Wednesday, February 10, 2010

Interrompendo a programação...

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Vou interromper o relato das férias da Amarílis, mas é rapidinho. Só pra dizer que logo terei histórias sobre meu carnaval, que será em Monte Alegre do Sul, aqui mesmo em SP. Já fui pra lá uma vez, quando passei um final de semana, e contei aqui. Dessa vez vamos passar mais tempo e queremos explorar um pouco mais a cidade, as trilhas e cachoeiras. Espero voltar com muitas informações a respeito disso, já que na internet eu não achei quase nada. 


Sobre o carnaval em si, dizem que a cidade fica super agitada (embora ela seja beeeem pequena, apenas 7mil habitantes), e a festa é daquelas bem tradicionais, com blocos de rua e tudo mais. Não sei se vamos participar disso, porque queremos sossego e pretendemos fugir da festa. Mas tentarei trazer informações sobre o carnaval também. 


A pousada que escolhemos foi a mesma da viagem passada, a Pousada da Luz. O preço é salgadinho (como sempre pro carnaval), mas inclui café da manhã, almoço e lanche da tarde (um bolinho delicioso com chá que a Dona Rosa prepara). 


Nos vemos depois do carnaval. 
Boa viagem. 

Sunday, February 7, 2010

Buenos Aires, 3º dia: brasileiros se reconhecem

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Fiz o mesmo trajeto do dia anterior, só que desta vez sozinha. A ideia era chegar ao Cementerio de la Recoleta às 11h, para participar da visita guiada gratuita. Mas quando parei em um dos parques-jardins do bairro para checar no mapa em qual rua virar, dois caras vieram em minha direção, acenando e perguntando em português se eu era... brasileira.

Buenos Aires Bus?!

Arturo e Gustavo têm no máximo 30 anos, se tudo isso. São de Pernambuco (Nordeste do Brasil) e estavam em Buenos Aires também para o Ano Novo. Como me reconheceram? Provavelmente, pela minúscula bandeira do Brasil aplicada na regata preta do projeto Tamar. Ou será que foi pela estampa das famosas tartarugas? Como não falam espanhol, me chamaram para confirmar se era ali mesmo, naquela praça onde estávamos, que poderiam pegar o Buenos Aires Bus. Hã?

Não fosse por eles, nunca teria descoberto a existência desta praticidade ambulante, que, desde maio de 2009, conjuga o desejo do turista com o do mochileiro! Sente só a maravilha: o Buenos Aires Bus é um ônibus amarelo, com teto aberto, que tem 12 pontos de parada nas principais atrações da cidade. Das 9h às 20h, você pode escolher se vai fazer um city tour de 2h45m por todos os pontos turísticos de Buenos Aires ou se vai descer em determinada atração e explorar aquele canto da cidade pelo tempo que desejar. Nesse segundo esquema, quando você enjoar, basta aguardar o próximo ônibus, subir e, se quiser, dali a meia hora descer para conhecer o próximo ponto turístico e as redondezas.

O preço do bilhete para ter o direito de rodar/subir/descer é único: $ 50 (adulto), por 24 horas, ou $ 60 (adulto), válido por 48horas. Se você é mais pra turista ou pra mochileiro, tanto faz: você escolhe como quer conhecer a cidade e pode até mesmo fazer das duas maneiras. De manhã, city tour; à tarde, parar nos locais que mais te encantaram.

Considerando tudo isso, ouso dizer que essa foi a melhor invenção do governo, porque poupa o bolso, o tempo e o emocional do visitante, que não precisa pegar táxi nem esperar longas horas debaixo de sol quente por um ônibus municipal desconfortável e, quem sabe, errado.

O Buenos Aires Bus é uma excelente opção para qualquer turista de qualquer parte do mundo, mas recomendo para os mais comodistas, os que não sabem falar espanhol e principalmente para quem nunca foi à cidade e/ou ficará poucos dias.

Vai por mim: o ponto inicial de partida/final de chegada é sempre na Calle Florida e vale a pena começar o passeio de lá. Porém, chegue cedo, especialmente em feriados brasileiros prolongados (Carnaval, Semana Santa, Natal/Ano Novo), que é quando a cidade entope de brasileiros e a fila do busão - que já é grande - fica maior ainda.

