Monday, December 27, 2010

Itália de Trem: Eurostar x Regional

Avalie: 
Pra quem é marinheiro de primeira viagem, andar de trem na Europa pode parecer complicado no início - mas logo se pega a manha e aí tudo é festa.
A Thaís já postou algumas informações sobre sua experiência nos trens na Itália e nós duas já comentamos sobre como adquirir passes. Agora, aproveito para condensar algumas (poucas, mas úteis) dicas para ninguém perder tempo nas estações italianas.

1. Meu bilhete dá direito a andar em qualquer trem na Itália?

Sim, se você adquiriu um passe da Eurail. Comprei o Italy Rail Pass, que me
concedeu o direito de embarcar/desembarcar de qualquer trem na Itália, quantas vezes quisesse,

por 7 dias não consecutivos em um período de 2 meses
(
178

). O preço varia de acordo com a quatidade de dias. Lembrando que, nos trens Eurostar, ainda é necessário desembolsar cerca de 20

para reservar assento (10

por trajeto).

2. O que é Eurostar e Regional? Quais as principais características?
Até onde minha pouca experiência me levou, existem 2 tipos de trem na Itália: Eurostar e Regional.

Na prática, reconhecer a diferença entre eles é útil apenas para saber se você vai precisar ou não entrar em filas para reservar assento.

Eurostar
A vantagem do Eurostar é a velocidade: chega-se ao destino cerca de 1 hora antes do tempo habitual. Uma desvantagem é a reserva de assento obrigatória.


* Reserva de assento: obrigatória. Pode ser feita nos guichês disponíveis em qualquer estação de trem da Itália (quem tem Europass deve se dirigir ao da Eurail). As filas demoram 10 minutos em média. Para a 2ª classe, a reserva custa cerca de 10 por assento em cada trajeto, quantia não inclusa no preço do bilhete. Se estiver em um passeio bate-e-volta e fizer questão de pegar o Eurostar no retorno, não perca tempo: reserve o assento logo que desembarcar. Melhor aproveitar as atrações da cidade um pouco mais do que ficar na estação aguardando o próximo trem.


* Fiscalização: em algum momento da viagem, o fiscal vai exigir seu bilhete de trem e também o ticket que comprova a reserva do assento. Se não em todas, na maioria das vezes exigem seu passaporte.

* Velocidade: mais rápido, economiza-se cerca de 1 hora no tempo de viagem.

* Conforto: bem agradável e limpo.


Regional
A inexistência de reserva de assento, que torna o processo de embarque barato e independente, é a principal vantagem do Regional. A desvantagem é o tempo de viagem, mais longo.

* Reserva de assento: não existe. Basta chegar à estação no horário marcado para a partida, se dirigir à plataforma, escolher um vagão, subir e sentar-se em qualquer lugar vago. Fiz Bologna > Verona > Bologna em Regionais e, em ambos os trajetos, os trens estavam consideravelmente vazios. No caso de um bate-e-volta, você fica livre para aproveitar o dia ao máximo.

* Fiscalização: em algum momento da viagem, o fiscal vai exigir seu bilhete de trem. Em alguns casos, precisará mostrar o passaporte.

* Velocidade: mais lento, gasta-se cerca de 1 hora a mais para chegar ao destino.

* Conforto: questionável. Os bancos, de plástico, são bem duros e os vagões são um pouco sujos.

3. Na estação, como sei se devo reservar assentos para um Eurostar / Regional?

Em geral, as estações disponibilizam um painel eletrônico com as próximas partidas. Verifique se o símbolo da Eurostar aparece bem ao lado do trem em que você deseja embarcar. Se sim, entre na fila para reservar seu assento. Do contrário, é um Regional e aí não precisa reservar assentos; basta ir à plataforma indicada.

