo ônibus com assento disponível ou pegar um táxi.

Como eu havia passado por quase todos os bairros no dia anterior e ainda teria 4 dias pela frente, acabei optando por não comprar um bilhete. Além do mais, já havia aprendido a andar de metrô e de ônibus municipal, o que sai bem mais em conta e é mais meu estilo.

Cementerio de la Recoleta

Arturo, Gustavo e eu trocamos cartões de visita e telefones de hotel para combinarmos uma saída em conjunto nos próximos dias.

Chego ao Cementerio de la Recoleta 20 minutos atrasada para a visita guiada; vou andando sem rumo e, "por sorte", encontro o grupo, lotado de brasileiros. Faço amizade rapidamente com uma menina que me conta tudo o que perdi, inclusive a história sobre como a Evita foi parar lá (essa é o máximo, imperdível).

De todos os lugares turísticos que visitei, esta foi, sem dúvida, minha atração favorita. Adoro histórias e a visita guiada é recheada delas, que ganham vivacidade quando observamos as estátuas, quadros e objetos pessoais em cada suntuoso mausoléu. Depois de ouvir as lendas, só pude desejar nunca ter um piripaque em Buenos Aires. Aparentemente, a cidade tem tradição em enterrar pessoas vivas e roubar ossos de defuntos.

San Telmo


Vou de táxi até o Microcentro. Desço em frente à Casa Rosada, na Plaza de Mayo, mas sigo direto para a deserta Calle Defensa. Ando pelo menos umas 10 quadras até chegar, finalmente, ao restaurante La Brigada, indicado pelo meu Lonely Planet como o melhor lugar para comer um bife de chorizo. Entro, olho o cardápio e, estarrecida com os preços, descubro porque meu guia estava em promoção no Brasil: todos os valores monetários são pré-crise econômica argentina! Faço algumas perguntas para a recepcionista e decido almoçar por ali mesmo, sabendo que vou desembolsar uns $ 80 pesos por uma garrafa d'água, arroz, batata frita e o tal bife de chorizo. A menos que a comida seja realmente saborosa, naquele momento prometo não mais confiar nas sugestões de restaurantes do Lonely Planet.

Reparo em uma menina olhando confusa o cardápio, embasbacada com os cifrões. Diz que é brasileira e está "sofrendo" para comer por não falar um "ai" em espanhol. Então, eu a convido para dividirmos a mesa - e, claro, a comida e a conta.

Descubro que Débora é do Rio Grande do Norte e chegou em Buenos Aires às 6h da madrugada de hoje, não para visitar a cidade, mas para mudar-se definitivamente para lá, porque ingressou em uma faculdade de medicina. Pergunto por que razão ela não esperou as festas acabarem para daí se mudar. Ela diz que foi o único jeito de garantir a passagem barata, a vaga no albergue e o curso de espanhol, que começava em 03 de janeiro.

Furada: o La Brigada. Não recomendo por 4 motivos.
  1. A entrada cortesia é uma cesta de pães - todos duros;
  2. O prato principal é bom, mas o bife de chorizo que comi na fronteira com Foz do Iguaçu em 2005 estava mil vezes melhor;
  3. O preço é salgado, mesmo dividindo os acompanhamentos com Débora e com 10% incluído;
  4. San Telmo é deserto, vazio, dá medo e tem uma energia esquisita. Voltei ao bairro no dia seguinte, para visitar outras "paradas obrigatórias", e tive a certeza de que não foi só impressão.
Cena Show no El Viejo Almacén

Peguei um táxi na Plaza de Mayo para encontrar Lilly em Primo ($ 15 pesos) e, de lá, passearmos. Ela demorou duas horas para sair da loja e acabamos perdendo a tarde; fomos direto à Palermo, nos arrumar para o show de tango logo mais.

As porteñas se arreglam mucho para sair. Lilly escovou os cabelos e fez baby liss nas pontas; como de praxe, exibia no rosto uma linda maquiagem. Ela estranhou eu sair de casa com os cabelos molhados e somente com um gloss nos lábios. Mas estava mais preocupada em escolher a roupa ideal para não parecer uma baleia gorda.

Às 19h, estávamos prontas aguardando o carro do restaurante e, mesmo sabendo que havíamos comprado um jantar, nos deliciamos com empanadas de jamón con queso feitas por Joana, babá da filha de Gris. Esta maravilha são pastéis de massa bem fina, assados e recheados tradicionalmente com presunto e queijo. Adoro comidas típicas e essas empanadas estavam riquíssimas.

Chegamos na tanguería El Viejo Almacén às 20h20. Pagamos US$ 90 (dólares) por pessoa pelo cena show, que inclui mini van para buscar e levar à porta de casa + um delicioso jantar completo (entrada, prato principal, sobremesa e bebida) e, lógico, o show de tango com qualquer bebida à disposição.

Este estabelecimento se gaba de ter o melhor espetáculo da cidade e tem todo o direito. O show é perfeito, incrível, inesquecível; pra ninguém botar defeito. Vale a pena cada centavo. Você não vê somente pessoas jovens dançando; é um show mesmo, com músicos, cantores, tudo ao vivo! Reserve pelo telefone com um dia de antecedência. Aqui, o barato só sai caro se você ficar nos cantos no salão. Vale a pena ir com um grupo grande, porque eles parecem dar as melhores mesas aos que "pagam mais" à casa.

Um ponto alto foi o garçom fofíssimo que nos atendeu. O tempo inteiro, ele tentou me deixar à vontade, esforçando-se para falar português e me fazer compreender o cardápio; um doce de ser humano.

O ponto altíssimo foi um cara gatíssimo da banda de tango, que devia ter no máximo uns 25 anos. Eu e Lilly às vezes esquecíamos por completo do show para admirar o garoto. Sentadas ao nosso lado, as vibrantes Fabiana e Iana compartilhavam desta paixão platônica. Fabi é professora de inglês em São Paulo e Iana é uma alemã que mora e trabalha com turismo em Ibiza; ambas se conheceram em Bs As em 2006 e voltaram em 2009 para passar o Reveillón juntas. Falam espanhol fluentemente e nos comunicávamos sempre nessa língua, para que todas pudessem entender. Ficamos amigas de trocar telefones.

Encerrado o show, nós 4 reunimos nossa coragem e pedimos ao garçom para tirarmos uma foto com aquele chico lindo. Tive pena dos turistas que vieram com a gente no carro; o nosso motorista simpatizou tanto com Lilly que tiveram que esperar por nós cerca de 20 minutos, enquanto descolávamos a foto perfeita.

De volta à Palermo, risquei 2 itens da minha lista principal de experiências: ir à Recoleta e ao show de tango. Agora, só faltam 5. Será que vai dar tempo?

* Pequeno dicionário para sobrevivência (III) *
  • arreglarse - arrumar-se.
  • cena show - jantar e show de tango.
  • cuchara - colher.
  • cuenta - conta.
  • boleto(s) - bilhete de trem, ônibus ou metrô.
  • bife de chorizo - bife de carne tipo picanha misturada com filé mignon.
  • calle - rua. Outra palavra necessária e que demorei 2 dias pra decorar.
  • chorizo - linguiça temperada.tanguería - lugar onde se assiste shows de tango.
  • compartir - compartilhar, dividir.
  • hablar - falar.
  • muy amable - muito amável. É comum dizer isso à pessoas que te prestam um favor, de qualquer tipo, com muita boa vontade.
  • pollo - frango.
  • rulador - modelador de cachos.
  • servilletas - guardanapo. Foi a palavra mais difícil de decorar; demorei 4 dias. O pior é que era extremamente útil porque a tradição em Bs As são os guardanapos de pano e eu me dou melhor com os de papel.

