Tuesday, March 2, 2010

Buenos Aires, 4º dia: novas experiências

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Olá!

Depois de um tempo sumidas, voltamos à ativa! Aqui continuo contando maravilhas - e furadas - de Buenos Aires. Boa viagem!

Um costume (muito) impressionante

Já era 30 de dezembro e, teoricamente, este seria meu penúltimo dia na cidade. Amanhã seria Ano Novo e iríamos ao country passar a virada, voltando somente no sábado. E, domingo, dia 03 de janeiro, estaria de volta ao Brasil.

Então, decidi fazer aula de tango na Confitería Ideal e conhecer o Café Tortoni. Meu único "compromisso" do dia era ligar para Lilly em algum momento e combinar de nos encontrarmos em algum lugar.

Às 9h, já estava na Plaza Itália, trocando uma nota de 2 pesos por monedas (moedas) com um jornaleiro para pegar um ônibus até a Confitería Ideal.

Essa operação - relativamente normal no comércio brasileiro - é abominada por habitantes e donos de estabelecimentos na Argentina. As pessoas de lá parecem ter medo de trocar notas por moedas. Isso é porque, em Buenos Aires, só é possível pagar o transporte público com moedas. Notas não são aceitas - exceto no metrô - e pode reparar: as pratinhas estão escassas de tal forma que é raro achar objetos e serviços custando centavos de pesos hoje em dia.

Mas o que me deixou maravilhada foi isso: nos ônibus, não há cobrador nem roleta e o motorista sequer pega em seu dinheiro. Como se paga pela viagem, então?

Ao entrar no ônibus, logo atrás do condutor, existe uma máquina na qual você coloca a quantidade exata de moedas. Um papel é emitido em seguida e você deve guardá-lo até descer do ônibus. Pensa que alguém recolhe? Nada. Este papelito vai diretamente para o lixo e você apenas o retém para caso algum fiscal apareça (não lembro o valor, mas quem estiver sem o bilhete paga multa).

Depois que soube disso, sempre que andava de ônibus eu encarava cada pessoa que entrava, para ver se estava mesmo depositando suas preciosas pratas na máquina. Não sei se a fiscalização é rara ou se não ocorreu por conta das festas de fim de ano. O fato é que não vi fiscal algum entrar no coletivo pedindo qualquer bilhete que fosse e, acredite se quiser: mesmo com a crise financeira assolando o país, ninguém dá calote, ninguém entra pela porta de trás, ninguémdeixa de pagar! Lilly e Daniel ficaram chocados quando contei como o comportamento das pessoas difere no Brasil. Simplesmente in-crí-vel.

Confitería Ideal

Desisti do busão e peguei o metrô, no final das contas. Cerca de meia hora depois, desci na estação Diagonal Norte e segui pela Calle Corrientes até a Suipacha, onde está a Confitería Ideal. Teria minha primeira e única aula de tango lá.

A fama de "tradicional e, portanto, merecedor de uma visita" desta confeitaria compete com a do Café Tortoni, mas a odiei instantaneamente. É mal-iluminada; exala mofo por todos os cantos. Parece que não reformam nem faxinam há séculos. Pra completar, fui muito mal recebida pela senhora que fica no caixa. Mesmo com essa estonteante primeira impressão, me propus a fazer duas horas de clase de baile de tango nível iniciante, oferecidas para porteños e estrangeiros por apenas 28 pesos. Ainda faltavam duas horas para meio-dia. Sem condições de fazer hora naquele local.

Cara de pau

Passei num Kiosco próximo para usar o telefone. Precisava ligar pra Lilly e avisá-la de que a aula seria mais cedo do que eu esperava. Como ela não atendeu, pedi ao dono que me emprestasse seu celular pessoal para enviar a ela uma mensagem de texto. Havia reparado, nos últimos dias, que ela é mais de torpedo que de falar. Disse a ela que entraria em contato novamente às 18h. O dono do Kiosco foi tão amável comigo que nem queria cobrar, mas fiz questão de pagar 0,25 centavos de peso - o valor cobrado por um minuto de ligação.

Desci a Florida na intenção de visitar a Casa Rosada e, misticamente, encontro Arturo e Gustavo na fila do Buenos Aires Bus. Se tivéssemos combinado, não daria tão certo, rsrs. Eles estavam ali, debaixo de sol quente, desde cedo, para comprar o passe para o ônibus turístico e embarcar, porque não haviam conseguido adquirir o ticket no dia anterior. Aparentemente, este só pode ser comprado no ponto inicial/final (que é justamente na Florida). Combinamos de nos encontrar às 16h na Confitería - o que não aconteceu, porque acabei "furando" com eles.

Bebeu água? Tá com sede?

Cheguei na Casa Rosada somente para descobrir duas coisas: o edifício não abria a visitantes naquele dia e é longe demais da Confitería Ideal. A alternativa foi entrar na Calle Defensa para visitar a Mercado de San Telmo. Disse no post anterior e aqui repito: o bairro é realmente obscuro! Ô energia estranha! Minhas expectativas sobre o Mercado eram elevadíssimas. O prédio antigo é uma graça e vale a pena a visita só por isso. No local, bancas de frutas misturavam-se às de fotos e objetos antigos, ímãs, quadros e quinquilharias. Adoro antiguidades! Queria tocar em tudo, ver tudo e quase perdi a hora para o início da aula de tango.

Antes de pegar um táxi de volta, passei num Kiosco para comprar uma garrafinha de água sem gás. Nada melhor do que isso para aguentar um longo dia de atividades intensas, sem hora para acabar, debaixo de sol quente.

