Monday, November 30, 2009

São João Del Rei e Tiradentes

Avalie: 
Esse final de semana eu e meu namorado botamos o pé na estrada pra ir até MG, mais precisamente em São João Del Rei. Por questões técnicas, precisei doar as minhas chinchilas, e uma menina de lá se interessou por elas. Como o Ale disse que queria conhecer essa cidade, decidimos levar as chinchilas até a menina. De acordo com o google maps, seriam 6 horas de estrada. Como as chinchilas não podem passar calor, decidimos viajar durante a noite, assim não corria o risco de pegarmos sol na estrada. O plano era sair de SP umas 8 da noite e chegar lá por volta das 2 da manhã. Mas acabamos saindo daqui quase 23h, e viramos a madrugada na estrada. Chegamos lá já com o dia quase amanhecendo, deixamos as chinchilas, negociamos uma meia pensão com o hotel (já que a nossa diária só começaria ao meio dia), e dormimos até meio dia. Só então começou a nossa viagem de verdade.

A estrada
Para chegar até São João Del Rei daqui de São Paulo, nós pegamos a rodovia Fernão Dias (BR 381) e lá em Lavras nós entramos na BR 265. A Fernão Dias, até onde eu me lembro, costumava ser uma estrada bem ruim. Hoje ela está inteira duplicada, e muito bem sinalizada. Ela fica muito melhor, por incrível que pareça, no trecho de Minas - que é a maior parte do caminho. São Paulo são apenas 100Km de estrada. Não que seja ruim em SP, mas em Minas a qualidade de asfalto e sinalização sobem bastante. Não sei se isso é por causa do maior movimento da estrada dentro de SP ou se é pelo fato de Minas cobrar pedágio (pegamos 4 pedágios de R$ 1,10 cada). Talvez a soma dos dois fatores tornem o trecho paulista mais degradado, não sei. Só sei que fiquei surpresa. Mas fato é: tem MUITO caminhão na estrada, e as curvas da estrada são muito perigosas. Descuide um pouco da atenção e você vai parar ou no muro, ou no barranco. E acontece. Eu não contei quantos acidentes eu vi no caminho da ida, mas foram no mínimo 5. Muito caminhão tombado. Principalmente porque era de madrugada, e os caminhoneiros devem dormir na direção.
No entanto, no trecho mineiro tem postos de combustível a cada poucos kilômetros. Em todos eles, uma legião de caminhoneiros estaciona seus caminhões para descansar. Não espere encontrar um lindo Frango Assado (existe um no comecinho da estrada, ainda em São Paulo, mas é o único), ou um enorme Graal. Nessa estrada todos os postos são voltados para os caminhoneiros. Os carros quase não têm vez. Parei em dois deles para ir ao banheiro, mas ambos estavam em estado razoável ou até bom.

A coisa começa a ficar ruim mesmo quando a gente entra na BR 265. No trecho entre a Fernão Dias e Lavras, a estrada é péssima. Essa foto é de um trecho de lá (clique nela pra ampliar). Se de dia ela é assim ruim, imagine ela à noite. praticamente sem nenhuma sinalização, sem faixas no chão, toda esburacada. De repente e sem aviso, ela se transforma em pista duplicada. Você anda uns dois ou três km e depois volta a pista normal. Aí você continua andando nela, passa Lavras, e anda umas 2 horas numa estrada que ora é uma porcaria sem sinalização, ora parece estrada de primeiro mundo, cheio daquelas tartaruguinhas refletoras no chão, faixas pintadinhas, asfalto novo, placas de velocidade, curva perigosa, e tudo mais que você tem direito. De repente tudo some. Daí reaparece. E assim vai até São João. Isso, às 4 horas da manhã depois de 5 horas viajando, dá um certo stress e cansaço. Mas sobrevivemos.

