Monday, March 29, 2010

Monte Alegre do Sul no carnaval - dia 04

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Último dia de viagem. Tínhamos só até às 15h pra aproveitar a pousada, então não dava pra ir muito longe. Aproveitamos a manhã e demos uma passadinha na Cachaçaria do Neno (Campanari), que fica do ladinho da pousada (mas tão do ladinho que o trabalho de ter tirado a bicicleta do chalé foi maior do que de ter ido até lá). Nós já conhecíamos a cachaçaria da nossa visita anterior. Gostamos tanto da cachaça que resolvemos voltar pra comprar mais. Dessa vez ele estava cheio de novidades. Tinha tanque novo na produção e vários barris diferentes para o envelhecimento da bebida. Quase tive que carregar o Ale de volta pra pousada, porque ele foi o degustador oficial.

Passamos o resto da manhã na piscina. O sol estava muito forte pra ir andar de bicicleta ou fazer qualquer outra coisa que não fosse lagartixar na água. Às 13h teve o famoso almoço da Dona Rosa, que infelizmente foi só o nosso segundo, de 4 que poderíamos ter tido. Aquele almoço é tão bom que quando a gente perde, sente vontade de chorar.

A volta pra São Paulo foi bem mais tranquila que a ida. Resolvemos arriscar voltar pela Fernão Dias porque não sabíamos o caminho pela Bandeirantes e ficamos com medo de arriscar. Descobrimos que dá pra ir por dentro das cidades até Pinhalzinho, e com isso a gente evita um trecho de estrada muito sinistro e perigoso, no qual quase fomos pegos por um caminhão em alta velocidade que por pouco não fez a curva. A estrada nesse caminho novo não é 100%, embora o asfalto esteja novo tem uns buracos bem grandes e tem que ir com atenção. Não recomendo ir à noite. Mas durante o dia deu pra ir sossegado e sem grandes sobressaltos.
Já na Fernão Dias, o tráfego estava intenso mas sem trânsito. Foi bom voltar pra casa.

Monte Alegre do Sul no carnaval - dia 03

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Pro nosso terceiro dia de carnaval havíamos planejado uma ida a Socorro, para visitar o Parque dos Sonhos. Eu já tinha ido nesse parque há alguns anos exclusivamente pra pular da maior tiroleza que tem lá (e até onde eu sei, é a maior que existe por aí), que tem 1km de comprimento e é muito alta. Fiz esse vídeo de qualidade muito ruim, mas que dá pra ter uma ligeira ideia do tamanho da brincadeira (não dá pra me ver o tempo todo no vídeo por causa da qualidade, mas durante o vídeo todo eu ainda estava escorregando no fio. Mais de 1 min de queda).



O Parque dos Sonhos cumpre o que o nome promete. É um terreno gigante cheio de opções de esportes radicais. Tem tiroleza, arvorismo, rafting, canoagem, trilhas, passeio de jeep, e mais tantas outras coisas. Você paga pra entrar e paga tudo o que consumir lá dentro (entende-se passeios e/ou comida). A entrada só te dá direito a usar a cachoeira e as trilhas. O valor hoje é de R$ 10 pra entrar, e a maioria das atrações está na faixa de R$ 30 a R$ 40, o que é bem mais em conta do que os outros lugares que passamos procurando pra fazer canoagem (estavam todos R$ 80, mas provavelmente o preço estava mais alto por causa do carnaval).

Eu lembrava que o Parque era legal e que deveríamos reservar o dia inteiro pra ficar por lá. Mas eu não contava com 2 coisas: a primeira era a distância, que eu não lembrava que era tão grande e em uma estrada de terra tão ruim. O meu carrinho, coitado, tá todo barulhento até hoje depois daquela viagem insana. São 7km de estrada de terra depois de uma estradinha safada cheia de curva e nenhuma sinalização (embora estivessem arrumando ela quando passamos) que fizemos em mais de 1 hora. Se você não sente amor pelo seu carro pode ser que consiga fazer em menos tempo (ou se você tem um carro próprio pra isso, o que seria bem inteligente).

A segunda era a superlotação. Eu imaginei que estivesse meio cheio por causa do carnaval, mas não imaginei que TODOS os esportes de água estivessem lotados. Esses esportes têm que ser marcados com antecedência, e como chegamos lá num horário não muito cedo, acabamos ficando sem opções. Tiroleza eu já tinha feito e não queria fazer de novo, e o resto não me interessava. Nos restou ficar tomando sol na cachoeira (que não é lá muito bacana) e fazendo as trilhas. Na verdade o Parque dos Sonhos é mais ou menos a Disneylândia do Ecoturismo. Tudo é bem sinalizado e você sabe muito bem pra onde está indo. A trilha tem corrimão de madeira pra demarcar o caminho. Por mais que isso seja legal pra preservar o ambiente e fazer ninguém se perder lá dentro, faz perder um pouco da graça e da emoção de se fazer uma trilha.
A conclusão é que o passeio não foi tão legal quanto esperávamos, embora tenha sido proveitoso. O Ale não conhecia o parque, o que foi um ponto positivo. Decidimos ir embora um pouco depois do almoço (aliás, lá tem lanchonete e restaurante, o almoço estava custando R$ 18 pra comer o quanto quisesse), quando começou a aparecer umas nuvens de aparência duvidosa e ficamos com medo de pegar aquela estrada de terra na chuva. Seria atolamento na certa.

Voltamos pra pousada e passamos o resto do dia na piscina. À noite fomos pro centro ver o famoso bloco do Nheco vai, Nheco fica. Parece que eles desfilam todo ano. São palhaços que levam toda uma parafernalha pra "avenida" e ficam brincando com o público enquanto desfilam. É muito divertido se você conseguir um lugar perto deles, porque participa da bagunça. A gente ganhou pirulito, adesivo, apito. Até camisinha eles distribuiram. Só que pelo fato deles ficarem brincando com o público, o desfile deles dura mais ou menos 2 horas. Ou seja, se você está no final da "avenida", senta e chora. A gente pegou eles logo no comecinho e quase não aguentou esperar. Mas valeu a pena. Obviamente depois que eles passaram por onde estávamos, fomos embora. Estávamos os dois exaustos e mortos de fome.

Achamos a Pizzaria do Mané, que tínhamos tentado achar no dia anterior, sem sucesso. Ela fica um pouquinho fora do centro, mas muito fácil de encontrar. A pizza deles é muito boa, e o atendimento idem. Foi uma boa forma de fechar o carnaval.

PS.: Fotos, por enquanto, só aqui.

