Tuesday, January 26, 2010

Buenos Aires, 2º dia: aprendo a andar

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A lista

Apesar do Lonely Planet na mochila, antes mesmo de sair do Brasil tomei duas decisões:

1. Não fazer uma programação antecipada e engessada dos meus dias. Me comprometi a visitar/fazer o que desse, quando desse e se desse. À princípio, entre os meus favoritos, estão:

a) aprender a dançar salsa;
b) assistir a um show de tango;
c) assistir a um show de tango informal nas ruas;
d) fazer uma aula de tango;
e) visitar o cemitério da Recoleta (onde jaz Evita Perón);
f) tomar sorvete da marca Fredda;
g) visitar o Café Tortoni e a Confitería Ideal.

2. Não colocar relógio ou celular para despertar.

E, obedecendo à segunda premissa, acordei sozinha às 9h30 da manhã - um pouco mais tarde do que eu esperava e do que havia combinado com Gris. Ela disse que me acordaria para caminharmos, mas não o fez. Me arrumei e subi para tomar café da manhã.
O desjejum dos porteños faz juz ao nome. A mesa estava posta com pires, xícara, caneca e talheres. Porém, havia somente um pote com biscoitos tipo cream creacker para me servir. Maria me ofereceu algo para beber, mas não entendi o quê, nem ela tendo repetido "rôgurr de vanicha" umas 10 vezes e bem devagar. Então, surpresa por eu ter dito que sequer conhecia aquilo, ela mandou um "No te preocupes, é muy rico, te vas gustar", tirou o pacote da geladeira e encheu minha caneca. Iogurte de baunilha! Já havia bebido iogurte, mas nunca de baunilha.
Gris despertou e fomos caminhar. Saímos de Palermo, em frente ao zoológico, e tomamos a Av. Del Libertador em direção à Recoleta. Palermo é uma gracinha de bairro e a caminhada está repleta de cafés estilo parisiense de um lado; do outro, grandes parques. Notei que não há grades envolvendo a área verde e isolando as pessoas a partir de determinada hora; ninguém controla entrada/saída do local. Todos são livres para ir e vir, a hora que bem entender, quando quiser. Talvez exatamente por isso, não há (muitas) pessoas ocupando essas áreas como se fossem suas casas. Nas duas vezes que fiz esse trajeto, vi um total de apenas 2 pessoas banhando-se de manhã ou perambulando; nenhuma dormindo, morando ou pedindo dinheiro. Inclusive, devo dizer, um era tão jovem e lindo que me perguntei porque ele está nas ruas ao invés de estampar seu belo rostinho em capas de revistas.
Segundo me disse Gris, os bairros Palermo e Recoleta abrigam a classe média e os milionários de Buenos Aires. Os antigos e tradicionais edifícios, principalmente neste último local, são encantadores e era como eu imaginava New York. Chegamos ao meio-dia no cemitério, onde anotei mentalmente dois horários para participar da visita guiada gratuita no dia seguinte de manhã (no meu caso, 9h30 ou 11h; são sempre de graça e somente em espanhol). Em frente, está a praça mais linda em que já estive na vida. Queria ficar lá a tarde toda... Da porta do Recoleta, vi a sorveteria Freddo. Estava uma chuva fininha quando paramos lá para tomar sorvete de doce de leite, flocos e frutas vermelhas (cada bola custa uns $12 ou $15 pesos).
No caminho de volta à casa, Gris me ensinou a andar e me localizar nas ruas.
Como pedir direções
É muito fácil se locomover em Buenos Aires. Diferentemente da colonização portuguesa no Brasil, os espanhóis simplesmente recortaram a cidade toda em quadradinhos, como fatias de bolo. A cidade inteira é assim, do bairro mais abastado ao mais miserável. Não acredita? Olha só no mapa.
Guarde esta: taxistas ou pedestres porteños não se guiam pelos números, mas pela "altura", isto é, entre que esquinas determinado local está. Se você não tem esta informação, vale a pena checar no Google Maps antes de sair do hotel, albergue ou casa, principalmente se o lugar que você procura não é turístico. Eles vão sempre te dizer quantas quadras você precisa andar para chegar ao local; o inconveniente é que demora para chegar ao final de uma quadra e andar 5 delas já cansa bastante.