Monday, January 25, 2010

Buenos Aires, 2º dia: aprendo a andar

A lista

Apesar do Lonely Planet na mochila, antes mesmo de sair do Brasil tomei duas decisões:

1. Não fazer uma programação antecipada e engessada dos meus dias. Me comprometi a visitar/fazer o que desse, quando desse e se desse. À princípio, entre os meus favoritos, estão:

a) aprender a dançar salsa;
b) assistir a um show de tango;
c) assistir a um show de tango informal nas ruas;
d) fazer uma aula de tango;
e) visitar o cemitério da Recoleta (onde jaz Evita Perón);
f) tomar sorvete da marca Fredda;
g) visitar o Café Tortoni e a Confitería Ideal.

2. Não colocar relógio ou celular para despertar.

E, obedecendo à segunda premissa, acordei sozinha às 9h30 da manhã - um pouco mais tarde do que eu esperava e do que havia combinado com Gris. Ela disse que me acordaria para caminharmos, mas não o fez. Me arrumei e subi para tomar café da manhã.

O desjejum dos porteños faz juz ao nome. A mesa estava posta com pires, xícara, caneca e talheres. Porém, havia somente um pote com biscoitos tipo cream creacker para me servir. Maria me ofereceu algo para beber, mas não entendi o quê, nem ela tendo repetido "rôgurr de vanicha" umas 10 vezes e bem devagar. Então, surpresa por eu ter dito que sequer conhecia aquilo, ela mandou um "No te preocupes, é muy rico, te vas gustar", tirou o pacote da geladeira e encheu minha caneca. Iogurte de baunilha! Já havia bebido iogurte, mas nunca de baunilha.

Gris despertou e fomos caminhar. Saímos de Palermo, em frente ao zoológico, e tomamos a Av. Del Libertador em direção à Recoleta. Palermo é uma gracinha de bairro e a caminhada está repleta de cafés estilo parisiense de um lado; do outro, grandes parques. Notei que não há grades envolvendo a área verde e isolando as pessoas a partir de determinada hora; ninguém controla entrada/saída do local. Todos são livres para ir e vir, a hora que bem entender, quando quiser. Talvez exatamente por isso, não há (muitas) pessoas ocupando essas áreas como se fossem suas casas. Nas duas vezes que fiz esse trajeto, vi um total de apenas 2 pessoas banhando-se de manhã ou perambulando; nenhuma dormindo, morando ou pedindo dinheiro. Inclusive, devo dizer, um era tão jovem e lindo que me perguntei porque ele está nas ruas ao invés de estampar seu belo rostinho em capas de revistas.

Segundo me disse Gris, os bairros Palermo e Recoleta abrigam a classe média e os milionários de Buenos Aires. Os antigos e tradicionais edifícios, principalmente neste último local, são encantadores e era como eu imaginava New York. Chegamos ao meio-dia no cemitério, onde anotei mentalmente dois horários para participar da visita guiada gratuita no dia seguinte de manhã (no meu caso, 9h30 ou 11h; são sempre de graça e somente em espanhol). Em frente, está a praça mais linda em que já estive na vida. Queria ficar lá a tarde toda... Da porta do Recoleta, vi a sorveteria Freddo. Estava uma chuva fininha quando paramos lá para tomar sorvete de doce de leite, flocos e frutas vermelhas (cada bola custa uns $12 ou $15 pesos).

No caminho de volta à casa, Gris me ensinou a andar e me localizar nas ruas.

Como pedir direções

É muito fácil se locomover em Buenos Aires. Diferentemente da colonização portuguesa no Brasil, os espanhóis simplesmente recortaram a cidade toda em quadradinhos, como fatias de bolo. A cidade inteira é assim, do bairro mais abastado ao mais miserável. Não acredita? Olha só no mapa.

Guarde esta: taxistas ou pedestres porteños não se guiam pelos números, mas pela "altura", isto é, entre que esquinas determinado local está. Se você não tem esta informação, vale a pena checar no Google Maps antes de sair do hotel, albergue ou casa, principalmente se o lugar que você procura não é turístico. Eles vão sempre te dizer quantas quadras você precisa andar para chegar ao local; o inconveniente é que demora para chegar ao final de uma quadra e andar 5 delas já cansa bastante.

Se você está a pé e sabe o número de onde quer chegar, é simples: uma vez na rua correta, basta guiar-se pelas placas. Em qualquer bairro, a primeira quadra sempre vai dos edifícios 0 a 100; a segunda, do 101 ao 200 e assim por diante.

Os porteños - os nascidos em Buenos Aires - têm um senso de direção incrível. Porém, a cidade está cheia de imigrantes do Peru, Bolívia, Chile etc, muitos deles recém-chegados e que não compartilham do mesmo dom. Além disso, ao pedir informação a passantes você corre o risco de estar falando com um turista. Vai por mim: prefira pedir informação aos donos de estabelecimentos ou a um dos inúmeros guardas municipais espalhados nos bairros. Estes - diga-se de passagem - são os melhores para te fornecer la dirección.

Aprendo a comprar e a comer

Não havia comida pronta em casa e então saímos, eu e Gris, sem almoço, para encontrar Lilly em seu trabalho: a perfumaria Primo. Presidida por Claudio (marido de Gris e cunhado de Lilly), a Primo é classificada como uma majorita, uma loja que vende a preços baixos artigos de perfumaria e banho para donos de drogarias e afins. Consumidores finais também podem adquirir produtos. Como sou amiga da família, me fizeram tudo a preço de custo. Imagina comprar um pote 450 ml de Pantene por míseros R$ 4,00? Fiz a festa.

Lilly saía do trabalho às 15h naquele dia, mas só deixamos a Primo às 16h30 e eu já estava definhando de fome. Àquela hora, qualquer lugar que servisse almoço estava bom. Mesmo tendo dito dezenas de vezes que estava morrendo de fome, Lilly e Daniel - amigo dela, que decidiu nos acompanhar - ainda me fizeram caminhar por umas 30 quadras, até, afinal, chegarmos à Florida (no bairro Microcentro), para devorar um burrito gigante ($ 30) no California Burrito Co.

Tive que me controlar para não ficar irritada e chateada, porque me pareceu que eles estavam pouco preocupados com a minha fome. Mas compreendi que a culpa era minha: no caminho, paramos em um Kiosco - lojas de conveniência, espalhadas por toda a cidade - e me perguntaram se eu queria levar algo. Além disso, eles queriam me levar para comer em um lugar legal...

Mais um motivo para a minha irritação foi ter percebido, já nesse primeiro dia, que havia calculado errado sobre quanto levar. Vai por mim: programe no mínimo $ 200 pesos por dia e por pessoa para gastar com transporte, refeições, atividades e compras modestas. Eu fiz a besteira de prever apenas $ 100 por dia. Uma vantagem em Buenos Aires: reais, dólares e pesos, tanto faz. Todas as moedas são amplamente aceitas, por qualquer estabelecimento e qualquer pessoa, até ambulantes. Mas recomendo fortemente trocar reais por pesos no Banco de La Nación, no aeroporto.

Deu fome? Está sem grana? Há duas opções. Para os adeptos de besteiras e guloseimas, sugiro parar em um Kiosco e escolher entre um pacote de batatas Lays ou Bono, Oreo, Negresco. São o melhor custo x benefício para quem não faz questão ou não quer perder tempo almoçando. Não adianta procurar supermercados - vi nenhum pela cidade.

