Tuesday, July 27, 2010

O Rio de Janeiro continua lindo

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Vira e mexe, alguns destinos entram no "circuito dos turistas". A questão é que quando entra na moda um local que estou querendo visitar há meses, perco total o tesão de ir pra lá. Gosto de ser "do contra", "diferente". Vai entender.

Aproveitando que os holofotes andam meio sumidos da parte turística do Rio de Janeiro (e que minha grana tá curta), nos próximos meses vou sair ainda mais da (minha) casinha pra contar aqui algumas experiências "de turista" - e outras que só quem é carioca da gema poderia vivenciar. Isso vai ser bem desafiador, já que é fácil falar da cidade dos outros, mas difícil daquela que você mora... Ainda mais o Rio, já tão batido nos guias de viagem. A Thaís também vai contribuir com suas aventuras na cidade maravilhosa. Tudo isso pra mostrar a vocês que o Rio de Janeiro continua (e está ficando cada vez mais) lindo.

Hoje em dia a economia do Rio de Janeiro recebe investimentos pesados por conta do pré-sal e do esporte. Depois de toda a região Nordeste, acho que é a área que mais cresce no Brasil. Emprego pra lá, obra pra cá, as transformações estão ocorrendo em velocidade impressionante e o povo carioca está ainda mais em festa e mais feliz, principalmente depois que o Rio ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Inaugurando a nossa querida série, apresento a vocês o trailer Rio - The Movie, que estreia por aqui em abril de 2011.

Saturday, July 24, 2010

Paraty - último dia

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No dia anterior havíamos decidido acordar cedo pra dar uma checada no tempo. Se estivesse bom, iríamos passear. Se estivesse ruim, levantaríamos pra tomar café e botar o pé na estrada. Então levantamos às 8 da manhã e ao abrir a janela nos deparamos com um baita céu azul. Nos arrumamos, tomamos café e saímos o mais rápido que conseguimos, pois às 11h tínhamos que fazer o check out na pousada.

O forte
Pegamos as bikes e fomos até o forte, que fica ali pertinho da pousada, no centro. Aliás, aqui vai uma curiosidade sobre Paraty: se você for caminhando pelo centro em direção às praias, vai notar que o calçamento vai ficando com pedras cada vez maiores e mais difíceis de se andar. Segundo meu marido historiador, isso é uma medida de proteção da cidade, já que os inimigos não poderiam chegar por mar carregando canhões ou seja lá o que eles trouxessem. Outra curiosidade é que as ruas foram construídas de tal modo que quando a maré sobe inunda as ruas, e quando desce, leva toda a sujeira embora. Por isso as ruas amanhecem sempre molhadas e às vezes ainda meio alagadas.

Bom, depois desse momento curiosidade, vamos voltar ao que interessa. O caminho até o forte não é muito bacana de se fazer de bicicleta, porque, como eu contei, o calçamento não é muito amigável. Quem é de lá usa muito as bicicletas como meio de transporte, e provavelmente aprendem a andar por aquelas pedras aos 2 anos de idade. Mas como a gente era novato no negócio, sofreu um pouquinho. Porém o trecho é pequeno, e logo estávamos em terreno menos hostil. Chegamos no forte às 9h, horário que ele abre pra visitação. Lá tem uma casinha, que eu imagino que deva funcionar um museu ou coisa parecida (não tivemos curiosidade de entrar), e um terreno de onde se vê o mar, e onde ficavam os canhões (hoje eles estão desmontados e ficam expostos apenas parte deles). A vista de lá é realmente muito bonita, principalmente num dia azul como aquele. Aproveitamos que estávamos com certo tempo, descemos as pedras que vão até o mar e ficamos lá admirando a paisagem, processando a vitamina D e procurando o coitado que iria fotografar a gente. Foi uma manhã muito gostosa, embora curta.

O cais
De lá fomos até o cais, que também fica ali pertinho. É de lá que saem as escunas que fazem os passeios, e tem várias delas. Algumas até se ofereceram a levar as bicicletas se a gente fosse no passeio com eles. Mas não era aquilo que a gente estava procurando, então só demos uma volta e voltamos pra pousada, mas não sem antes parar várias vezes pra dar uma de turista e tirar muitas fotos.

Posando pra foto do lado do barco que leva meu nome.

