Saturday, August 14, 2010

Rio de Janeiro: Cristo Redentor

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Depois de enrolar por 5 anos, lá fui eu visitar o Cristo Redentor no dia 1º de agosto.

O cartão postal mais famoso do Rio - e do Brasil - passou por uma reforma e há cerca de um mês foi reinaugurado, com uma belíssima iluminação noturna em verde e amarelo. Ficou tão encantador que tive que ir lá conferir.

A ideia
Na boa: o Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosamente planejada para quem quer curtir a vida ao ar livre. É sacrilégio dizer que alguém "vai" ou "foi" visitar tal lugar no Rio, porque aqui não se visita nada, mas se vivencia o tempo inteiro. É pra aproveitar cada segundo, curtir mesmo e não é à toa que, de dia e à noite, os principais pontos turísticos são praias, parques, bondes, lagoas, morros e montanhas...

Como boa carioca que me tornei, não adianta ir ao Cristo sem passar a manhã ou à tarde lá, admirando a vista. Com sorte, ainda pegaria a iluminação verde-amarelo. Bem, essa era a ideia inicial...


Quem e quando
Quer dia melhor para visitar o Cristo do que uma linda tarde ensolarada e com céu anil de domingo? Ao meio-dia, eu, minha irmã e sua amiga começamos nossa jornada.

Como chegar
Parece besteira. Mas - pasmem - nem no Google nem no site oficial do Trem do Corcovado achei uma instrução decente e fácil sobre como chegar até o Trem do Corcovado, condução antiquíssima (data da 1ª metade do século XIX) que leva o turista do sopé ao topo do Morro do Corcovado, onde está o monumento. Tudo o que eu sabia era que é necessário ir até algum ponto dos bairros Cosme Velho/Santa Teresa e tomar o tal trem. Mas... que ponto é esse e como chegar lá?

Parêntesis: há três formas principais de se locomover na cidade do Rio: ônibus, metrô e trem. As duas primeiras são as mais utilizadas e eu recomendo. No site Itinerários de Ônibus, basta digitar o nome das ruas de origem e de destino e ele te informa o número do ônibus que passa por ambas. Ou digite o número do ônibus que ele te informa o trajeto ida e volta detalhado.

A forma mais prática, segura, certeira e barata (apenas R$ 3,70) que encontrei (e testei) foi o Metrô Rio. Independentemente de onde estiver hospedado, pegue o metrô e desça na estação Largo do Machado. Ainda no subsolo, eu e as meninas seguimos as placas em direção à saída que apontavam para "Ônibus Integração".


Foi fácil, saímos de frente para o ponto de ônibus. O motorista nos indicaria aonde descer para chegar ao Corcovado, mas já adiantou que era em frente a Igreja São Judas Tadeu.

Quanto custa?!
Assim que descemos do ônibus, somos abordadas na porta da igreja por um senhor uniformizado. Ele disse ser motorista de van e que poderia nos levar ao Cristo pela "bagatela" de apenas R$ 45 por pessoa, considerando que "a fila para comprar o ingresso está em torno de duas horas de espera". Eu pergunto a ele quanto é o ingresso e ele informa que "somente o bilhete do trem é R$ 35 por pessoa; lá em cima ainda
tem que pagar R$ 20 pela entrada". Ok. Agradeci, dizendo que ia ali na estação conferir e, se fosse o caso, voltaria para fechar com ele.

A fila para comprar bilhetes de trem estava vazia.
Em menos de 3 minutos, garantimos nossos tickets. Cada uma de nós pagou R$ 18 (meia entrada; a inteira custa R$ 36) pelos trechos ida + volta. E ao contrário do que o senhor havia nos informado, é só isso mesmo. Lá em cima não precisa comprar entrada alguma.

O único inconveniente é que nossos ingressos marcavam a partida do trem para 15h20 - e ainda era 13h50... O Cristo Redentor fica aberto das 8h da manhã às 19h da noite, com trem partindo a cada 20 minutos.
Enquanto aguardávamos, admiramos souvenirs, passageiros, lemos o informativo, fomos ao toalete (reformadíssimo e lindo!), tiramos fotos e mais fotos.

A subida!
Nós fomos pra fila assim que partiu o trem das 15h (o que de nada adiantou porque no pátio da estação ninguém respeita a ordem). Acho falta de educação o cúmulo e tentei não sucumbir à tentação vingativa de entrar no trem como se fosse criança querendo pegar o melhor lugar do ônibus na excursão do colégio.

