Saturday, January 10, 2009

04/01/2009 - A volta

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Como diz o velho deitado, tudo o que é bom dura pouco. Hoje, às 16h, peguei um ônibus de volta, que por sorte eu consegui um bilhete direto de Angra pra São Paulo. Isso me fez economizar tempo e dinheiro. Achei que o ônibus fosse convencional, mas pra minha surpresa, ele era um semi-leito como o que eu tomaria no Rio. Fiz uma viagem confortável, barata e rápida. Não peguei trânsito nenhum, e em 6 horas e meia eu já estava em casa. Não poderia ter sido melhor!

Thursday, January 8, 2009

03/01/2009 - O barco

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Minha primeira noite verdadeiramente bem dormida! Nenhum cachorro, nenhum celular, nenhum efeito de remédio pra atrapalhar meus doces sonhos. Ufa!
Acordamos cedo com a intenção de buscar um passeio até Aventureiro, praia que fica do lado de fora da Ilha Grande. Mas nós não sabíamos o que o dia nos reservava.
Chegamos na cidade às 9:30 e saímos em busca
de alguém para nos levar em Aventureiro. Depois de muita busca por informações e alguns números de telefone errados, descobrimos que os únicos barcos habilitados a irem até lá não estavam por perto. Além disso, a praia tem um controle de entrada de turistas que parece que estava esgotado.

Saímos em busca do plano B: um passeio de escuna até Abraão, mas descobrimos que saía um passeio muito caro. Então tivemos a idéia de ver barcos para alugar. Descobrimos 3 meninas que queiram ir até a Gipóia, e dividindo o aluguel sairia mais barato pra todo mundo. Enquanto a gente não decidia o que fazer, entramos na fila da escuna, na esperança de abrirem novas vagas. Quando vimos que não havia mais esperanças, convidamos algumas pessoas que estavam na fila pra dividir o barco coma gente. E finalmetne decidimos o nosso destino: eu, a Amarilis e 7 completos estranhos íamos de barco até a Ilha da Gipóia. Mas... que barco? A anta da mulher da agência não reservou barco pra gente, então tivemos que sair correndo atrás de algum barqueiro que fizesse a viagem. No fim valeu a pena. Às 11h da manhã, uma hora e meia depois do início da nossa jornada, encontramos o Ioni, o barqueiro mais gente boa que existe. Deixou até a Amarílis pilotar o barco na volta.
Ficamos na Praia das Flexas e combinamos que ele viesse nos buscar às 19h (ele não poderia vir mais cedo). Fizemos uma pequena trilha até Jurubaíba, onde passamos o dia. Voltamos para a Praia das Flexas só no final dodia, momentos antes do desague. Caiu uma chuva digna de filme de terror (ok, certo exagero aí), mas o resultado da chuva foi um belíssimo arco-íris, indo de ponta a ponta, morrendo e nascendo no mar, durante o crepúsculo.  Vimos essa cena quando já estávamos no mar voltando pro continente. Essa é uma cena que será difícil de tirar da memória.

Cansadas e com fome, pegamos a Yasmin na Julia, paramos no Papão pra comer um lanche, e voltamos pra casa de táxi, porque o corpo não aguentava nem esperar um ônibus. Morta, mas feliz.

02/01/2009 - A escuna

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Mais uma noite mal dormida, mas dessa vez a culpa foi só do remédio e seus efeitos colaterais (deviam chamar de defeitos colaterais). Nada que eu já não tenha sentido antes.
Fomos pra cidade procurar um passeio de escuna, e descobrimos uma Angra dos Reis tomada por turistas insandecidos, que lotaram todas as escunas, saveiros e barcos possíveis da cidade. por sorte achamos uma agência que havia alugado uma escuna extra, e conseguimos - depois de muita briga e muito suor, literalmente - uma vaguinha pra gente. Esse passeio nos levava pra 4 lugares: Ilha de Cataguases, Lagoa Azul, Japariz e Freguesia de Santana.

Infelizmente o tempo estava meio fechado, o que impedia um pouco a gente de ver o fundo do mar, que tem a água cristalina. Além disso, o movimento alto de barcos e tristas acabou espantando os vários peixes que costumam ser a atração da Lagoa Azul. Mas tudo isso não impediu que uma tartaruga enorme e solitária se aproximasse da costa e passasse bem debaixo do nosso barco enquanto estávamos aportando no nosso 3º destino. Essa foi a primeira vez que eu consegui ver uma tartaruga na natureza e, embora todo o passeio tenha sido maravilhoso, só essa tartaruga valeu o dia inteiro.
Voltamos do passeio já no final do dia, lá pelas 20h. A idéia era sairmos à noite, mas eu estava cansada, acabou caindo o maior pé d'água, no final das contas ficamos em casa, mesmo.