O acidente
Tudo estava indo muito bem até o momento da volta pra casa. Arrumamos as coisas, fizemos o check out, colocamos as bikes no carro e partimos em direção a Caraguatatuba, via BR 101 (Rio-Santos), pois íamos fazer uma visita aos familiares do Ale que moram por lá. Antes de sair de Paraty decidimos abastecer o carro, pois embora nosso tanque ainda estivesse cheio o suficiente, o diesel era um pouco mais barato e achamos que valeria a pena. Fomos entrando no posto que tem na saída da cidade quando eu escuto um monte de gente gritando "Para que vai bater, para para para!!" Eu parei, mas não estava entendendo nada. Quando olhei no retrovisor, vi a calha das bicicletas completamente torta. Aí fiquei sem entender menos ainda. Como é que eu poderia ter batido em qualquer coisa sendo que eu estava num posto de gasolina, e todos os postos têm aquele teto super alto??? Quando desci do carro que eu fui entender que as bicicletas enroscaram num fio que estava meio solto na entrada do posto, e isso fez com que tudo entortasse. Nossa sorte é que as calhas eram de aluminio, então não estragou nem o carro e nem as bicicletas.

O gerente do posto disse que o fio está solto desde antes do estabelecimento abrir, e que eles já estão com processo contra a Telemar (a quem pertence o fio) pra retira-lo de lá. Disse também que algumas semanas antes um caminhão baú quase derrubou o poste ao enroscar naquele mesmo fio. Agora eu pergunto: se não é a primeira vez, por que o posto não sinaliza? Quando você entra, não consegue ver a porcaria do fio, e olha o estrago que está fazendo!

Estávamos com medo de não conseguir voltar com as bikes nas calhas, mas o gerente do posto desentortou tudo pra gente, recolocou tudo no lugar e voltamos sem maiores problemas, com as bicicletas amarradas nos racks. Espero que a essa altura já tenham resolvido a situação.

A estrada
Pegamos a Rio-Santos até Caraguatatuba (e de lá até São Paulo viemos pela Tamoios), que foi uma viagem tranquila, com pouca gente na estrada. Era final de copa do mundo e o dia estava bonito, imaginamos que muita gente havia ficado até mais tarde pra aproveitar essas duas coisas na praia.

Paramos na cidade, almoçamos com os tios e primos do Ale e antes de acabar o jogo pegamos estrada de novo. Já estava anoitecendo e eu não queria dar chance pro azar. Tudo o que eu não precisava era de trânsito na chegada de São Paulo. Pegamos a estrada bem carregada, mas pelo menos dessa vez era uma estrada de asfalto, sem barrancos pelo caminho. =)

Wednesday, July 21, 2010

Paraty - dia 02

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O dia não amanheceu tão bonito quanto o anterior. O tempo estava nublado e estragou nossos planos de fazer um passeio de escuna, ou talvez para alguma praia. Resolvemos pegar as bikes, passar em alguma agência e ver o que eles tinham a oferecer de cicloturismo. Paramos na Paraty Tours, que tínhamos visto uma turma saindo de bike no dia anterior. Mas descobrimos que lá eles alugam as magrelas e você faz o percurso que te der na telha (eles têm alguns pra indicar). Como aparentemente o mais legal nós já tínhamos feito, decidimos fazer outra coisa. As opções eram: escuna, praia, caiaque ou passeio de jeep. Nós não queríamos nada que envolvesse água, já que estava frio. O caiaque eu queria, mas era muito caro (R$ 90,00 por pessoa). Acabamos decidindo pelo jeep, que fazia um passeio de 6 horas por vários pontos turísticos, entre cachoeiras e alambiques.

O passeio de jeep na Paraty Tours já estava lotado e saía naquela hora (ainda tínhamos que levar as bikes de volta pro hotel), mas nos encaminharam pra Paraty Best Travel e fomos com eles. O passeio custa R$ 50,00 por pessoa, e o almoço não está incluso.

Nosso guia foi o Flávio, um rapaz muito simpático e bastante comunicativo. A turma - de 10 pessoas - era bem legal, entre elas estava um francês que estava no país a trabalho, e com ele eu consegui desenferrujar um pouquinho meu inglês.