Se você está a pé e sabe o número de onde quer chegar, é simples: uma vez na rua correta, basta guiar-se pelas placas. Em qualquer bairro, a primeira quadra sempre vai dos edifícios 0 a 100; a segunda, do 101 ao 200 e assim por diante.
Os porteños - os nascidos em Buenos Aires - têm um senso de direção incrível. Porém, a cidade está cheia de imigrantes do Peru, Bolívia, Chile etc, muitos deles recém-chegados e que não compartilham do mesmo dom. Além disso, ao pedir informação a passantes você corre o risco de estar falando com um turista. Vai por mim: prefira pedir informação aos donos de estabelecimentos ou a um dos inúmeros guardas municipais espalhados nos bairros. Estes - diga-se de passagem - são os melhores para te fornecer la dirección.
Aprendo a comprar e a comer
Não havia comida pronta em casa e então saímos, eu e Gris, sem almoço, para encontrar Lilly em seu trabalho: a perfumaria Primo. Presidida por Claudio (marido de Gris e cunhado de Lilly), a Primo é classificada como uma majorita, uma loja que vende a preços baixos artigos de perfumaria e banho para donos de drogarias e afins. Consumidores finais também podem adquirir produtos. Como sou amiga da família, me fizeram tudo a preço de custo. Imagina comprar um pote 450 ml de Pantene por míseros R$ 4,00? Fiz a festa.
Lilly saía do trabalho às 15h naquele dia, mas só deixamos a Primo às 16h30 e eu já estava definhando de fome. Àquela hora, qualquer lugar que servisse almoço estava bom. Mesmo tendo dito dezenas de vezes que estava morrendo de fome, Lilly e Daniel - amigo dela, que decidiu nos acompanhar - ainda me fizeram caminhar por umas 30 quadras, até, afinal, chegarmos à Florida (no bairro Microcentro), para devorar um burrito gigante ($ 30) no California Burrito Co.
Tive que me controlar para não ficar irritada e chateada, porque me pareceu que eles estavam pouco preocupados com a minha fome. Mas compreendi que a culpa era minha: no caminho, paramos em um Kiosco - lojas de conveniência, espalhadas por toda a cidade - e me perguntaram se eu queria levar algo. Além disso, eles queriam me levar para comer em um lugar legal...
Mais um motivo para a minha irritação foi ter percebido, já nesse primeiro dia, que havia calculado errado sobre quanto levar. Vai por mim: programe no mínimo $ 200 pesos por dia e por pessoa para gastar com transporte, refeições, atividades e compras modestas. Eu fiz a besteira de prever apenas $ 100 por dia. Uma vantagem em Buenos Aires: reais, dólares e pesos, tanto faz. Todas as moedas são amplamente aceitas, por qualquer estabelecimento e qualquer pessoa, até ambulantes. Mas recomendo fortemente trocar reais por pesos no Banco de La Nación, no aeroporto.
Deu fome? Está sem grana? Há duas opções. Para os adeptos de besteiras e guloseimas, sugiro parar em um Kiosco e escolher entre um pacote de batatas Lays ou Bono, Oreo, Negresco. São o melhor custo x benefício para quem não faz questão ou não quer perder tempo almoçando. Não adianta procurar supermercados - vi nenhum pela cidade.
Agora, se é prioridade comer bem, vá a um restaurante. Minha dica: pergunte aos comerciantes onde pode almoçar bem pagando pouco. Em geral, uma refeição decente custa cerca de $ 50 pesos. Graças ao dono de um Kiosco, teve um dia que consegui pagar $ 26 em um prato-feito bem servido e delicioso, incluindo bebida e 10%! Infelizmente, não anotei o nome do lugar e dizer que fica na Av. Corrientes esquina com uma rua cujo nome também não lembro é brincadeira com vocês.
Não perca tempo: em encontrar um self-service. Enquanto aqui é praticamente uma tradição moderna, os habitantes de Buenos Aires não sabem o que é e não existem self-services na cidade. Os restaurantes são todos à la carte ou esquema de buffet e, infelizmente, também não tenho nenhum para indicar.
Puerto Madero
Depois dos burritos, mais caminhada. Dessa vez, fomos em busca da tanguería El Viejo Almacén para reservar lugares para o considerado melhor show de tango da cidade. Meus pés já estavam doendo, em parte porque meus sapatos eram impróprios para tanta andança.
Daniel é um doce, muito cavalheiro e a mulher que casar com ele terá tirado a sorte grande. Não faz meu tipo - infelizmente, porque é muy buena persona -, mas nada na vida pode ser perfeito, né? Como um bom partido do sexo masculino, revela um comportamento típico de homem: odeia pedir direção a quem quer que seja, a menos que realmente não tenha ideia alguma de para onde está indo. Assim, andávamos muito para qualquer mínima coisa que quiséssemos fazer. Lilly adora andar, então, não reclamava. E eu muito menos, até porque não me achava no direito. Acho que só não andamos em círculos porque eu levava meu guia da Lonely Planet para onde quer que eu fosse.
Graças ao Dani e sua incrível lábia, conseguimos lugares para uma cena show no dia seguinte.
Andamos mais algumas quadras e chegamos a Puerto Madero. Lembram dos mosquitos ninjas? Pois é, aquela é a área principal deles. Vai por mim: leve repelente e aplique a cada cinco segundos. Sentamos para comer uma pizza ($ 40 pesos, no restaurante ao lado do Asia de Cuba) e quem saiu toda mordida fui euzinha.
Puerto Madero era uma zona portuária que foi reformada para receber turistas. Compreende nada mais, nada menos que dois largos e longos passeios às margens do rio de La Plata. De ponta à outra, encontramos bares turísticos e badalados, disputando espaço com os tais mosquitos assassinos e invisíveis. Para passar de um lado a outro, deve-se atravessar a belíssima Ponte de las Mujeres. Não consegui descobrir porque tem esse nome.
Difícil dizer se gostei mais daqui ou de Palermo. Só sei que senti uma sensação de pertencimento quando cheguei a Puerto Madero; ali, cheguei a desejar ser moradora da cidade. Toda a sensação irritante que me dominara momentos antes e o cansaço esvaneceram. Pude relaxar e me sentir em casa.
Atrações em Puerto Madero: ver o por do sol - que só acontece às 21h nessa época do ano; ver a lua cheia redondinha e brilhante lá no céu (sim, eu consegui!); visitar museus-escunas (existem dois, fecham às 19h, por $ 2 pesos cada).
Tudo foi incrível, mas as experiências mais fantásticas do dia foram andar em um microtrem super moderno (fica em frente ao bairro e não leva à muito longe, mas vale a pena porque a paisagem é bonita e o transporte é de primeira qualidade) e andar de ônibus na volta pra casa. Esta última foi a que mais me impressionou. Contarei mais sobre isso em um próximo post.
Ligando fácil, fácil para o Brasil