Agora, se é prioridade comer bem, vá a um restaurante. Minha dica: pergunte aos comerciantes onde pode almoçar bem pagando pouco. Em geral, uma refeição decente custa cerca de $ 50 pesos. Graças ao dono de um Kiosco, teve um dia que consegui pagar $ 26 em um prato-feito bem servido e delicioso, incluindo bebida e 10%! Infelizmente, não anotei o nome do lugar e dizer que fica na Av. Corrientes esquina com uma rua cujo nome também não lembro é brincadeira com vocês.

Não perca tempo: em encontrar um self-service. Enquanto aqui é praticamente uma tradição moderna, os habitantes de Buenos Aires não sabem o que é e não existem self-services na cidade. Os restaurantes são todos à la carte ou esquema de buffet e, infelizmente, também não tenho nenhum para indicar.

Puerto Madero

Depois dos burritos, mais caminhada. Dessa vez, fomos em busca da tanguería El Viejo Almacén para reservar lugares para o considerado melhor show de tango da cidade. Meus pés já estavam doendo, em parte porque meus sapatos eram impróprios para tanta andança.

Daniel é um doce, muito cavalheiro e a mulher que casar com ele terá tirado a sorte grande. Não faz meu tipo - infelizmente, porque é muy buena persona -, mas nada na vida pode ser perfeito, né? Como um bom partido do sexo masculino, revela um comportamento típico de homem: odeia pedir direção a quem quer que seja, a menos que realmente não tenha ideia alguma de para onde está indo. Assim, andávamos muito para qualquer mínima coisa que quiséssemos fazer. Lilly adora andar, então, não reclamava. E eu muito menos, até porque não me achava no direito. Acho que só não andamos em círculos porque eu levava meu guia da Lonely Planet para onde quer que eu fosse.

Graças ao Dani e sua incrível lábia, conseguimos lugares para uma cena show no dia seguinte.

Andamos mais algumas quadras e chegamos a Puerto Madero. Lembram dos mosquitos ninjas? Pois é, aquela é a área principal deles. Vai por mim: leve repelente e aplique a cada cinco segundos. Sentamos para comer uma pizza ($ 40 pesos, no restaurante ao lado do Asia de Cuba) e quem saiu toda mordida fui euzinha.

Puerto Madero era uma zona portuária que foi reformada para receber turistas. Compreende nada mais, nada menos que dois largos e longos passeios às margens do rio de La Plata. De ponta à outra, encontramos bares turísticos e badalados, disputando espaço com os tais mosquitos assassinos e invisíveis. Para passar de um lado a outro, deve-se atravessar a belíssima Ponte de las Mujeres. Não consegui descobrir porque tem esse nome.

Difícil dizer se gostei mais daqui ou de Palermo. Só sei que senti uma sensação de pertencimento quando cheguei a Puerto Madero; ali, cheguei a desejar ser moradora da cidade. Toda a sensação irritante que me dominara momentos antes e o cansaço esvaneceram. Pude relaxar e me sentir em casa.

Atrações em Puerto Madero: ver o por do sol - que só acontece às 21h nessa época do ano; ver a lua cheia redondinha e brilhante lá no céu (sim, eu consegui!); visitar museus-escunas (existem dois, fecham às 19h, por $ 2 pesos cada).

Tudo foi incrível, mas as experiências mais fantásticas do dia foram andar em um microtrem super moderno (fica em frente ao bairro e não leva à muito longe, mas vale a pena porque a paisagem é bonita e o transporte é de primeira qualidade) e andar de ônibus na volta pra casa. Esta última foi a que mais me impressionou. Contarei mais sobre isso em um próximo post.

Ligando fácil, fácil para o Brasil

De volta à Palermo, às 23h, recebi o recado de que minha mãe havia ligado, preocupada por eu não dar notícias... Acessei a internet e descobri que existe um serviço chamado Brasil Direto, da Embratel. Funciona assim: a partir de qualquer telefone fixo, você disca para o 0800 indicado na lista e cai direto na gravação automática, que pede pra você digitar o código da cidade e o número do telefone. Simples assim! Nada de códigos de país ou de digitar 15 algarismos para falar com uma pessoa.

Em segundos, estava tranquilizando minha mãe, que estava a ponto de ligar para meu pai achando que eu tinha sido sequestrada... Ai ai... =P

Morais do dia

(1) Quando se viaja, principalmente para ficar hospedado na casa de outras pessoas, tem que ter a cabeça bem aberta, para adaptar-se à cultura não só do país, mas também à da família. Isso se aplica principalmente aos hábitos alimentares. Ou você se adapta aos costumes, ou fará da convivência um inferno.

(2) Ligue pra sua família assim que pisar no aeroporto. Ainda que você morra no meio da viagem ou seja um desnaturado e só ligue novamente dali a 30 dias, eles ficaram tranquilos ao saber que você "chegou bem".

* Pequeno dicionário para sobrevivência (II) *

  • arreglarse = arrumar-se, aprontar-se para sair
  • colectivo = ônibus
  • dale = ok, tudo bem, claro, entendi. Uma das minhas palavras favoritas, não há uma tradução específica. Usa-se quando se quer assentir ou concordar com alguma coisa que o interlocutor disse ou confirmar uma ação requisitada pelo interlocutor. Pelo uso, deduzi que poderia significar qualquer uma das opções anteriores.
  • desayuno = café da manhã
  • frutillas = frutas vermelhas
  • granizado = flocos
  • helado = sorvete
  • poso passar ao toillete? = posso usar o banheiro do seu estabelecimento?
  • precioso(a) = muito lindo(a). Para elogiar cabelos, roupas e acessórios.
  • rico, muy rico, riquíssimo = Para elogiar e recomendar comidas, em geral, preparadas por alguém.
  • subte = metrô
  • vanilla = (pronuncia-se "vanicha") baunilha
  • vos = você
  • yoghurt = iogurte

Monday, January 18, 2010

Buenos Aires: partida, chegada e 1º dia

O carro da Horto Táxi - que programei antes do Natal para garantir prioridade no atendimento - estava na porta da minha casa no dia 27 de dezembro de 2009 no horário (às 7h da manhã). Por sorte, minha mãe não insistiu em me levar ao aeroporto e se limitou a despedir-se de mim da cama mesmo.

Cheguei no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão/Rio) às 7h35; despachei a mala (a atendente da GOL/VARIG era muito simpática) e fui tomar café da manhã no 2º piso.

Queria comer frutas e escolhi um restaurante (cujo nome não lembro) que exibia uma mesa completamente farta. Coincidentemente, encontrei o Ricardo de Andrade Souza, meu colega de trabalho, que estava tomando um café da manhã digno de hotel 4 estrelas com a namorada, amigos e família enquanto aguardava o embarque para Gramado. Cumprimentei-os e fui me servir.

Quando já havia colocado tudo o que queria no prato (2 pedaços de um micromamão, 1 micro fatia de pão, manteiga e uma salada de frutas), percebi que havia entendido errado sobre o sistema de cobrança: ao invés de pagar somente pelo que eu consumisse (self-service), teria que pagar R$ 25,90 por qualquer coisa que ingerisse (buffet)! Comi as frutas meio revoltada, mas, no final, a boa sorte: a moça do caixa perguntou o que eu havia comido, ficou comovida com a situação e me cobrou "apenas" R$ 12,90. Não que eu estivesse tão pobre assim, mas qualquer economia é válida.

