Monday, January 4, 2010

Itália - Turim - Dia 02

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Acordamos cedinho pra pegar o trem pra Turim. Como eu contei no post anterior, passei um pouco de frio no banho, mas tudo foi recompensado pelo leitinho quente delicioso no café da manhã. Arrumamos as malas, o Ale foi fazer o check-out e eu resolvi preencher o formulário do hotel dizendo que eu tinha gostado de lá. Essa minha inteligente manobra quase nos fez perder o trem. Tivemos que entrar no trem num vagão qualquer, e andar com as malas por dentro dele, até chegar no assento que a gente queria, que era na primeira classe (presente do Ale).

Esse trem que nós pegamos era o de baixa velocidade, que não precisa de reserva. Ele alcança 155km/h, pelo menos é o que o marcador da cabine dizia. O trem estava vazio, então foi bem tranquilo achar um lugar. Aliás, tivemos que achar um lugar pra gente e outro pras nossas malas, já que elas não cabiam no compartimento de malas que fica acima dos bancos. Os bancos nesse tipo de trem não são nada confortáveis, não reclinam e o encosto de cabeça é bem mais ou menos. Mas como a viagem até Turim era relativamente curta (2 horas), esse não foi um grande problema. A paisagem até lá é maravilhosa, a gente passa pertinho (ou aparentemente pertinho) dos Alpes. É definitivamente uma viagem que vale a pena estar acordado.

Chegando na cidade
Da estação, descobrimos qual era o tram que nos levava até o hotel. Aliás, em Turim nós só andamos de tram, aqueles bondinhos que andam sobre trilhos no meio da cidade. O valor da passagem é o mesmo do metrô (1 euro), mas diferentemente do metrô, você não precisa do ticket pra entrar. Você entra e valida o ticket. Logo, se você não tiver um pra validar, você pode andar nele e correr o risco de ser pego na fiscalização. Isso a gente foi descobrir quando entramos a primeira vez em um, achando que teria um jeito de comprar o bilhete lá dentro, talvez uma máquina daquelas que você coloca as moedas e ele imprime o ticket. Mas não havia. Então andamos rezando pra que não subisse a fiscalização. No caminho, notamos que ninguém validava o ticket, então resolvemos arriscar nas outras viagens, e validamos somente duas viagens. Nunca vimos fiscalização, não sei se por causa da época do ano ou se porque é habitual, mesmo.

A primeira impressão que eu tive da cidade foi bem positiva. Ouvi opiniões de algumas pessoas dizendo que Turim era feio e que não valia a pena ir pra lá. Nós resolvemos ir porque um amigo do Ale morou lá e disse que valia a pena. Chegando lá, não vi nada de feio. A cidade é toda medieval, com as ruas sem lógica nenhuma, e os prédios são bem antigos - assim como em toda a Itália - e a conservação deles depende da região. Com o passar dos dias, notamos que Turim tem um lado meio negro. Ali na região da Piazza dela Repubblica a coisa é meio pesada. Rola tráfico de drogas e chegamos a ver até seringas sujas de sangue no lixo. Mas fora de lá, não senti em nenhum momento ameaça, perigo, ou coisas assim. No geral foi tudo bem tranquilo.

O Hotel 
Ficamos no Mercure, que só não foi melhor pela sua localização, que ficava longe tanto da estação quanto do centro. Mas como a circulação por trams é muito fácil, até que não foi tão ruim. O hotel era bom, apesar de alguns poréns: o secador de cabelo do nosso quarto estava quebrado, e a luz não era nada intuitiva de se ligar. Era aquele sistema de colocar o cartão no buraquinho, mas o buraquinho você tinha que descobrir onde era. O negócio era tão complicado que quando eu fui perguntar na recepção, eles tinham um modelo do interruptor pra mostrar como fazia. Provavelmente eu não era a primeira a perguntar.
Quando chegamos no hotel, descobrimos o inesperado: nossa reserva havia sido feita pra um mês antes, ou seja, novembro. Como já havíamos pago, teoricamente teríamos perdido o dinheiro. Mas o recepcionista foi muito solícito e se ofereceu para ver o que poderia fazer por nós. Isso nos surpreendeu, porque na verdade tanto eu quanto o Ale já estávamos conformados em ter que pagar as diárias novamente, já que o erro tinha sido nosso e não podíamos cobrar uma atitude do hotel. No final das contas, saímos de lá sem ter que pagar pelo nosso erro, eles deixaram nossa estada por conta e pagamos apenas o chocolate que comemos do frigobar. Foi um grande "UFA!".
De legal no hotel tinha a cama, que era gigantesca. O quarto como um todo era bem confortável. Tinha uma poltroninha, um hall pra colocar a mala, e o banheiro também tinha um tamanho agradável. A temperatura do quarto nesse e em todos os outros hoteis que ficamos (sem contar o de Milão) podia ser controlada por nós, o que era uma grande vantagem. O café da manhã no hotel tinha o básico, mas tinha muito mais pães doces do que salgado. Achei um café razoável.

