Thursday, April 1, 2010

Você ainda não foi a um all-inclusive?

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Olá!

Enquanto o trabalho me impede de postar sobre meu Carnaval 2010 (desculpa gente, mas esta semana está pegando), resolvi contar aqui como conheci Lilly, a personagem principal da minha viagem a Buenos Aires. =D
Faço questão de postar aqui essa história - originalmente uma sequência de 3 posts publicados em um outro blog, em agosto de 2009 - por ilustrar uma super dica: junte 3 ou 4 amigos, arrume a mala e aproveite a baixa temporada em um all-inclusive, no Brasil (Nordeste) ou no exterior (Caribe, Panamá etc). É tudo de bom! Pacotes oferecidos por operadoras de viagem saem mais em conta.

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Rio de Janeiro, 29 de julho de 2009.

Hoje à tarde meu primo me ligou:

- Acabei de comprar a passagem no seu nome. É você quem vai com a gente pra Costa do Sauípe (Bahia). Não tem como voltar atrás.

É isso aí. Meio [totalmente] inesperado, mas tudo bem.

- Mas... Como assim?

Acontece que minha prima que mora na Itália e tem gêmeos veio passar as férias no Brasil sem o marido. O irmão dela - meu primo - é casado, tem duas filhas e todos (3 adultos + 4 crianças) resolveram ir para Costa do Sauípe, na Bahia, passar uma semana de férias daqui a exatos nove dias num resort all-inclusive. Até onde eu sei, essa palavrinha significa "todas as 3 refeições incluídas, boate, piscina, babás etc etc..." Quando foram comprar as passagens aéreas, a companhia só vendia pacotes fechados para 4 pessoas. Ou seja, mesmo indo apenas 3 adultos, eles iam ter que pagar o preço de quatro. Sobrou uma passagem; sobrou lugar no quarto do resort; eu sou a única da família com tempo disponível nesse momento.

- Bom, então tá, né.. Muito obrigada!

E é assim que eu vou parar, pela primeira vez, na Bahia.

Por dentro, pulei de alegria e agradeci sinceramente. Não é todo dia que recebo uma ligação me intimando a ir relaxar uma semana num resort na Costa do Sauípe. Ah: tudo 0800! Isso mesmo, sim, sim, sim: é presente!

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Rio, 08 de agosto de 2009.

São quase 3h da manhã e faltam menos de 8h para eu pegar o voô pra Bahia.
Acabei de arrumar a mala nesse instante (tentei fazer uma compacta bolsa recheada de combinações inteligentes, práticas e bonitas). A única coisa que sei até agora é que amanhã estarei num resort na Costa do Sauípe. Nem sei que resort é ou como é. Não sei como é a cidade, o que tem pra fazer, a quantos quilômetros de Salvador fica. Pra vc ter uma ideia, não tenho a menor noção de que ponto do litoral Costa do Sauípe está localizada.

Quando vou viajar, eu planejo. Demais, até. Pesquiso tudo, tenho mil ideias, mas... e a surpresa? E a adrenalina de explorar, descobrir, desvendar? Bom, essa será uma viagem toda no escuro. Vou ter que descobrir tudo - de preferência aos poucos - quando eu chegar lá.

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Às 7h da manhã eu já estava de pé, com lentes de contato e banho tomado. Não demora muito, minha prima me liga pedindo para eu encontrá-la, de mala e cuia, na porta de casa dali a 5 minutos. Escovei os dentes, calcei o tênis e desci.
Quando chegamos ao aeroporto Galeão, descobrimos que seríamos um grupo de dezesseis pessoas: 8 crianças + 3 casais + minha prima (casada, estava indo à Bahia de férias com os filhos, gêmeos, de 5 anos) + eu, a única jovem solteira e sem filhos.

Depois de 2h30m de voo, chegamos a Salvador. Uma representante de nossa operadora de viagens já estava no desembarque do aeroporto abanando uma plaquinha, tentando nos localizar. Nos acomodamos no microonibus turístico da companhia e, depois de uns 40 minutos, estávamos no resort all-inclusive Super Club Breezes.

Você é jovem e nunca foi a um all-inclusive? Não é de se espantar, já que as agências de viagem oferecem esses pacotes, em geral, a famílias com crianças pequenas. Na minha opinião, na baixa temporada, esses são os melhores pacotes que um jovem pode comprar! Por quê? Bom, pelo simples fato de que "all-inclusive" significa "todas as bebidas (alcoólica e não-alcoólica) e comidas liberadas 24 horas por dia". Acredite: tudo liberado, inclusive de madrugada. Sem falar no sem-número de atividades disponíveis...