Pedra Branca
O passeio começa pela cachoeira da Pedra Branca, onde já tínhamos ido no dia anterior. Chegar lá de jeep foi muito mais rápido, mas muito menos divertido. rs. Como nós já conhecíamos a cachoeira, ficamos sossegados aproveitando a natureza. Também aproveitamos pra conhecer uma parte que não havíamos visitado no dia anterior, que é uma casinha onde antigamente funcionava uma usina que gerava energia pra uma indústria de doce de banana. Hoje ela está meio em ruínas, mas o Ale se divertiu o suficiente, já que ele é da área energética (na foto: o Ale vendo a antiga usina).



Poço do Inglês
Da Pedra Branca nós seguimos para o Poço do Inglês, uma espécie de lago (na verdade um poço) no meio do rio onde as pessoas penduraram uma corda pra você poder dar uma de tarzan. Como o poço é muito fundo (cerca de 6 m de profundidade), dá pra pular sem medo. Estava muito frio, então só um do grupo teve insanidade suficiente pra cair na água.
Poço do Inglês

Fazenda Murycana
Depois fomos até a Fazenda Murycana, onde tem um alambique pro pessoal se esquentar. Eu não bebo cachaça, então não tenho como avaliar a de lá. Mas pelo que eu entendi, a fazenda Murycana é meio que a disneylândia, é tudo muito bonito mas nem tão gostoso. A visita vale mais pelo passeio em si do que pelos produtos. Lá tem um pequeno museu de objetos antigos de fazenda, tem o famoso café da Senhora Nena (desculpa se eu errei o nome), que é adoçado com rapadura, e tem o alambique, que serve cachaça e alguns licores. O Ale falou que a cachaça não era muito boa, então acabamos nem comprando. Ah, e tem um restaurante também, e uma espécie de mini-zoo, um laguinho com patos, cisnes e até um pavão. O lugar é bonito, e acho que vale a visita, sim. Não sei se a comida lá é boa, mas o restaurante estava cheio.

Vista da Casa Grande da Fazenda Murycana, de onde se vê o restaurante

A Casa Grande da Fazenda Murycana



Restaurante Villa Verde
E falando em restaurante, já estava na hora de almoçarmos. Fomos até o restaurante Villa Verde, que foi o mesmo que os moços da pousada recomendaram no dia anterior. O restaurante fica na beira da estrada e é bem bonitinho. Ao sentarmos, notamos que havia um cardápio normal e outro especial para os jeepeiros, com uma opção de refeição mais barata. A maioria do pessoal escolheu a opção mais barata. Esperamos, esperamos, esperamos, e muito tempo depois alguém veio nos dizer que a carne havia acabado. Já putos da vida com a demora, e mortos de fome, aceitamos a substituição da carne, aguardamos mais um tempão, e umas 2 horas depois de sentarmos à mesa recebemos nossos pratos. Não vou mentir e dizer que estava ruim, porque estava uma delícia. Mas o restaurante está fracamente preparado para receber grupos grandes (e também para receber mais de uma mesa por vez na casa), além de não ter a menor noção sobre proporcionalidades entre alimentos. Veio um mooooonte de arroz e um totoquinho de farofa. Mas ok, a comida estava boa, comemos e fomos embora. Alguns não pagaram serviço porque ficaram realmente bravos, mas eu e o Ale aceitamos que esse é o ritmo da cidade e nem esquentamos a cabeça. Além do mais, a gente estava lá a passeio e não tínhamos o por quê de ter pressa.

Tobogã e Poço do Tarzan
De estômagos devidamente cheios, continuamos nosso passeio. Dessa vez fomos ao Tobogã e ao Poço do Tarzan, que ficam no mesmo lugar. O tobogã é uma espécie de cachoeira que cai deslizando suavemente sobre algumas pedras, e que com o tempo foi alisando essas pedras, de forma que hoje você consegue surfar nelas. Nós fomos numa época seca, que a água estava escassa e a pedra pouco limosa, então não estava muito escorregadia. Por causa disso, não havia ninguém surfando. Mas quando chegamos lá, um nativo da região fez uma demonstração, já que ele conhece bem e sabe surfar mesmo quando não tem muita água. O resultado você confere no vídeo abaixo (desculpem pelo som, não consegui editar). Dizem que muita gente se quebra tentando fazer isso, porque quer dar uma de malandro e tenta fazer igual ao que os caras super experientes fazem. Uma dica: se não quiser se quebrar, vá de bunda. É mais seguro.



