Monday, January 18, 2010

Buenos Aires: partida, chegada e 1º dia

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O carro da Horto Táxi - que programei antes do Natal para garantir prioridade no atendimento - estava na porta da minha casa no dia 27 de dezembro de 2009 no horário (às 7h da manhã). Por sorte, minha mãe não insistiu em me levar ao aeroporto e se limitou a despedir-se de mim da cama mesmo.

Cheguei no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão/Rio) às 7h35; despachei a mala (a atendente da GOL/VARIG era muito simpática) e fui tomar café da manhã no 2º piso.

Queria comer frutas e escolhi um restaurante (cujo nome não lembro) que exibia uma mesa completamente farta. Coincidentemente, encontrei o Ricardo de Andrade Souza, meu colega de trabalho, que estava tomando um café da manhã digno de hotel 4 estrelas com a namorada, amigos e família enquanto aguardava o embarque para Gramado. Cumprimentei-os e fui me servir.

Quando já havia colocado tudo o que queria no prato (2 pedaços de um micromamão, 1 micro fatia de pão, manteiga e uma salada de frutas), percebi que havia entendido errado sobre o sistema de cobrança: ao invés de pagar somente pelo que eu consumisse (self-service), teria que pagar R$ 25,90 por qualquer coisa que ingerisse (buffet)! Comi as frutas meio revoltada, mas, no final, a boa sorte: a moça do caixa perguntou o que eu havia comido, ficou comovida com a situação e me cobrou "apenas" R$ 12,90. Não que eu estivesse tão pobre assim, mas qualquer economia é válida.

Passei pelos portões de embarque, fui ao toalete e, em seguida, rodar pelo Duty Free Dufry Brasil (Free Shop): o primeiro momento mais esperado da viagem!

Free Shops

Recebi este conselho do Ricardo antes de partir e resolvi segui-lo à risca: se você está saindo do Rio, não compre nada no Free Shop de embarque. Quando você chegar em Buenos Aires, também não compre nada. Gostou de algo? Tem um item em promoção im-per-dí-vel? Reserve. Sim, você pode reservar o que quiser no Duty Free e só pegar/pagar quando retornar ao Brasil. Além disso, se desistir de algum item, basta dizer "ah, não vou mais querer este não".

Mas não compre nada na ida, porque o melhor Free Shop está no embarque de Buenos Aires, pelo qual você vai passar quando estiver retornando ao Brasil. Não me refiro somente ao tamanho da loja; o preço é bem mais em conta. Tu-do neste Free Shop é cerca de dez dólares mais barato que em qualquer outro Free Shop - e isso se estende também aos cosméticos da MAC. Eu fiz a festa lá. Para completar, na volta, ainda tive a boa sorte de passar no Dufry em São Paulo, que é uma megastore.

O do Rio é pequeno e nada me encheu os olhos. Então, catei um balde de chocolate Lindt para a família da Lilly, uma barra de chocolate branco para mim e entrei no avião, que decolou e aterrisou em Buenos Aires pontualmente.

O (re)encontro
Foram apenas 3 horas de viagem. Preenchi o formulário de visto ainda no ar. Em terra, entreguei o documento à polícia porteña. Dica: leve anotado em um papel o endereço completo do local em que você vai se hospedar. A menos que dê muita sorte, sem isso você não entra na Argentina. Sei disso porque, de propósito, não preenchi o número do edifício da irmã da Lilly. A moça insistiu para que eu o escrevesse ou nada feito.

As malas foram liberadas rapidamente. Catei a minha - que estava com a etiqueta de identificação plástica quebrada (céus, o que eles fazem com as malas para quebrarem e amassarem tu-do???) - e me dirigi ao portão de desembarque. Dei de cara com Lilly e Griselda (Gris)! Elas estavam mesmo me esperando!

Comprando pesos

Outra dica do meu amigo Ricardo que resolvi seguir e me foi muito útil: comprar pesos somente no Banco de La Nación Argentina, que se localiza dentro do aeroporto mesmo, à direita do portão de desembarque (bem ao lado de uma banca de jornal). É a melhor cotação.

Hoje, em ofertas justas, com 1 real você compra no mínimo 2 pesos. As casas de câmbio que ficam na mesma área das esteiras de bagagem queriam trocar R$ 1 por $1,64 (pesos). No Banco de La Nación Argentina eu consegui $2,07 (pesos) por R$ 1. Saí de lá com $617. Como nem tudo são flores, tive que ficar na fila do banco por uns 30-40 minutos. Havia somente um caixa atendendo e até agora não sei se é costume ou se foi porque cheguei às 13h, horário de almoço...