Passei pelos portões de embarque, fui ao toalete e, em seguida, rodar pelo Duty Free Dufry Brasil (Free Shop): o primeiro momento mais esperado da viagem!

Free Shops

Recebi este conselho do Ricardo antes de partir e resolvi segui-lo à risca: se você está saindo do Rio, não compre nada no Free Shop de embarque. Quando você chegar em Buenos Aires, também não compre nada. Gostou de algo? Tem um item em promoção im-per-dí-vel? Reserve. Sim, você pode reservar o que quiser no Duty Free e só pegar/pagar quando retornar ao Brasil. Além disso, se desistir de algum item, basta dizer "ah, não vou mais querer este não".

Mas não compre nada na ida, porque o melhor Free Shop está no embarque de Buenos Aires, pelo qual você vai passar quando estiver retornando ao Brasil. Não me refiro somente ao tamanho da loja; o preço é bem mais em conta. Tu-do neste Free Shop é cerca de dez dólares mais barato que em qualquer outro Free Shop - e isso se estende também aos cosméticos da MAC. Eu fiz a festa lá. Para completar, na volta, ainda tive a boa sorte de passar no Dufry em São Paulo, que é uma megastore.

O do Rio é pequeno e nada me encheu os olhos. Então, catei um balde de chocolate Lindt para a família da Lilly, uma barra de chocolate branco para mim e entrei no avião, que decolou e aterrisou em Buenos Aires pontualmente.

O (re)encontro

Foram apenas 3 horas de viagem. Preenchi o formulário de visto ainda no ar. Em terra, entreguei o documento à polícia porteña. Dica: leve anotado em um papel o endereço completo do local em que você vai se hospedar. A menos que dê muita sorte, sem isso você não entra na Argentina. Sei disso porque, de propósito, não preenchi o número do edifício da irmã da Lilly. A moça insistiu para que eu o escrevesse ou nada feito.

As malas foram liberadas rapidamente. Catei a minha - que estava com a etiqueta de identificação plástica quebrada (céus, o que eles fazem com as malas para quebrarem e amassarem tu-do???) - e me dirigi ao portão de desembarque. Dei de cara com Lilly e Griselda (Gris)! Elas estavam mesmo me esperando!

Comprando pesos

Outra dica do meu amigo Ricardo que resolvi seguir e me foi muito útil: comprar pesos somente no Banco de La Nación Argentina, que se localiza dentro do aeroporto mesmo, à direita do portão de desembarque (bem ao lado de uma banca de jornal). É a melhor cotação.

Hoje, em ofertas justas, com 1 real você compra no mínimo 2 pesos. As casas de câmbio que ficam na mesma área das esteiras de bagagem queriam trocar R$ 1 por $1,64 (pesos). No Banco de La Nación Argentina eu consegui $2,07 (pesos) por R$ 1. Saí de lá com $617. Como nem tudo são flores, tive que ficar na fila do banco por uns 30-40 minutos. Havia somente um caixa atendendo e até agora não sei se é costume ou se foi porque cheguei às 13h, horário de almoço...

Assado

Eu não falo espanhol, elas não falam inglês nem português e isso às vezes é um problema. Já estávamos no carro da Gris há 15 minutos e eu ainda não havia conseguido descobrir aonde íamos. Finalmente entendi que estávamos indo passar o domingo no "country" ("cântrri", segundo elas), um condomínio gigante, cheio de casas com piscina enormes, que fica há 40 minutos do centro da cidade.

As boas vindas à cultura porteña não poderia ter sido mais tradicional: o almoço foi um típico assado. Se as carnes não fossem tão diferentes, poderíamos traduzir como churrasco. Mas está longe de comparação, porque, no assado, não existe vinagrete, farofa, picanha, asinha de frango, coração... Arroz? Raridade. Ovos cozidos, batatas, alface e tomate acompanham as carnes. A minha predileta foi o chorizo (parece uma linguiça), que é bem diferente de bife de chorizo (similar a uma picanha muito macia). Vá preparado, brasileiro: não existe feijão na Argentina.

Aproveitamos o dia no country, na companhia de cerca de 5 famílias amigas do marido de Gris. Fui recebida por todos com um carinho enorme. Os porteños adoram a gente: todos que conheci tiveram a incrível habilidade de me deixar muito à vontade. Depois do almoço, andamos de bicicleta; assumi o comando de um quadriciclo (os porteños não sabem manejar e a Lilly quase matou a gente na primeira tentativa) em busca de chicos lindos; fizemos jogging.

Um dos pontos altos do dia foi a peruana Maria. Formada em Contabilidade, deixou o filho pequeno em sua cidade natal e mudou-se para Buenos Aires com o marido há 15 dias para ganhar a vida - à princípio - como doméstica. Conversando com ela, tive a sensação de que luta-se muito para vencer na vida nos demais países da América Latina. Sempre fui grata à vida que tenho e que me empenho para manter. Mas, ouvindo a história dela, senti a gratidão pulsar ainda mais ardente em meu peito. Desejei profundamente sucesso e boa sorte para Maria, que se esforça dia após dia para que seu filho tenha um terreno mais fértil para florescer.

Logo nesse primeiro dia, "estar no country" foi a primeira experiência das muitas outras porvir que instituiram como "vantagem" estar em Buenos Aires na condição de "visitante/hóspede de uma amiga". Porque, se eu fosse uma turista convencional, nunca teria ouvido falar e muito menos entrado no country, já que é uma área liberada somente aos moradores.

Fuso horário e por do sol

Estávamos sempre uma hora adiantados, devido ao horário de verão no Brasil. Como em Buenos Aires os dias são longos - a noite cai somente lá pelas 21h20 -, fomos embora do country às 23h.

Quando paramos para deixar Lilly na casa da mãe dela (que fica há uns 30 minutos do centro), descobri que ia ficar hospedada na casa de Gris sem a Lilly. Também neste momento, descobri que Lilly não estava de férias: ela ia trabalhar todos os dias! Fiquei chocada pela falta destas informações. Ninguém havia me dito nada...

Chegamos em Palermo uma hora depois. Gris me mostrou meu quarto (na verdade, o quarto de Nico, seu enteado de 18 anos, que mora com a mãe em algum lugar de Buenos Aires). Tomei um banho e, quando deitei na cama, me dei conta de que ainda não havia ligado para minha mãe, informando que havia chegado bem... Já eram 2h da manhã no Brasil... Ok. Sem estresse. Eu podia fazer isso no dia seguinte, certo?

*Pequeno dicionário para sobrevivência (I)*
  1. assado = churrasco
  2. lechuga = alface
  3. papas = batatas
  4. frijoles = feijões
  5. manejar = dirigir
  6. chico/a = garoto/a
  7. porteño/a = aquele/a que nasceu em Buenos Aires

Friday, January 15, 2010

Buenos Aires: 1 dia antes

A passagem de ida GOL/VARIG para Buenos Aires anunciava minha partida para o dia 27 de dezembro de 2009, um domingo. Eu deixaria o Rio (Galeão) às 10h30 e chegaria na famosa "Paris da América Latina" às 13h. Tentei pegar o voo mais "humanamente" cedo possível (não rola encarar um às 6h da manhã e afins) porque queria aproveitar o dia, mas não me agradava que a Lilly madrugasse para ir me pegar no aeroporto. Por sorte, consegui um voo direto.