A cidade de São João Del Rei
Eu estava esperando chegar numa cidadezinha linda, pequena, com predinhos bem conservados, chão de paralelepípedo, essas coisas. Aí entramos em São João e nos deparamos com um monte de casa feia, pobre. Andamos, andamos, andamos, e encontramos o centro. Finalmente os paralelepípedos. Foi lá que eu entendi o que a nova dona das minhas chinchilas quis dizer quando ela disse que São João era uma cidade maluca. Dirigir ali é coisa de doido. As ruas do centro não têm lógica nenhuma, existe um farol que não é de 3 fases pra quem segue em frente, ao lado de um de 3 fases pra quem vai virar à esquerda, e você tem que descobrir as coisas pela lógica, porque não existe nada dizendo que a pista da esquerda é pra quem vai virar e a da direita é pra quem vai seguir. Uma loucura.
Aí fomos procurar o ponto de referência que ela tinha nos dado: a UFSJ, ao lado da igreja que ficava em cima do morro. Bom, eu moro numa cidade que você entra e já vê uma igrejinha em cima do morro. Pensei que fosse a mesma coisa. Chegando lá, encontramos 4 igrejas. Depois de perguntar pra 3 ou 4 pessoas, conseguimos chegar na tal igreja do morro, que era longe do centro. E quando eu digo longe, é  longe. A cidade é muito maior do que eu imaginei, e feia. Tirando por alguns casarões que ainda estão conservados no centro, a cidade é uma grande mistura de moderno com antigo, com aquela cara de cidade do interior meio mal cuidada quando você sai um pouquinho do centro. Não gostei. Fiquei com uma impressão super ruim da cidade.

Tiradentes
Aí essa menina indicou pra gente o passeio de Maria Fumaça, que ia até Tiradentes. Como a gente não estava vendo muito o que fazer por lá, pegamos o trem das 15h e fomos até a cidade vizinha. Pronto. Salvou o passeio. Tiradentes é linda, lá, sim, é uma cidade turística e histórica, com predinhos bonitinhos, bem conservados, ruas de paralelepípedo, muita lojinha de artesanato mineiro, igrejinhas fofas, e tudo mais. Adoramos a cidade, mas como o trem de volta saía em 1 hora (e a chuva que caiu quando chegamos lá nos fez perder pelo menos 20 minutos), quase não aproveitamos o passeio. Decidimos voltar no dia seguinte, depois que fizessemos o check out no hotel, pra almoçar lá. E foi o que fizemos. Acordamos, pegamos o carro, fomos até Tiradentes, almoçamos por lá, demos uma passeada pelo centro (dica: vá de tênis. As ruas são de pedra e é muito fácil de escorregar ou torcer o pé), e lá pelas 14:30h já estávamos de volta na estrada. Valeu a pena. A viagem foi cansativa mas muito gostosa. Tiradentes sem dúvida é bem melhor que São João. Inclusive cogitamos a idéia de voltar pra lá em algum carnaval. Um pessoal com quem a gente conversou lá disse que o carnaval lá é bem tranquilo hoje em dia. A prefeitura andou fazendo algumas restrições depois que a cidade teve problemas com o foliões, e o carnaval voltou a ser aquele de rua, típico de cidade do interior. Deve ser muito bom.

Dicas e sugestões


Restaurantes


Em São João e em Tiradentes comi em dois restaurantes muito gostosos. O de São João se chama Villeiros, e só agora vendo a foto que eu notei que a placa diz "restaurante e teatro". Não me lembro de ter visto nada por ali que pudesse se transformar em teatro durante a noite, mas enfim... o restaurante é muito gostosinho. Me pareceu novo, a dona (imagino que seja a dona) estava recepcionando os clientes na entrada, mais pra ter certeza de que ia ter lugar pra todo mundo do que realmente pra dar as boas vindas. Mas ela era muito simpática, veio à mesa pra saber se estávamos sendo bem servidos e tudo mais. A comida lá era muito boa. Tinha desde comida típica mineira até sushi, grelhados, massas, muitas opções de saladas, enfim, muita coisa boa. O preço não era dos mais baratos, eu e o Ale pagamos R$ 30 nos dois pratos e dois refrigerantes (o preço é por kilo). A mesma refeição em Tiradentes num restaurante que eu já vou falar a respeito saiu por R$ 20, com cerveja e refrigerante. Mas achei que compensou.

Ainda em São João, à noite, nós queríamos comer uma pizza. Descobrimos que na cidade não existe forno à lenha. As pizzas são feitas em forno à gas. Entramos em uma pizzaria que não gostamos da cara da pizza, paramos numa banca e pedimos sugestões. O dono da banca nos mostrou uma cantina que tinha uma comida maravilhosa, que era a única da cidade a aparecer no guia 4 rodas, e blá blá blá. Não me lembro o nome do restaurante, mas acho que era Ítalo, ou qualquer coisa assim. Fica pertinho do cinema. Nós fomos e descobrimos dois funcionários pra atender o restaurante inteiro. O que aconteceu foi que ficamos 1 hora (e não é força de expressão) esperando pela pizza. Não dá nem pra culpar os garçons. Só não saí muito furiosa porque a pizza chegou quando demos o ultimato e, passada a fome, tudo fica melhor. A pizza não é nenhuma super-duper maravilha, porque é em forno à gás. Mas, como disse o Ale, quando as nossas expectativas estão baixas, a gente pode se surpreender. Até que a pizza era bem gostosa.