Assado

Eu não falo espanhol, elas não falam inglês nem português e isso às vezes é um problema. Já estávamos no carro da Gris há 15 minutos e eu ainda não havia conseguido descobrir aonde íamos. Finalmente entendi que estávamos indo passar o domingo no "country" ("cântrri", segundo elas), um condomínio gigante, cheio de casas com piscina enormes, que fica há 40 minutos do centro da cidade.

As boas vindas à cultura porteña não poderia ter sido mais tradicional: o almoço foi um típico assado. Se as carnes não fossem tão diferentes, poderíamos traduzir como churrasco. Mas está longe de comparação, porque, no assado, não existe vinagrete, farofa, picanha, asinha de frango, coração... Arroz? Raridade. Ovos cozidos, batatas, alface e tomate acompanham as carnes. A minha predileta foi o chorizo (parece uma linguiça), que é bem diferente de bife de chorizo (similar a uma picanha muito macia). Vá preparado, brasileiro: não existe feijão na Argentina.

Aproveitamos o dia no country, na companhia de cerca de 5 famílias amigas do marido de Gris. Fui recebida por todos com um carinho enorme. Os porteños adoram a gente: todos que conheci tiveram a incrível habilidade de me deixar muito à vontade. Depois do almoço, andamos de bicicleta; assumi o comando de um quadriciclo (os porteños não sabem manejar e a Lilly quase matou a gente na primeira tentativa) em busca de chicos lindos; fizemos jogging.

Um dos pontos altos do dia foi a peruana Maria. Formada em Contabilidade, deixou o filho pequeno em sua cidade natal e mudou-se para Buenos Aires com o marido há 15 dias para ganhar a vida - à princípio - como doméstica. Conversando com ela, tive a sensação de que luta-se muito para vencer na vida nos demais países da América Latina. Sempre fui grata à vida que tenho e que me empenho para manter. Mas, ouvindo a história dela, senti a gratidão pulsar ainda mais ardente em meu peito. Desejei profundamente sucesso e boa sorte para Maria, que se esforça dia após dia para que seu filho tenha um terreno mais fértil para florescer.

Logo nesse primeiro dia, "estar no country" foi a primeira experiência das muitas outras porvir que instituiram como "vantagem" estar em Buenos Aires na condição de "visitante/hóspede de uma amiga". Porque, se eu fosse uma turista convencional, nunca teria ouvido falar e muito menos entrado no country, já que é uma área liberada somente aos moradores.

Fuso horário e por do sol

Estávamos sempre uma hora adiantados, devido ao horário de verão no Brasil. Como em Buenos Aires os dias são longos - a noite cai somente lá pelas 21h20 -, fomos embora do country às 23h.

Quando paramos para deixar Lilly na casa da mãe dela (que fica há uns 30 minutos do centro), descobri que ia ficar hospedada na casa de Gris sem a Lilly. Também neste momento, descobri que Lilly não estava de férias: ela ia trabalhar todos os dias! Fiquei chocada pela falta destas informações. Ninguém havia me dito nada...

Chegamos em Palermo uma hora depois. Gris me mostrou meu quarto (na verdade, o quarto de Nico, seu enteado de 18 anos, que mora com a mãe em algum lugar de Buenos Aires). Tomei um banho e, quando deitei na cama, me dei conta de que ainda não havia ligado para minha mãe, informando que havia chegado bem... Já eram 2h da manhã no Brasil... Ok. Sem estresse. Eu podia fazer isso no dia seguinte, certo?

*Pequeno dicionário para sobrevivência (I)*
  1. assado = churrasco
  2. lechuga = alface
  3. papas = batatas
  4. frijoles = feijões
  5. manejar = dirigir
  6. chico/a = garoto/a
  7. porteño/a = aquele/a que nasceu em Buenos Aires

4 comments:

Paula said...

Tem loja MAC no free-shop de desembarque de Ezeiza? É mais caro que o free-shop do embarque?

Amarílis said...

Oi Paula! Eu não consegui responder a você pessoalmente, então vai por aqui mesmo. Pelo menos até janeiro deste ano, não há nenhuma loja MAC no desembarque em Buenos Aires, apenas no embarque. Creio que os produtos MAC sejam tabelados, porque não vi diferença no preço na loja daqui e na de Bs As. Com relação às lojas DutyFree, a do embarque em Buenos Aires é muito mais em conta do que a daqui. Bjs,
Amarílis

Ava Peixoto said...

Amarílis, adoro o jeito que escreve! Muito legal, viu?
Além do Internacional Ezeiza, Buenos Aires conta com o Aeroparque Jorge Newbery.
Ano passado, eu e meu marido desembarcamos no Ezeiza. Dentro de um mês, queira Deus, sairei do Brasil por GRU e chegarei a Bs As pelo Aeroparque.
Grande abraço,
Ava

Anonymous said...

Vc é ótima!!! Estou adorando ler suas experiências! Vc tem talento pra escrever um livro!