Friday, March 26, 2010

Monte Alegre do Sul no carnaval - dia 02

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Acordamos cedo pra aproveitar o belíssimo dia de sol que estava fazendo. O café da manhã na pousada da Luz (assim como as demais refeições) não é como nos hoteis convencionais, que vai das tantas até às tantas. Começa às 9. Ponto. Se você chegar às 11, azar o seu, fica sem café. Isso porque são poucos hóspedes, e não tem sentido fazer 2 horas de café da manhã ou de almoço. Então levantamos quase 9, e chegamos pro café da manhã, que nesse dia tinha o tradicional leite, nescau (nescau, não achocolatado qualquer), café, pão, frutas, bolo e a jarra de suco que ela faz na hora.

O programa do dia era procurar uma cachoeira bacana. Dona Rosa nos deu a dica da Cachoeira do Sol, que você paga um tanto pra entrar (R$ 8,00), mas tem toda uma infra-estrutura. Pelo que eu entendi, das cachoeiras mais próximas ela é a única que dá pra se banhar. As outras são apenas para contemplar. A Cachoeira do Sol também é um local de camping, e para manter a ordem os donos do terreno proibiram comida, bebida e cigarro nas áreas próximas à cachoeira, e também música alta (fora axé!). Dessa forma, lá você tem sossego total, sem sujeira e sem fumaça atrapalhando sua diversão.
Eu deveria contar onde ela fica, mas como esses lugares ficam mais legais quanto menos gente tem, então não vou facilitar sua vida. ;-) Mas não é difícil descobrir. E se você descobrir, tire o dia todo pra ficar lá. Não sei exatamente como se faz pra comer por lá, porque voltamos para aproveitar o almoço na pousada, mas nos arrependemos de ter programado apenas a manhã para ficar por lá, já que a cachoeira é realmente muito gostosa.

Porém, o arrependimento durou só até a gente ver a mesa do almoço. Arroz, bife à milanesa, salada de batata (a melhor que eu já comi até hoje), frango, rondele e salada de pepino. Tudo muito muito muito bom. Sabe aquela comida que você até fecha o olho pra poder sentir melhor o gosto? É essa.

Passamos o resto da tarde relaxando na piscina com os outros hóspedes, esperando o sol baixar. Era impossível se mexer fora d'água com aquele calor. Quando o sol baixou, pegamos as bikes e fomos pra cidade, dessa vez por um caminho mais curto. Foram 11km ida e volta, em sua maior parte de estrada de terra e com umas subidas que requerem fôlego e muita perna!

Voltamos novamente antes do sol se pôr, eu ainda dei um mergulho na piscina antes do banho (tão bom piscina à noite) e voltamos de carro pra cidade pra ver o desfile. Dessa vez comemos na lanchonete do centro, a Shneps, que naquele horário ainda não estava tão lotada e nós conseguimos um lugar até que rápido. Depois sentamos na igreja pra esperar os blocos, mas acabamos desistindo. Os blocos do dia eram aqueles que a própria molecada organiza, vende as camisetas e sai todo mundo bêbado. Esse dia conseguiu ter mais gente na rua do que todos os outros dias. Era um mar de gente tão grande que quase não conseguimos chegar no carro, já que estávamos no contra-fluxo. Por sorte (ou conhecimento) tínhamos parado o carro bem na saída da cidade, e não tivemos problema nenhum pra ir embora.

Thursday, March 25, 2010

Monte Alegre do Sul no carnaval - dia 01

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Eu e o Ale não fazemos nada o tipo de amantes do carnaval. Então decidimos ir pra um lugar onde pudéssemos ter sossego e muito contato com a natureza. Logo pensamos em Monte Alegre, um lugar que já conhecíamos e adoramos quando fomos. Fizemos nossas reservas na mesma pousada que da outra vez, a Pousada da Luz, já que a estadia lá da outra vez foi muito boa. Da primeira vez havíamos fechado o pacote apenas com café da manhã, mas dessa vez fechamos o pacote completo, com café da manhã, almoço e lanche da tarde. Mas depois eu falo mais sobre isso que vale um aprofundamento.

Um dos nossos objetivos na viagem era relaxar e também ter o maior contato com a natureza possível. Isso significava andar o menos possível de carro e o máximo possível de bicicleta. E aí surgiu o primeiro desafio: como fazer caber duas bicicletas num ka que não tem bagageiro? Pra garantir que não haveria uma tentativa frustrada em cima da hora da viagem de tentar fazer caber e não dar, nós fizemos o teste uns dias antes e descobrimos que elas caberiam, desde que fossem quase completamente desmontadas. Sem banco e sem a roda da frente elas entravam, já que o Ka tem a super vantagem de abaixar os bancos de trás. O único problema é que não sobrava muito espaço para colocar as malas. Mas bicicleta era prioridade, roupas eram secundárias. Fizemos uma mala bem pequena, conseguimos fazer caber tudo maravilhosamente bem e partimos pra estrada no sábado de manhã (puxa, eu devia ter tirado uma foto do porta-malas!).

Nós estávamos esperando que estivesse um certo trânsito, afinal de contas, carnaval sem trânsito não é carnaval. Mas não estava preparada pra TANTO trânsito, e muito menos debaixo daquele sol. Escolhemos fazer o mesmo caminho da última vez, pela Fernão Dias, e nunca me arrependi tanto de uma escolha. A estrada ainda estava em obras em vários trechos (alguns duplicando, outros criando praça de pedágio), e em vários outros havia pontos de desabamento, e portanto uma faixa de rolamento estava interditada. Isso aumentou a nossa viagem em 3 horas. Resultado disso é que acabamos perdendo o almoço da pousada (até então não sabíamos o quanto estávamos perdendo) e tivemos que comer no meio da estrada. Em duas horas de viagem - quando deveríamos estar chegando no destino final -, ainda estávamos no Km 65 da Fernão Dias (ou mais ou menos isso), ponto onde aparece o primeiro posto decente para comer. Aliás, dica: se você estiver num congestionamento ali e desesperado pra parar num posto, NÃO PARE NO PRIMEIRO. O primeiro posto é um postinho sem-vergonha, que fica LOTADO porque justamente é o primeiro que todo mundo vê. Logo à frente tem um graal grandão cheio de comidas boas e banheiro limpo (ou talvez nem tanto). A nossa sorte é que já conhecíamos o posto, senão teríamos cometido a ignorância de parar no primeiro, que estava a maior fila pra entrar. E se o seu desespero não for tão grande e você for louco pelos produtos do Frango Assado, tem uma loja mais pra frente, próximo à Atibaia.

