Tuesday, March 16, 2010

Buenos Aires, 7º dia: onde os turistas não costumam ir

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Lilly estava saindo para trabalhar meio período quando eu cheguei da noitada.

Na minha última manhã em Buenos Aires, havia planejado visitar um museu sobre Evita que fica a duas ruas atrás de onde eu estava. Mas dormi às 6h da manhã e só acordei lá pelas 10h. Tempo suficiente apenas para tomar um banho e ir direto encontrar Lilly na Primo. De lá, encontramos Daniel e pegamos o trem para uma das melhores atrações da cidade. Especialíssima, diga-se de passagem, porque - apesar de não ser assim tão desconhecida dos turistas - não está em nenhum guia de viagem (nem no Lonely Planet).

Visitando o "inexplorado": El Tigre

Não confio mais nesses "guias" de viagem. Certamente só soube da existência de El Tigre porque estava na companhia de Lilly e Dani. E se isso não tivesse acontecido seria um problema, na minha opinião, porque daí eu nunca teria me divertido tanto nesta viagem nem aprendido uma importante lição.

Não sei quanto custou o trem porque Daniel pagou para todos nós, mas não deve ter sido mais do que $ 3 pesos - se tudo isso. Partimos no início da tarde e demoramos cerca de uma hora para chegar em El Tigre. A paisagem durante o trajeto é agradável e Dani foi apontando para mim os pontos mais marcantes, enquanto Lilly dormia ao seu lado.

Este bairro afastado do centro da cidade não está em nenhum guia de viagens (já disse isso?). Uma pena, porque é simplesmente uma graça e vale a pena a visita. O canteiro oval rodeado de flores com o qual me deparei assim que saí da estação me lembrou Campos do Jordão na primavera. Também é muito calmo e, segundo Lilly explicou, "é onde os pedestres são respeitados". De fato.

Passamos por um parque de diversões e um cassino enquanto circulávamos pela região, onde imperam as feiras e lojinhas de artesanato, comida e roupas. Sem dúvida, lá estão as melhores liquidações. Foi uma pena eu estar com apenas $50 pesos no bolso.

Em condições normais, El Tigre já deve ser cheio: é para lá que as famílias porteñas fogem nos finais de semana. Imagine agora no meio do feriado mais aguardado do ano: estava MUITO lotado. Havia gente de tudo quanto é idade e tamanho, de tudo quanto é canto do universo e era quase impossível transitar com velocidade. Sem falar no calor de 38ºC. Ficar andando pra lá e pra cá nessas condições me irritou profundamente.

No início, quando apenas passeávamos pelo comércio, não consegui entender o que as pessoas viam de tão especial naquele lugar e o mais importante: o que nós três estávamos fazendo ali. Tudo o que eu sabia - e pelo que ansiava - era que íamos aproveitar o dia num parque. Foi o que bastou para minha imaginação pintar uma réplica dos bosques que visitei em Palermo. Só que este era mais lindo e lá poderíamos andar de barco, curtir a brisa... Porém, nunca chegamos nesse lugar idealizado.


Ao pararmos novamente na porta do Parque de la Costa, aí sim tudo fez sentido.

Quando percebi, Daniel já estava na fila para comprar bilhetes para entrarmos neste super parque de diversões. Havíamos passado por esta atração assim que chegamos em El Tigre e eu torci o nariz, bati pé e reclamei muito porque não queria passar o resto da tarde ali de jeito maneira. Pelo simples fato de que meu dinheiro ia acabar se entrássemos lá.

O Parque de la Costa é um parque de diversões tipo Disney World (só que em tamanho bem reduzido). É barato: custa em média $ 55 pesos por pessoa para um dia, mas o valor varia de acordo com o tipo de passe escolhido. Abre aos sábados, domingos e feriados, das 11h30 às 19h.

Desde o dia em que cheguei, era ali que Lilly tanto queria me levar. Nunca imaginei que alguém quisesse um dia me levar a um parque de diversões. E eu estava tão presa aos meus próprios modelos mentais que não compreendi a intenção dela; sequer dei a chance a ela de me ensinar seu jeito de viver e curtir.