Depois de quatro dias em Buenos Aires, já tinha experimentado diversas marcas de água mineral. A maioria dá mais sede ao invés de matá-la. Já bebeu a água vendida pela Coca-Cola aqui no Brasil? Então você sabe do que estou falando. Vai por mim: a mais natural (por assim dizer) é a Eco de Los Andes e você encontra a marca em qualquer Kiosco. Outra bebida excelente para matar a sede é o Paseo del Toro, uma mistura de Gatorade e água com gás. O único sabor que provei, não reconheci; só sei que o líquido é amarelo bebê.

Bailando Tango e empregando o famoso "quem tem boca vai à Roma"

Já no início, percebi que havia gostado mais de assistir ao Cena Show do que de dançar tango. Céus, como é difícil para mim fazer aqueles passos, todos coordenados e equilibrados! Tango não é pra mim. Muito parado. Prefiro danças com mais gingado, molejo... Tipo a salsa.

Deixando o desgosto com a Confitería Ideal e o ritmo, a aula até que é boa! Os professores falam inglês e português, são simpáticos e os alunos - mais da metade "de primeira vez" -, animados. Mas duas horas cansa e, ao final, já estava clamando pelo almoço.

Às três da tarde, andava pela Corrientes à procura de um restaurante bom e barato. Desisti da empreitada depois de 10 minutos. Seria excelente se alguém pudesse me indicar um lugar. Voltei ao Kiosco e perguntei para o mesmo moço simpático onde ele almoça. Segui as instruções dele e acabei indo parar em um restaurante tipo PF (prato feito), cujos nome e localização não recordo. Lá, paguei apenas $ 26 pesos por um prato bem servido de frango com purê de batata, água e sorvete. Juro, tudo bem melhor que o La Brigada.

Café Tortoni

Ainda eram 16h30 e tinha tempo de sobra para visitar a última parada do dia: o Café Tortoni. Famoso pela presença de Carlos Gardel e Jorge Luis Borges, ilustres frequentadores de outrora, o estabelecimento tem fila para entrar. A maioria das pessoas, claro, é brasileira. Aguardei meia hora e valeu cada segundo. O local é lindíssimo por dentro e por fora; e democrático. Todas as mesas são idênticas e comportam até 4 pessoas. Tem área de fumante e não fumante, salão para show de tango, museu histórico e uma lojinha de lembrancinhas. Paguei US$ 8 (dólares) por uma super bola de sorvete de creme e comprei um ímã em gesso, do Café Tortoni em miniatura. Fiz amizade com a vendedora, que elogiou meu espanhol e ainda me deu de brinde um suporte para pratos de porcelana, que serviria para apoiar o ímã. Dialogamos sobre como é ruim viver em um local em que a moeda é desvalorizada. Nunca vou esquecer este encontro.

Já era 18h quando entrei em contato com Lilly, que não atendeu. Cansada, fui direto pra casa, em Palermo. Foi só pisar no saguão e ela ligou dizendo que estava me esperando com Iana, Fabi e Daniel na Ponte de las Mujeres, em Puerto Madero. Corri para lá.


Lilly me disse que Gustavo e Arturo haviam ligado e também estavam indo pra lá - mesmo depois de eu ter dado a eles o maior bolo. Sentamos no Claxxon, uma espécie de boate-bar-restaurante. O Claxxon estava relativamente vazio: só a nossa turma e duas mulheres de meia idade. O DJ começou a noite tocando músicas brasileiras (aparentemente, uma tradição por lá). Eu e Fabi ensinamos a todos as coreografias do É o Tchan e da Onda. Passantes pelo bairro animaram-se a dançar lá da rua copiando a gente. Dani me ensinou a dançar o cuarteto, uma dança típica da Argentina, com passos muito simples e cheios de balanço. Daí, passamos ao reggaeton. As duas moças levantaram-se e bailaram com a gente. Elas haviam feito aulas no Azúcar e deram um show.

Curioso: no fechamento da conta descobri que é normal pagar pelos talheres nos restaurantes de Buenos Aires (custou $4 pesos para cada um). Mais curioso ainda é que os porteños não sabem explicar pelo que exatamente se paga e ainda por cima acham isso normal e decente.

Às 2h da manhã, sob a lua cheia, tivemos que nos despedir, infelizmente. Fabi e os meninos iam embora no dia seguinte, após a virada. Entrei no táxi e segui sozinha para casa, morrendo de saudades deles já. Seria muito bom passarmos o reveillón todos juntos.

Y se fue l'amor (e se foi o amor)

Em casa, quando entrei no quarto de Nico, o ar condicionado estava ligado, a luz estava acesa e minhas coisas... haviam sumido! Cadê minha mala?! No banheiro, todos os meus pertencentes também haviam desaparecido. Uma mochila preta e uma pasta com laptop estavam na escrivaninha. Liguei para Lilly do celular que ela havia me emprestado. Disse que, distraída, havia esquecido de me avisar que eu deveria dormir no quarto de Mia, porque os filhos de Cláudio haviam chegado para ir ao country conosco amanhã. Antonella, que estava acordada ainda, irrompeu procurando pelo irmão e nos apresentamos. Fiquei curiosa para conhecer Nico, mas pelo visto ele tinha saído. Já contei que tenho uma quedinha por ele? Pois é. Desde que vi fotos dele na Bahia, em agosto de 2009.

1 comment:

Ava Peixoto said...

Amarílis, amanhã voltarei a ler o 4º dia em Bs As. Estou amando ler sua experiência porteña.
Escrevi para o Azucar Belgrano, reservando "clases de salsa".
Obrigada por tudo!
Beijo grande, paz e milhas.
Ava