De volta à Palermo, às 23h, recebi o recado de que minha mãe havia ligado, preocupada por eu não dar notícias... Acessei a internet e descobri que existe um serviço chamado Brasil Direto, da Embratel. Funciona assim: a partir de qualquer telefone fixo, você disca para o 0800 indicado na lista e cai direto na gravação automática, que pede pra você digitar o código da cidade e o número do telefone. Simples assim! Nada de códigos de país ou de digitar 15 algarismos para falar com uma pessoa.
Em segundos, estava tranquilizando minha mãe, que estava a ponto de ligar para meu pai achando que eu tinha sido sequestrada... Ai ai... =P
Morais do dia
(1) Quando se viaja, principalmente para ficar hospedado na casa de outras pessoas, tem que ter a cabeça bem aberta, para adaptar-se à cultura não só do país, mas também à da família. Isso se aplica principalmente aos hábitos alimentares. Ou você se adapta aos costumes, ou fará da convivência um inferno.
(2) Ligue pra sua família assim que pisar no aeroporto. Ainda que você morra no meio da viagem ou seja um desnaturado e só ligue novamente dali a 30 dias, eles ficaram tranquilos ao saber que você "chegou bem".
* Pequeno dicionário para sobrevivência (II) *
  • arreglarse = arrumar-se, aprontar-se para sair
  • colectivo = ônibus
  • dale = ok, tudo bem, claro, entendi. Uma das minhas palavras favoritas, não há uma tradução específica. Usa-se quando se quer assentir ou concordar com alguma coisa que o interlocutor disse ou confirmar uma ação requisitada pelo interlocutor. Pelo uso, deduzi que poderia significar qualquer uma das opções anteriores.
  • desayuno = café da manhã
  • frutillas = frutas vermelhas
  • granizado = flocos
  • helado = sorvete
  • poso passar ao toillete? = posso usar o banheiro do seu estabelecimento?
  • precioso(a) = muito lindo(a). Para elogiar cabelos, roupas e acessórios.
  • rico, muy rico, riquíssimo = Para elogiar e recomendar comidas, em geral, preparadas por alguém.
  • subte = metrô
  • vanilla = (pronuncia-se "vanicha") baunilha
  • vos = você
  • yoghurt = iogurte

Monday, January 18, 2010

Buenos Aires: partida, chegada e 1º dia

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O carro da Horto Táxi - que programei antes do Natal para garantir prioridade no atendimento - estava na porta da minha casa no dia 27 de dezembro de 2009 no horário (às 7h da manhã). Por sorte, minha mãe não insistiu em me levar ao aeroporto e se limitou a despedir-se de mim da cama mesmo.

Cheguei no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão/Rio) às 7h35; despachei a mala (a atendente da GOL/VARIG era muito simpática) e fui tomar café da manhã no 2º piso.

Queria comer frutas e escolhi um restaurante (cujo nome não lembro) que exibia uma mesa completamente farta. Coincidentemente, encontrei o Ricardo de Andrade Souza, meu colega de trabalho, que estava tomando um café da manhã digno de hotel 4 estrelas com a namorada, amigos e família enquanto aguardava o embarque para Gramado. Cumprimentei-os e fui me servir.

Quando já havia colocado tudo o que queria no prato (2 pedaços de um micromamão, 1 micro fatia de pão, manteiga e uma salada de frutas), percebi que havia entendido errado sobre o sistema de cobrança: ao invés de pagar somente pelo que eu consumisse (self-service), teria que pagar R$ 25,90 por qualquer coisa que ingerisse (buffet)! Comi as frutas meio revoltada, mas, no final, a boa sorte: a moça do caixa perguntou o que eu havia comido, ficou comovida com a situação e me cobrou "apenas" R$ 12,90. Não que eu estivesse tão pobre assim, mas qualquer economia é válida.

Passei pelos portões de embarque, fui ao toalete e, em seguida, rodar pelo Duty Free Dufry Brasil (Free Shop): o primeiro momento mais esperado da viagem!

Free Shops

Recebi este conselho do Ricardo antes de partir e resolvi segui-lo à risca: se você está saindo do Rio, não compre nada no Free Shop de embarque. Quando você chegar em Buenos Aires, também não compre nada. Gostou de algo? Tem um item em promoção im-per-dí-vel? Reserve. Sim, você pode reservar o que quiser no Duty Free e só pegar/pagar quando retornar ao Brasil. Além disso, se desistir de algum item, basta dizer "ah, não vou mais querer este não".

Mas não compre nada na ida, porque o melhor Free Shop está no embarque de Buenos Aires, pelo qual você vai passar quando estiver retornando ao Brasil. Não me refiro somente ao tamanho da loja; o preço é bem mais em conta. Tu-do neste Free Shop é cerca de dez dólares mais barato que em qualquer outro Free Shop - e isso se estende também aos cosméticos da MAC. Eu fiz a festa lá. Para completar, na volta, ainda tive a boa sorte de passar no Dufry em São Paulo, que é uma megastore.

O do Rio é pequeno e nada me encheu os olhos. Então, catei um balde de chocolate Lindt para a família da Lilly, uma barra de chocolate branco para mim e entrei no avião, que decolou e aterrisou em Buenos Aires pontualmente.

O (re)encontro
Foram apenas 3 horas de viagem. Preenchi o formulário de visto ainda no ar. Em terra, entreguei o documento à polícia porteña. Dica: leve anotado em um papel o endereço completo do local em que você vai se hospedar. A menos que dê muita sorte, sem isso você não entra na Argentina. Sei disso porque, de propósito, não preenchi o número do edifício da irmã da Lilly. A moça insistiu para que eu o escrevesse ou nada feito.

As malas foram liberadas rapidamente. Catei a minha - que estava com a etiqueta de identificação plástica quebrada (céus, o que eles fazem com as malas para quebrarem e amassarem tu-do???) - e me dirigi ao portão de desembarque. Dei de cara com Lilly e Griselda (Gris)! Elas estavam mesmo me esperando!

Comprando pesos

Outra dica do meu amigo Ricardo que resolvi seguir e me foi muito útil: comprar pesos somente no Banco de La Nación Argentina, que se localiza dentro do aeroporto mesmo, à direita do portão de desembarque (bem ao lado de uma banca de jornal). É a melhor cotação.

Hoje, em ofertas justas, com 1 real você compra no mínimo 2 pesos. As casas de câmbio que ficam na mesma área das esteiras de bagagem queriam trocar R$ 1 por $1,64 (pesos). No Banco de La Nación Argentina eu consegui $2,07 (pesos) por R$ 1. Saí de lá com $617. Como nem tudo são flores, tive que ficar na fila do banco por uns 30-40 minutos. Havia somente um caixa atendendo e até agora não sei se é costume ou se foi porque cheguei às 13h, horário de almoço...