Andando um pouquinho mais pra dentro da mata, a gente chega até uma ponte meio frágil, na qual só podem subir 2 pessoas por vez. Lá é o poço do Tarzan. Não tem muita graça lá, não sei se por ser a última coisa que estávamos vendo, o tempo já estava horroroso, frio, estávamos cansados, e não dava pra nadar. Não que seja feio, mas os outros lugares pareciam mais legais.
No poço do Tarzan. Em segundo plano dá pra ver a ponte pra atravessar o rio. 

No lugar por onde você tem acesso ao tobogã e ao Poço do Tarzan é o início do Caminho D'Oro, antiga estrada até Diamantina, pode onde levavam as riquezas. Hoje esse caminho é fechado, e só se entra com um guia. Dizem que algumas pessoas treinam o ano inteiro pra fazer esse caminho, que leva 45 dias. São mais de mil quilômetros. Coisa pra dedéu! Ali também tem uma espécie de monumento da Estrada Real, que leva até Minas Gerais.

Do outro lado da rua tem o Engenho D'Oro, um alambique que tem selo de qualidade e dizem ser uma das melhores cachaças da região. A gente comprou uma garrafinha pra dar de presente pro meu irmão, mas segundo o Ale, a do Neno, de Monte Alegre, era melhor.

Ali acabou nosso passeio. Foi um dia muito divertido, embora frio. Voltamos para a pousada, descansamos um pouco, tomamos um merecido banho e saímos para jantar. Fomos até um restaurante chamado Corte Maltese, que tinha pizza e massa, o que satisfazia as vontades dos dois. A comida ali talvez tenha sido a melhor de todas, mas o preço foi de acordo. Também tinha uma trilha sonora boa, uma moça cantando super bem - mas o preço também foi de acordo.

Tentamos dar uma volta na cidade, mas estava chuviscando e não tinha muito pra ver. Voltamos pra pousada, jogamos um pouco de sinuca e fomos para o merecido descanso.

* Mais fotos aqui.

Wednesday, July 14, 2010

Paraty - dia 01

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Dormimos até o horário máximo que conseguiríamos dormir sem perder o café da manhã (quem acompanha minhas histórias sabe que eu não perco café da manhã de hotel/pousada nem que esteja acabando o mundo). Para falar sobre o café vou aproveitar e falar sobre a pousada.

Pousada Aconchego
Escolhemos pelo google uma pousadinha que tivesse agradado nossos olhos e nossos bolsos. Não tínhamos recomendação nenhuma, e buscamos uma pousada simples já que íamos acabar lá apenas pra dormir. Também optamos por uma que fosse no centro, já que estaríamos de bike, e não queríamos correr o risco de ficar muito afastados de tudo. A pousada Aconchego foi a que nos ofereceu tudo isso, com um preço bom (pagamos 3 diárias - só vendiam o pacote - de R$ 140), e a pousada tinha piscina, sala de jogos (leia-se mesa de sinuca) e um café da manhã muitíssimo bom. Além disso, ainda tinha umas redes pra quem quisesse ficar pasmando de manhã ou no final do dia, e que foram muito bem aproveitadas.

O café da manhã da pousada era bem variado. Tinha doces e salgados, leite, café, chá, iogurte, suco, cereal, pães de vários tipos, frios, frutas, pão de queijo e ovo mexido, e tinha uma torradeira e uma daquelas máquinas elétricas pra fazer lanche (como chamam, mesmo?). Eu me esbaldei.

Pedra Branca
Depois de tomar café, o Ale foi comprar escova de dentes pra mim, porque, claro, eu esqueci em São Paulo.

Enquanto isso, fui dar uma checada nas bikes. Um dos funcionários da pousada encostou lá e começou a puxar conversa sobre bicicleta, disse que ele também era ciclista, e passou várias dicas de lugares bacanas que a gente poderia ir. Disse que hoje a maioria das estradas de terra já havia sido asfaltada, e hoje era raro encontrar uma. No fim da conversa ele estava convencido de que nós éramos ciclistas quase profissionais, e mandou a gente pra cachoeira da Pedra Branca. "É tranquilo, você pega uns 5km de estrada sentido Cunha, depois da ponte da Pedra Branca você entra à direita e pega mais uns 5km. Aí é subida, mas você vai indo devagarzinho e logo chega", disse ele. E a gente acreditou. De fato eram uns 10km, 5 no plano e 5 de subida. O que ele esqueceu de falar pra gente é que os 5 de subida precisavam de tração 4x4. Chegou num determinado ponto que a gente não aguentou, desceu das bikes e foi empurrando. Calma aí, né! A gente não tem mais 20 anos! Levamos cerca de 1 hora e meia a 2 horas pra subir os 10 km. Mas, como ele havia prometido, a vista valia a pena.