Quando finalmente chegamos na pousada, encontramos alguns hóspedes na piscina aproveitando aquele sol que estava de matar. A pousada continua a mesma, assim como D. Rosa. Ela nos recebeu, colocamos as coisas no chalé e corremos pra piscina. Não é grande, mas como a pousada é pequena, ela cumpre seu papel. Havia dias em que todos os hóspedes ficavam na piscina e não ficava aglomerado.

Aproveitamos a tarde para remontar as bikes, que foi um tanto trabalhoso e rendeu ao Ale uma unha do pé quebrada e um dedo cortado. Tá pensando que vida de ciclista é fácil?
Lá pelas 17h a Rosa serviu o café da tarde, que tinha uns bolinhos fritos e umas empadas. Tudo muito bom. Forramos o estômago, pegamos as bicicletas e fomos até o centro. Não pegamos o melhor caminho para ir, porque além de mais longo, pega um trecho daquelas estradinhas vagabundas que quase não tem sinalização. Não é exatamente a coisa mais segura que existe.
O nosso rodômetro (é esse o nome?) marcou 19km (ida e volta), mas acho que ele não estava zerado. Deve ser um pouco menos que isso.

Eu estava um pouco insegura, porque nunca tinha andado em estrada de terra antes (a gente pega estrada de terra próximo à pousada). O Ale tinha me dito que essas bikes se comportam muito melhor nesse tipo de substrato do que em asfalto (e daí o nome mountain bike), mas eu custei a acreditar. Quando eu comecei a confiar de verdade na bicicleta e consegui soltar o freio, foi uma delícia. Não tem nada mais gostoso do que subir e descer aquelas ladeiras de terra ladeadas por mato sentindo o vento na cara e o suor escorrendo pelo seu esforço. TÃO melhor que estar em um carro (e olha que eu adoro dirigir, hein!).

Voltamos do nosso primeiro passeio, que foi até o Café da Denise (Grão Café Boutique), ainda com a luz do sol, já que a estrada de terra não é iluminada artificialmente e obviamente nós não tínhamos faróis. Demos uma descansada e voltamos para a cidade à noite para ver o que era o tão comentado carnaval de Monte Alegre, que a gente já tinha ouvido falar que a cidade lotava, mas a gente estava duvidando um pouquinho.

Chegamos na cidade e encontramos as ruas principais do centro (diga-se de passagem, as únicas) isoladas por cordões, que, imaginamos, seria por onde os blocos passariam. No final da rua havia algumas barraquinhas que ofereciam vários tipos de comidas e bebidas. Várias pessoas já estavam guardando seus lugares na escadaria da igreja, usavam-na como se fosse uma arquibancada pra ver os blocos passarem. Nós chegamos ainda cedo, cerca de 21h. Comemos e decidimos ficar pra ver o primeiro bloco, que foi o Colibris do Orypaba. A essa altura, a cidade já estava lotada de um jeito que eu não acreditaria se eu não tivesse visto. Na praça central era difícil de andar. Se você estivesse de carro tentando entrar na cidade, esqueça. A fila ia para além do portal da cidade e se estendia pela estrada. Dica: se você estiver de carro, vá cedo - entre 21h e 21h30 -, procure um lugar na entrada da cidade e pare de frente para a saída. Você não vai conseguir manobrar depois.
A maior parte das pessoas que vai pro centro é a molecada de 15, 16 anos. Mas até onde pudemos perceber, o pessoal não exagera na brincadeira. Tá certo que não ficamos tempo suficiente pro álcool chegar nos níveis mais altos, mas enquanto estivemos na cidade não tivemos nenhum problema e também não vimos brigas nem confusões. Apenas um carnaval bem pacífico e alegre.

Comemos um cachorro quente super-faturado em uma das barraquinhas montadas na rua, vimos o desfile do primeiro bloco, que teve direito até a carro alegórico e bateria, e voltamos para a pousada, contentes com o nosso primeiro dia de carnaval em Monte Alegre do Sul.


Fotos: Lá em cima sou eu, fazendo uma pausa, descansando um pouquinho no retorno pra pousada. 
A segunda foto é o desfile dos Colibris do Orypaba, com carro alegórico e tudo. 
E por útlimo, a fila de carros pra entrar na cidade. Essa é só uma pequena amostra. Dá pra ver o pessoal fora do carro? É porque a fila não andava. 

Tuesday, March 16, 2010

Buenos Aires, 7º dia: onde os turistas não costumam ir

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Lilly estava saindo para trabalhar meio período quando eu cheguei da noitada.

Na minha última manhã em Buenos Aires, havia planejado visitar um museu sobre Evita que fica a duas ruas atrás de onde eu estava. Mas dormi às 6h da manhã e só acordei lá pelas 10h. Tempo suficiente apenas para tomar um banho e ir direto encontrar Lilly na Primo. De lá, encontramos Daniel e pegamos o trem para uma das melhores atrações da cidade. Especialíssima, diga-se de passagem, porque - apesar de não ser assim tão desconhecida dos turistas - não está em nenhum guia de viagem (nem no Lonely Planet).

Visitando o "inexplorado": El Tigre

Não confio mais nesses "guias" de viagem. Certamente só soube da existência de El Tigre porque estava na companhia de Lilly e Dani. E se isso não tivesse acontecido seria um problema, na minha opinião, porque daí eu nunca teria me divertido tanto nesta viagem nem aprendido uma importante lição.

Não sei quanto custou o trem porque Daniel pagou para todos nós, mas não deve ter sido mais do que $ 3 pesos - se tudo isso. Partimos no início da tarde e demoramos cerca de uma hora para chegar em El Tigre. A paisagem durante o trajeto é agradável e Dani foi apontando para mim os pontos mais marcantes, enquanto Lilly dormia ao seu lado.

Este bairro afastado do centro da cidade não está em nenhum guia de viagens (já disse isso?). Uma pena, porque é simplesmente uma graça e vale a pena a visita. O canteiro oval rodeado de flores com o qual me deparei assim que saí da estação me lembrou Campos do Jordão na primavera. Também é muito calmo e, segundo Lilly explicou, "é onde os pedestres são respeitados". De fato.

Passamos por um parque de diversões e um cassino enquanto circulávamos pela região, onde imperam as feiras e lojinhas de artesanato, comida e roupas. Sem dúvida, lá estão as melhores liquidações. Foi uma pena eu estar com apenas $50 pesos no bolso.

