Sunday, December 5, 2010

Itália 2010 - Roma (parte I)

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Desembarquei no Brasil na quinta-feira. Nos últimos 32 dias, visitei 5 países europeus, passei por 16 cidades e reencontrei/conheci pelo menos 50 pessoas. Viajar "sozinha" (o que é bem diferente de "desacompanhada") é criar oportunidades para fazer novos amigos e também para aprofundar antigas amizades. A cada um que me encontrou e me acolheu, à sua maneira: muito obrigada. Porque sem você eu não teria história alguma pra contar.

I arrived back in Brazil last Thursday. In the last 32 days, I have been to 5 European countries, 16 cities and, also, I have met (again) at least 50 people. Travelling on your own (which doesn't mean "alone") is the same as to create opportunities to make new friends as well as to deepen old friendships. To each of you, who met me and treasured me, in your own very special way: thank you very much. Because without you, I would have no story to tell.

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Partida e chegada na Europa
Apesar do que falam, adorei viajar de Iberia. Saí do Brasil no dia 30 de outubro às 20h30 e, servido o jantar, dormi até chegar a Madrid, dez horas depois. Ganho carimbo no passaporte na boa, após responder às típicas: "O que você vai fazer em Roma?", "Onde vai ficar?", "Qual o tempo total de viagem?", "Quanto de dinheiro está trazendo?". Essa é uma boa pergunta e claro que o orçamento varia de acordo com a disposição de cada pessoa. Mas, se me permitem uma sugestão: se você for ficar em albergue, calcule pelo menos 100 /dia (alimentação, transporte, tickets, acomodação e algum souvenir). Estipule também uma verba no cartão de crédito para comprar alguma coisa de mais valor ou pagar uma acomodação, ticket, restaurante se seu dinheiro em espécie estiver acabando.

Para quem vai entrar na Europa por Madrid e tem cerca de 2 horas pra pegar o próximo voo, muita atenção. O aeroporto é gigante e é necessário pegar um trem para ir aos portões de embarque e ainda andar (no meu caso 20 minutos) até o portão certo. E, minutos antes de começar a embarcar a galera no voo pra Roma, eles mudaram o portão de embarque pro lado oposto do aeroporto! Mais 20 minutos andando...


No trecho Madrid-Roma, conheço o americano William. É ele quem me ajuda a carregar as malas (uma média, 2 rodas + uma bolsa de viagem média sem rodas + uma mala, também sem rodas, com presentes enviados pela minha tia) em Roma, porque a máquina que libera os carrinhos do aeroporto simplesmente come minha única moeda de 1 e cadê que o bicho solta?

Em Roma, faça como os romanos

Dia 1 - Minha prima Erika mora em Roma com o marido e os filhos e, por isso, tive a vantagem de não pagar acomodação. Para dicas de hospedagem em Roma, leia o relato da Thaís, que foi pra lá ano passado. Minha sugestão, pra quem adora conforto, bom atendimento e comida boa: FortySeven Hotel. Fica ao lado da Bocca della Veritá, do Circo Massimo, do Il Campidoglio e do Centro Histórico de Roma - ótimo ponto para explorar a cidade.


Do aeroporto, fomos direto passear na Piazza d'Spagna. Lá aprendi que a atividade favorita dos italianos é sentar na escadaria de uma piazza (praça) ou na beira de uma fontana (fonte) e fazer... nada. Eles ficam lá, sentados, tomando gelato (sorvete), conversando, vendo gente e esperando o tempo passar. E eu simplesmente amei tanto "fazer" isso que visitei todas as piazzas e fontanas de Roma!

Ali, tomei meu primeiro gelato de chocolate, único sabor que eu sabia pedir. Achei o sorvete um pouco mais cremoso (e melhor) que os do Rio - e a casquinha também é mais crocante.

À noite fomos à pizzaria "Aqua, farina e..." (Via Tripolitana), que fica numa área residencial afastada do centro. Acho que eu era a única turista por lá. Sabe a melhor pizza que você pode comer no Brasil? Na minha opinião, não se compara a deste restaurante. Juro, foi a melhor pizza que já experimentei na vida. Dica: se for encarar uma de funghi, prepare-se para o odor forte.

Dias 2 e 3 - Abandonada a ideia de visitar Pompeia (o que levaria um dia inteiro), eu e Erika marcamos no mapa da cidade de Roma tudo o que seria interessante visitar nos próximos 4 dias. Concordamos ser interessante contratar um guia turístico particular para me acompanhar ao Vaticano e ao Coliseu / Centro Histórico. Abaixo, algumas dicas.

> Prepare as perninhas. Passear em Roma (e na Itália) significa andar o dia inteiro, subir e, óbvio, descer muitos e muuuuuuuitos degraus. Tudo é colossal, altíssimo e não existe nem escada rolante nem elevador. Fiquei com dó dos idosos no Vaticano, viu. A vantagem dessa malhação toda é que é super permitido viver à base de pizza e sorvete (acredite, você vai precisar de energia pra gastar). Não é à toa que são os "lanches" mais vendidos.