4. Onde e como verifico horários dos trens (Eurostar / Regional) na Itália?
a) Internet: no site da Trenitalia (inglês/ italiano), dá para conferir todos os horários de trem e tempos de viagem, por data de partida.

b) Nas plataformas das estações, quadros como o da foto à esquerda (clique abaixo para ampliar) mostram, de um lado, todos os horários de partida (partenza) e, do outro, todos os de chegada (arrivo) de todos os tipos de trem disponíveis naquela estação. Há também pequenos visores eletrônicos (foto à direita), informando detalhes do próximo trem a parar naquela plataforma.



c) Próximo aos guichês, localize na estação o painel eletrônico central, que informa horário de saída/chegada; número do trem; número da plataforma; tipo de trem (Eurostar / Regional); destino principal; cidades onde estaciona para embarque / desembarque; tempo de atraso.

ATENÇÃO: viagem planejada não é viagem engessada. Em Bologna, enquanto aguardava o trem para Verona e Veneza, calculava mais ou menos a hora que queria estar de volta e me programava para estar na estação dentro daquele período de tempo. Afinal, ninguém merece passar tempo na estação, enquanto há tanto pra se curtir nas cidades.


ATENÇÃO: se seu trem for um Eurostar, lembre-se de verificar no comprovante de reserva de assento o número do vagão (pintado ao lado de cada porta do trem) e do assento. Fique atento para entrar no vagão certo.

Tuesday, December 21, 2010

Itália 2010 - Toscana de carro

Avalie: 

Dias 6 e 7:


Preciso dizer (mais) alguma coisa ou isso é suficiente pra você alugar um carro e dar uma voltinha pela Toscana?

Essa belíssima região da Itália é irresistível e foi a surpresa da minha viagem. Minha prima, o marido e as crianças tiraram a sexta e o sábado para me levarem a Cetona, Chianciano Terme, Montepulciano, Siena, Montalcino e Pienza. Passamos por essas 6 cidades-vilarejos em cerca de 36 horas.

Saímos de Roma pela manhã, sol a pino, no carro da família. A paisagem Toscana pela Autoestrada A1 é realmente linda e, vira-e-mexe, estacionamos para fotos. Chegamos a Cetona (leia-se "tchêtona") lá pelas 13h. A cidade - um borgo de 2 mil habitantes - é mesmo só isso aí, uma praça. Mas a atmosfera é envolvente...


Lá, almoçamos na Osteria del Merlo. Não é muito difícil achá-la porque na praça de Cetona só existem mesmo 2 opções de restaurante (clique aqui para ver preços dos pratos) - e esse aí se destaca pela arquitetura.


Na estrada, paramos para fotografar La Frateria di Padre Eligio, um hotel 5-estrelas famoso por empregar somente pessoas que se recuperaram do vício em drogas.


Estacionamos em Chianciano Terme cerca de trinta minutos depois. Mas como não encontramos as famosas termas, seguimos para a medieval Montepulciano.


Essa cidade é uma gracinha e foi bem aqui, ao avistar o poço antigo, que captei de fato a energia apaixonante da Toscana. É fascinante visitar um lugar quase todo construído em pedra. O tempo parece retroceder centenas de anos e a sensação é de que, derrepente, estamos de fato na Idade Média.

Já estava escuro quando chegamos em Siena. Após o check-in no Hotel Minerva, andamos pela Via Montanini / Via Banchi di Sopra até a Piazza Il Campo.


É na Piazza Il Campo que a vida noturna acontece. Na pressa, sentamos para jantar em um bar. Tem uma coisa que você precisa saber sobre a Itália: jamais sente-se para comer em um bar. Não que os pratos sejam de todo ruins, não me entenda mal; mas sabe quando você sente que a comida é requentada? Se não acredita, experimente substituir um ingrediente. Aposto que, em 99% das vezes, o garçom vai dizer que "não pode, porque a comida já está pronta". Nos restaurantes, tudo é feito na hora. Já tínhamos pedido quando percebemos nossa dissimulação. E olha que tinha uma osteria bem ao lado...


Na manhã seguinte, voltamos à Piazza Il Campo. Siena atrai muitos turistas principalmente porque, nos dias 02 de julho e 16 de agosto de cada ano, esta praça vira palco para sediar o Palio di Siena, a tradicional corrida de cavalos da cidade, realizada desde o século XVII. Os montadores se vestem à caráter e as arquibancadas ficam apinhadas de torcedores balançando suas bandeirolas e cantando hinos.