Em condições normais, El Tigre já deve ser cheio: é para lá que as famílias porteñas fogem nos finais de semana. Imagine agora no meio do feriado mais aguardado do ano: estava MUITO lotado. Havia gente de tudo quanto é idade e tamanho, de tudo quanto é canto do universo e era quase impossível transitar com velocidade. Sem falar no calor de 38ºC. Ficar andando pra lá e pra cá nessas condições me irritou profundamente.

No início, quando apenas passeávamos pelo comércio, não consegui entender o que as pessoas viam de tão especial naquele lugar e o mais importante: o que nós três estávamos fazendo ali. Tudo o que eu sabia - e pelo que ansiava - era que íamos aproveitar o dia num parque. Foi o que bastou para minha imaginação pintar uma réplica dos bosques que visitei em Palermo. Só que este era mais lindo e lá poderíamos andar de barco, curtir a brisa... Porém, nunca chegamos nesse lugar idealizado.


Ao pararmos novamente na porta do Parque de la Costa, aí sim tudo fez sentido.

Quando percebi, Daniel já estava na fila para comprar bilhetes para entrarmos neste super parque de diversões. Havíamos passado por esta atração assim que chegamos em El Tigre e eu torci o nariz, bati pé e reclamei muito porque não queria passar o resto da tarde ali de jeito maneira. Pelo simples fato de que meu dinheiro ia acabar se entrássemos lá.

O Parque de la Costa é um parque de diversões tipo Disney World (só que em tamanho bem reduzido). É barato: custa em média $ 55 pesos por pessoa para um dia, mas o valor varia de acordo com o tipo de passe escolhido. Abre aos sábados, domingos e feriados, das 11h30 às 19h.

Desde o dia em que cheguei, era ali que Lilly tanto queria me levar. Nunca imaginei que alguém quisesse um dia me levar a um parque de diversões. E eu estava tão presa aos meus próprios modelos mentais que não compreendi a intenção dela; sequer dei a chance a ela de me ensinar seu jeito de viver e curtir.

Pra completar, ainda por cima me deixei emputecer de tal forma pela falta de grana e bati o pé com eles, disse que não queria entrar no parque de forma alguma, porque eu não tinha dinheiro, ia ficar sem grana e blá blá blá. Até hoje me ressinto de ter tido esta preocupação tão mesquinha e de ter magoado a minha amiga com essa minha atitude estúpida. Poxa, ela estava ali querendo nos proporcionar um momento de desfrute e eu estava sendo tão cabeça-dura... Me deixei levar por essas emoções negativas e quase perdi o que era tão importante pra ela e pra mim.

Como toda história tem um final feliz, percebi a tempo meu erro. Fomos a apenas 4 brinquedos, mas no fim do dia, assistindo ao super show de despedida, me desculpei com os dois e agradeci a eles por tudo aquilo. Havia me esquecido do quanto é bom ser criança.

E essa foi uma importante lição de viagem e de vida: aproveitar o momento com as pessoas que estão diante de mim. Momentos não são pra sempre, pessoas também não; dinheiro é para possibilitar; e desfrutar a vida significa ser criança e ser jovem, viver aventuras e fortes emoções, arriscar-se. Sou categórica em afirmar que essa última e crucial atividade mudou meu jeito de escolher experiências e de encarar uma viagem. De uma vez por todas, lições aprendidas: sei exatamente como desfrutar e como viver o momento.

Uma ideia (meio) furada

Eu não podia deixar - claro que não, sou teimosa, lembra? - o cansaço me dominar e acontecer de não sair para um barzinho em Palermo naquela noite. Mesmo exaustos do super dia em El Tigre, Lilly e Dani se mobilizaram para atender ao meu "último pedido". Já havíamos combinado tudo: Dani viria nos pegar com o carro de seu pai às 23h.

Quando ele chegou, já estávamos prontas, maquiadas e com as caras mais mortas de sono do mundo. Lilly sentou-se no banco do carona e dormiu. Fui no banco de trás, ajudando Dani a dirigir. Afinal, quem inventou a história toda? Já estávamos rodando algum tempo à procura do lugar onde pensávamos em ir, sem sucesso. Também não encontramos vagas para estacionar. Então, sugeri a Dani para nos levar pra casa de Lilly.

Vai por mim: ande de carro com um porteño que tenha entre 18 e 25 anos, dormiu pouco naquele dia, aprendeu a dirigir sozinho e nunca trabalhou como taxista. Essa é a única experiência desta empreitada que eu não vou delatar pra vocês. Apenas um comentário: não sei como Lilly consegue dormir no carro. É, ainda tenho muito a aprender na vida...

Extra: 8º dia, retornando ao Brasil (1)

Claro que viagens de retorno podem ser comi-trágicas: há quem esqueça laptop, mala, passaporte; há quem encontre atendentes 'engraçadinhos' e otras cositas más. A minha viagem de volta ao nosso país foi normal...

Eu tinha que estar em Ezeiza (aeroporto de Buenos Aires) às 11h, no máximo, para pegar o voo de volta pro Brasil. Morria de medo de não conseguir táxi, como ocorreu no dia da virada. Por sorte descobrimos que havia um ponto de táxi na esquina da casa de Lilly. Mesmo assim, pedi a ela para passar a mão no telefone e agendar um carro para às 10h da manhã daquele domingo.

Aguardamos até 10h15... até 10h20... e nada. Fomos até o ponto tirar satisfações. Eis que o dono disse que o homem já havia saído há uns 30 minutos... Não é que o cara conseguiu se perder para dar a volta num quarteirão? No fim das contas o dono do ponto de táxi pegou seu carango e nos levou até o aeroporto por $ 50 pesos.

Extra: 8º dia, retornando ao Brasil (2)

Para compensar, um presente divino. Bem que eu achei estranho demais aquele homem tipo modelo estar ao meu lado no avião e não ser minimamente famoso. Enquanto sua esposa dormia, ele ensaiava suas falas para uma novela no SBT. Aha! Eu sabia!

Cheguei no Rio de Janeiro e adivinha qual foi a primeira coisa que fiz quando pisei em casa? Googlei o cara. Descobri que estava sentada ao lado do ator Cláudio Lins (isso mesmo, filho do Ivan lins).

Na próxima viagem...

1) vou viver mais ao invés de ver. Dançarei mais salsa, irei à boate, me entregarei ao parque de diversões. E definitivamente serei mais flexível para mudar o rumo e abandonar, se for o caso, de vez meu planejamento.

2) não ficarei presa a uma lista de objetivos. Cumpri todos os itens, mas também aprendi a deixar acontecer (será?).

3) levarei o dobro do dinheiro estimado para os gastos. Cinquenta por cento das minhas irritações foi por causa de uma previsão subestimada em... 50%.

4) se um dia eu voltar a Buenos Aires, além das sugestões de outros viajantes nos comentários, visitarei Las Cañitas.




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Agora é a vez da Thaís postar sobre seu Carnaval com o Alê em Monte Alegre. Já já eu volto com um super post sobre o meu Carnaval em... surpresa!

Sunday, March 7, 2010

Buenos Aires, 6º dia: salsa!

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Hoje é 1º de janeiro de 2010. Feriado internacional.



Acordei umas 10h e fui direto tomar café da manhã. Perguntei à Lilly se eu poderia esquentar no microondas umas 2 empanadas de presunto e queijo. Ela me olhou com uma cara de surpresa, como quem diz "vai comer isso logo pela manhã?", mas assentiu. Foi só quando viu meu copo cheio de iogurte de baunilha que comentou que estranhava aquele atípico (e farto) café da manhã. Desjejum na Argentina é literalmente sair do jejum. Nada de fartura e comer bastante como aqui.

Educação vem de berço

Cada vez fica mais evidente para mim que educação se aprende em casa e desde pequeno. Estava lavando minha louça quando Lilly irrompeu na cozinha com um DVD player portátil. Passei o restante da manhã assistindo a Coraline com a prima de 9 anos dela.

Já havia observado desde a noite anterior que a menina é fofa, prestativa, educadíssima. As filhas de Gris e até mesmo Daniel também são assim. Não sei dizer como e em quê exatamente, mas é notável a diferença na educação entre crianças brasileiras e porteñas. Desde pequenos, todos são ensinados a serem muito respeitosos e educados. Resultado: meninas-quase-princesas e homens-cavalheiros. Fiz uma nota mental para quando tiver filhos: voltar à Argentina para investigar o que é que eles fazem para criar cidadãos daquele jeito.

Vimos o filme com áudio em español (para ela) e legenda em inglês (para mim). Isso foi engraçadíssmo, porque consigo entender algumas frases em espanhol, mas não sou fluente, então sem condições de ficar totalmente sem legenda. Só no final da película descobrimos que havia a possibilidade de colocar subtítulos em português. Quando o filme acabou, fui procurar Lilly para sairmos. Encontrei-a na sala, assistindo pela TV à multidão que aguardava a partida dos carros da Rally Dakar 2010 no centro de Buenos Aires.

Parque 3 de Febrero (Palermo)


Mais ou menos às 13h, saltamos do ônibus nos Bosques de Palermo, mais especificamente. O lugar, também conhecido como Parque 3 de Febrebro, é um sonho. Quando percebeu minha excitação, Lilly propôs de passearmos um pouco por ali. Eu adoro a Lilly justamente por causa disso. Quem dera todas as pessoas fossem flexíveis e compreensivas assim. Tudo na vida dela resume-se a uma palavra: desfrute.

O parque circunda um lago superpovoado de patos. Bem ao centro deste lago, existe um roseiral maravilhoso, decorado por pergolados inspirados na arquitetura grega. Só é possível visitar o roseiral alugando um pedalinho por $25 pesos, meia hora.

Vai por mim: alugue por uma hora (porque duas pessoas pedalando sem pressa demoram exatos 30 minutos pedalando sem pressa para chegar ao pergolado) e tire uns minutos para circular pelas roseiras. Vale muito a pena.

Enquanto uns faziam piqueniques e outros andavam de skate, bicicleta ou patins, eu, Lilly e Daniel escolhemos conhecer o restante do parque "à bordo" de uma carruagem puxada por um cavalo - e com direito a cocheiro! A volta é bem rápida e, em matéria de custo-benefício, ainda tenho dúvidas se valeu os $45 pesos que pagamos. Mas se você é como eu, que não poupa esforços para embarcar numa oportunidade para visitar séculos passados, vai gostar.


Depois fomos deixar nossos pertences no apartamento de Gris. Desta vez, eu já estava bem esperta com relação à questão da comida e devorei metade de um pacote de 700gr de batatas Lays. Na corrida para ver a largada do Rally Dakar - que foi bem sem graça e demorada, na minha opinião -, paramos numa padaria para comprar um pacote de pão de forma e alguns gramas de presunto e queijo.

El Caminito

Pegamos o ônibus para La Boca por pouco mais de $1 peso. Chegamos na minha última parada turística umas 18h. Meu objetivo em El Caminito era encontrar alguns porteños bailando o tango nas ruas, da mesma forma que encontramos sambistas e forrozeiros por aqui.

El Caminito é a área turística do bairro mais barra pesada que existe em Buenos Aires: La Boca. Também é nesse bairro que fica o famoso estádio de fútbol La Bombonera, residência oficial do time Boca Juniors.

A parte turística de El Caminito que me interessa resume-se a um minúsculo quarteirão de sobrados culturais multicoloridos que dão de frente para um rio super poluído. Nas varandas desses edifícios, esculturas também coloridas de personas famosas na Argentina acenam e sorriem para os visitantes. A animação fica por conta de uns 3 bares com mesinhas nas ruas, abertos especificamente para atender aos "gringos". Para completar o cenário, o governo, na tentativa de tentar levar um pouco de cultura aos moradores, abrigou no calçadão que margeia o rio uma exposição com quadros famosos do Louvre. Infelizmente, a maioria estava pichada.


Antes de dar um giro e sacar fotos por lá, paramos em uma galeria, onde comprei miniaturas em gesso do El Caminito e do El Viejo Almacén para minha coleção. Demos a volta pelos casarões (juro, isso não dura 2 minutos, mesmo parando para admirar e fotografias) e sentamos em um banco de madeira ao lado de um bar que já estava bem badalado para almoçar nossos sanduíches de presunto e queijo.

Dali a pouco, um jovem com cara meio desesperada e pinta de drogado se aproxima e começa a falar com Daniel, fazendo sinais de arma na cabeça com a mão direita. A mão esquerda estava escondida atrás da calça, como se estivesse segurando escondido algum objeto dentro da calça. Eu e Lilly gelamos.

Entretanto, seu tom de voz era o mesmo de quem estava desesperado em busca de orientações. Nervosa para processar qualquer coisa, consegui apenas identificar frases soltas como "apontaram uma arma na minha cabeça", "o que que eu faço?", "me levaram tudo", "não sei o que fazer agora", "tenho a arma aqui". Morri de medo de abrir a boca para confirmar qualquer informação com Lilly e o homem perceber que eu era turista. Na hora, a única coisa que pensei foi "turista pobre é uma M. Se eu tivesse pesos suficientes, estávamos num bar, sentados e tranquilos".