Lá em Tiradentes a escolha do restaurante foi bem difícil. Existe um a cada 20 metros, e todos parecem ótimos. Escolhemos um que fosse por kilo, e que tivesse comida mineira. Tinha umas cantinas que pareciam muito boas por lá, mas estávamos em Minas, né! Não dá pra desperdiçar a culinária mineira assim. Então escolhemos o restaurante Quinto do Ouro, que fica pertinho da antiga cadeia, na rua Direita. O restaurante parece uma sala de uma casa. Existem poucas - e boas - opções de comida, uma salada simples com tempero básico (sal, vinagre e azeite). Mas a comida é uma delícia, e os donos muito simpáticos e atenciosos. Foram as únicas pessoas de lá com quem ficamos conversando um pouco. Foram eles que nos falaram sobre o carnaval na cidade.

Maria Fumaça
A Maria fumaça é um trenzinho de passeio que vai de São João até Tiradentes. A viagem de ida e volta custa R$ 30, e só ida custa R$ 18. Eu achei um preço um tanto alto pelo passeio, mas foi bacana. O trem é bonitinho, o fiscal é uma figura muito simpática que vira superstar, já que todo mundo quer tirar foto com ele. O trem anda margeando o Rio das Mortes, que não é nenhum primor de beleza. É um rio barrento, de águas escuras, cercado de uma vegetação que não tem nada de espetacular. Exceto pela cadeia montanhosa que fica atrás do rio, a Serra de São José.


Aquela é provavelmente a paisagem mais linda que eu já vi na minha vida. Mas se você quer ver a serra como ela merece ser vista, suba até a igreja Matriz de Santo Antonio, em Tiradentes, que eu garanto que a subida valerá a pena. As fotos não fazem jus à beleza daquele lugar. Mas aí está pra dar uma noção do que eu estou falando. Essa foto aí foi tirada da matriz (entre uma chuva e outra). E a cidade é toda assim, como aparece na foto: lindinha.

Hotel
Nos hospedamos em São João no hotel Calcinfer, que fica no bairro Dom Bosco, bem pertinho da igreja Dom Bosco e do campus Dom Bosco da UFSJ. O hotel foi o mais barato que eu encontrei, e, portanto, os serviços eram os mais simples. Conseguimos negociar a meia pensão para passar a manhã quando chegamos, mas como nosso quarto ainda não estava disponível, eles ofereceram um de qualidade inferior (ou BEM inferior, segundo o Anacleto, que foi quem nos atendeu). Aceitamos. O quarto realmente era bem simples, havia uma cama, uma tv, um ventilador de teto e outro de chão, e o banheiro sem toalhas (aí já não sei se foi falha da camareira ou se é política do hotel). Nem me preocupei com isso, já que eu só tomaria banho mais tarde, já no quarto definitivo. Esse era maior, tinha frigobar, alguns chocolates, toalhas (embora o quarto fosse de casal e só tivesse uma toalha, nós tivemos que ir buscar outra), tv e ventilador de teto. O banheiro era razoável, nada de especial. Tinha um box bom, com bastante espaço, e o chuveiro não era daqueles conta-gotas. Deu pra tomar um banho legal. A cama também não era das mais confortáveis, mas no nosso nível de cansaço, a gente podia estar dormindo em pedras que seria ótimo.
O café da manhã, que eu aguardei ansiosamente (adoro café da manhã de hotel, principalmente de minas) me deixou um pouco decepcionada. Nem pão de queijo tinha, apesar de ter uma grande variedade de biscoitos, pão de forma, pão francês, queijo, presunto, e algumas frutas. Mas não gostei. No entanto, pelo preço que nós pagamos (R$ 80) eu realmente não estava esperando grandes coisas. Até que foi satisfatório, pelo valor. Mas se você está considerando uma viagem pra lá, eu recomendo procurar uma pousada em Tiradentes, que fica a apenas 17km de São João, e as pousadas são muito mais charmosas.

Mais fotinhos aqui.

No comments: