Thursday, January 14, 2010

Em resumo...

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Em nossa viagem de 10 dias pela Itália, passamos por Milão, Turim, Roma, Florença e Siena.

Milão foram duas passagens rápidas, no dia que chegamos e quando fomos embora do país. Deu pra conhecer muito pouco, mas pudemos perceber que é uma cidade grande, com poucos atrativos turísticos, que parece ser mais interessante pra quem vive lá. Achei errada a comparação que fazem com São Paulo. Não existe nada que lembre São Paulo, exceto pelo fato de ser uma cidade grande. Ela está mais pra Buenos Aires, principalmente pela arquitetura. Apesar de muitos dizerem que Milão não vale a pena, eu achei que valeu a visita. Mas se você pretende visitar a cidade, reserve no máximo um dia para isso. Realmente não há muito o que ver por lá, a menos que você queira explorá-la a fundo, fora dos lugares turísticos. 


Em seguida veio Turim, que muitos disseram que era um lugar feio e que também não valeria a visita. Eu não só não me arrependo de ter ido pra lá como foi um dos lugares que mais gostei. Turim realmente não é o lugar mais bonito da Itália, mas ela está longe de ser feia. Mesmo o lugar mais decadente por onde passamos, que foi a Repubblica, era bem melhor que os lugares mais decadentes de São Paulo. Em Turim existem inúmeras coisas pra fazer, basicamente museus, e de todos os tipos. Se você pretende ficar pouco tempo lá, veja quais são as prioridades e foque nelas. Senão você fica doido. A boa notícia é que é tudo muito perto uma coisa da outra, e fácil de se locomover a pé. Mesmo se você estiver hospedado em um local mais distante, como era o nosso caso, a locomoção por trams (bondes) é bem fácil. 


Na sequência fomos para Roma. Achei a menos italiana das cidades, pois foi a mais turística de todas. Eu classifiquei Roma como uma cidade de Lego com algumas peças fora do lugar. Você está andando pela cidade e de repente "Pumba!" Dá de cara numas ruínas. Aí continua o passeio e "Pá!" Bate de frente no Coliseu. É muito esquisito uma cidade de ontem e uma de hoje misturadas em uma só e convivendo pacificamente. Lá nós vimos as coisas mais interessantes da viagem, que foi o Coliseu e a Capela Sistina, e também vimos coisas muito frustrantes, como o Vaticano (sem contar a Capela Sistina). Achamos as pessoas lá muito ansiosas e mal educadas, o que acabou estragando um pouco o passeio. Mas valeu a pena. Ficamos 3 dias inteiros lá, e foi o suficiente pra vermos tudo o que queríamos ver. Se você pretende ver TODAS as atrações de Roma, separe mais dias. Mas pras principais, 3 está de bom tamanho. 


Nossa última parada seria Florença. Porém, Florença foi um fiasco total, e acabamos indo pra Siena pra compensar a perda. Florença foi a maior frustração da viagem, incluindo o fato de que foi onde passamos o reveillon. Falam muito de Milão, que tem aquelas lojas caras, mas Florença é igual ou até pior. É pior pelo fato de ser uma cidade muito menor que Milão, e portanto a concentração de lojas caras por m2 fica muito maior. Nós nos sentimos até mal e tivemos dificuldade de achar um lugar mais barato pra comer. A energia da cidade estava péssima e nós não conseguimos fazer nenhum outro programa além de ir pra Accademia ver o Davi (que, aliás, valeu a viagem). Além de tudo, o tempo estava chuvoso o tempo inteiro, pra melhorar ainda mais o nosso humor. Por isso que no último dia programado pra ficarmos em Florença, decidimos passá-lo em Siena. 


Siena é outra cidade bem típica italiana. Estava tudo fechado pois era primeiro dia do ano, mas deu pra sacar que a cidade era bem gostosa. Totalmente diferente das outras até na topografia, já que ali era mais montanhoso que nos outros lugares. Com bem menos turistas pra ficar aglomerando nos lugares, pudemos passear com calma, e sentimos um clima bem mais agradável que de florença. Valeu a pena. 


Uma dica importante que eu dou pra quem vai pra Itália: se você quer aproveitar ao máximo o seu passeio, estude antes de ir. Não existe nada mais frustrante do que estar num ambiente rodeado de história sem saber direito o que as coisas significam. Eu ainda tinha alguma noção, e consegui aproveitar algumas coisas. Mas na capela sistina, por exemplo, onde as referências são tantas, me senti uma total ignorante. Não que isso tenha tirado a beleza da visita, mas não deixa de atrapalhar no entendimento. 


No geral, o que eu pude analisar da Itália nesses 10 dias que passamos lá é que é um país com costumes muito parecidos com os nossos, principalmente em termos de educação. Isso provavelmente é fruto da imigração italiana que o Brasil teve no passado, então o mais certo seria dizer que nós somos parecidos com eles. O trânsito lá é maluco, não se tem costume de parar em faixa de pedestres, exceto quanto o farol está fechado. Falo do farol porque mesmo quando o farol de pedestres está verde, os carros continuam passando. Mas nesse caso eles respeitam a faixa, embora de vez em quando você ouça uma ou outra buzina atrás do carro parado. Um costume irritante que eles tem é de furar fila. Parece normal, porque ninguém reclama e ninguém acha ruim. 
É muito comum encontrar pessoas que falam inglês, então não tivemos dificuldade de nos comunicar. No entanto, quem não fala inglês não tem lá muita paciência com quem não fala italiano. Vi muitos casos desses. 
Tudo lá é muito bagunçado, é difícil de achar as informações e quando elas existem, normalmente são confusas. Vi muita gente lá que tem uma certa dificuldade de respeitar o espaço do outro, e fica aglomerando um em cima do outro. Eu estou dizendo isso apenas como um parenteses. Foram apenas algumas constatações que eu fiz ao longo da viagem e que eu achei que valia a pena contar como curiosidade. Não achei a viagem ruim por nenhum desses motivos. 


Acho que uma viagem dessas é legal pra gente aprender a valorizar o nosso país. Os brasileiros têm um costume péssimo de dizer que o Brasil é uma porcaria, que é um país atrasado, que na Europa é que é bom e é lá que a gente tem que morar. Eu discordo. Brasil tem, sim, os seus defeitos. Mas o Brasil é um país que ainda engatinha perto da idade que os países eurpeus têm. No entanto, pelo menos em São Paulo, as pessoas respeitam as filas, nós temos filas preferenciais para gestantes e idosos, assentos preferenciais, e hoje as pessoas se respeitam no trânsito muito mais do que se respeitavam há 15 anos atrás. Nós tivemos grandes avanços nos últimos 15 ou 20 anos. Lá na Itália visitamos monumentos construídos há 2000 anos! Nosso país não tem isso de idade! Como podemos esperar que a gente seja país de primeiro mundo? E ainda assim, vimos na Itália problemas tão de terceiro mundo quanto o nosso. Muitos pobres nas ruas mendigando dinheiro, trens muito velhos, pixações em monumentos... e por aí vai. Por que temos que exaltar que a Europa é melhor que o Brasil, quando temos um país tão maravilhoso, tão rico de cultura, tão cheio de alegria bem aqui, na nossa frente? 

2 comments:

Amarílis said...

Oieee! Realmente, esses costumes são dose de aguentar, viu! No último dia em Bs As tb já tava querendo voltar para o Brasil. Mas só uma correção: o Brasil tem sim mais de 2.000 anos de existência. O que não há são 2.000 anos de colonização =P Mas, vamos combinar, dps de 2.000 anos vc não ter evoluído na parte social é muito preocupante. Aqui, ainda que pareça que avançamos a passos lentos, pelo menos avançamos cuidando para que o social também progrida junto. Bjks!

thais said...

é.. huahaua foi isso que eu quis dizer. São 500 anos de um país dito "civilizado". É muito pouquinho...