Fiquei branca como fantasma e perdi a fome completamente. Senti meu corpo preparando-se para correr e puxar Lilly, se fosse necessário. Dei meu máximo para agir como se nada anormal estivesse acontecendo. Dani manteve-se calmo e inalterado, conversando com o cara como se fossem amigos de longa data. Quando crescer, quero ser como ele. Eu aguardava ansiosamente por um sinal para levantarmos e ir embora. E este só veio depois que o cara puxou a blusa pra cima e mostrou não a suposta arma, mas um ferimento com um curativo bem malfeito. Dani pediu licença, levantamos e entramos na primeira galeria ainda aberta. Ufa.

Vão por mim (mulheres principalmente): nunca - absolutamente nunca - visitem o El Caminito desacompanhados, independente da hora do dia. Quanto mais gente, melhor. Ninguém merece sair do Brasil para quase ser assaltado(a) na Argentina!



Tragédia no Brasil



Enquanto Lilly dormia na cama de Antonella, em Palermo, liguei para o Brasil. Saudades da família... Foi quando fiquei sabendo da tragédia em Angra dos Reis - onde minha família mora e estava passando o Ano Novo - e em São Paulo. Minha irmã mais nova festejou a virada na Ilha Grande, felizmente em uma praia onde não aconteceu nada. Minha mãe me contou que a cidade estava de luto e informou que parentes de uma de minhas melhores amigas haviam falecido. Nada aconteceu lá em casa, mas o morro onde essa grande amiga mora veio abaixo. Gostaria de aproveitar esse espaço para externar minha gratidão a todos os amigos e colegas que se preocuparam comigo e com meus familiares nesse período. Muito, muito obrigado.


Decidi não contar nada à Lilly, para que não se alarmasse. Além do mais, não é agradável ficar lembrando, explicando, recontando tragédias. Passado o choque inicial, estava na hora de acordar Lilly para nos arrumarmos para a tão aguardada noitada.

Finalmente...Salsa!


Anota aí a parada obrigatória: Azúcar Belgrano, o que fica à Av. Cabildo, 2040. Há dois "Azúcares" em Buenos Aires e este aí é o mais bem frequentado. Se eu tivesse conhecimento de que lá tem aulas de salsa, reggaeton e outros ritmos, teria renegado feliz da vida a classe de tango. Não conhece nenhum desses ritmos que tanto me encantam? Clique no link para o site principal desta boate e você vai ouvir um pouco de reggaeton.

A principal diferença entre os clubes brasileiros e argentinos é a entrada. Lá, o valor que se paga para entrar inclui somente a permissão para ingressar na casa; nunca é revertido para consumação. Já aqui se paga caro, mas na maioria das vezes este valor é abatido do que foi consumido. A night no Azúcar foi bem baratinha pra mim: $20 pesos de entrada + $10 de garrafas de água mineral + $20 pesos de táxi até em casa.


Chegamos lá à meia-noite. Por ser início do ano, feriado e véspera de fim de semana, havia espaço de sobra para dançar. Vimos Iana dançando com um carinha. Ainda reunirei a coragem dela, que foi parar lá completamente sozinha, ainda que soubesse que nos encontraríamos. Nunca vou esquecer o nome do meu primeiro parceiro de dança: Mariano.

Além de uma gracinha, é simpático, amável, humilde e um excelente professor. Bastou 20 minutos com ele para que eu aprendesse o ritmo. Se dependesse exclusivamente de mim, a noite com ele renderia. Mas acho que ele deve ter namorada. Sem zoação, essa foi uma das melhores noites de minha vida. E da Iana também, que ficou com um homem ma-ra-vi-lho-so: um cubano, de descendência italiana ou algo assim. Se ela não tivesse agarrado ele, eu agarraria. Céus, que homem.

Bem na hora do reggaeton, Lilly e Dani vão embora, porque ambos trabalham no dia seguinte. Fico sozinha na pista dançando reggaeton. Mesmo de havaianas, meus pés doíam. Sentei no sofá para descansar quando um garoto muito fofo me tira pra dançar. Dali a pouco, a pessoa me rouba um selinho e me larga na pista! Fiquei meio chocada com a atitude meio covarde dele, que veio me pedir desculpas logo em seguida. Conversamos um pouco e, às 5h, com o dia já clareando, fui-me embora pra casa.

O dia seguinte guardava ainda mais surpresas.

* Pequeno dicionário para a sobrevivência (IV) *
  • bailar - dançar.
  • beso - beijo.
  • boliche (ou club) - boate.
  • novio/a - namorado/a.
  • película - filme.
  • sacar fotos - tirar fotos.

Wednesday, March 3, 2010

Buenos Aires, 5º dia: reverenciando 2010

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A essa altura, eu já estava meio cansada de andar pela cidade para conhecer lugares. Queria mais ter experiências do que conhecer pontos turísticos. E me restavam apenas 200 pesos na carteira... Então decidi aproveitar este dia para acompanhar Griselda no que quer que ela fosse fazer e observar o jeito porteño de viver.

No post anterior, contei a vocês da minha quedinha pelo Nico. Sabia que seria apresentada a ele em algum momento naquele dia. A primeira impressão é a que fica e fiz questão de vestir um shortinho e a blusa mais bonita que eu tinha na mala (branca, de cetim seda, com lacinho na lateral do pescoço). Tinha esperanças de que poderia conhecê-lo melhor à noite, já que todos combinamos de saudar 2010 no country. Porém, logo de manhã, Lilly me avisou que, por razões pessoais que não irei expor, nós duas não iríamos mais para o country.

Minha primeira atividade do dia 31 de dezembro - além de me arrumar toda linda - foi ir ao banco sacar 200 pesos. Percebi que não dá pra confiar no meu cartão Unibanco Internacional com bandeira Visa nem no American Express. Nenhum deles me permitiu retirar qualquer quantia que fosse. Quem me salvou foi o Santander Internacional com bandeira Master. Conclusão: tive que ficar negativa no banco por uns dias. Melhor do que vender meus preciosos dólares.

Nico ainda dormia quando Gris, Mia (a filha dela) e eu saímos de casa de carro para ir ao... cabeleireiro. Fiz companhia à Mia enquanto aguardava Gris terminar seu tratamento de beleza. A hospitalidade e o carinho dos porteños é realmente impressionante. Eles cativam pelo sorriso e também pela música. Assim que souberam que eu sou brasileira, dá-lhe a tocar axé. Acredite: foi impossível não se comover com a atitude deles e sentir-me grata por isso.