A cachoeira da Pedra Branca fica em propriedade particular, e os donos cobram R$ 2 de taxa de manutenção. Acho que não tem nada mais justo. Você chega lá e encontra tudo bonitinho, com banheiro, lixeiras, e uma trilha bem preservada até a cachoeira. 

Quando chegamos, todas as turmas que estavam anteriormente estavam indo embora. Lá é um dos pontos de parada das agências que fazem passeio de jeep, então fica bem cheio. Mas como chegamos lá meio tarde, pegamos todo mundo indo embora, e tínhamos a cachoeira só pra gente. É verdade que já estava começando a esfriar, e pular na água seria um pouquinho de loucura. Mas também é verdade que mesmo se essa vontade pintasse (e na verdade pintou), eu não estava preparada "roupísticamente" falando. Não levei biquini porque nem esperava um lugar que desse pra mergulhar. 
Mas cheguei lá morta de cansaço e aproveitei pra dar uma molhada no rosto com a água da cachoeira. A água estava tão boa que me arrependi de não ter chegado mais cedo. Eu e o Ale ficamos por ali cerca de uma hora, cada um no seu canto, pensando na vida. É incrível como um lugar como esse faz bem pra alma!
Quando finalmente resolvemos ir embora, quase levamos o Pretinho com a gente. Pretinho era um cachorrinho filhote que tinha lá, cujos donos disseram que a gente podia levar se quiséssemos. Juro que se a gente tivesse uma casa maior, a gente teria trazido. Ele era tão bonitinho! 

Descemos os 10km em cerca de 20 minutos. Chegamos a pegar 47km/h na descida. Foi uma delícia, embora eu tenha ficado com medo. Ainda não tenho tanto sangue frio pra soltar o freio da bicicleta numa descida daquelas sem achar que vou me estatelar lá embaixo. Mas no fim deu tudo certo e todo mundo chegou inteiro. 

O almoço
Os caras que deram a dica da trilha pra gente tinham indicado um restaurante chamado Villa Verde, que fica próximo à cachoeira da Pedra Branca. Mas queríamos voltar pro hotel e tomar um banho, então resolvemos comer no centro. Saímos em busca de um restaurante barato, então demos de cara com um que tinha um banner pendurado na porta que dizia "O almoço mais rápido e econômico de Paraty". Bom, era lá mesmo que a gente tinha que ir. O restaurante chamava O Barril, e o garçom estava de super bom humor. Os pratos pareciam bons e tinham preços razoáveis (é incrível como se paga caro em comida naquela cidade!!). Pedimos, mas descobrimos que o rápido de Paraty não é o mesmo rápido de São Paulo. Bastante tempo depois nossos pratos chegaram, com bifes que tinham mais gordura do que carne, e nem eram tão gostosos assim. Mas tudo bem, afinal de contas, a gente estava pagando barato por eles. 

Lá no restaurante eu reparei que nos telhados das casas nascem plantas, como se fossem jardins (eu acabei esquecendo de tirar fotos!). Parece que existe um passarinho lá que planta as sementes nas telhas, e as plantas crescem. É super legal, e fica até bonito. 

Depois do almoço voltamos à pousada, nos esticamos na rede e dormimos o resto da tarde. 

O pastel de 30 cm
À noite estava rolando festa julina no centro da cidade, então saímos pra dar uma conferida. A festa não estava muito boa, então fomos procurar comida. Fomos até uma barraquinha de pastel chamada Big Pastel, que vende pasteis de 30 cm. Aí você vai toda empolgada achando que vai comer aquele pastel delicioso da feira daqui de São Paulo, multiplicado por 2. Mas aí tem a maior decepção quando coloca ele na boca e descobre que a massa não tem nada a ver e o pastel é bem ruinzinho. Na verdade fiquei bem decepcionada com a comida em Paraty. Se paga muito caro por ela, e a qualidade é das piores. 