Assado

Eu não falo espanhol, elas não falam inglês nem português e isso às vezes é um problema. Já estávamos no carro da Gris há 15 minutos e eu ainda não havia conseguido descobrir aonde íamos. Finalmente entendi que estávamos indo passar o domingo no "country" ("cântrri", segundo elas), um condomínio gigante, cheio de casas com piscina enormes, que fica há 40 minutos do centro da cidade.

As boas vindas à cultura porteña não poderia ter sido mais tradicional: o almoço foi um típico assado. Se as carnes não fossem tão diferentes, poderíamos traduzir como churrasco. Mas está longe de comparação, porque, no assado, não existe vinagrete, farofa, picanha, asinha de frango, coração... Arroz? Raridade. Ovos cozidos, batatas, alface e tomate acompanham as carnes. A minha predileta foi o chorizo (parece uma linguiça), que é bem diferente de bife de chorizo (similar a uma picanha muito macia). Vá preparado, brasileiro: não existe feijão na Argentina.

Aproveitamos o dia no country, na companhia de cerca de 5 famílias amigas do marido de Gris. Fui recebida por todos com um carinho enorme. Os porteños adoram a gente: todos que conheci tiveram a incrível habilidade de me deixar muito à vontade. Depois do almoço, andamos de bicicleta; assumi o comando de um quadriciclo (os porteños não sabem manejar e a Lilly quase matou a gente na primeira tentativa) em busca de chicos lindos; fizemos jogging.

Um dos pontos altos do dia foi a peruana Maria. Formada em Contabilidade, deixou o filho pequeno em sua cidade natal e mudou-se para Buenos Aires com o marido há 15 dias para ganhar a vida - à princípio - como doméstica. Conversando com ela, tive a sensação de que luta-se muito para vencer na vida nos demais países da América Latina. Sempre fui grata à vida que tenho e que me empenho para manter. Mas, ouvindo a história dela, senti a gratidão pulsar ainda mais ardente em meu peito. Desejei profundamente sucesso e boa sorte para Maria, que se esforça dia após dia para que seu filho tenha um terreno mais fértil para florescer.

Logo nesse primeiro dia, "estar no country" foi a primeira experiência das muitas outras porvir que instituiram como "vantagem" estar em Buenos Aires na condição de "visitante/hóspede de uma amiga". Porque, se eu fosse uma turista convencional, nunca teria ouvido falar e muito menos entrado no country, já que é uma área liberada somente aos moradores.

Fuso horário e por do sol

Estávamos sempre uma hora adiantados, devido ao horário de verão no Brasil. Como em Buenos Aires os dias são longos - a noite cai somente lá pelas 21h20 -, fomos embora do country às 23h.

Quando paramos para deixar Lilly na casa da mãe dela (que fica há uns 30 minutos do centro), descobri que ia ficar hospedada na casa de Gris sem a Lilly. Também neste momento, descobri que Lilly não estava de férias: ela ia trabalhar todos os dias! Fiquei chocada pela falta destas informações. Ninguém havia me dito nada...

Chegamos em Palermo uma hora depois. Gris me mostrou meu quarto (na verdade, o quarto de Nico, seu enteado de 18 anos, que mora com a mãe em algum lugar de Buenos Aires). Tomei um banho e, quando deitei na cama, me dei conta de que ainda não havia ligado para minha mãe, informando que havia chegado bem... Já eram 2h da manhã no Brasil... Ok. Sem estresse. Eu podia fazer isso no dia seguinte, certo?

*Pequeno dicionário para sobrevivência (I)*
  1. assado = churrasco
  2. lechuga = alface
  3. papas = batatas
  4. frijoles = feijões
  5. manejar = dirigir
  6. chico/a = garoto/a
  7. porteño/a = aquele/a que nasceu em Buenos Aires

Friday, January 15, 2010

Buenos Aires: 1 dia antes

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A passagem de ida GOL/VARIG para Buenos Aires anunciava minha partida para o dia 27 de dezembro de 2009, um domingo. Eu deixaria o Rio (Galeão) às 10h30 e chegaria na famosa "Paris da América Latina" às 13h. Tentei pegar o voo mais "humanamente" cedo possível (não rola encarar um às 6h da manhã e afins) porque queria aproveitar o dia, mas não me agradava que a Lilly madrugasse para ir me pegar no aeroporto. Por sorte, consegui um voo direto.

Um dia antes da viagem, eu estava em Juiz de Fora (MG) aproveitando as festas de Natal e curtindo a família. Sinceramente, minhas únicas preocupações eram ter táxi para me levar ao aeroporto - porque o Rio de Janeiro deve ficar infernal no Ano Novo -, não ter dinheiro suficiente para compras no Free Shop e levar a mala cheia demais.

Como sou muito distraída, antes mesmo de ir para Minas Gerais já deixei na minha escrivaninha uma sacola de papel da Sensória contendo os itens mais importantes para a jornada: passaporte; uma bolsinha preta contendo R$ 300 + U$D 720 (dólares americanos); um guia turístico da Lonely Planet que me custou apenas R$ 11,97 numa promoção da Livraria da Travessa; e presentes para a Lilly, a irmã e a mãe. Não queria mesmo correr o risco de esquecer documentos e dinheiro, então, colei no monitor do meu PC um post-it amarelo brilhante com a indicação "<---- PASSAPORTE". Logicamente, a seta indicava a sacola de papel. Parecia até que eu ia mudar de país forever: minha mãe insistiu veementemente em me trazer de volta ao Rio de Janeiro no sábado à noite. Morri em R$ 47,50, preço da passagem de ônibus Juiz de Fora-Rio que não trocamos porque ela ficou com preguiça de passar na rodoviária daquela cidade. Cheguei em casa às 19h. Deixamos o carro na garagem e fomos - eu, ela e minha irmã - direto lanchar no Bibi Sucos; ao retornarmos, eu já estava desesperada para falar com Lilly pela internet e confirmar se ela ia mesmo me pegar, já que havia enviado um e-mail antes do Natal e nada da resposta... Fiquei tranquila quando a vi online no MSN.