O barato pode sair caro: exceto na Florida, se o ônibus estiver lotado, em todos os demais 11 pontos de parada você só sobe se alguém descer ou se houver lugar vago. Isso às vezes gera transtorno para o viajante tipo mochileiro, porque se ele sair para passear, pode correr o risco de ter que esperar horas pelo próximo ônibus com assento disponível ou pegar um táxi.

Como eu havia passado por quase todos os bairros no dia anterior e ainda teria 4 dias pela frente, acabei optando por não comprar um bilhete. Além do mais, já havia aprendido a andar de metrô e de ônibus municipal, o que sai bem mais em conta e é mais meu estilo.

Cementerio de la Recoleta

Arturo, Gustavo e eu trocamos cartões de visita e telefones de hotel para combinarmos uma saída em conjunto nos próximos dias.

Chego ao Cementerio de la Recoleta 20 minutos atrasada para a visita guiada; vou andando sem rumo e, "por sorte", encontro o grupo, lotado de brasileiros. Faço amizade rapidamente com uma menina que me conta tudo o que perdi, inclusive a história sobre como a Evita foi parar lá (essa é o máximo, imperdível).

De todos os lugares turísticos que visitei, esta foi, sem dúvida, minha atração favorita. Adoro histórias e a visita guiada é recheada delas, que ganham vivacidade quando observamos as estátuas, quadros e objetos pessoais em cada suntuoso mausoléu. Depois de ouvir as lendas, só pude desejar nunca ter um piripaque em Buenos Aires. Aparentemente, a cidade tem tradição em enterrar pessoas vivas e roubar ossos de defuntos.

San Telmo

Vou de táxi até o Microcentro. Desço em frente à Casa Rosada, na Plaza de Mayo, mas sigo direto para a deserta Calle Defensa. Ando pelo menos umas 10 quadras até chegar, finalmente, ao restaurante La Brigada, indicado pelo meu Lonely Planet como o melhor lugar para comer um bife de chorizo. Entro, olho o cardápio e, estarrecida com os preços, descubro porque meu guia estava em promoção no Brasil: todos os valores monetários são pré-crise econômica argentina! Faço algumas perguntas para a recepcionista e decido almoçar por ali mesmo, sabendo que vou desembolsar uns $ 80 pesos por uma garrafa d'água, arroz, batata frita e o tal bife de chorizo. A menos que a comida seja realmente saborosa, naquele momento prometo não mais confiar nas sugestões de restaurantes do Lonely Planet.

Reparo em uma menina olhando confusa o cardápio, embasbacada com os cifrões. Diz que é brasileira e está "sofrendo" para comer por não falar um "ai" em espanhol. Então, eu a convido para dividirmos a mesa - e, claro, a comida e a conta.

Descubro que Débora é do Rio Grande do Norte e chegou em Buenos Aires às 6h da madrugada de hoje, não para visitar a cidade, mas para mudar-se definitivamente para lá, porque ingressou em uma faculdade de medicina. Pergunto por que razão ela não esperou as festas acabarem para daí se mudar. Ela diz que foi o único jeito de garantir a passagem barata, a vaga no albergue e o curso de espanhol, que começava em 03 de janeiro.

Furada: o La Brigada. Não recomendo por 4 motivos.
  1. A entrada cortesia é uma cesta de pães - todos duros;
  2. O prato principal é bom, mas o bife de chorizo que comi na fronteira com Foz do Iguaçu em 2005 estava mil vezes melhor;
  3. O preço é salgado, mesmo dividindo os acompanhamentos com Débora e com 10% incluído;
  4. San Telmo é deserto, vazio, dá medo e tem uma energia esquisita. Voltei ao bairro no dia seguinte, para visitar outras "paradas obrigatórias", e tive a certeza de que não foi só impressão.
Cena Show no El Viejo Almacén

Peguei um táxi na Plaza de Mayo para encontrar Lilly em Primo ($ 15 pesos) e, de lá, passearmos. Ela demorou duas horas para sair da loja e acabamos perdendo a tarde; fomos direto à Palermo, nos arrumar para o show de tango logo mais.