Pra completar, ainda por cima me deixei emputecer de tal forma pela falta de grana e bati o pé com eles, disse que não queria entrar no parque de forma alguma, porque eu não tinha dinheiro, ia ficar sem grana e blá blá blá. Até hoje me ressinto de ter tido esta preocupação tão mesquinha e de ter magoado a minha amiga com essa minha atitude estúpida. Poxa, ela estava ali querendo nos proporcionar um momento de desfrute e eu estava sendo tão cabeça-dura... Me deixei levar por essas emoções negativas e quase perdi o que era tão importante pra ela e pra mim.

Como toda história tem um final feliz, percebi a tempo meu erro. Fomos a apenas 4 brinquedos, mas no fim do dia, assistindo ao super show de despedida, me desculpei com os dois e agradeci a eles por tudo aquilo. Havia me esquecido do quanto é bom ser criança.

E essa foi uma importante lição de viagem e de vida: aproveitar o momento com as pessoas que estão diante de mim. Momentos não são pra sempre, pessoas também não; dinheiro é para possibilitar; e desfrutar a vida significa ser criança e ser jovem, viver aventuras e fortes emoções, arriscar-se. Sou categórica em afirmar que essa última e crucial atividade mudou meu jeito de escolher experiências e de encarar uma viagem. De uma vez por todas, lições aprendidas: sei exatamente como desfrutar e como viver o momento.

Uma ideia (meio) furada

Eu não podia deixar - claro que não, sou teimosa, lembra? - o cansaço me dominar e acontecer de não sair para um barzinho em Palermo naquela noite. Mesmo exaustos do super dia em El Tigre, Lilly e Dani se mobilizaram para atender ao meu "último pedido". Já havíamos combinado tudo: Dani viria nos pegar com o carro de seu pai às 23h.

Quando ele chegou, já estávamos prontas, maquiadas e com as caras mais mortas de sono do mundo. Lilly sentou-se no banco do carona e dormiu. Fui no banco de trás, ajudando Dani a dirigir. Afinal, quem inventou a história toda? Já estávamos rodando algum tempo à procura do lugar onde pensávamos em ir, sem sucesso. Também não encontramos vagas para estacionar. Então, sugeri a Dani para nos levar pra casa de Lilly.

Vai por mim: ande de carro com um porteño que tenha entre 18 e 25 anos, dormiu pouco naquele dia, aprendeu a dirigir sozinho e nunca trabalhou como taxista. Essa é a única experiência desta empreitada que eu não vou delatar pra vocês. Apenas um comentário: não sei como Lilly consegue dormir no carro. É, ainda tenho muito a aprender na vida...

Extra: 8º dia, retornando ao Brasil (1)

Claro que viagens de retorno podem ser comi-trágicas: há quem esqueça laptop, mala, passaporte; há quem encontre atendentes 'engraçadinhos' e otras cositas más. A minha viagem de volta ao nosso país foi normal...

Eu tinha que estar em Ezeiza (aeroporto de Buenos Aires) às 11h, no máximo, para pegar o voo de volta pro Brasil. Morria de medo de não conseguir táxi, como ocorreu no dia da virada. Por sorte descobrimos que havia um ponto de táxi na esquina da casa de Lilly. Mesmo assim, pedi a ela para passar a mão no telefone e agendar um carro para às 10h da manhã daquele domingo.

Aguardamos até 10h15... até 10h20... e nada. Fomos até o ponto tirar satisfações. Eis que o dono disse que o homem já havia saído há uns 30 minutos... Não é que o cara conseguiu se perder para dar a volta num quarteirão? No fim das contas o dono do ponto de táxi pegou seu carango e nos levou até o aeroporto por $ 50 pesos.

Extra: 8º dia, retornando ao Brasil (2)

Para compensar, um presente divino. Bem que eu achei estranho demais aquele homem tipo modelo estar ao meu lado no avião e não ser minimamente famoso. Enquanto sua esposa dormia, ele ensaiava suas falas para uma novela no SBT. Aha! Eu sabia!

Cheguei no Rio de Janeiro e adivinha qual foi a primeira coisa que fiz quando pisei em casa? Googlei o cara. Descobri que estava sentada ao lado do ator Cláudio Lins (isso mesmo, filho do Ivan lins).