Optei por não habilitar meu Nextel para o exterior. Então, também enviei um e-mail para minha mãe com as instruções para ligar via Skype para a casa da Lilly e da irmã dela, se necessário. Isso me tomou um tempo considerável, porque não é fácil fazer chamadas telefônicas internacionais pra Argentina e parece que a coisa complica se você reside/está em Buenos Aires. Enfim: para ligar pelo Skype* para um telefone fixo em Buenos Aires, disque +54 11 e o nº do telefone fixo. Já para chamar um celular, digite +54 9 11 e o nº do celular. Agora, se você ou sua família for ligar pelo telefone convencional, pesquise. Parece que as instruções são outras.

Por fim, guardei junto ao dinheiro um papel amarelo com o endereço da casa da irmã da Lilly, os telefones de contato em Buenos Aires, o localizador dos voos e o endereço de um albergue, só para caso acontecesse algum imprevisto. Quando fui arrumar a mala, já era bem umas 23h.

Escolhi levar uma mala de rodinhas tamanho grande ao invés de mochilão, mesmo viajando sozinha. Como mala de mão, preparei uma mochila simples, contendo o básico.

Calculei que faria calor insuportável de dia (32ºC) e um calorzinho à noite (28ºC). Recheei a mala com:

- 8 calcinhas, 2 sutiãs, 1 meia (tive que comprar + 4 meias lá);
- 2 shorts curtinhos, 1 bermuda;
- 1 calça jeans e 1 preta de chamois;
- 1 único casaco tipo sweater, fininho, cinza;
- Uns 10 vestidos, inclusive um de gala, para caso fosse necessário (e não foi);
- Umas 8 blusinhas, para caminhadas e passeios debaixo de sol;
- 1 tênis, 1 sapa-tênis; 2 sapatos de salto, 1 havaianas;
- 1 carregador para celular tipo Motorola;
- 1 toalha grande (achei educado levar, mesmo ficando em casa de família);
- Necèssaire completa (corretivo, rímel, soro + solução para lentes de contato, gloss etc).

Peso total: 15kg.
Peso máximo permitido pela companhia aérea: 23kg.

Ufa.

O que eu deveria ter incluído na mala: 1 repelente. Ninguém me avisou sobre os supermosquitos de Buenos Aires: você não os ouve zumbir; você não os sente picar; você não os vê e eles ainda conseguem fazer todas essas peripécias em ambientes refrigerados (!). Incrível, né? Tudo o que você sente é a coceira no corpo durante o resto do dia. Preciso dizer que fiquei com medo to-tal de pegar dengue?

* ATENÇÃO: Essas instruções são válidas SOMENTE para ligações feitas via Skype.

Thursday, January 14, 2010

Buenos Aires: comprando a passagem

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Enquanto a Thais decidia com o Alê se iam parar nos EUA ou na Itália no Natal/Ano Novo, eu estava sofrendo para tirar uma passagem aérea para qualquer lugar do mundo.

Minha mãe me deu carta branca para retirar um bilhete com as milhas Smiles dela. Como havia começado no novo emprego há apenas 9 dias e, portanto, não sabia se poderia emendar Natal + Ano Novo, decidi ir para um lugar bem pertinho do Brasil e que não precisasse de visto (até porque, não ia mesmo dar tempo para tirar um para qualquer lugar que eu quisesse ir).

Escolhi Buenos Aires porque, além das razões citadas acima e de a distância ser mínima (são só 3 horas de voo), tenho uma amiga portenha lá. A grana curta e a facilidade de ficar em casa de família pesaram.

Buenos Aires não tem "alta temporada". Portanto, longe de datas festivas, uma passagem classe econômica pra lá custa em média R$ 600 ida e volta, já considerando as taxas de embarque. Mas, no Natal/Ano Novo, esse preço praticamente dobra: cerca de R$ 1.300 ida e volta.

Para quem não tem dinheiro mesmo, retirar um ticket aéreo para o Brasil ou América Latina utilizando milhas Smiles compensa. Atualmente, para esses locais, você vai encontrar pelo menos 4 "preços" diferentes. Viajando pela econômica, o bilhete aéreo ida + volta mais barato que você pode conseguir sai por 12.000 milhas; já o mais caro sai por 40.000 milhas.

Há duas formas de resgatar um bilhete aéreo pelo Smiles: pela internet ou por telefone. Nas duas, é importante lembrar que a taxa de embarque não é contabilizada nas milhas e, portanto, você vai pagá-la via cartão de crédito assim que autorizar a emissão do bilhete. É bom reservar pelo menos uns R$ 200 para isso. E mais: se você é daqueles que odeia o mundo cibernético para bancos, compras e afins, lembre-se de que, optando por adquirir a passagem pelo telefone, você ainda vai pagar uns R$ 35 (se não me engano) de taxa de alguma coisa que até hoje não sei o que é.

Na minha opinião, há somente 2 casos em que vale a pena retirar a passagem para Brasil ou América Latina por 40.000 milhas ida + volta: se você quer muito viajar e não tem dinheiro mesmo e/ou se elas estão prestes a expirar. Para mim, o importante era passar o Ano Novo com o pezinho lá fora, seja lá onde fosse, pelo preço que fosse.

Uma alternativa interessante a qual eu espero nunca precisar recorrer são os ônibus rodoviários. Se você mora no Rio de Janeiro, em São Paulo, Florianópolis, Curitiba ou Porto Alegre, pode ir até Buenos Aires e Santiago do Chile tomando um ônibus da Pluma Internacional ou da Crucero del Norte. É uma alternativa infinitamente mais barata e os carros parecem ser confortáveis. Servem até almoço e jantar! Mas há que considerar que são cerca de 24 horas de viagem ou mais. Não sei preços nem horários de embarque. Coloquei o link, só para constar, mas não perca tempo fuçando os sites das duas companhias: são horríveis para essas informações. Melhor ligar e perguntar.