Passeando pela cidade
No nosso primeiro passeio pela cidade, pegamos o tram pro lado errado. Quase fomos parar muito longe, quando percebemos (lê-se = o Ale percebeu) que havíamos feito besteira. A gente já estava se sentindo dois idiotas, depois de ter feito reserva errada, não ter conseguido acender a luz do quarto e ainda por cima ter pego o transporte errado depois de ter pedido informação pro recepcionista do hotel. Caímos na risada.
Descemos, atravessamos a rua, refizemos todo o percurso e aí, sim, fomos pro centro da cidade. Mas era dia 25 de dezembro, e estava tudo fechado, com exceção de alguns poucos restaurantes. Entramos em um que estava servindo um almoço por 55 euros por pessoa! Agradecemos a atenção e saímos de fininho. Achamos um outro que pagamos 50 euros pelos dois. Esse restaurante era o Piccirida, na Repubblica, um restaurante muito simpático que tem várias coisas agregadas, o restaurante, uma doceria e uma outra coisa que eu não lembro o que era. Pedimos um prato simples de massa, mas saía cada prato lá inacreditável. Lá tem muito fruto do mar, e naquele restaurante tinha muita lagosta, umas enormes!
Aliás, um costume lá é o Slow Food, o inverso do Fast Food. Você passa o dia inteiro comendo. Come uma entrada, que geralmente é uma bruschetta, uma salada ou uma sopa. Depois vai pro primeiro prato, que é uma massa. Aí tem o segundo prato, que é uma carne ou um frango. Por último, a sobremesa. Tudo isso regado a bons goles de vinho. Pra sair rolando. Mas as pessoas lá não são gordas, porque além de você comer tudo muito devagar, são em geral comidas saudáveis, ao contrário dos hot dogs e hamburgueres americanos.

Museu do Cinema
Depois do almoço saímos pra passear pela cidade e constatamos que estava mesmo tudo fechado. Fomos até o museu do cinema, que é o prédio onde tem a Mole Antonelliana, símbolo de Turim (essa da foto). Pra nossa surpresa, estava aberto e vazio. Lá você pode pagar 9 euros pra subir na torre e visitar o museu, ou um valor só pro museu ou só pra torre, que eu não lembro de quanto era, acho que 5 euros. Nós pagamos os 9. Primeiro entramos na fila pro elevador, que nos leva até 85m de altura. O vento lá em cima é considerável, mas a vista vale a pena. De todos os lugares que vimos do alto (Turim, Roma e Milão), essa sem dúvida é a vista que mais vale a pena. Além da cidade ser muito mais bonitinha e mais colorida que as outras, tem a vista da cadeia de montanhas cheia de neve no topo, que é de encher os olhos. Essa foto aqui embaixo foi tirada lá de cima da torre.

Quanto ao museu, ele só vale a pena para quem é realmente amante de cinema, e principalmente do cinema antigo. Ele até é divertido, interativo, mas muito pouco informativo. pra mim, que conheço muito pouco sobre o cinema, saí de lá sabendo tanto quanto eu entrei. Existem várias salas que são ambientes de filmes, e não existe nenhuma referência de qual filme aquele ambiente pertence. Achei que não vale o quanto se paga, se fosse pra voltar, voltaria só pra ir no Mole.

A pizza italiana
A janta foi ao lado do hotel, numa pizzaria turca. Nós entramos na pizzaria, que tinha uns pedaços de pizza na vitrine e pedimos duas margheritas, achando que ele iria servir dois pedaços. Quando demos conta, eles estavam fazendo duas pizzas INTEIRAS! Como não sabíamos como explicar que não era aquilo que a gente queria, e também não tínhamos certeza se aquilo era mesmo pra gente, deixamos rolar. Depois fomos descobrir que é assim que os italianos comem pizza: eles comem uma pizza inteira por pessoa, mas é uma massa tão fininha que dá pra comer tranquilo. Só não podemos dizer que a pizza lá é tão deliciosa quanto a nossa. Aliás, a melhor pizza que a gente comeu lá foi essa, feita por turcos. No geral a pizza deles é sem gosto e com quase nenhum recheio. A nossa é muito melhor, e olha que eu acho pizza tudo igual!

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