Um dia antes da viagem, eu estava em Juiz de Fora (MG) aproveitando as festas de Natal e curtindo a família. Sinceramente, minhas únicas preocupações eram ter táxi para me levar ao aeroporto - porque o Rio de Janeiro deve ficar infernal no Ano Novo -, não ter dinheiro suficiente para compras no Free Shop e levar a mala cheia demais.

Como sou muito distraída, antes mesmo de ir para Minas Gerais já deixei na minha escrivaninha uma sacola de papel da Sensória contendo os itens mais importantes para a jornada: passaporte; uma bolsinha preta contendo R$ 300 + U$D 720 (dólares americanos); um guia turístico da Lonely Planet que me custou apenas R$ 11,97 numa promoção da Livraria da Travessa; e presentes para a Lilly, a irmã e a mãe. Não queria mesmo correr o risco de esquecer documentos e dinheiro, então, colei no monitor do meu PC um post-it amarelo brilhante com a indicação "<---- PASSAPORTE". Logicamente, a seta indicava a sacola de papel. Parecia até que eu ia mudar de país forever: minha mãe insistiu veementemente em me trazer de volta ao Rio de Janeiro no sábado à noite. Morri em R$ 47,50, preço da passagem de ônibus Juiz de Fora-Rio que não trocamos porque ela ficou com preguiça de passar na rodoviária daquela cidade. Cheguei em casa às 19h. Deixamos o carro na garagem e fomos - eu, ela e minha irmã - direto lanchar no Bibi Sucos; ao retornarmos, eu já estava desesperada para falar com Lilly pela internet e confirmar se ela ia mesmo me pegar, já que havia enviado um e-mail antes do Natal e nada da resposta... Fiquei tranquila quando a vi online no MSN.

Optei por não habilitar meu Nextel para o exterior. Então, também enviei um e-mail para minha mãe com as instruções para ligar via Skype para a casa da Lilly e da irmã dela, se necessário. Isso me tomou um tempo considerável, porque não é fácil fazer chamadas telefônicas internacionais pra Argentina e parece que a coisa complica se você reside/está em Buenos Aires. Enfim: para ligar pelo Skype* para um telefone fixo em Buenos Aires, disque +54 11 e o nº do telefone fixo. Já para chamar um celular, digite +54 9 11 e o nº do celular. Agora, se você ou sua família for ligar pelo telefone convencional, pesquise. Parece que as instruções são outras.

Por fim, guardei junto ao dinheiro um papel amarelo com o endereço da casa da irmã da Lilly, os telefones de contato em Buenos Aires, o localizador dos voos e o endereço de um albergue, só para caso acontecesse algum imprevisto. Quando fui arrumar a mala, já era bem umas 23h.

Escolhi levar uma mala de rodinhas tamanho grande ao invés de mochilão, mesmo viajando sozinha. Como mala de mão, preparei uma mochila simples, contendo o básico.

Calculei que faria calor insuportável de dia (32ºC) e um calorzinho à noite (28ºC). Recheei a mala com:

- 8 calcinhas, 2 sutiãs, 1 meia (tive que comprar + 4 meias lá);
- 2 shorts curtinhos, 1 bermuda;
- 1 calça jeans e 1 preta de chamois;
- 1 único casaco tipo sweater, fininho, cinza;
- Uns 10 vestidos, inclusive um de gala, para caso fosse necessário (e não foi);
- Umas 8 blusinhas, para caminhadas e passeios debaixo de sol;
- 1 tênis, 1 sapa-tênis; 2 sapatos de salto, 1 havaianas;
- 1 carregador para celular tipo Motorola;
- 1 toalha grande (achei educado levar, mesmo ficando em casa de família);
- Necèssaire completa (corretivo, rímel, soro + solução para lentes de contato, gloss etc).

Peso total: 15kg.
Peso máximo permitido pela companhia aérea: 23kg.

Ufa.

O que eu deveria ter incluído na mala: 1 repelente. Ninguém me avisou sobre os supermosquitos de Buenos Aires: você não os ouve zumbir; você não os sente picar; você não os vê e eles ainda conseguem fazer todas essas peripécias em ambientes refrigerados (!). Incrível, né? Tudo o que você sente é a coceira no corpo durante o resto do dia. Preciso dizer que fiquei com medo to-tal de pegar dengue?

* ATENÇÃO: Essas instruções são válidas SOMENTE para ligações feitas via Skype.

Thursday, January 14, 2010

Buenos Aires: comprando a passagem

Enquanto a Thais decidia com o Alê se iam parar nos EUA ou na Itália no Natal/Ano Novo, eu estava sofrendo para tirar uma passagem aérea para qualquer lugar do mundo.

Minha mãe me deu carta branca para retirar um bilhete com as milhas Smiles dela. Como havia começado no novo emprego há apenas 9 dias e, portanto, não sabia se poderia emendar Natal + Ano Novo, decidi ir para um lugar bem pertinho do Brasil e que não precisasse de visto (até porque, não ia mesmo dar tempo para tirar um para qualquer lugar que eu quisesse ir).

Escolhi Buenos Aires porque, além das razões citadas acima e de a distância ser mínima (são só 3 horas de voo), tenho uma amiga portenha lá. A grana curta e a facilidade de ficar em casa de família pesaram.

Buenos Aires não tem "alta temporada". Portanto, longe de datas festivas, uma passagem classe econômica pra lá custa em média R$ 600 ida e volta, já considerando as taxas de embarque. Mas, no Natal/Ano Novo, esse preço praticamente dobra: cerca de R$ 1.300 ida e volta.

Para quem não tem dinheiro mesmo, retirar um ticket aéreo para o Brasil ou América Latina utilizando milhas Smiles compensa. Atualmente, para esses locais, você vai encontrar pelo menos 4 "preços" diferentes. Viajando pela econômica, o bilhete aéreo ida + volta mais barato que você pode conseguir sai por 12.000 milhas; já o mais caro sai por 40.000 milhas.

Há duas formas de resgatar um bilhete aéreo pelo Smiles: pela internet ou por telefone. Nas duas, é importante lembrar que a taxa de embarque não é contabilizada nas milhas e, portanto, você vai pagá-la via cartão de crédito assim que autorizar a emissão do bilhete. É bom reservar pelo menos uns R$ 200 para isso. E mais: se você é daqueles que odeia o mundo cibernético para bancos, compras e afins, lembre-se de que, optando por adquirir a passagem pelo telefone, você ainda vai pagar uns R$ 35 (se não me engano) de taxa de alguma coisa que até hoje não sei o que é.

Na minha opinião, há somente 2 casos em que vale a pena retirar a passagem para Brasil ou América Latina por 40.000 milhas ida + volta: se você quer muito viajar e não tem dinheiro mesmo e/ou se elas estão prestes a expirar. Para mim, o importante era passar o Ano Novo com o pezinho lá fora, seja lá onde fosse, pelo preço que fosse.

Uma alternativa interessante a qual eu espero nunca precisar recorrer são os ônibus rodoviários. Se você mora no Rio de Janeiro, em São Paulo, Florianópolis, Curitiba ou Porto Alegre, pode ir até Buenos Aires e Santiago do Chile tomando um ônibus da Pluma Internacional ou da Crucero del Norte. É uma alternativa infinitamente mais barata e os carros parecem ser confortáveis. Servem até almoço e jantar! Mas há que considerar que são cerca de 24 horas de viagem ou mais. Não sei preços nem horários de embarque. Coloquei o link, só para constar, mas não perca tempo fuçando os sites das duas companhias: são horríveis para essas informações. Melhor ligar e perguntar.