Como uma boa turista sem grana, com milhas quase vencendo e desesperada para fazer a primeira viagem internacional, no dia 15 de novembro de 2009 retirei pela internet mesmo Rio(Galeão) - Buenos Aires - São Paulo (Guarulhos) - Rio (Galeão). Custo total da passagem: 40.000 milhas + R$ 156,34 de taxa de embarque. Absurdo, mas minha mãe disse que podia, certo? ;)

Sou marinheira de primeira viagem nisso tudo. Assim, por via das dúvidas, copiei e colei as informações do voo num arquivo do Word e salvei no computador; também enviei por e-mail para mim mesma. Uns 5 minutos depois, chegou no meu Gmail uma mensagem do Smiles confirmando a retirada de bilhete. Então, mandei um e-mail com as informações do meu voo para a Lilly, minha amiga portenha, que garantiu que me buscaria no aeroporto na data marcada.

Meu coração ficou leve. Nem acreditei que, dali a um mês e 12 dias, começaria um novo ano... com os dois pés no exterior.

Nova colaboradora

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A partir de agora temos uma nova colaboradora no site, a Amarílis Ventura, vulgo minha prima. Ela também é cheia de histórias pra contar, e estava com o blog "Pé-na-Europa". Mas resolvemos juntar tudo num só. Vamos tentar trazer os posts antigos dela pra cá com as datas originais, mas se não conseguirmos, ela deve ir passando aos poucos pra cá. Aos poucos vamos atualizando as tags para facilitar a navegação. Por enquanto peço desculpas pela bagunça, mas daqui a pouco colocamos tudo em ordem.

Amaríllis, seja bem-vinda!

Em resumo...

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Em nossa viagem de 10 dias pela Itália, passamos por Milão, Turim, Roma, Florença e Siena.

Milão foram duas passagens rápidas, no dia que chegamos e quando fomos embora do país. Deu pra conhecer muito pouco, mas pudemos perceber que é uma cidade grande, com poucos atrativos turísticos, que parece ser mais interessante pra quem vive lá. Achei errada a comparação que fazem com São Paulo. Não existe nada que lembre São Paulo, exceto pelo fato de ser uma cidade grande. Ela está mais pra Buenos Aires, principalmente pela arquitetura. Apesar de muitos dizerem que Milão não vale a pena, eu achei que valeu a visita. Mas se você pretende visitar a cidade, reserve no máximo um dia para isso. Realmente não há muito o que ver por lá, a menos que você queira explorá-la a fundo, fora dos lugares turísticos. 


Em seguida veio Turim, que muitos disseram que era um lugar feio e que também não valeria a visita. Eu não só não me arrependo de ter ido pra lá como foi um dos lugares que mais gostei. Turim realmente não é o lugar mais bonito da Itália, mas ela está longe de ser feia. Mesmo o lugar mais decadente por onde passamos, que foi a Repubblica, era bem melhor que os lugares mais decadentes de São Paulo. Em Turim existem inúmeras coisas pra fazer, basicamente museus, e de todos os tipos. Se você pretende ficar pouco tempo lá, veja quais são as prioridades e foque nelas. Senão você fica doido. A boa notícia é que é tudo muito perto uma coisa da outra, e fácil de se locomover a pé. Mesmo se você estiver hospedado em um local mais distante, como era o nosso caso, a locomoção por trams (bondes) é bem fácil. 


Na sequência fomos para Roma. Achei a menos italiana das cidades, pois foi a mais turística de todas. Eu classifiquei Roma como uma cidade de Lego com algumas peças fora do lugar. Você está andando pela cidade e de repente "Pumba!" Dá de cara numas ruínas. Aí continua o passeio e "Pá!" Bate de frente no Coliseu. É muito esquisito uma cidade de ontem e uma de hoje misturadas em uma só e convivendo pacificamente. Lá nós vimos as coisas mais interessantes da viagem, que foi o Coliseu e a Capela Sistina, e também vimos coisas muito frustrantes, como o Vaticano (sem contar a Capela Sistina). Achamos as pessoas lá muito ansiosas e mal educadas, o que acabou estragando um pouco o passeio. Mas valeu a pena. Ficamos 3 dias inteiros lá, e foi o suficiente pra vermos tudo o que queríamos ver. Se você pretende ver TODAS as atrações de Roma, separe mais dias. Mas pras principais, 3 está de bom tamanho. 


Nossa última parada seria Florença. Porém, Florença foi um fiasco total, e acabamos indo pra Siena pra compensar a perda. Florença foi a maior frustração da viagem, incluindo o fato de que foi onde passamos o reveillon. Falam muito de Milão, que tem aquelas lojas caras, mas Florença é igual ou até pior. É pior pelo fato de ser uma cidade muito menor que Milão, e portanto a concentração de lojas caras por m2 fica muito maior. Nós nos sentimos até mal e tivemos dificuldade de achar um lugar mais barato pra comer. A energia da cidade estava péssima e nós não conseguimos fazer nenhum outro programa além de ir pra Accademia ver o Davi (que, aliás, valeu a viagem). Além de tudo, o tempo estava chuvoso o tempo inteiro, pra melhorar ainda mais o nosso humor. Por isso que no último dia programado pra ficarmos em Florença, decidimos passá-lo em Siena. 


Siena é outra cidade bem típica italiana. Estava tudo fechado pois era primeiro dia do ano, mas deu pra sacar que a cidade era bem gostosa. Totalmente diferente das outras até na topografia, já que ali era mais montanhoso que nos outros lugares. Com bem menos turistas pra ficar aglomerando nos lugares, pudemos passear com calma, e sentimos um clima bem mais agradável que de florença. Valeu a pena. 


Uma dica importante que eu dou pra quem vai pra Itália: se você quer aproveitar ao máximo o seu passeio, estude antes de ir. Não existe nada mais frustrante do que estar num ambiente rodeado de história sem saber direito o que as coisas significam. Eu ainda tinha alguma noção, e consegui aproveitar algumas coisas. Mas na capela sistina, por exemplo, onde as referências são tantas, me senti uma total ignorante. Não que isso tenha tirado a beleza da visita, mas não deixa de atrapalhar no entendimento. 