Depois da decepção do pastel, o Ale quis dar uma volta porque estava passando mal de tanto comer. Procuramos uma farmácia que estivesse de plantão, e pra isso a gente teve que andar bastante. Dali, foi voltar pro hotel e descansar pra mais um dia. 

Tuesday, July 13, 2010

Paraty - a ida

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UPDATE: soube que essa estrada foi asfaltada. Alguém confirma essa informação?
UPDATE 2: Um leitor (que não deixou o nome) confirmou que a estrada está asfaltada e bem boa. Nos comentários ele deixou o link com um vídeo para a estrada nova.


Cheguei para contar a nossa viagem até Paraty. Se ajeita aí na poltrona, porque as histórias são boas!

Sexta feira, dia 09 de julho, foi feriado em São Paulo. Como todo paulista é louco e estressado, é só dar uma brechinha dessas pro trânsito logo entupir de vez. Todo mundo resolve ir pro trabalho de carro, na esperança de chegar mais cedo em casa, mas o tiro sempre sai pela culatra, e o trânsito vira um inferno. O resultado foi recorde de trânsito mais uma vez (mais de 200 km de carros parados, lá pelas 20h). Eu e o Ale, que não queríamos sair muito tarde, acabamos saindo sem pressa, já que tanto fazia sair às 20h ou às 23h, a gente ia acabar chegando no mesmo horário.

No dia anterior o Ale deu uma olhadinha no Google Maps pra ver qual era o melhor caminho pra chegar de São Paulo até Paraty. O caminho que ele te dá é seguindo pela Ayrton Senna, Carvalho Pinto, Dutra, e lá em Guaratinguetá pega uma tal de Rod. Paulo Virgílio (SP 171) até Cunha, e lá pega a RJ 165. Esse caminho parecia ótimo, e o google indicava cerca de 3 horas e 40 min de viagem. Pegava alguns pedágios, mas eram baratos (um total de cerca de R$ 15 a R$ 20), e eu sabia que a Ayrton Senna e a Carvalho Pinto eram boas estradas (se você pretende fazer esse caminho, continue lendo, por favor).

Mapinha que o Google dá quando você digita São Paulo - Paraty

Beleza, tudo resolvido, começamos a arrumar as coisas pra levar pro carro, o Ale botou a mochila nas costas e PLAF, esbarrou numas coisas em cima da mesa, caiu tudo no chão. Entre essas coisas estava um tubinho de nanquim, que estourou no carpete. Sentiu a meleca? Foi assim que a nossa viagem começou.

Depois que limpamos tudo, levamos as coisas pro carro, instalamos as bikes na estreia do rack novo (estávamos empolgadíssimos), e partimos pra estrada. Pegamos um pouquinho de trânsito na saída da cidade, mas já estava relativamente tarde, então não foi nada grave. A estrada estava bem tranquila e deu até pra estrear o piloto automático do carro, uma das maiores invenções de todos os tempos! É incrível como isso ajuda a não cansar uma viagem!

Estávamos indo super bem, embora estivéssemos estranhando um pouco o caminho: apesar de estarmos indo pra praia, o caminho que estávamos fazendo era uma serra que só subia. Subimos, subimos, subimos, passamos por Campos do Jordão (que quem conhece, sabe que é bem alto) e continuamos subindo. A gente não estava entendendo muito, mas era o caminho que tínhamos e decidimos continuar. Em determinado momento, chegamos em uma placa escrito "Parque Nacional da Serra da Bocaina", onde começava uma estrada de terra que descia. A gente basicamente desceu tudo o que tinha subido, em uma estrada de terra filha da mãe (pra não dizer outra coisa), cheia de pedras (pedras de verdade) no meio do caminho, às 3 horas da manhã, sem ter a menor ideia do que tinha pela frente.

Estávamos nós e nós lá naquela estrada esquisita (nem morcego tinha por lá), morrendo de medo de, em determinado momento, encontrarmos um trecho desbarrancado e descobrirmos que íamos ter que voltar tudo. O detalhe é que, se isso acontecesse, não tinha espaço pra manobra e eu ia ter que voltar de ré.

Uma dica pra quem quer descer pra Paraty: a menos que você tenha o espírito muito aventureiro e um carro 4x4, ou que seja alto o suficiente e com uma suspensão muito boa, NÃO DESÇA pela estrada de Cunha. Pegue a Tamoios que você será muito mais feliz. 