Como uma boa turista sem grana, com milhas quase vencendo e desesperada para fazer a primeira viagem internacional, no dia 15 de novembro de 2009 retirei pela internet mesmo Rio(Galeão) - Buenos Aires - São Paulo (Guarulhos) - Rio (Galeão). Custo total da passagem: 40.000 milhas + R$ 156,34 de taxa de embarque. Absurdo, mas minha mãe disse que podia, certo? ;)

Sou marinheira de primeira viagem nisso tudo. Assim, por via das dúvidas, copiei e colei as informações do voo num arquivo do Word e salvei no computador; também enviei por e-mail para mim mesma. Uns 5 minutos depois, chegou no meu Gmail uma mensagem do Smiles confirmando a retirada de bilhete. Então, mandei um e-mail com as informações do meu voo para a Lilly, minha amiga portenha, que garantiu que me buscaria no aeroporto na data marcada.

Meu coração ficou leve. Nem acreditei que, dali a um mês e 12 dias, começaria um novo ano... com os dois pés no exterior.

Nova colaboradora

A partir de agora temos uma nova colaboradora no site, a Amarílis Ventura, vulgo minha prima. Ela também é cheia de histórias pra contar, e estava com o blog "Pé-na-Europa". Mas resolvemos juntar tudo num só. Vamos tentar trazer os posts antigos dela pra cá com as datas originais, mas se não conseguirmos, ela deve ir passando aos poucos pra cá. Aos poucos vamos atualizando as tags para facilitar a navegação. Por enquanto peço desculpas pela bagunça, mas daqui a pouco colocamos tudo em ordem.

Amaríllis, seja bem-vinda!

Em resumo...

Em nossa viagem de 10 dias pela Itália, passamos por Milão, Turim, Roma, Florença e Siena.


Milão foram duas passagens rápidas, no dia que chegamos e quando fomos embora do país. Deu pra conhecer muito pouco, mas pudemos pra perceber que é uma cidade grande, com poucos atrativos turísticos, que parece ser mais interessante pra quem vive lá. Achei errada a comparação que fazem com São Paulo. Não existe nada que lembre São Paulo, exceto pelo fato de ser uma cidade grande. Ela está mais pra Buenos Aires, principalmente pela arquitetura. Apesar de muitos dizerem que Milão não vale a pena, eu achei que valeu a visita. Mas se você pretende visitar a cidade, reserve no máximo um dia para isso. Realmente não há muito o que ver por lá, a menos que você queira explorá-la a fundo, fora dos lugares turísticos. 


Em seguida veio Turim, que muitos disseram que era um lugar feio e que também não valeria a visita. Eu não só não me arrependo de ter ido pra lá como foi um dos lugares que mais gostei. Turim realmente não é o lugar mais bonito da Itália, mas ela está longe de ser feia. Mesmo o lugar mais decadente por onde passamos, que foi a Repubblica, era bem melhor que os lugares mais decadentes de São Paulo. Em Turim existem inúmeras coisas pra fazer, basicamente museus, e de todos os tipos. Se você pretende ficar pouco tempo lá, veja quais são as prioridades e foque nelas. Senão você fica doido. A boa notícia é que é tudo muito perto uma coisa da outra, e fácil de se locomover a pé. Mesmo se você estiver hospedado em um local mais distante, como era o nosso caso, a locomoção por trams (bondes) é bem fácil. 


Na sequência fomos para Roma. Achei a menos italiana das cidades, pois foi a mais turística de todas. Eu classifiquei Roma como uma cidade de Lego com algumas peças fora do lugar. Você está andando pela cidade e de repente "Pumba!" Dá de cara numas ruínas. Aí continua o passeio e "Pá!" Bate de frente no Coliseu. É muito esquisito uma cidade de ontem e uma de hoje misturadas em uma só e convivendo pacificamente. Lá nós vimos as coisas mais interessantes da viagem, que foi o Coliseu e a Capela Sistina, e também vimos coisas muito frustrantes, como o Vaticano (sem a Capela Sistina). Achamos as pessoas lá muito ansiosas e mal educadas, o que acabou estragando um pouco o passeio. Mas valeu a pena. Ficamos 3 dias inteiros lá, e foi o suficiente pra vermos tudo o que queríamos ver. Se você pretende ver TODAS as atrações de Roma, separe mais dias. Mas pras principais, 3 está de bom tamanho. 


Nossa última parada seria Florença. Porém, Florença foi um fiasco total, e acabamos indo pra Siena pra compensar a perda. Florença foi a maior frustração da viagem, incluindo o fato de que foi onde passamos o reveillon. Falam muito de Milão, que tem aquelas lojas caras, mas Florença é igual ou até pior. É pior pelo fato de ser uma cidade muito menor que Milão, e portanto a concentração de lojas caras por m2 fica muito maior. Nós nos sentimos até mal e tivemos dificuldade de achar um lugar mais barato pra comer. A energia da cidade estava péssima e nós não conseguimos fazer nenhum outro programa além de ir pra Accademia ver o Davi (que, aliás, valeu a viagem). Além de tudo, o tempo estava chuvoso o tempo inteiro, pra melhorar ainda mais o nosso humor. Por isso que no último dia programado pra ficarmos em Florença, decidimos passá-lo em Siena. 


Siena é outra cidade bem típica italiana. Estava tudo fechado pois era primeiro dia do ano, mas deu pra sacar que a cidade era bem gostosa. Totalmente diferente das outras até na topografia, já que ali era mais montanhoso que nos outros lugares. Com bem menos turistas pra ficar aglomerando nos lugares, pudemos passear com calma, e sentimos um clima bem mais agradável que de florença. Valeu a pena. 


Uma dica importante que eu dou pra quem vai pra Itália: se você quer aproveitar ao máximo o seu passeio, estude antes de ir. Não existe nada mais frustrante do que estar num ambiente rodeado de história sem saber direito o que as coisas significam. Eu ainda tinha alguma noção, e consegui aproveitar algumas coisas. Mas na capela sistina, por exemplo, onde as referências são tantas, me senti uma total ignorante. Não que isso tenha tirado a beleza da visita, mas não deixa de atrapalhar no entendimento. 


No geral, o que eu pude analisar da Itália nesses 10 dias que passamos lá é que é um país com costumes muito parecidos com os nossos, principalmente em termos de educação. Isso provavelmente é fruto da imigração italiana que o Brasil teve no passado, então o mais certo seria dizer que nós somos parecidos com eles. O trânsito lá é maluco, não se tem costume de parar em faixa de pedestres, exceto quanto o farol está fechado. Falo do farol porque mesmo quando o farol de pedestres está verde, os carros continuam passando. Mas nesse caso eles respeitam a faixa, embora de vez em quando você ouça uma ou outra buzina atrás do carro parado. Um costume irritante que eles tem é de furar fila. Parece normal, porque ninguém reclama e ninguém acha ruim. 
É muito comum encontrar pessoas que falam inglês, então não tivemos dificuldade de nos comunicar. No entanto, quem não fala inglês não tem lá muita paciência com quem não fala italiano. Vi muitos casos desses. 
Tudo lá é muito bagunçado, é difícil de achar as informações e quando elas existem, normalmente são confusas. Vi muita gente lá que tem uma certa dificuldade de respeitar o espaço do outro, e fica aglomerando um em cima do outro. Eu estou dizendo isso apenas como um parenteses. Foram apenas algumas constatações que eu fiz ao longo da viagem e que eu achei que valia a pena contar como curiosidade. Não achei a viagem ruim por nenhum desses motivos. 