No geral, o que eu pude analisar da Itália nesses 10 dias que passamos lá é que é um país com costumes muito parecidos com os nossos, principalmente em termos de educação. Isso provavelmente é fruto da imigração italiana que o Brasil teve no passado, então o mais certo seria dizer que nós somos parecidos com eles. O trânsito lá é maluco, não se tem costume de parar em faixa de pedestres, exceto quanto o farol está fechado. Falo do farol porque mesmo quando o farol de pedestres está verde, os carros continuam passando. Mas nesse caso eles respeitam a faixa, embora de vez em quando você ouça uma ou outra buzina atrás do carro parado. Um costume irritante que eles tem é de furar fila. Parece normal, porque ninguém reclama e ninguém acha ruim. 
É muito comum encontrar pessoas que falam inglês, então não tivemos dificuldade de nos comunicar. No entanto, quem não fala inglês não tem lá muita paciência com quem não fala italiano. Vi muitos casos desses. 
Tudo lá é muito bagunçado, é difícil de achar as informações e quando elas existem, normalmente são confusas. Vi muita gente lá que tem uma certa dificuldade de respeitar o espaço do outro, e fica aglomerando um em cima do outro. Eu estou dizendo isso apenas como um parenteses. Foram apenas algumas constatações que eu fiz ao longo da viagem e que eu achei que valia a pena contar como curiosidade. Não achei a viagem ruim por nenhum desses motivos. 


Acho que uma viagem dessas é legal pra gente aprender a valorizar o nosso país. Os brasileiros têm um costume péssimo de dizer que o Brasil é uma porcaria, que é um país atrasado, que na Europa é que é bom e é lá que a gente tem que morar. Eu discordo. Brasil tem, sim, os seus defeitos. Mas o Brasil é um país que ainda engatinha perto da idade que os países eurpeus têm. No entanto, pelo menos em São Paulo, as pessoas respeitam as filas, nós temos filas preferenciais para gestantes e idosos, assentos preferenciais, e hoje as pessoas se respeitam no trânsito muito mais do que se respeitavam há 15 anos atrás. Nós tivemos grandes avanços nos últimos 15 ou 20 anos. Lá na Itália visitamos monumentos construídos há 2000 anos! Nosso país não tem isso de idade! Como podemos esperar que a gente seja país de primeiro mundo? E ainda assim, vimos na Itália problemas tão de terceiro mundo quanto o nosso. Muitos pobres nas ruas mendigando dinheiro, trens muito velhos, pixações em monumentos... e por aí vai. Por que temos que exaltar que a Europa é melhor que o Brasil, quando temos um país tão maravilhoso, tão rico de cultura, tão cheio de alegria bem aqui, na nossa frente? 

Itália - Milão - Dia 10

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Nosso último dia de viagem. Que triste.
Saímos de Firenze ainda de manhã rumo a Milão, de onde iria sair o voo de volta para São Paulo. Porém, o voo era só à noite, isso nos deixava com a tarde livre para dar uma rápida passeada pela cidade. Optamos por ver o topo da Duomo, que é a coisa mais famosa de Milão (e capa do nosso guia). Deixamos nossas malas no guarda-volumes da estação (por 5 euros você pode deixar até 5 horas, e depois paga mais uma quantia por hora) e saímos pro centro.

Chegamos em Milão por volta do meio dia, sob um sol maravilhoso, um p... céu azul, e um frio de rachar! Estava ventando muito, o que fazia a sensação térmica despencar. Estava com toda cara de que a previsão de que nevaria no dia seguinte iria se concretizar. Não sei se foi sorte nossa ter pego um dia lindo daqueles ou azar por não ter visto nem um pouquinho de neve caindo. De qualquer forma, deu pra aproveitar o dia.

A Duomo de Milão
Resolvemos que primeiro iríamos até a Duomo antes de almoçar. Assim poderíamos passear e depois almoçar com calma - ou não - dependendo do tempo que tivéssemos disponível. Pegamos uma pequena fila (Fila! Que novidade!) até chegar num carinha muito estressado que vendia os tickets para subir. A saída da bilheteria já era o começo da escadaria. Não tinha nem como desistir. Não me lembro exatamente quantos degraus eram, mas acho que eram uns 300, numa escadinha bem apertada e que era a mesma para subir e para descer. Então o grau de dificuldade era multiplicado por 2 quando você cruzava alguém descendo.

Lá em cima você descobre que o esforço compensa. A vista não é das mais bonitas, mesmo porque você nem está tão alto assim. Mas a construção é de tirar o fôlego. Nem pela beleza, mas pela riqueza de detalhes. Em cada torre (e havia muitas) tinha várias estatuazinhas. No guia diz que a catedral demorou cento e não sei quantos anos pra ficar pronta. Pudera. Ela tem muito detalhe.

Ficamos um tempinho pasmando lá em cima, tentando nos convencer de que não estava tão frio quanto parecia, e que o fato da gente não estar conseguindo sorrir direito nada tinha a ver com os nossos rostos congelando. Quando nos convencemos de que o frio já havia ultrapassado a beleza do momento, decidimos voltar. Mortos de fome, e com o horário quase apertado para irmos para o aeroporto - que fica bem longe da cidade -, decidimos comer num Burguer King que tem ao lado da Duomo, na própria praça. Mas ao entrar na lanchonete, nos deparamos com o improvável. O Burguer King lá é muito mais cheio do que o McDonald´s! Aquela lanchonete em questão era maior do que qualquer outra que eu já vi. Nem contei quantos caixas eram, mesmo porque eu nem conseguia enxergá-los, de tanta gente amontoada que tinha. Fizemos os cálculos de quanto tempo a gente perderia naquela "fila", e decidimos que o melhor era procurar um lugar mais tranquilo. Eu me lembrava de ter visto um McDonald´s na estação ferroviária, e como teríamos que voltar pra lá de qualquer forma, arriscamos ver se aquele Mc estava mais vazio que o Burguer King.
Nós já estávamos quase atrasados, e acabamos nos perdendo no metrô! Foi tão idiota! A gente precisava pegar a linha 3 e só conseguia chegar na linha 1. Mas que diacho! Ficávamos dando volta em círculos, caindo sempre no mesmo lugar. Detalhe que não era a primeira vez que estávamos fazendo aquele percurso. Perdemos um bom tempo tentando nos achar no metrô. Mas tudo foi compensado quando saímos pelas escadas e demos de cara com um McDonald´s quase vazio na frente da estação ferroviária! Parecia um oásis.
No ônibus, indo pro aeroporto. O pôr-do-sol estava de tirar o fôlego.