A piazza é famosa também pelo chão inclinado, um inteligente sistema de escoamento das águas das chuvas. Perfeito pra se esparramar e curtir o solzinho nos dias gelados.


Além disso, os traços medievais são evidentes: o banco Monte dei Paschi di Siena, fundado em 1472 e portanto um dos mais antigos do mundo; as argolas-campainha nas portas de madeira; e aros para prender os cavalos nas paredes de pedra.






Pé na estrada novamente, a
vistamos os fabulosos vinhedos dourados e paramos para fotografá-los:










Mas, antes, Valentina e
eu aprendemos in loco a textura da terra arada, remexida, pronta para o plantio. A











pós cinco passos adentro do terreno, sentimos a



caminhada difícil, pesada, como se tivéssemos pisado em dezenas de chicletes mascados.


























Olhei pra baixo, as solas e as laterais dos nossos sapatos cobertas de lama barrenta.
Foi divertido usar gravetos e pedras para raspar o barro, porque a



grama, além de rala demais para arrastar e limpar os pés, estava molhada. Conclusão: pra não sujar o carro, andei de meias e Havaianas no restante da viagem.




Almoçamos na silenciosa Montalcino, região famosa pelos vinhos, de frente para o Castelo Banfi, construção etrusca de 1331:


Antes de voltar para Roma, terminamos o sábado tomando chá enquanto observamos o sol se por em Pienza:


Antes daqui, passei por:

Tuesday, December 14, 2010

Itália 2010 - Roma (parte II)

Avalie: 

Já deixei claro aqui que Roma foi paixão à primeira vista? É uma cidade inexplicável. Não existem palavras nem fotos à altura...

Dias 4 e 5 - Sol e céu azul (aliás, só peguei chuva no meu segundo dia em Roma). Excelente pra bater perna na rua. E pra fotos.

> Piazza Venezia, Piazza d'Spagna, Piazza Navona, Piazza del Popolo.

A Via del Corso liga a Piazza Venezia (onde está o monumento ao rei Vitorio Emanuelle II, vulgo "bolo de noiva") a Piazza del Popolo (essa aí com as 2 igrejinhas; meio sem sal pro meu gosto).


Entrando em uma rua qualquer entre elas, você encontra a Piazza D'Spagna (que adoro) e, em outra mais à frente, a Piazza Navona, onde estão a embaixada brasileira e a melhor pizzaria express. Mas as diversas ruelas que desembocam ali são mais charmosas do que o lugar em si. Explore-as.


Aliás, devo dizer: nada é mais agradável para uma mulher do que caminhar pela Via del Corso. Não existe shopping em Roma, todas as lojas ficam nas ruas - e as melhores estão nessa aí. Sem espaço na mala (e Roma era só o primeiro pit-stop), me contentei com apenas 3 carteiras da Carpisa - porque nunca acho uma que me agrade aqui no Brasil. Duro mesmo foi deixar a loja da Disney quietinha em seu canto...

> Pantheon e Fontana de Trevi. Mesmo que sua estadia em Roma seja curta, visite esses dois lugares. Por favor, eu tô pedindo! Custam nada, literalmente e, junto com o Vaticano, são os meus preferidos.


Aí, na boa, se eu morasse de frente pro Pantheon, o mundo poderia ruir - eu nem perceberia. A energia daquelas colunas milenares e gigantes é muito forte. Considerando só a arquitetura, o interior é interessantíssimo e, já que a entrada é gratuita, vale a pena pagar pelo audio guide pra entender como assim existe um buraco enorme bem no meio do teto! E como assim chove dentro e o prédio nunca alaga? Pena que metade da fachada externa estava em obra.


Adesso, uma historinha: sabe por que existe Roma? Porque a galera que ali decidiu assentar percebeu que o solo, repleto de aquedutos naturais de água salgada, seria perfeito para garantir a sobrevivência de geral. Afinal, o sal é fundamental na conservação de alimentos, por exemplo.


Aaaaaanos mais tarde, esses aquedutos abasteceriam todas as fontes da cidade (e não são poucas!). Hoje, somente a Piscina... opa, a Fontana de Trevi é abastecida pelo aqueduto natural Acqua Vergine, que você pode conferir por apenas 2€.

