Wednesday, January 6, 2010

Itália - Roma - Dia 05

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Dormimos até o limite do horário, o café da manhã no Le Petit é servido somente até às 9:30h. Deve ser uma tática pra obrigar os turistar a acordar cedo pra conseguir ver tudo o que a cidade tem a oferecer, mesmo que você esteja morto de cansado do passeio do dia anterior. O programa de hoje era o Vaticano.

O Vaticano
Pegamos o metrô até a estação Ottaviano, a mais próxima do Vaticano. Também daria pra ir a pé, mas seria uma longa caminhada. Depois de analisar nosso mapinha salvador, descobrimos como fazia pra chegar até lá. Mas é basicamente seguir a boiada. A grande maioria das pessoas que desembarcam naquela estação acabam indo pro Vaticano. E quando a grande maioria das pessoas segue pro mesmo lugar, sabe o que acontece? Filas. Enormes. Com certeza não tão grandes quanto as que se formam no verão, mas estavam grandes o suficiente por ser época de natal, quando muitos cristãos têm sua cristianidade aflorada e resolvem visitar o Papa. Não bastassem as filas enormes, ainda tivemos que lidar com a mania irritante dos italianos de furar a fila. Ah, pelamordedeus! Falem mal o quanto quiserem do Brasil, mas pelo menos aqui a gente respeita as filas. Mas ok, quando alguém tentava furar fila na nossa frente, a gente muito educadamente pedia licença e mandava o cara pastar.

Entramos na primeira fila, que circundava a praça inteira. Uns 20 minutos depois, chegamos lá na frente e descobrimos mais 2 filas: uma para ver os túmulos dos papas (que era de graça) e outra para subir no dome da Basílica. Como turistas pobres que somos, primeiro entramos na fila dos túmulos, mas não sem antes pegar o audioguide (5 euros), que se revelou inútil pois ele serve apenas para dentro da igreja (informação que estava explícita, mas não prestamos atenção), e nós não pretendíamos olhar a igreja (exceto pela Pietá). Os túmulos dos papas é um lugar ao mesmo tempo pesado e bonito. Se você parar pra pensar, vai perceber que aquilo é um cemitério. Mas muita gente acha que é ponto turístico. Já notou que quando você entra num cemitério, automaticamente você adota uma postura de respeito, silêncio e introspecção? Lá nos túmulos dos papas isso não é verdade. Não sei se muita gente não entende direito o que aquilo significa, e acha que são apenas esculturas no chão. Fato é que existem vários avisos ao longo do percurso dizendo que aquele é um ambiente sagrado, e pedindo para se fazer silêncio. Mas os avisos são ignorados. Ao longo de grande parte do percurso fomos ouvindo sons altos de conversa, até que alguém começou a fazer shhh e os sons baixaram. Nessa hora, alguém começou a rezar e a fila começou a ficar mais lenta. Notei que estávamos chegando ao túmulo de João Paulo II. Algumas pessoas iam parando em frente ao túmulo dele, que tinha algumas flores e era guardada por um segurança. Essas pessoas rezavam com tanta vontade que quase que eu, uma pessoa não-católica, parei para rezar junto. A cena foi tão inesperada quanto emocionante. Foi muito bonito ver a devoção das pessoas ao falecido papa, e aquele foi um dos momentos inesquecíveis da minha viagem.

Depois de ver essa primeira parte, pegamos a segunda fila para subir no dome da Basílica de São Pedro. Ela é demorada porque existe apenas uma pessoa para vender os tickets. Para subir você tem duas opções: ou pega a escada direto até lá em cima e paga 5 euros (não me lembro quantos degraus são, mas se não me engano eram uns 500), ou pega o elevador até certo ponto (3 andares) e sobe o resto de escada. "O resto" são 320 degraus de uma escadinha claustrofóbica, super apertada, que vai inclinando conforme você vai chegando ao topo. Não dá pra desistir, porque simplesmente não tem por onde voltar. Mas não cansa tanto, porque o pessoal vai devagar e não dá tempo de cansar. Essa opção custa 7 euros. Depois de pegar a fila para comprar os tickets, você pega outra fila para pegar o elevador (caso tenha sido essa sua opção). Dessa vez a gente não teve que lutar contra os furadores de fila, mas sim contra uma família de alemães que não sabiam manter meio metro de distância entre duas pessoas. Não é que eles encostavam na gente. Eles praticamente subiam na gente, ficavam meio que se apoiando na nossa mochila, totalmente sem noção de espaço. E juro que não é chatice minha. O Ale também estava quase jogando eles lá de cima. Mas eles foram de escada, então conseguimos nos livrar deles por um tempo.
Lá em cima, descobrimos que definitivamente não havíamos feito uma boa escolha de programa. Ao contrário do mirante de Turim, que era bem espaçoso, lá no dome era super apertadinho, não tinha espaço pras pessoas se mexerem direito, e era difícil chegar até a grade pra conseguir contemplar a vista e conseguir tirar uma foto. As pessoas lá estavam todas muito eufóricas, ansiosas, não sei se pela falta de espaço, mas elas saíam atropelando as outras sem querer saber. Nós ficamos super incomodados, tiramos duas ou três fotinhos lá em cima e descemos correndo (depois de pegar MAIS UMA fila). Esse não foi um dinheiro bom gasto, mas a gente só saberia se tivesse ido, mesmo.