> Museu do Vaticano e Basílica de São Pedro. Acredita que por um momento eu cogitei não pisar no Vaticano? Lugar que, agora, depois de ter visitado, considero parada obrigatória para quem vai a Roma. Você só compreende o que é estar no Vaticano quando está lá.

Vá visitar o Vaticano com o espírito de aprender tudo o que for possível, porque o local praticamente abriga a história da nossa civilização. Separe pelo menos de 3 a 4 horas e, se você não for um entendido do assunto, desembolse uns euros e contrate um guia turístico, de preferência particular. Foi o que eu fiz e valeu a pena contratar a Lucilla Favino, guia turística e arqueóloga de Roma (Agência Love Holidays, tel.: 06.4547.6274 - 60/ hora, tour em português). É interessante alguém pra chamar sua atenção para detalhes que, sem um especialista, nunca observaria. Por exemplo, eu nunca saberia que aquela parede do Museu vedada aos mortais comuns é na realidade uma biblioteca restrita que abriga todos os escritos religiosos em pedra existentes no mundo. Está tudo ali, para caso algum dia um aventureiro se atreva a juntar as peças.

Outra vantagem de estar acompanhada de um guia oficial da cidade: não enfrentei uma fila sequer (mas acho isso se aplica a qualquer um que reserve ingressos online). Entrei direto no Museu e, depois, na Basílica, via passagem exclusiva que liga a Capela Sistina à San Pietro.

Ao contrário da Thaís, eu esperava mais da capela Sistina. No fim do meu passeio, meio frustrada com a capela, fui surpreendida pela imponência da Basílica de San Pietro - e por toda a história da maravilhosa Pietà de Michelangelo.

> Bocca della Verità, Templo de Diana, Il Campigdoglio, Circo Massimo, Arco di Giano, Teatro Marcello, Mercado de Pesci, Igreja de São Miguel Arcanjo - Com exceção da Bocca della Veritá (e seu cemitério no subterrâneo), todas essas atrações são de graça e praticamente uma ao lado da outra. São ótimos locais pra fazer fotos, especialmente se o dia estiver ensolarado:

Bocca della Verità (torre ao fundo) e Templo de Diana (à direita):


Aposte no Il Campidoglio para fotos panorâmicas do centro histórico:


No Teatro Marcello e no Mercado de Pesci você encontra exemplos da identidade de Roma: o "muito antigo" e o "novo antigo" convivendo em harmonia.



Quer ver obras de arte? É nas milhares de igrejas espalhadas por Roma que elas estão. Então, se essa for sua praia, já sabe: quando estiver andando por aí e derrepente esbarrar em uma igreja escusa atrás daquela ruína, permita à sua curiosidade explorar o que tem ali... Foi assim que encontrei a Igreja de São Miguel Arcanjo, meu xará de sobrenome.

> Centro histórico: Coliseu, Palatino e Foro Romano - Que tal entrar direto no Coliseu, sem filas? Vá ao Foro Romano e compre ingresso para essas 3 atrações (12€, válido por 2 dias - porque é loucura explorar tudo numa tacada só).


Além da estrutura principal, tive a boa sorte de conferir o subterrâneo do Coliseu, onde os gladiadores se abrigavam e leões, elefantes e panteras eram mantidos em celas para os combates. Lá também dá pra ver os avançados esquemas dos elevadores que garantiam as entradas triunfais dos guerreiros na arena. Pela primeira vez aberto ao público, a visita ao subterrâneo do Coliseu não é livre - tem que reservar horário para ser encaixado em um dos pequenos grupos de visitação. É que, como eles mesmos alertam, "é uma experiência nova; ninguém sabe o que o movimento humano pode provocar nessas ruínas... uma vez lá embaixo, não se sabe se você vai conseguir voltar".

No dia anterior eu já tinha andado sozinha pelo Foro, então, contratei a guia turística e antropóloga Lucilla para me ajudar a entender o Palatino (na foto, Erica com o Circo Massimo + Palatino, ao fundo) e o Coliseu. Recomendo fortemente a presença de um guia no Palatino, porque é difícil entender sozinho o que cada ruína (às vezes um tijolo perdido no nada) representa. Já no Coliseu, não sei se foi uma boa ideia, porque eles mesmos disponibilizam uma pessoa para explicar tudo, em inglês, aos visitantes. O que minha guia falava era diferente do que o guia oficial dizia. Aí, eu me perdia nas explicações e terminava sem entender um pedaço do Coliseu. E, talvez por isso, o Coliseu não tenha sido tão impressionante assim pra mim...

4 comments:

thais said...

É engraçado como as experiências são diferentes pra cada um. As suas foram o extremo oposto da minha, pelo menos nesse primeiro post. Acho lindo isso.
Sobre o Coliseu, morri de inveja que você conheceu os subterrâneos. Tem fotos de lá?

Amarílis said...

Tenho só duas, mas não mostram muita coisa, só mesmo a perspectiva. Lá é muito escuro... Anyways, quer que te envie por e-mail?

Anonymous said...

achei interessante suas escolhas nas viagens, a descrição. abç, Joaquim

Amarílis said...

Joaquim: continue acompanhando, a viagem vai ficando cada vez mais interessante =)