Como manda a tradição, joguei uma moedinha (de R$ 0,01) na água da Fontana. O que pedi? Pra voltar aqui e passar pelo menos uma manhã inteira olhando pro Pantheon e a tarde toda ouvindo a água na Fontana de Trevi... Amei!


> Castel Sant'Angelo e seus jardins. Interessante, mas não impressionante. Gostei mais de perambular pelos arredores e jardins, atrações grátis. Se seu dinheiro estiver sobrando e você estiver sem nada pra fazer em Roma, vale a pena a visita (12) ao interior medieval. É no mínimo curioso (afinal, nenhum castelo é igual ao outro neste mundo) e dá para fotografar bonitas panorâmicas da cidade.


> Sabe o que significa andar na garupa de uma Vespa pelas ruas de Roma em dia de (suposta) manifestação? Emoção garantida. E se a piloto é sua prima, ela não tem carteira e ainda diz pra você que não sabe conduzir direito? Aventura.


Gente, dar um giro por Roma na garupa de uma motorino ou Vespa é uma das experiências mais interessantes que se pode ter na vida. O espaço designado para as motos é exatamente uma linha no chão, aquela que separa as pistas duplas. Então, temos muuuuuitos carros de um lado, muuuuuitos do outro e uma fila de motos à frente! Ultrapassagem? Haha. Vai nessa.

Dois dias antes, eu tinha andado na garupa de uma moto normal. Mas de Vespa e, ainda por cima, em horário do rush... ah, não tem preço! Já virou turismo e aposto que qualquer albergue ou hotel sabe informar onde você pode alugar uma.

> Muro Torto, villa Borghese, Pincio, Porta Pia. Esses aqui ficaram pra próxima, com exceção do Muro Torto (que não se visita, mas passa-se por ele de carro, ônibus ou moto). O Muro Torto circunda a Villa Borghese, um bairro lindo e arborizado. O Pincio é o nome da colina e dizem que de lá também tem panorâmicas ótimas. A Porta Pia, desenhada por Michelangelo, é mais uma das inúmeras portas que marcaram um determinado ponto como sendo "a entrada para Roma" por anos e anos.

> Restaurantes e vida noturna. Fui a somente um restaurante porque, de manhã cedo e à noite, tinha comida em casa. Se sentia fome durante o dia, tomava sorvete ou comia pizza na rua. Quer um bom lugar pra almoçar / jantar? Escolha na intuição e vá na fé. Duvido que você se decepcione, porque de uma forma geral se come muito bem na Itália.

Roma tem muito pra se viver e os dias foram tão cansativos que nem fiz esforço pra sair à noite. Mas, em Amsterdam, conheci um brasileiro que me disse que o pubcrawl em Roma é imperdível. Não se preocupe - até chegar a Amsterdam eu também nunca tinha ouvido falar nisso. Mas, antes, andiamo a Toscana.

Sunday, December 5, 2010

Itália 2010 - Roma (parte I)

Avalie: 

Desembarquei no Brasil na quinta-feira. Nos últimos 32 dias, visitei 5 países europeus, passei por 16 cidades e reencontrei/conheci pelo menos 50 pessoas. Viajar "sozinha" (o que é bem diferente de "desacompanhada") é criar oportunidades para fazer novos amigos e também para aprofundar antigas amizades. A cada um que me encontrou e me acolheu, à sua maneira: muito obrigada. Porque sem você eu não teria história alguma pra contar.

I arrived back in Brazil last Thursday. In the last 32 days, I have been to 5 European countries, 16 cities and, also, I have met (again) at least 50 people. Travelling on your own (which doesn't mean "alone") is the same as to create opportunities to make new friends as well as to deepen old friendships. To each of you, who met me and treasured me, in your own very special way: thank you very much. Because without you, I would have no story to tell.

***
Partida e chegada na Europa
Apesar do que falam, adorei viajar de Iberia. Saí do Brasil no dia 30 de outubro às 20h30 e, servido o jantar, dormi até chegar a Madrid, dez horas depois. Ganho carimbo no passaporte na boa, após responder às típicas: "O que você vai fazer em Roma?", "Onde vai ficar?", "Qual o tempo total de viagem?", "Quanto de dinheiro está trazendo?". Essa é uma boa pergunta e claro que o orçamento varia de acordo com a disposição de cada pessoa. Mas, se me permitem uma sugestão: se você for ficar em albergue, calcule pelo menos 100 /dia (alimentação, transporte, tickets, acomodação e algum souvenir). Estipule também uma verba no cartão de crédito para comprar alguma coisa de mais valor ou pagar uma acomodação, ticket, restaurante se seu dinheiro em espécie estiver acabando.

Para quem vai entrar na Europa por Madrid e tem cerca de 2 horas pra pegar o próximo voo, muita atenção. O aeroporto é gigante e é necessário pegar um trem para ir aos portões de embarque e ainda andar (no meu caso 20 minutos) até o portão certo. E, minutos antes de começar a embarcar a galera no voo pra Roma, eles mudaram o portão de embarque pro lado oposto do aeroporto! Mais 20 minutos andando...


No trecho Madrid-Roma, conheço o americano William. É ele quem me ajuda a carregar as malas (uma média, 2 rodas + uma bolsa de viagem média sem rodas + uma mala, também sem rodas, com presentes enviados pela minha tia) em Roma, porque a máquina que libera os carrinhos do aeroporto simplesmente come minha única moeda de 1 e cadê que o bicho solta?

Em Roma, faça como os romanos

Dia 1 - Minha prima Erika mora em Roma com o marido e os filhos e, por isso, tive a vantagem de não pagar acomodação. Para dicas de hospedagem em Roma, leia o relato da Thaís, que foi pra lá ano passado. Minha sugestão, pra quem adora conforto, bom atendimento e comida boa: FortySeven Hotel. Fica ao lado da Bocca della Veritá, do Circo Massimo, do Il Campidoglio e do Centro Histórico de Roma - ótimo ponto para explorar a cidade.


Do aeroporto, fomos direto passear na Piazza d'Spagna. Lá aprendi que a atividade favorita dos italianos é sentar na escadaria de uma piazza (praça) ou na beira de uma fontana (fonte) e fazer... nada. Eles ficam lá, sentados, tomando gelato (sorvete), conversando, vendo gente e esperando o tempo passar. E eu simplesmente amei tanto "fazer" isso que visitei todas as piazzas e fontanas de Roma!

Ali, tomei meu primeiro gelato de chocolate, único sabor que eu sabia pedir. Achei o sorvete um pouco mais cremoso (e melhor) que os do Rio - e a casquinha também é mais crocante.

À noite fomos à pizzaria "Aqua, farina e..." (Via Tripolitana), que fica numa área residencial afastada do centro. Acho que eu era a única turista por lá. Sabe a melhor pizza que você pode comer no Brasil? Na minha opinião, não se compara a deste restaurante. Juro, foi a melhor pizza que já experimentei na vida. Dica: se for encarar uma de funghi, prepare-se para o odor forte.

Dias 2 e 3 - Abandonada a ideia de visitar Pompeia (o que levaria um dia inteiro), eu e Erika marcamos no mapa da cidade de Roma tudo o que seria interessante visitar nos próximos 4 dias. Concordamos ser interessante contratar um guia turístico particular para me acompanhar ao Vaticano e ao Coliseu / Centro Histórico. Abaixo, algumas dicas.

> Prepare as perninhas. Passear em Roma (e na Itália) significa andar o dia inteiro, subir e, óbvio, descer muitos e muuuuuuuitos degraus. Tudo é colossal, altíssimo e não existe nem escada rolante nem elevador. Fiquei com dó dos idosos no Vaticano, viu. A vantagem dessa malhação toda é que é super permitido viver à base de pizza e sorvete (acredite, você vai precisar de energia pra gastar). Não é à toa que são os "lanches" mais vendidos.

> Museu do Vaticano e Basílica de São Pedro. Acredita que por um momento eu cogitei não pisar no Vaticano? Lugar que, agora, depois de ter visitado, considero parada obrigatória para quem vai a Roma. Você só compreende o que é estar no Vaticano quando está lá.

Vá visitar o Vaticano com o espírito de aprender tudo o que for possível, porque o local praticamente abriga a história da nossa civilização. Separe pelo menos de 3 a 4 horas e, se você não for um entendido do assunto, desembolse uns euros e contrate um guia turístico, de preferência particular. Foi o que eu fiz e valeu a pena contratar a Lucilla Favino, guia turística e arqueóloga de Roma (Agência Love Holidays, tel.: 06.4547.6274 - 60/ hora, tour em português). É interessante alguém pra chamar sua atenção para detalhes que, sem um especialista, nunca observaria. Por exemplo, eu nunca saberia que aquela parede do Museu vedada aos mortais comuns é na realidade uma biblioteca restrita que abriga todos os escritos religiosos em pedra existentes no mundo. Está tudo ali, para caso algum dia um aventureiro se atreva a juntar as peças.

Outra vantagem de estar acompanhada de um guia oficial da cidade: não enfrentei uma fila sequer (mas acho isso se aplica a qualquer um que reserve ingressos online). Entrei direto no Museu e, depois, na Basílica, via passagem exclusiva que liga a Capela Sistina à San Pietro.

Ao contrário da Thaís, eu esperava mais da capela Sistina. No fim do meu passeio, meio frustrada com a capela, fui surpreendida pela imponência da Basílica de San Pietro - e por toda a história da maravilhosa Pietà de Michelangelo.

> Bocca della Verità, Templo de Diana, Il Campigdoglio, Circo Massimo, Arco di Giano, Teatro Marcello, Mercado de Pesci, Igreja de São Miguel Arcanjo - Com exceção da Bocca della Veritá (e seu cemitério no subterrâneo), todas essas atrações são de graça e praticamente uma ao lado da outra. São ótimos locais pra fazer fotos, especialmente se o dia estiver ensolarado:

Bocca della Verità (torre ao fundo) e Templo de Diana (à direita):


Aposte no Il Campidoglio para fotos panorâmicas do centro histórico:


No Teatro Marcello e no Mercado de Pesci você encontra exemplos da identidade de Roma: o "muito antigo" e o "novo antigo" convivendo em harmonia.



Quer ver obras de arte? É nas milhares de igrejas espalhadas por Roma que elas estão. Então, se essa for sua praia, já sabe: quando estiver andando por aí e derrepente esbarrar em uma igreja escusa atrás daquela ruína, permita à sua curiosidade explorar o que tem ali... Foi assim que encontrei a Igreja de São Miguel Arcanjo, meu xará de sobrenome.

> Centro histórico: Coliseu, Palatino e Foro Romano - Que tal entrar direto no Coliseu, sem filas? Vá ao Foro Romano e compre ingresso para essas 3 atrações (12€, válido por 2 dias - porque é loucura explorar tudo numa tacada só).


Além da estrutura principal, tive a boa sorte de conferir o subterrâneo do Coliseu, onde os gladiadores se abrigavam e leões, elefantes e panteras eram mantidos em celas para os combates. Lá também dá pra ver os avançados esquemas dos elevadores que garantiam as entradas triunfais dos guerreiros na arena. Pela primeira vez aberto ao público, a visita ao subterrâneo do Coliseu não é livre - tem que reservar horário para ser encaixado em um dos pequenos grupos de visitação. É que, como eles mesmos alertam, "é uma experiência nova; ninguém sabe o que o movimento humano pode provocar nessas ruínas... uma vez lá embaixo, não se sabe se você vai conseguir voltar".

No dia anterior eu já tinha andado sozinha pelo Foro, então, contratei a guia turística e antropóloga Lucilla para me ajudar a entender o Palatino (na foto, Erica com o Circo Massimo + Palatino, ao fundo) e o Coliseu. Recomendo fortemente a presença de um guia no Palatino, porque é difícil entender sozinho o que cada ruína (às vezes um tijolo perdido no nada) representa. Já no Coliseu, não sei se foi uma boa ideia, porque eles mesmos disponibilizam uma pessoa para explicar tudo, em inglês, aos visitantes. O que minha guia falava era diferente do que o guia oficial dizia. Aí, eu me perdia nas explicações e terminava sem entender um pedaço do Coliseu. E, talvez por isso, o Coliseu não tenha sido tão impressionante assim pra mim...