01/01/2009 - Primeiro dia do ano

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A noite foi terrivelmente mal dormida. Uma das meninas que estava dormindo com a gente no quarto estava com o celular ligado, e dormindo abraçada com ele. No meio da madrugada o celular começa a tocar insandecidamente, provavelmente algum bêbado querendo desejar feliz ano novo. Feliz, só se for pra ele, porque pra mim estava sendo uma bosta, sendo acordada por aquele celular maldito. Depois de uns 15 minutos tocando ininterruptamente, sem a dona do celular acordar e minha tentativa de resgatar o objeto tocante de debaixo do travesseiro da pessoa que dormia feito uma pedra ter fracassado, o provável bêbado desistiu dos votos de boas festas e - descobriríamos mais tarde - teria optado por enviar uma mensagem. Voltei a dormir. Minutos depois acordo com BIPS celulísticos vindo de debaixo do travesseiro da garota de pedra. Neste momento a Amarilis, que dividia o colchão comigo, também havia acordado. Juntas conseguimos resgatar o celular e desligamos. Mas nada é tão simples quanto parece. O celular da menina estava com o alarme programado para às 5:30h, alarme este que toca inclusive com o telefone desligado. Ou seja, às 5:30h da manhã eu estava sendo acordada pela 3ª vez na noite pelo mesmo motivo! Inacreditável!
Não contente com isso, lá pelas tantas da manhã eu e a Amarílis acordamos com a fofinha - a cadela - querendo brincar no nosso colchão. Super divertido.
Celulares e cachorros à parte, lá pelas 9:30h eu acordo com uma movimentação estranha na casa: "eu acho que ela foi pra lá" "já viu ela lá fora?" "ela tava aqui no quarto hoje cedo" "Fofinha? Fofinha?". Era a cachorra que havia sumido. Respirei fundo, levantei e fui tomar café. Tava a casa inteira mobilizada procurando a tal da Fofinha. Segundos depois de eu falar "relaxa, daqui a pouco ela aparece", sai a Fofinha da despensa, com a maior cara de sono, abre um bocejo, e atendendo ao meu feliz chamado de "olha a Fofinha aqui!", veio correndo ao meu encontro, rabo abanando, outro bocejo. Caso fofinha encerrado.

Logo depois do café, eu, a Amarilis, o Anderson, o Maurício e o Diego fomos fazer uma pequena trilha até um ponto alto que tinha uma vista incrível de Angra. O Anderson é fotógrafo amador, então a trilha de 15 minutos demorou 30 pra gente poder tirar umas fotos. Na volta eu levei um tombão que achei que fosse deixar minha bunda roxa, mas nem ficou.
Na volta ficamos um pouco no mar, almoçamos lá pelas 4 da tarde, e às 5 pegamos o barco que nos trouxe de volta à Angra.
Depois de eu ter caído no mar ao pular na água saindo do barco, pegamos um ônibus que demorou uns 40 minutos pra chegar em casa. Tomamos um banho e fomos comer no Pirata´s Mall com a Vivian e o Allison, e voltamos direto pra cama! Mortas!

Wednesday, January 7, 2009

31.12.08 - Ilha Grande - O reveillon

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Finalmente uma noite de sono numa cama macia, com travesseiro macio. Depois de descansar por uma noite inteira, acordei, tomei café, arrumamos as coisas e partimos para o cais pegar o barco que nos levaria à Ilha Grande. Ficamos no ponto de ônibus mais ou menos meia hora, o que quase nos fez perder o barco. Chegamos lá segundos antes dele sair. Encontramos a Nina e a família dela no barco, pessoas que iam nos hospedar.
Cerca de uma hora e lindas paisagens depois, chegamos à praia em que íamos ficar, Matariz. Na casa havia cerca de 25 pessoas, todas para usar o único banheiro disponível da casa. Era como ganhar na loteria querer usar o banheiro e ele estar desocupado.