As porteñas se arreglam mucho para sair. Lilly escovou os cabelos e fez baby liss nas pontas; como de praxe, exibia no rosto uma linda maquiagem. Ela estranhou eu sair de casa com os cabelos molhados e somente com um gloss nos lábios. Mas estava mais preocupada em escolher a roupa ideal para não parecer uma baleia gorda.

Às 19h, estávamos prontas aguardando o carro do restaurante e, mesmo sabendo que havíamos comprado um jantar, nos deliciamos com empanadas de jamón con queso feitas por Joana, babá da filha de Gris. Esta maravilha são pastéis de massa bem fina, assados e recheados tradicionalmente com presunto e queijo. Adoro comidas típicas e essas empanadas estavam riquíssimas.

Chegamos na tanguería El Viejo Almacén às 20h20. Pagamos US$ 90 (dólares) por pessoa pelo cena show, que inclui mini van para buscar e levar à porta de casa + um delicioso jantar completo (entrada, prato principal, sobremesa e bebida) e, lógico, o show de tango com qualquer bebida à disposição.

Este estabelecimento se gaba de ter o melhor espetáculo da cidade e tem todo o direito. O show é perfeito, incrível, inesquecível; pra ninguém botar defeito. Vale a pena cada centavo. Você não vê somente pessoas jovens dançando; é um show mesmo, com músicos, cantores, tudo ao vivo! Tem um ritmo musical que só ouvi aqui e não me recordo de ter ouvido em nenhum outro lugar. Imperdível. Reserve pelo telefone com um dia de antecedência. Aqui, o barato só sai caro se você ficar nos cantos no salão. Vale a pena ir com um grupo grande, porque eles parecem dar as melhores mesas aos que "pagam mais" à casa.

Um ponto alto foi o garçom fofíssimo que nos atendeu. O tempo inteiro, ele tentou me deixar à vontade, esforçando-se para falar português e me fazer compreender o cardápio; um doce de ser humano.

O ponto altíssimo foi um cara gatíssimo da banda de tango, que devia ter no máximo uns 25 anos. Eu e Lilly às vezes esquecíamos por completo do show para admirar o garoto. Sentadas ao nosso lado, as vibrantes Fabiana e Iana compartilhavam desta paixão platônica. Fabi é professora de inglês em São Paulo e Iana é uma alemã que mora e trabalha com turismo em Ibiza; ambas se conheceram em Bs As em 2006 e voltaram em 2009 para passar o Reveillón juntas. Falam espanhol fluentemente e nos comunicávamos sempre nessa língua, para que todas pudessem entender. Ficamos amigas de trocar telefones.

Encerrado o show, nós 4 reunimos nossa coragem e pedimos ao garçom para tirarmos uma foto com aquele chico lindo. Tive pena dos turistas que vieram com a gente no carro; o nosso motorista simpatizou tanto com Lilly que tiveram que esperar por nós cerca de 20 minutos, enquanto descolávamos a foto perfeita.

De volta à Palermo, risquei 2 itens da minha lista principal de experiências: ir à Recoleta e ao show de tango. Agora, só faltam 5. Será que vai dar tempo?

* Pequeno dicionário para sobrevivência (III) *
  • arreglarse - arrumar-se.
  • cena show - jantar e show de tango.
  • cuchara - colher.
  • cuenta - conta.
  • boleto(s) - bilhete de trem, ônibus ou metrô.
  • bife de chorizo - bife de carne tipo picanha misturada com filé mignon.
  • calle - rua. Outra palavra necessária e que demorei 2 dias pra decorar.
  • chorizo - linguiça temperada.
  • compartir - compartilhar, dividir.
  • hablar - falar.
  • muy amable - muito amável. É comum dizer isso à pessoas que te prestam um favor, de qualquer tipo, com muita boa vontade.
  • pollo - frango.
  • rulador - modelador de cachos.
  • servilletas - guardanapo. Foi a palavra mais difícil de decorar; demorei 4 dias. O pior é que era extremamente útil porque a tradição em Bs As são os guardanapos de pano e eu me dou melhor com os de papel.
  • tanguería - lugar onde se assiste shows de tango.