O trem possui 2 vagões, totalizando 200 lugares. Os bancos para 2 ou para 3 pessoas são
organizados em 2 fileiras invertidas. Ainda que pareça estranho "andar de costas", recomendo a você preferir o de 2 lugares na subida. É o melhor lugar para tirar fotos.

O trajeto dura 20 minutos e há 2 paradas obrigatórias no caminho. Na última delas, a bateria de uma escola de samba entrou animada no carro dianteiro, surpreendendo e alegrando a todos.

De braços abertos sob a Guanabara
Ao chegar no ponto mais alto do Cristo, você entende porque o Corcovado é o cartão postal do Rio. Dá pra ver a cidade inteira, em detalhes! Dá pra ver o Jóquei, o Maracanã, a Lagoa, o prédio que eu trabalho (!!), o mar, o horizonte... É indescritível, imperdível e nenhuma fotografia ou vídeo dá conta de transmitir essa emoção.

Foi um passeio muito agradável, mas poderia ter sido ainda mais incrível se eu tivesse conhecimento de alguns fatos e imprevistos.

Lembra que a ideia era passar a tarde no Cristo admirando a paisagem? Missão impossível. Não ficamos meia hora, principalmente porque lá é
frio! Chegamos já tremendo e não localizamos a escada rolante nem os elevadores (sim, eles existem) com facilidade. O ponto positivo é que, pelo menos pra mim, que imaginava uma escadaria digna de Aparecida (cidade em que as pessoas vão para pagar promessas subindo os degraus de joelhos), as do Cristo são fichinha.

Não importa se está 40 graus lá embaixo: leve um casaco corta-vento. Porque lá em cima venta que é uma beleza, um frio danado, especialmente à tarde! Juro, pensamos que seríamos levadas a qualquer momento pelas rajadas!

Fotos? Haha. Sabe aquela foto linda, em que a pessoa está de braços abertos, o Cristo ao fundo? Aquela que você certamente já viu na casa de algum amigo e que sempre sonhou tirar? Pois é, vai por mim: se você quer uma foto dessas, escolha visitar o Cristo numa manhã de segunda-feira, o mais cedo possível. O volume de pessoas é gigantesco, o que se agrava porque você tem hora para subir, mas não para descer. Tinha tanta gente que era impossível posar por tempo suficiente para clicar uma foto decente.




Pra completar, no dia estava tendo um coro de frades que, somando-se ao volume de turistas, congestionaram os melhores espaços para fotografias.

Às 16h50 já estávamos as 3 sentadinhas no vagão do trem previsto para 17h. Passam intermináveis 20 minutos e nada do trem se mexer. Dali a pouco, um guia da CVC vem informar que caiu um galho no meio dos trilhos e que todos podíamos ficar tranquilos, porque o Ibama já havia sido chamado. Galho?! Ibama?! Devia ser uma tora de madeira rara e ultra protegida ecologicamente, porque, vamos combinar, qualquer um pode afastar um galho...

Demoramos 1 hora para descer. Agora, imagine você + 200 pessoas ficarem inclinadas 45º no meio da mata, dentro de um trem... anoitecendo... enquanto espera o Ibama...

Agradecimento e fotos: Yasmin Ventura e Tâmina Ferreira.

2 comments:

ana carina said...

Outras dicas...vc pode subir de taxi/carro ate a metada ( rua asfaltada) e pagar uma van. É a aventura mais louca que passei, os caras dirigem muito rapido nas curvas, me senti na Disney. Entao, vc nao precisa ficar aguardando horarios... basta entrar na fila, que é rapida e pronto. SAo muitas vans!!! Bom também para tirar fotos e curtir a natureza. Realmente é muito cheio, e achei meio chato ver aquele monte de turista se deitando no chão, achei meio bagunçado. Fui no verão, e ao contrário do que voce disse, leve protetor solar e agua, muita agua, porque o calor lá em cima é de rachar.

Otimas dicas, as suas.

bjos

Amarílis said...

Oi Ana Carina! Muito obrigada pela contribuição, seus comentários complementam! Do trem, vi que dá pra subir de táxi / carro pela floresta da Tijuca, fiquei com vontade de fazer isso numa próxima visita, passear por lá deve ser fantástico. Olhe, no inverno é um vento só, mesmo com sol de 40 graus, viu... Bjs, Amarílis