Fomos muito bem recebidas pela família da Nina, família de japoneses. Me lembrou os reveillons em Capão, aquele monte de gente, naquela mesa enorme, montes de louças pra lavar.
Durante o dia não fizemos muita coisa. Demos uma volta para conhecer a pousada da família, fomos um pouco no mar no fim do dia, e lá pelas 23:30 nos arrumamos para a festa do reveillon. Rolou um pseudo-lual na praia, com direito a tochas, decoração de bambu e queima de fogos. Tava tudo lindo. Mas logo depois da queima de fogos todos foram deitar. Eu e a Amarilis ainda ficamos um pouco na praia, conversando e tirando fotos, e só quando cansamos é que fomos nos amontoar no colchãozinho que nos foi designado.

Enfim, uma cama!

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É meia noite. Tudo o que eu consegui dormir desde a noite retrasada até agora foi durante a viagem de São Sebastião até Paraty, que, diga-se de passagem, foi bem longa. MUITO trânsito. Estava previsto chegarmos em Angra cerca de 14h, mas chegamos só depois das 17h, acho que 17:30h. Pelo menos consegui dormir um pouco no ônibus, que era bastante confortável. Uma empresa chamada Util, não dava nada pra ela, nunca tinha ouvido falar. Mas era bem melhor que muita empresa que eu já viajei.
Cheguei aqui, almocei, tomei um merecido banho e cheguei à conclusão de que se eu deitasse pra descansar, eu não ia levantar mais hoje. E eu nem estava me sentindo tão cansada. Então saímos pra dar uma volta, fomos até a casa da Julia, depois da Vivian, fizemos umas comprinhas pro reveillon, caminhamos bastante, voltamos, jantamos e a idéia era sairmos pra ver um show que tá rolando na praia, mas a preguiça venceu.
Agora, deitada aqui, registro o que me passou pela cabeça o dia inteiro: é impossível estar em Angra e não pensar na Madeh. É estranho, na verdade. É como se esse lugar não pudesse existir sem ela. Agora desci pra cozinha e revivi todos os momentos da gente entrando na calada da noite para roubar os salgadinhos da festa da Amarilis. Aquele dia foi muito bom. Queria que ela estivesse aqui agora.

Ah, sim! E só chegando lá que a Amarílis resolveu me contar que todos os planos do reveillon mudaram, que a gente não vai mais acampar, que vamos ficar na Ilha Grande só durante a virada, e os outros dias vamos passar em Angra, mesmo. Ou seja, não precisava ter levado a barraca. Vontade de matar a Amarílis? Quase nenhuma.

30/12 - 8:00h - Here comes the sun

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Finalmente está chegando a hora do segundo embarque. Uma noite inteira com a bunda no banco dura da rodoviária. O cara chato ainda fez o favor de voltar lá pelas 6 da manhã com uma água e um suco pra mim (que claro que eu não tomei)! Dei um perdido nele e, quando eu voltei, ele estava dormindo no banco, segurando uma lata de cerveja (atentem ao fato de que eram 6 da manhã e o cara estava tomando cerveja...). Só figura que me aparece... Em contrapartida, fiquei um bom tempo batendo papo com um motorista e um cobrador que estavam aqui fazendo hora. Eles, sim, eram gente boa.
Pra não dizer que eu não dormi, eu apaguei por uns 5 minutos agora há pouco. Tempo suficiente pra fazer eu conseguir enxergar as coisas direito novamente. Já estava vendo tudo torto de sono. Acabei de pegar minha passagem, agora preciso descobrir quanto tempo de viagem até lá. Espero que bastante, assim dá tempo de dormir, principalmente porque provavelmente vai estar trânsito. Só espero pegar um ônibus mais calmo dessa vez.