Palermo Soho e Palermo Hollywood

Na volta, pedi a Gris que desse uma volta por Palermo Soho e Palermo Hollywood. Essas duas áreas são super gracinhas e, ao ver os bares lotados em pleno início de tarde, me arrependi de não ter dado a mínima para a provável sublime experiência que deve ser sentar-se em uma das mesas de rua dos bares para papear e - sim - paquerar. Porque é lá que a nata de Buenos Aires, americanos e europeus se reúnem. Vai por mim: inclua no seu roteiro iniciar a noite em um bar de Palermo Hollywood e estique em uma boate por lá mesmo.

Voltamos pra casa perto da hora de partir para o country. Finalmente fui apresentada a Nico! Saibam que ele fez jus ao que eu esperava, mas ainda é muito menino. E lá iam todos para o country, exceto Gris, que fez questão de me levar de carro à casa da Lilly, a uns 20 minutos do centro de Buenos Aires.

Branco? Só no Brasil.

Ceamos um assado com a mãe, o tio, a cunhada e a sobrinha de Lilly. Todos são simpáticos e me deixaram à vontade. Descobri que a tradição de passar o ano novo de branco ou até mesmo dar importância às cores das roupas é patrimônio cultural exclusivo do Brasil. E a vibe comemorativa que contagia a família inteira também é só nossa.

Íamos sair para dançar com Iana e Fabiana em Palermo Hollywood após o brinde da virada. Estava louca de vontade de sair pra dançar! Nos aprontamos, maquiamos, fizemos cabelo, mas, infelizmente, não conseguimos táxi. Eu previa isso, porque Lilly mora muito longe da badalação. Se havia algum taxista rodando naquela noite, nenhum seria louco de largar o centro para nos buscar.

Passamos o ano novo praticamente em branco. Pela primeira vez, senti falta da energia do Brasil e de estar em um lugar animado, festivo. Já passara das 2 da manhã e, como estávamos com sono, fomos dormir. O baile teria que ficar para o dia seguinte.

Fazendo uma retrospectiva, esse foi o dia mais parado e, de certa forma, frustrante. Provavelmente isso ocorreu porque assumi logo de manhã cedo que seria impossível encontrar algo legal para fazer em Buenos Aires bem no dia 31/12, que a virada é sempre uma bagunça etc. Aí tudo foi mesmo por água abaixo. Vai por mim: passeie como se fosse um dia normal e curta a noitada ao máximo.

Tuesday, March 2, 2010

Buenos Aires, 4º dia: novas experiências

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Olá!

Depois de um tempo sumidas, voltamos à ativa! Aqui continuo contando maravilhas - e furadas - de Buenos Aires. Boa viagem!

Um costume (muito) impressionante

Já era 30 de dezembro e, teoricamente, este seria meu penúltimo dia na cidade. Amanhã seria Ano Novo e iríamos ao country passar a virada, voltando somente no sábado. E, domingo, dia 03 de janeiro, estaria de volta ao Brasil.

Então, decidi fazer aula de tango na Confitería Ideal e conhecer o Café Tortoni. Meu único "compromisso" do dia era ligar para Lilly em algum momento e combinar de nos encontrarmos em algum lugar.

Às 9h, já estava na Plaza Itália, trocando uma nota de 2 pesos por monedas (moedas) com um jornaleiro para pegar um ônibus até a Confitería Ideal.

Essa operação - relativamente normal no comércio brasileiro - é abominada por habitantes e donos de estabelecimentos na Argentina. As pessoas de lá parecem ter medo de trocar notas por moedas. Isso é porque, em Buenos Aires, só é possível pagar o transporte público com moedas. Notas não são aceitas - exceto no metrô - e pode reparar: as pratinhas estão escassas de tal forma que é raro achar objetos e serviços custando centavos de pesos hoje em dia.

Mas o que me deixou maravilhada foi isso: nos ônibus, não há cobrador nem roleta e o motorista sequer pega em seu dinheiro. Como se paga pela viagem, então?

Ao entrar no ônibus, logo atrás do condutor, existe uma máquina na qual você coloca a quantidade exata de moedas. Um papel é emitido em seguida e você deve guardá-lo até descer do ônibus. Pensa que alguém recolhe? Nada. Este papelito vai diretamente para o lixo e você apenas o retém para caso algum fiscal apareça (não lembro o valor, mas quem estiver sem o bilhete paga multa).

Depois que soube disso, sempre que andava de ônibus eu encarava cada pessoa que entrava, para ver se estava mesmo depositando suas preciosas pratas na máquina. Não sei se a fiscalização é rara ou se não ocorreu por conta das festas de fim de ano. O fato é que não vi fiscal algum entrar no coletivo pedindo qualquer bilhete que fosse e, acredite se quiser: mesmo com a crise financeira assolando o país, ninguém dá calote, ninguém entra pela porta de trás, ninguémdeixa de pagar! Lilly e Daniel ficaram chocados quando contei como o comportamento das pessoas difere no Brasil. Simplesmente in-crí-vel.

Confitería Ideal

Desisti do busão e peguei o metrô, no final das contas. Cerca de meia hora depois, desci na estação Diagonal Norte e segui pela Calle Corrientes até a Suipacha, onde está a Confitería Ideal. Teria minha primeira e única aula de tango lá.

A fama de "tradicional e, portanto, merecedor de uma visita" desta confeitaria compete com a do Café Tortoni, mas a odiei instantaneamente. É mal-iluminada; exala mofo por todos os cantos. Parece que não reformam nem faxinam há séculos. Pra completar, fui muito mal recebida pela senhora que fica no caixa. Mesmo com essa estonteante primeira impressão, me propus a fazer duas horas de clase de baile de tango nível iniciante, oferecidas para porteños e estrangeiros por apenas 28 pesos. Ainda faltavam duas horas para meio-dia. Sem condições de fazer hora naquele local.

Cara de pau

Passei num Kiosco próximo para usar o telefone. Precisava ligar pra Lilly e avisá-la de que a aula seria mais cedo do que eu esperava. Como ela não atendeu, pedi ao dono que me emprestasse seu celular pessoal para enviar a ela uma mensagem de texto. Havia reparado, nos últimos dias, que ela é mais de torpedo que de falar. Disse a ela que entraria em contato novamente às 18h. O dono do Kiosco foi tão amável comigo que nem queria cobrar, mas fiz questão de pagar 0,25 centavos de peso - o valor cobrado por um minuto de ligação.