No Super Club Breezes eu me senti uma "superhóspede, superhuespede, superguest". Sol todos os dias, atividades até não poder mais. Olha só meu cronograma:
  • De manhã: piscina, bicicleta até a Vila Nova, hidroginástica.
  • À tarde: dormir, piscina, arco e flecha, artesanato, banho, academia.
  • À noite: passeios na Vila Nova, jantar cada dia em um restaurante diferente, todo dia um super show de alta qualidade e inigualável, karaokê, piano bar, boate.
Tudo isso estava no preço do pacote que, por pessoa, dá cerca de R$ 1.500 por uma semana, já inclusos passagem aérea e traslado Salvador-Sauípe (ida e volta). Aproveitei de tudo um pouco - até a programação infantil. Viagens com crianças (que não são meus filhos) são sempre muito divertidas pra mim, principalmente neste caso, em que os pais estão acompanhando. Crianças podem tirar você da zona de conforto - às vezes, são elas as responsáveis por você ter tanto o que fazer e até por desejar aproveitar a programação voltada para adultos que o resort oferece.

De dia eu estava acompanhada pela família, mas, na calada da noite, a diversão era por minha própria conta e risco. Dois dias depois de minha chegada, eu já tinha meus próprios amigos: um casal que morava em Brasília, uma menina [22 anos] porto-alegrense e uma argentina, Lilly [20 anos]. Eu e Lilly nos conhecemos na boate do Breezes no domingo à noite. Daí em diante, andávamos juntas pra cima e pra baixo, talvez porque estivéssemos nas mesmas condições: ela veio ao Brasil com a irmã, o cunhado e as duas sobrinhas pequenas, ou seja, a única solteira do grupo.
Além das atividades acima, ainda:
  • passei uma tarde no Projeto Tamar;
  • curti duas horas de massagem no SPA do hotel (isso não estava incluso, mas valeu cada centavo).
  • fiz um bate-e-volta lowcost em Salvador (com direito a pegar carona com um desconhecido);
Como eu soube no meio da viagem, após a inauguração do IberoStar, Costa do Sauípe e seus resorts agora são considerados "fim do mundo" - o que pude comprovar na quarta-feira, quando fizemos um bate-e-volta em Salvador. Foi uma aventura impressionante, que vivi com Lilly, Fernanda (mulher do meu primo) e Elaine (amiga dela)! Mas também uma furada, se considerar que passamos pelo menos 5 horas na estrada e vimos pouco da capital.

Quer muito curtir um dia em Salvador? Minha sugestão: de casa mesmo, entre no HostelWorld.com e reserve online uma noite, de preferência dia útil, em algum albergue da capital (não deixe para fazer isso quando estiver no resort porque o wi-fi do all-inclusive é caro). No dia escolhido, deixe o resort de manhã bem cedo e pegue o ônibus direto Sauípe-Salvador (cerca de R$ 16,00) para ir a capital. Lá, pergunte a alguém qual o número do ônibus para ir à Cidade Alta. Aproveite o dia para conhecer a Igreja e o Convento São Francisco de Assis (fantástico), o Pelourinho, o Museu das Baianas. Pegue o Elevador Lacerda para ir até a Cidade Baixa e fazer compras no mercado popular. Aproveite a noite nos bares do Pelourinho. Durma no albergue (lembre-se de levar o endereço) e, na manhã seguinte, volte ao resort. É melhor passar um dia com pernoite do que fazer um bate-e-volta porque além da noitada em Salvador ser famosa, evita de você ter que passar umas 5 horas na estrada.

Nos dias que se seguiram, eu e Lilly fizemos hidroginástica, passeamos na Vila Nova, dançamos na boate todos os dias; falei espanhol, ensinei português; paqueramos (no hotel e fora dele)! Ela é a alegria em pessoa e nos reconhecemos hermanas. Ambas muito inteligentes, nos comunicávamos misturando português, espanhol e mímicas. Nos entendemos muito bem.
Como cheguei 2 dias antes dela, fui embora também mais cedo. Ficaram a saudade, a irmandade, a amizade, as fotos, o contato [e-mail, MSN e Skype] e as vontades de aprender a hablar español de uma vez por todas e de, claro, visitá-la em Buenos Aires.
O que me faria voltar ao SuperClub Breezes? Dentre inúmeras razões, a animação dos recreadores e qualidade dos shows de entretenimento noturnos ficam em 1º lugar.
Voltei ao Rio dia 15 de agosto. Do Galeão, às 20h15, paguei o táxi mais caro da minha vida (R$ 60) e consegui chegar na rodoviária Novo Rio a tempo de subir no último ônibus do dia rumo a Angra dos Reis. Ao todo, foram 12 horas "na estrada".

Chegando lá, percebi que o que mais me impressionou em Salvador foi ver todos, incluindo camelôs que tiveram pouco ou nenhum estudo, falando inglês, italiano, espanhol, japonês fluentemente! Em Angra? A galera não fala nem portunhol.... Deu pena da minha terra natal. Angra e Salvador são duas cidades que vivem do turismo; a primeira não sabe e parece ter desistido de aprender a viver disso, enquanto que a segunda o faz com maestria.

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