Acho que uma viagem dessas é legal pra gente aprender a valorizar o nosso país. Os brasileiros têm um costume péssimo de dizer que o Brasil é uma porcaria, que é um país atrasado, que na Europa é que é bom e é lá que a gente tem que morar. Eu discordo. Brasil tem, sim, os seus defeitos. Mas o Brasil é um país que ainda engatinha perto da idade que os países eurpeus têm. No entanto, pelo menos em São Paulo, as pessoas respeitam as filas, nós temos filas preferenciais para gestantes e idosos, assentos preferenciais, e hoje as pessoas se respeitam no trânsito muito mais do que se respeitavam há 15 anos atrás. Nós tivemos grandes avanços nos últimos 15 ou 20 anos. Lá na Itália visitamos monumentos construídos há 2000 anos! Nosso país não tem isso de idade! Como podemos esperar que a gente seja país de primeiro mundo? E ainda assim, vimos na Itália problemas tão de terceiro mundo quanto o nosso. Muitos pobres nas ruas mendigando dinheiro, trens muito velhos, pixações em monumentos... e por aí vai. Por que temos que exaltar que a Europa é melhor que o Brasil, quando temos um país tão maravilhoso, tão rico de cultura, tão cheio de alegria bem aqui, na nossa frente? 

Itália - Milão - Dia 10

Nosso último dia de viagem. Que triste.
Saímos de Firenze ainda de manhã rumo a Milão, de onde iria sair o voo de volta para São Paulo. Porém, o voo era só à noite, isso nos deixava com a tarde livre para dar uma rápida passeada pela cidade. Optamos por ver o topo da Duomo, que é a coisa mais famosa de Milão (e capa do nosso guia). Deixamos nossas malas no guarda-volumes da estação (por 4 euros você pode deixar até 6 horas, e depois paga mais uma quantia por hora) e saímos pro centro.

Chegamos em Milão por volta do meio dia, sob um sol maravilhoso, um p... céu azul, e um frio de rachar! Estava ventando muito, o que fazia a sensação térmica despencar. Estava com toda cara de que a previsão de que nevaria no dia seguinte iria se concretizar. Não sei se foi sorte nossa ter pego um dia lindo daqueles ou azar por não ter visto nem um pouquinho de neve caindo. De qualquer forma, deu pra aproveitar o dia.

A Duomo de Milão

Resolvemos que primeiro iríamos até a Duomo antes de almoçar. Assim poderíamos passear e depois almoçar com calma - ou não - dependendo do tempo que tivéssemos disponível. Pegamos uma pequena fila (Fila! Que novidade!) até chegar num carinha muito estressado que vendia os tickets para subir. A saída da bilheteria já era o começo da escadaria. Não tinha nem como desistir. Não me lembro exatamente quantos degraus eram, mas acho que eram uns 300, numa escadinha bem apertada e que era a mesma para subir e para descer. Então o grau de dificuldade era multiplicado por 2 quando você cruzava alguém descendo.

Lá em cima você descobre que o esforço compensa. A vista não é das mais bonitas, mesmo porque você nem está tão alto assim. Mas a construção é de tirar o fôlego. Nem pela beleza, mas pela riqueza de detalhes. Em cada torre (e havia muitas) tinha várias estatuazinhas. No guia diz que a catedral demorou cento e não sei quantos anos pra ficar pronta. Pudera. Ela tem muito detalhe.

Ficamos um tempinho pasmando lá em cima, tentando nos convencer de que não estava tão frio quanto parecia, e que o fato da gente não estar conseguindo sorrir direito nada tinha a ver com os nossos rostos congelando. Quando nos convencemos de que o frio já havia ultrapassado a beleza do momento, decidimos voltar. Mortos de fome, e com o horário quase apertado para irmos para o aeroporto - que fica bem longe da cidade -, decidimos comer num Burguer King que tem ao lado da Duomo, na própria praça. Mas ao entrar na lanchonete, nos deparamos com o improvável. O Burguer King lá é muito mais cheio do que o McDonald´s! Aquela lanchonete em questão era maior do que qualquer outra que eu já vi. Nem contei quantos caixas eram, mesmo porque eu nem conseguia enxergá-los, de tanta gente amontoada que tinha. Fizemos os cálculos de quanto tempo a gente perderia naquela "fila", e decidimos que o melhor era procurar um lugar mais tranquilo. Eu me lembrava de ter visto um McDonald´s na estação ferroviária, e como teríamos que voltar pra lá de qualquer forma, arriscamos ver se aquele Mc estava mais vazio que o Burguer King.
Nós já estávamos quase atrasados, e acabamos nos perdendo no metrô! Foi tão idiota! A gente precisava pegar a linha 3 e só conseguia chegar na linha 1. Mas que diacho! Ficávamos dando volta em círculos, caindo sempre no mesmo lugar. Detalhe que não era a primeira vez que estávamos fazendo aquele percurso. Perdemos um bom tempo tentando nos achar no metrô. Mas tudo foi compensado quando saímos pelas escadas e demos de cara com um McDonald´s quase vazio na frente da estação ferroviária! Parecia um oásis.

No ônibus, indo pro aeroporto. O pôr-do-sol estava de tirar o fôlego.

Comemos nosso lanche correndo, pegamos nossas malas, compramos os tickets do Malpensa Shuttle e fomos ao aeroporto. Mais ou menos 1 hora de viagem até chegar lá. O aeroporto, por sua vez, é uma bagunça. Quase pegamos fila errada logo de cara. Aliás, pegamos fila errada. Vimos uma fila enorme achando que era de check-in, e descobrimos que já era pro embarque. Só descobrimos porque vi as pessoas com cartão de embarque na mão.
Aí toca procurar nosso balcão de check-in, e depois procurar o local de embarque. Nossa! Que confusão! A sorte é que a gente estava com o tempo contado, mas deu tempo de fazer tudo com relativa calma. Chegamos no portão de embarque no tempo certinho da abertura.

A viagem de volta passa por cima dos Alpes. Eu não consegui ver direito porque estava à noite, mas tive a sorte de ter lua cheia. A vista à noite já é maravilhosa. Eu imagino como ela é durante o dia. Uma pena que não deu pra ver direito. Se você fizer esse voo de dia, não deixe de olhar pela janela. Garanto que não vai se arrepender.

Tuesday, January 12, 2010

Itália - Siena - Dia 09

Nosso penúltimo dia de viagem (e último dia inteiro) foi o mais divertido. Cansados da energia negativa de Florença, resolvemos levantar cedo e pegar o trem até Siena. Essa é uma cidade que estava no nosso roteiro original, mas que tínhamos deixado de lado quando decidimos ir pra Turim. Como ela fica perto de Florença (cerca de 1h30min de viagem no trem lento - não existem trens rápidos que fazem essa viagem), achamos que valia a pena. O valor do ticket até Siena é de 6,20 euros.

A corrida contra o tempo
Saímos do hotel num horário que desse tempo de comprar os passes e pegar o trem com um certo conforto. Mas demoramos até conseguir entender qual era a diferença entre as duas máquinas que vendiam os tickets (até agora eu acho que era a mesma coisa) e acabamos perdendo muito tempo. Quando conseguimos, faltavam uns 3 minutos pro trem sair. Mas não tínhamos o número da plataforma. Procuramos no painel que estava logo na nossa frente, mas também não encontramos. Resumindo a história, fomos descobrir a plataforma cerca de um minuto antes do trem partir, e pior, era a plataforma mais distante de onde nós estávamos. Saímos correndo igual dois loucos na estação (acrescente o frio ao meu super preparo físico e você tem o tamanho do prejuízo) até ver que o trem ainda estava lá. O Ale foi na frente gritando pro fiscal esperar a gente. Ele dizia "mais rápido, mais rápido". Eu corri o mais rápido que eu consegui, mas já estava imaginando o Ale entrando no trem e eu ficando pra trás. Assim que entramos, o trem fechou as portas e seguiu viagem. Loucura total!