Desci a Florida na intenção de visitar a Casa Rosada e, misticamente, encontro Arturo e Gustavo na fila do Buenos Aires Bus. Se tivéssemos combinado, não daria tão certo, rsrs. Eles estavam ali, debaixo de sol quente, desde cedo, para comprar o passe para o ônibus turístico e embarcar, porque não haviam conseguido adquirir o ticket no dia anterior. Aparentemente, este só pode ser comprado no ponto inicial/final (que é justamente na Florida). Combinamos de nos encontrar às 16h na Confitería - o que não aconteceu, porque acabei "furando" com eles.

Bebeu água? Tá com sede?

Cheguei na Casa Rosada somente para descobrir duas coisas: o edifício não abria a visitantes naquele dia e é longe demais da Confitería Ideal. A alternativa foi entrar na Calle Defensa para visitar a Mercado de San Telmo. Disse no post anterior e aqui repito: o bairro é realmente obscuro! Ô energia estranha! Minhas expectativas sobre o Mercado eram elevadíssimas. O prédio antigo é uma graça e vale a pena a visita só por isso. No local, bancas de frutas misturavam-se às de fotos e objetos antigos, ímãs, quadros e quinquilharias. Adoro antiguidades! Queria tocar em tudo, ver tudo e quase perdi a hora para o início da aula de tango.

Antes de pegar um táxi de volta, passei num Kiosco para comprar uma garrafinha de água sem gás. Nada melhor do que isso para aguentar um longo dia de atividades intensas, sem hora para acabar, debaixo de sol quente.

Depois de quatro dias em Buenos Aires, já tinha experimentado diversas marcas de água mineral. A maioria dá mais sede ao invés de matá-la. Já bebeu a água vendida pela Coca-Cola aqui no Brasil? Então você sabe do que estou falando. Vai por mim: a mais natural (por assim dizer) é a Eco de Los Andes e você encontra a marca em qualquer Kiosco. Outra bebida excelente para matar a sede é o Paseo del Toro, uma mistura de Gatorade e água com gás. O único sabor que provei, não reconheci; só sei que o líquido é amarelo bebê.

Bailando Tango e empregando o famoso "quem tem boca vai à Roma"

Já no início, percebi que havia gostado mais de assistir ao Cena Show do que de dançar tango. Céus, como é difícil para mim fazer aqueles passos, todos coordenados e equilibrados! Tango não é pra mim. Muito parado. Prefiro danças com mais gingado, molejo... Tipo a salsa.

Deixando o desgosto com a Confitería Ideal e o ritmo, a aula até que é boa! Os professores falam inglês e português, são simpáticos e os alunos - mais da metade "de primeira vez" -, animados. Mas duas horas cansa e, ao final, já estava clamando pelo almoço.

Às três da tarde, andava pela Corrientes à procura de um restaurante bom e barato. Desisti da empreitada depois de 10 minutos. Seria excelente se alguém pudesse me indicar um lugar. Voltei ao Kiosco e perguntei para o mesmo moço simpático onde ele almoça. Segui as instruções dele e acabei indo parar em um restaurante tipo PF (prato feito), cujos nome e localização não recordo. Lá, paguei apenas $ 26 pesos por um prato bem servido de frango com purê de batata, água e sorvete. Juro, tudo bem melhor que o La Brigada.

Café Tortoni

Ainda eram 16h30 e tinha tempo de sobra para visitar a última parada do dia: o Café Tortoni. Famoso pela presença de Carlos Gardel e Jorge Luis Borges, ilustres frequentadores de outrora, o estabelecimento tem fila para entrar. A maioria das pessoas, claro, é brasileira. Aguardei meia hora e valeu cada segundo. O local é lindíssimo por dentro e por fora; e democrático. Todas as mesas são idênticas e comportam até 4 pessoas. Tem área de fumante e não fumante, salão para show de tango, museu histórico e uma lojinha de lembrancinhas. Paguei US$ 8 (dólares) por uma super bola de sorvete de creme e comprei um ímã em gesso, do Café Tortoni em miniatura. Fiz amizade com a vendedora, que elogiou meu espanhol e ainda me deu de brinde um suporte para pratos de porcelana, que serviria para apoiar o ímã. Dialogamos sobre como é ruim viver em um local em que a moeda é desvalorizada. Nunca vou esquecer este encontro.

Já era 18h quando entrei em contato com Lilly, que não atendeu. Cansada, fui direto pra casa, em Palermo. Foi só pisar no saguão e ela ligou dizendo que estava me esperando com Iana, Fabi e Daniel na Ponte de las Mujeres, em Puerto Madero. Corri para lá.


Lilly me disse que Gustavo e Arturo haviam ligado e também estavam indo pra lá - mesmo depois de eu ter dado a eles o maior bolo. Sentamos no Claxxon, uma espécie de boate-bar-restaurante. O Claxxon estava relativamente vazio: só a nossa turma e duas mulheres de meia idade. O DJ começou a noite tocando músicas brasileiras (aparentemente, uma tradição por lá). Eu e Fabi ensinamos a todos as coreografias do É o Tchan e da Onda. Passantes pelo bairro animaram-se a dançar lá da rua copiando a gente. Dani me ensinou a dançar o cuarteto, uma dança típica da Argentina, com passos muito simples e cheios de balanço. Daí, passamos ao reggaeton. As duas moças levantaram-se e bailaram com a gente. Elas haviam feito aulas no Azúcar e deram um show.

Curioso: no fechamento da conta descobri que é normal pagar pelos talheres nos restaurantes de Buenos Aires (custou $4 pesos para cada um). Mais curioso ainda é que os porteños não sabem explicar pelo que exatamente se paga e ainda por cima acham isso normal e decente.

Às 2h da manhã, sob a lua cheia, tivemos que nos despedir, infelizmente. Fabi e os meninos iam embora no dia seguinte, após a virada. Entrei no táxi e segui sozinha para casa, morrendo de saudades deles já. Seria muito bom passarmos o reveillón todos juntos.

Y se fue l'amor (e se foi o amor)

Em casa, quando entrei no quarto de Nico, o ar condicionado estava ligado, a luz estava acesa e minhas coisas... haviam sumido! Cadê minha mala?! No banheiro, todos os meus pertencentes também haviam desaparecido. Uma mochila preta e uma pasta com laptop estavam na escrivaninha. Liguei para Lilly do celular que ela havia me emprestado. Disse que, distraída, havia esquecido de me avisar que eu deveria dormir no quarto de Mia, porque os filhos de Cláudio haviam chegado para ir ao country conosco amanhã. Antonella, que estava acordada ainda, irrompeu procurando pelo irmão e nos apresentamos. Fiquei curiosa para conhecer Nico, mas pelo visto ele tinha saído. Já contei que tenho uma quedinha por ele? Pois é. Desde que vi fotos dele na Bahia, em agosto de 2009.