Na próxima viagem...

1) vou viver mais ao invés de ver. Dançarei mais salsa, irei à boate, me entregarei ao parque de diversões. E definitivamente serei mais flexível para mudar o rumo e abandonar, se for o caso, de vez meu planejamento.

2) não ficarei presa a uma lista de objetivos. Cumpri todos os itens, mas também aprendi a deixar acontecer (será?).

3) levarei o dobro do dinheiro estimado para os gastos. Cinquenta por cento das minhas irritações foi por causa de uma previsão subestimada em... 50%.

4) se um dia eu voltar a Buenos Aires, além das sugestões de outros viajantes nos comentários, visitarei Las Cañitas.




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Agora é a vez da Thaís postar sobre seu Carnaval com o Alê em Monte Alegre. Já já eu volto com um super post sobre o meu Carnaval em... surpresa!

5 comments:

Maíra Gonçalves said...

Ola, eu sou Maíra e adorei todas as dicas sobre Buenos Aires. Estou indo agora em Dezembro pra lá. Gostaria de saber quanto você levaram/gastaram por lá. Escuto toddo mundo dizer que é tudo muito barato mas que também tem muitos lugares, passeios, etc... carinhos. Ficarei 8 dias na verdade estou indo com um Cruzeiro só vamos conhecer Punta Del Este, Buenos Aires em 5 dias mais ou menos. Gostarei de saber se vcs podem me dá uma suposição de valor. [dolar, peso] que eu deva levar. Agradeço desde ja.
Beijos Mil

Amarílis said...

Oi Maíra, tudo bem? Acredito que a situação em Buenos Aires esteja igual ou pior que há 2 anos atrás. Então, creio que minhas dicas ainda procedem rs.

O peso é uma moeda ingrata, desvalorizada; em contrapartida, o dolar tá caríssimo...

Então, sugiro você calcular no mínimo 200 pesos por pessoa, por dia, para pagar transporte, refeições, atividades - e compras modestas. Este valor não considera hospedagem.

Agora, se quiser sair bastante, almoçar e jantar em bons restaurantes e fazer compras (algumas coisas na Argentina são baratas, como casacos), programe gastar pelo menos mais US$ 50 dólares por pessoa, por dia. Sugiro levar em dólares porque, como disse, o peso é desvalorizado e não vale a pena comprar mais do que o previsto pra gastar lá, a menos que vc pretenda voltar a Argentina em breve.

Quanto aos dólares, sugiro que vc leve o limite do Free Shop: US$ 500 em cash mesmo, para não ter que se preocupar com o IOF. Não sei se o cartão pre-pago que a Thaís recomendou (VTM - Visa Travel Money) é aceito amplamente lá. Vale a pena checar.

Uma vantagem em Buenos Aires: reais, dólares e pesos, tanto faz. Todas as moedas são amplamente aceitas, por qualquer estabelecimento e qualquer pessoa, até ambulantes (cuidado com notas falsas, existem aos montes lá). Mas recomendo fortemente trocar reais por pesos. O melhor negócio seria trocar no Banco de La Nación, lá em Buenos Aires mesmo (no aeroporto), mas como vc estará em cruzeiro, talvez tenha que fazer isso no Brasil. Lembrando, SEMPRE, que o peso é uma moeda desvalorizada.

thais said...

Soh complementando a informacao da Amarilis: o cartao pre pago eh aceito no free shop, sim. Inclusive se voce tiver ele carregado em outras moedas que nao o dolar, voce consegue gastar la, pagando apenas uma pequena taxa de conversao. Esse eh um cartao visa ou master card comum, por isso eh aceito em qualquer estabelecimento que aceita cartoes.
* Desculpem a falta de acentuacao. Estou em computador ingles.

Maíra Gonçalves said...

Muitíssimo obrigada pelas informações meninas :] Vou segui-las. Obrigada mesmo. Qualquer outra duvida eu corro aqui de novo :D

Amarílis said...

Maíra, depois volta aqui pra contar pra nós c as dicas foram boas e dar mais dicas hahaha =) Bjokas!!