Chegando na cidade
Felizmente conseguimos um lugar pra sentar juntos no trem. No caminho, vimos o sol e começamos a nos animar. Afinal, em Florença só chovia e nós estávamos loucos pra ver um pouco de tempo bom. Mas nossa alegria acabou assim que desembarcamos em Siena. A chuva lá estava pior que em Florença. Não bastasse isso, a estação fica a 2Km da cidade, e nós não tínhamos a menor noção do que fazer por lá.
Arrumamos um dos poucos cantos iluminados da minúscula estação de trem e abrimos o guia. Descobrimos qual ônibus deveríamos pegar pra chegar até o centro. Descobrimos qual era o ponto onde passava aquele ônibus e qual horário ele passaria. Quando o ônibus chegou (cerca de meia hora depois que estávamos na ferroviária), conversamos em um italiano macarrônico com o motorista e descobrimos que estávamos em direção errada. Deveríamos ir até o outro lado da rua e pegar o ônibus que volta. Estaria tudo bem, exceto por um detalhe: onde era o ponto do outro lado da rua? Andamos, andamos, andamos e não conseguimos descobrir (tudo debaixo de chuva, obviamente). Voltamos ao ponto zero e tomamos um táxi.


O taxista nos deixou em uma pracinha em frente a uma igreja. De lá partimos para a exploração a pé. Fomos até a Duomo (que é igual à Duomo de Florença, em escala menor), até a Piazza del Campo (da foto ao lado, que é diferente de tudo o que a gente já viu), descobrimos um museu da tortura, que o Ale até se interessou mas no final resolveu não entrar. Passamos o dia basicamente andando pela cidade, sem grandes pretensões. Estava chovendo, nós estávamos relativamente enxarcados (embora meu casaco tenha segurado bem a bronca), mas foi muito divertido.


Depois de estar adorando a cidade, fomos ler no guia que Siena e Florença tem um histórico de rivalidade na sua construção, uma sendo gótica e a outra renascentista respectivamente. Diz lá no guia que quem gosta de uma, não gosta da outra. E foi exatamente isso que aconteceu. Siena é bem mais italiana que Florença, passa um ar mais europeu e menos turístico. Até a geografia dela é mais interessante, por ser mais montanhosa e oferecer paisagens mais belas. Definitivamente foi um passeio que valeu a pena.

Voltamos pra casa molhados e felizes. Aliás, compramos passagem de ida e de volta, mas não houve nenhum fiscal pra ver. Se tivessemos viajado sem passagem, teríamos conseguido. Mas vai arriscar, né?

De volta à Firenze
Quando voltamos à Florença, estávamos implorando por um cachorro quente. De manhã havíamos passado por uma lanchonete e passamos o dia inteiro pensando no hot dog que estava escrito na porta. Mas ao voltar, descobrimos que estava fechado. Esse era um dia que a maioria das lojas estavam fechadas, pois era o primeiro dia do ano. Demos sorte de encontrar um Pub ao lado do hotel que estava aberto, chamado Friends. O pub é muito simpático, estava bem cheio; é de uns orientais, provavelmente japoneses. Conseguimos comer uns hamburgueres gostosinhos, o Ale tomou uma(s) Guiness e voltamos alegres e contentes pro hotel para nos preparar pra viagem de volta pra São Paulo no dia seguinte.

Monday, January 11, 2010

Itália - Florença - Dia 08

Último dia do ano! 31/12/2009.

Accademia
Nosso primeiro (e único) passeio do dia foi ir até a Accademia pra ver o Davi. Pegamos uma filinha pequena, de uns 10 minutos, pagamos 10 euros e entramos na galeria. A galeria é pequena e a única coisa que vale a pena lá (e realmente vale!!) é Michelangelo. Até chegar nele você passa por vários quadros renascentistas que me pareceram todos iguais. A temática era a mesma, as cores eram as mesmas, enfim, variavam praticamente só as posições dos personagens. Sem a menor graça. Aí no meio do caminho você passa por umas fotografias absolutamente-nada-a-ver de um expositor cujo nome eu não me lembro, porque eu nem parei pra prestar atenção. Acho que elas estavam em exposição na galeria por tempo limitado, mas totalmente desambientalizadas. Não tinha nada a ver com o resto das peças.
Aí você anda um pouquinho, chega num corredor cheio de esculturas inacabadas e lá no fundo vê o gigante Davi. É aí que a visita começa a valer a pena (desde que você ignore as fotografias no meio do caminho). As tais esculturas inacabadas são todas de Michelangelo. Eu fiquei na dúvida se é mais interessante ver uma estátua pronta ou ela no meio da produção. Com ela inacabada, sua imaginação corre solta. Imagina ele trabalhando aquele bloco enorme de mármore, quais seriam seus próximos movimentos, o que iria ser daquilo. Mas depois quando você chega no final do corredor e vê o Davi de perto, esquece da vida e acha que só existe ele. Ele é, sim, perfeito. Cada veia, cada músculo, cada tendão. A expressão no rosto dele, o olhar, é incrível. Mais uma daquelas coisas que você tem que ver de perto pra crer.

Depois de ver Davi, passamos por algumas outras esculturas de uns artistas xis. Todas parecem rabiscos perto do que a gente tinha acabado de ver! E mais quadros renascentistas iguais. Saímos de lá meio desmotivados pra ir em outras galerias e museus, onde provavelmente veríamos mais do mesmo. Resolvemos ir até a basílica, mas a fila pro Domo estava enorme, e como a gente já tinha subido em umas 3, desanimamos de novo de ir em mais uma pra ver mais paisagem.

A energia daquela cidade realmente não estava fazendo bem pra gente. Passamos num lugar qualquer pra comer e voltamos pro hotel debaixo da chuva mais forte que pegamos. Descansamos até a hora do reveillon.

O Reveillon

Saímos do hotel 15 minutos antes da meia noite, porque estava chovendo. Fomos até uma das praças onde tinha um pessoal (e seus guarda-chuvas) reunido e ficamos lá esperando uma contagem regressiva. Mas ela não existe. De repente alguns fogos começaram a estourar, a gente se deu feliz ano novo, todo mundo ou foi embora ou ficou extremamente bêbado em questão de segundos e a cidade começou a ficar meio bizarra. Fogos começaram a ser soltos naquelas ruazinhas estreitas, soltando estrondos que pareciam que iam derrubar prédios. No meio da rua alguns grupinhos mais alegres, outros mais agressivos. Nativos brigando com imigrantes africanos. A gente começou a ficar com medo. Resolvemos comer um waffle num café que a gente tinha visto à tarde e voltar pro hotel. Mas na volta nós nos perdemos, andamos um monte até voltar pro ponto inicial e fazer o caminho certo. Resumindo, o reveillon foi péssimo. Tirando o fato de eu estar com o Ale, todo o resto foi totalmente dispensável. Foi ali que a gente decidiu que definitivamente Florença não estava fazendo bem pra gente. Tínhamos que tomar uma atitude. Assim decidimos que nosso último dia em Florença nós passaríamos, na verdade, em Siena. Não poderíamos ter tomado decisão mais acertada.