Saturday, January 3, 2009

4:30h - A saga continua

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Ainda na rodoviária de São Sebastião. O tempo está sendo generoso, e está passando bem rápido. Parece que cheguei há uma hora, e na verdade já faz 3. Melhor nem pensar que ainda faltam 5. Achei um posto aqui ao lado que tem um banheiro usável, embora não tenha papel. Salvem os kleenex de bolsa. Aproveitei pra vomitar o toddynho que eu decidi tomar, e aliviei o enjôo que eu estava sentindo. Tá, eu sei que isso é nojento e esse detalhe eu poderia ter poupado. Mas a vida é assim mesmo.
Esta rodoviária tem um movimento até que razoável (o que mais tarde eu viria saber que é só durante o período de festas). Constantemente tem ônibus indo e vindo, o que cria um bom fluxo de gente - e ajuda o tempo passar. A única coisa chata até agora foi um cara chato (acho que bêbado) que apareceu quando eu estava confortavelmente quase dormindo. Se apaixonou por mim, e até foto tirou. Eu não quis ser grossa com o cara, ia passar mais horas lá e não sabia até que ponto o cara estava bêbado e poderia ser agressivo. Também não ia ter muita gente lá pra me ajudar. Então tentei dar e não dar bola pro cara. Agora ele foi embora, mas disse que volta. Espero que não cumpra a promessa. Até falei que eu tinha namorado, pra ver se ele me deixava em paz, mas não sei se eu fui muito convincente.
Agora eu estou sozinha. Admito que é meio creepy ficar totalmente sozinha aqui. Nem estou escutando música, que é pra ficar mais atenta a todos os sons. Sei lá, todo cuidado é pouco. Não custa.
Ah, procurei pousada um pouco depois que eu cheguei. Foi quando eu encontrei o posto com banheiro. Estavam todas lotadas. Mas de qualquer forma foi bom pra passar o tempo e passear um pouco. Também ajudou a melhorar um pouco o enjôo.

Madrugada 29-30/12/08 - Rodoviária São Sebastião

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Foi uma viagem interminável. A princípio rezei para que a viagem fosse demorada, horas de trânsito, afinal de contas, seria mais confortável horas no ônibus do que horas no banco duro de uma rodoviária. Minhas idéias começaram a mudar quando eu percebi quais eram as minhas companhias dentro do ônibus. Para começar, a menina sentada na minha frente comia uma coxinha frita, empesteando o ônibus com o cheiro. Depois foi um tal de troca-troca de lugar até que todos estivessem acomodados. Todos devidamente em seus lugares, ninguém ficava quieto. A menina no banco ao lado, detentora de uma voz insuportavelmente aguda e anasalada, não ficava quieta um minuto sequer. Um grupo lá trás parecia que estava excursão de 8ª série. O motorista ameaçou até de parar na delegacia! Sem contar que paramos o ônibus duas vezes por causa de gente fumando no banheiro! Em outras palavras, só faltou gente levando galinha.
Pra piorar a minha situação, a estrada sinuosa me deixou com uma bela vontade de vomitar. Guerdei o vômito para a rodoviária, mas, adivinha! O banheiro da rodoviária está trancado! Não é lindo? Agora estou no dilema entre comer ou não comer, eis a questão. Estou com fome, mas tenho medo de comer e piorar a situação. Tenho mais 7 horas pra ficar aqui (que animador), sem um banheiro pra fazer xixi ou vomitar. Uhu!

29/12/08 - Rodoviária do Tietê

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São exatamente 21h. Cheguei na rodoviária há tempo suficiente para ter algumas más notícias.
Problema 1: Fui no guichê da Expresso do Sul saber se eu poderia marcar minha passagem de volta do Rio pra cá. Poder eu posso. O problema é que se eu não encontrar passagem Angra-Rio, eu perco essa passagem, já que o único lugar onde eu posso cancelar a passagem é pelo guichê no Rio, e pra eu chegar lá eu preciso da passagem Angra-Rio, e se eu conseguir essa passagem, eu não vou precisar cancelar a passagem. Sacou o problema?
Problema 2: a mochila está muito mais pesada do que eu imaginei. As pernas precisam de força extra, não é só a coluna ou os ombros que precisam aguentar o tranco. Isso porque eu estou levando realmente pouquissima roupa!
Problema 3: Fiquei sabendo que na Ilha Grande não existem lugares para fazer compras, e que teremos que levar as compras na mão. Iei! Que animador.
A Amarilis decidiu que vamos passar o Reveillon acampadas. Acho ótimo, assim achamos uso pra essa barraca monstruosamente pesada que eu estou carregando. Ok, ela nem é tão pesada assim. Não antes dos primeiros 5 passos.
Ah, só pra deixar registrado, está um calor dos infernos, e eu estou com a minha bota da Thimberland que eu tive que trazer pra fazer trilha, e vim vestindo pra diminuir o peso da mala. Vamos combinar, esse troço é um trambolho. E eu estou parecendo uma árvore de natal. Mochila, blusa amarrada na cintura, pochete (é, eu sei, é horrível, mas fica mais fácil de pegar as coisas e é mais seguro que deixar na mochila), calça, bota, ipod e uma garrafa d'água. Ainda bem que a época É de natal!

Trilha sonora: There There, Radiohead.