Apesar do stress do desconhecido, de estarmos numa estrada sem saber se ela tinha fim (porque ela parecia não acabar nunca), sem saber se íamos ter que voltar, sem enxergar muitos metros à frente, tendo que desviar de pedras grotescas, passar por um trecho entre um barranco com uma pedra em cima (na qual as bikes poderiam enroscar) e um abismo do outro lado - nessa o Ale teve que descer do carro pra me orientar -, foi uma viagem até que divertida, porque foi a nossa primeira trilha com nossa pick up, e minha primeira experiência numa estrada tão ruim, tendo que lidar com as bicicletas na caçamba. Foi uma boa experiência, no final. Mas novamente: só recomendo isso se você tiver uma pick up alta e espírito aventureiro.


Aqui um trechinho bom da estrada. 

Chegamos no hotel mortos de cansaço e de fome às 4 da manhã, depois de 6 horas de estrada. Nossa sorte é que tinha um saquinho de Doritos e um toddynho no quarto, que a gente viu como boas recompensas. Nunca um Doritos foi tão gostoso!



Wednesday, July 7, 2010

Fotos + Volta ao Mundo

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Demorou, mas até que enfim chegou: na semana passada a Lilly me enviou as fotos de Buenos Aires (finalmente!!!) pelo MSN. E hoje eu aproveitei para *ilustrar* vários posts. Agora sim o relato dessa viagem está completo. Clique nos links abaixo para ler minhas aventuras e ver as fotos:

Imagina dar a volta ao mundo 3 vezes em apenas 5 anos? Imagina conhecer culturas que você nem sonhava que existiam, muito menos dentro de um único país? Foi isso que o jornalista Simon Reeve fez, com o suporte da BBC.


Ele e um cinegrafista viajaram pelo nosso planeta seguindo as linhas do Equador, do Trópico de Capricórnio e, mais recentemente, pelo Trópico de Câncer. Registraram tudinho em 3 séries, que foram exibidas pela BBC Two até maio de 2010.

Incrível o trabalho dele, que gira o mundo buscando aproximar culturas - ao invés de criticá-las duramente. Atualmente estou assistindo à série "
Tropic of Cancer" e em um dos episódios, uma mulher da Arábia Saudita super culta confessa não compreender porque os ocidentais condenam o uso da burka. Para ela, tortura imposta pela sociedade seria usar salto alto. A postura do Simon é exemplar: ele narra que ambas opiniões são apenas pontos de vista e se exime de julgar o que é "certo" ou "errado".

Admiro também os esforços dele em alertar o mundo para os efeitos da mudança climática, que já estão obrigando muita gente a mudar radicalmente seus costumes e modo de vida.

Apesar de todos os episódios estarem em inglês sem legenda, recomendo a todos. Não estão disponíveis para download no site oficial, somente pela web. São de tirar o fôlego.

Tuesday, July 6, 2010

Viajando de bike - parte II: Racks

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Agora que temos pick up, temos bicicletas, e temos um destino legal para levar tudo isso, restava arrumar um jeito de levar as bikes na pick up! Tanan! Pois é, a coisa não é tão simples quanto parece. Não é simplesmente jogar a bicicleta na caçamba e achar que vai funcionar, porque não vai! É preciso um meio de segurar as bikes dentro da caçamba, e isso pode ser feito de muitas formas. Começamos, então, a pesquisar quais eram essas formas.

Há basicamente 3 marcas que fazem racks para levar bicicletas, sendo que duas delas são facilmente achadas pelo mundo cibernético: a Thule e a Eqmax. A Thule você deve conhecer daqueles bagageiros feios cinza e pretos que ficam em cima de alguns carros. Mas obviamente esse da foto não é pra levar bicicletas. Foi só um exemplo. A Thule fabrica vários tipos de racks pra bicicletas (nem sei se eles chamam racks), e nós achamos pelo menos uns 3 que nos interessaram, específicos para caçamba. Mas tanto a Thule quanto a Eqmax tropeçavam em dois problemas: o primeiro deles era no valor. Considerando que a gente precisaria de apoio para duas bicicletas, estávamos calculando gastar em torno de R$ 800 a R$ 1.000. O segundo problema é que em todos os casos as bicicletas iriam dentro da caçamba, e se um dia nós quiséssemos viajar com mais gente no carro + bicicletas + montes de bagagem, a gente não teria como fazer, já que a caçamba estaria toda ocupada com as bikes (o que é um baita desperdício de espaço).