Na entrada e na saída da escada tem umas lojinhas de souveniers. Tenho que tirar meu chapéu e dizer que o vaticano mandou muito bem nas peças. Eu que nem gosto dessas coisas quase comprei um terço pra mim. Tinha cada terço mais lindo que o outro, e cada pingente de crucifixo que eram verdadeiras jóias. Coisas lindas mesmo. Não que eu concorde com a venda dessas coisas lá dentro, mas que elas eram bonitas, eram.

Antes de ir embora, demos uma passada dentro da igreja para ver a Pietá, que era a única coisa que eu fazia questão de ver lá. Eu achava que tinha que pagar pra vê-la, mas o acesso era aberto. Porém, o acesso aberto significa milhares de pessoas amontoadas tentando fotografá-la (com flash), e aquilo me deixou extremamente irritada. Até consegui chegar lá na frente, mas não consegui ficar o tempo que eu queria contemplando a escultura. As pessoas chegavam e se amontoavam como se a estátua fosse sair correndo em questão de minutos. Saí de lá totalmente decepcionada.

A visita inteira ao vaticano nesse dia me deixou decepcionada, não fosse pelo episódio no túmulo do papa. Tivemos que analisar a Pietá através da foto, sendo que eu estava ali do lado horas antes!! A impressão de que a maioria daquelas pessoas que estavam lá não tinham a menor idéia do que elas estavam fazendo naquele local e estavam lá apenas para tirar fotos e dizerem que foram, me desanima. Por um lado é legal, porque você sabe que muitas pessoas estão interessadas na cultura. Mas quantas daquelas pessoas entendem o que elas estão vendo? Quantas de fato sabem o que a estátua significa? Nossa visita ao vaticano deixou a sensação de que aquele, segundo definição do Ale, é um lugar oco interessado em fazer dinheiro. Não agrega em nada. Mesmo pra quem é católico e vai lá, a não ser pelo túmulo do papa, não consegue encontrar um ambiente de paz. Encontra aquela excitação turística, beirando a falta de respeito. Encontra pixações e vandalismos. Encontra falta de noção.

Saímos do Vaticano sem visitar a Capela Sistina. Esperávamos voltar depois do almoço, mas estávamos tão cansados de Vaticano que não tínhamos forças para voltar, sem contar que ele fecha às 16:30h. Além do mais, resolvemos almoçar longe dali, porque tudo lá perto parecia cheio e caro. Almoçamos no mesmo restaurante do dia anterior, perto do hotel.
 Para aproveitar o resto do dia, caminhamos até o Pantheon, mas estava tendo uma missa que ia até às 18h. Depois abriria para o público. Para matar o tempo, fomos até a Piazza Navona, que era ali pertinho. Na Piazza tem uma feirinha de cacarecos, que vende desde comida até brinquedos e roupas. Tem também umas barraquinhas de diversão, tipo aquelas de festa junina, ou dos nossos parques de diversão (atire na lata, pescaria, etc). Tinha bastante gente por lá. É nessa praça que fica a embaixada brasileira.

Um pouco antes das 18h nós voltamos para o Pantheon, e ainda não estava aberto. Ficamos sentados lá na frente aproveitando a noite que estava deliciosa. Foi um dos momentos mais gostosos. Simplesmente sentar e curtir, que é algo que a gente ainda não havia feito desde que chegamos. Às 18h entramos, demos uma olhada nos túmulos que tem lá dentro. Um deles é o do Imperador Vitorio Emanuelle, e o mais cobiçado é o da tartaruga ninja (ops) Rafael. Mais uma vez, aquela aglomeração pra tirar fotos do túmulo do Rafael. Nem consegui ver direito. Aproveitei mais meu tempo lá fora do que dentro do Pantheon. Mas valeu a pena, porque estava uma noite realmente muito gostosa.

Na volta paramos num cafezinho muito charmoso chamado Lunatico. Tomamos um chocolate e um café e finalmente voltamos para o hotel.

Segue o mapinha do metrô de Roma. Clique pra ampliar.

Mais fotinhos no meu flickr.

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