Pesquisa daqui, pesquisa dali, achamos um lugar que colocava os racks por cima da capota marítima, e sem fazer nenhum furo na caçamba (isso porque nós já tínhamos capota marítima; se ela não existisse, os furos teriam que ser feitos). Antes de ir lá, o Ale passou por uma pick up que tinha o rack que tínhamos visto na foto dessa loja e viu que a marca era Century (e que até então, não tínhamos visto em lugar nenhum). Ligamos na loja, perguntamos o preço e hoje fui lá ver o que dava pra fazer. O nome da loja é Casa dos Bagageiros, então você já pode imaginar que lá tem todo tipo de bagageiro que você imaginar. Fica na Duque de Caxias, no centro de São Paulo, facinho de chegar (e sou eu falando, a mais perdida do mundo!). O John, que me atendeu, me explicou como era o rack, como era a calha, como era colocada, e antes de eu perceber, já tinha mandado colocar. O pessoal lá é muito bom.

A coisa funciona assim: eles colocam uma pecinha entre a caçamba e a capota marítima, que prende o rack. Por cima do rack, vão as calhas da bicicleta, que podem ser quantas você quiser (ou quantas couberem). No nosso carro deve caber umas 4, mas colocamos só duas. Escolhi uma calha de alumínio, também da marca Century (mesmo marca do Rack). Havia uma outra opção da Eqmax, mas era de ferro e portanto mais "enferrujável". Por R$ 10 de diferença não valia a pena.

O valor ficou bem mais baixo que se eu comprasse aqueles racks da Thule que furam a caçamba, e ainda por cima mantive o espaço para guardar bagagem, se eu quiser. A qualidade do material eu só vou poder dizer daqui algum tempo, quando já estiver em uso, mas aparentemente me parece material de boa qualidade, e fácil de colocar as bicicletas. Eu recomendo esse tipo de calha, e também recomendo a casa do bagageiro, porque eles foram super atenciosos e fizeram um excelente trabalho.

Assim que eu tiver fotinhos, posto aqui pra mostrar melhor tudo isso.

Monday, July 5, 2010

Próximo destino: Paraty - RJ

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Como eu já contei por aqui, eu e o Ale compramos uma pick up pra poder levar nossas bikes nas viagens. Mas nesse ritmo alucinado que nós dois estamos vivendo, ainda não conseguimos parar nem um fim de semana pra poder testar o carro na estrada (coisa que estamos loucos de vontade pra fazer!). Por isso aproveitamos 9 de julho, que é feriado aqui na cidade de São Paulo, para dar uma escapadinha. Procuramos um roteiro que fosse charmoso e ao mesmo tempo desse pra levar as bikes.

Eu tenho um guia - que já está meio velhinho, mas ainda dá pro gasto - da PubliFolha que se chama "Fuja no fim de semana". Ele traz cidades de praia e interior de SP, sul de RJ e sul de MG. O mais legal desse guia é que você pode escolher a cidade pelo tipo de passeio que você quer fazer. Por exemplo: se você procura passeios de charrete, de bicicleta, de pesca, de aventura, em fazendas, por arquitetura, e por aí vai. Como nosso objetivo era passeio de bicicleta, as opções que ele dava eram: Angra dos Reis/Ilha Grande; Cabreúva; Cunha; Delfim Moreira; Mairiporã; Paraty; Santana de Parnaíba e Silveiras. Escolhemos Paraty, que é um lugar que há tempos eu quero conhecer e o Ale adora.

Fizemos reserva na pousada Aconchego, que tinha uma diária a um preço bom, e ainda conseguimos um desconto, além de ter estacionamento e lugar pra deixar as bikes, o que pra gente é essencial. Ela fica no centro histórico.

E pesquisando pela net, achamos uns sites legais sobre o turismo em Paraty, alguns, inclusive, com trilhas pra bike. Nesse site você encontra links pra vários outros sites. E nesse aqui tem passeios de tudo quanto é tipo: de bike, de barco, de jeep, a cavalo, e por aí vai...

Daqui a pouco volto contando mais. Aguarde.