Comemos nosso lanche correndo, pegamos nossas malas, compramos os tickets do Malpensa Shuttle e fomos ao aeroporto. Mais ou menos 1 hora de viagem até chegar lá. O aeroporto, por sua vez, é uma bagunça. Quase pegamos fila errada logo de cara. Aliás, pegamos fila errada. Vimos uma fila enorme achando que era de check-in, e descobrimos que já era pro embarque. Só descobrimos porque vi as pessoas com cartão de embarque na mão.
Aí toca procurar nosso balcão de check-in, e depois procurar o local de embarque. Nossa! Que confusão! A sorte é que a gente estava com o tempo contado, mas deu tempo de fazer tudo com relativa calma. Chegamos no portão de embarque no tempo certinho da abertura.

A viagem de volta passa por cima dos Alpes. Eu não consegui ver direito porque estava à noite, mas tive a sorte de ter lua cheia. A vista à noite já é maravilhosa. Eu imagino como ela é durante o dia. Uma pena que não deu pra ver direito. Se você fizer esse voo de dia, não deixe de olhar pela janela. Garanto que não vai se arrepender.

Tuesday, January 12, 2010

Itália - Siena - Dia 09

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Nosso penúltimo dia de viagem (e último dia inteiro) foi o mais divertido. Cansados da energia negativa de Florença, resolvemos levantar cedo e pegar o trem até Siena. Essa é uma cidade que estava no nosso roteiro original, mas que tínhamos deixado de lado quando decidimos ir pra Turim. Como ela fica perto de Florença (cerca de 1h30min de viagem no trem lento - não existem trens rápidos que fazem essa viagem), achamos que valia a pena. O valor do ticket até Siena é de 6,20 euros.

A corrida contra o tempo
Saímos do hotel num horário que desse tempo de comprar os passes e pegar o trem com um certo conforto. Mas demoramos até conseguir entender qual era a diferença entre as duas máquinas que vendiam os tickets (até agora eu acho que era a mesma coisa) e acabamos perdendo muito tempo. Quando conseguimos, faltavam uns 3 minutos pro trem sair. Mas não tínhamos o número da plataforma. Procuramos no painel que estava logo na nossa frente, mas também não encontramos. Resumindo a história, fomos descobrir a plataforma cerca de um minuto antes do trem partir, e pior, era a plataforma mais distante de onde nós estávamos. Saímos correndo igual dois loucos na estação (acrescente o frio ao meu super preparo físico e você tem o tamanho do prejuízo) até ver que o trem ainda estava lá. O Ale foi na frente gritando pro fiscal esperar a gente. Ele dizia "mais rápido, mais rápido". Eu corri o mais rápido que eu consegui, mas já estava imaginando o Ale entrando no trem e eu ficando pra trás. Assim que entramos, o trem fechou as portas e seguiu viagem. Loucura total!

Chegando na cidade
Felizmente conseguimos um lugar pra sentar juntos no trem. No caminho, vimos o sol e começamos a nos animar. Afinal, em Florença só chovia e nós estávamos loucos pra ver um pouco de tempo bom. Mas nossa alegria acabou assim que desembarcamos em Siena. A chuva lá estava pior que em Florença. Não bastasse isso, a estação fica a 2Km da cidade, e nós não tínhamos a menor noção do que fazer por lá.
Arrumamos um dos poucos cantos iluminados da minúscula estação de trem e abrimos o guia. Descobrimos qual ônibus deveríamos pegar pra chegar até o centro. Descobrimos qual era o ponto onde passava aquele ônibus e qual horário ele passaria. Quando o ônibus chegou (cerca de meia hora depois que estávamos na ferroviária), conversamos em um italiano macarrônico com o motorista e descobrimos que estávamos em direção errada. Deveríamos ir até o outro lado da rua e pegar o ônibus que volta. Estaria tudo bem, exceto por um detalhe: onde era o ponto do outro lado da rua? Andamos, andamos, andamos e não conseguimos descobrir (tudo debaixo de chuva, obviamente). Voltamos ao ponto zero e tomamos um táxi.

O taxista nos deixou em uma pracinha em frente a uma igreja. De lá partimos para a exploração a pé. Fomos até a Duomo (que é igual à Duomo de Florença, em escala menor), até a Piazza del Campo (da foto ao lado, que é diferente de tudo o que a gente já viu), descobrimos um museu da tortura, que o Ale até se interessou mas no final resolveu não entrar. Passamos o dia basicamente andando pela cidade, sem grandes pretensões. Estava chovendo, nós estávamos relativamente enxarcados (embora meu casaco tenha segurado bem a bronca), mas foi muito divertido.

Depois de estar adorando a cidade, fomos ler no guia que Siena e Florença tem um histórico de rivalidade na sua construção, uma sendo gótica e a outra renascentista respectivamente. Diz lá no guia que quem gosta de uma, não gosta da outra. E foi exatamente isso que aconteceu. Siena é bem mais italiana que Florença, passa um ar mais europeu e menos turístico. Até a geografia dela é mais interessante, por ser mais montanhosa e oferecer paisagens mais belas. Definitivamente foi um passeio que valeu a pena.

Voltamos pra casa molhados e felizes. Aliás, compramos passagem de ida e de volta, mas não houve nenhum fiscal pra ver. Se tivessemos viajado sem passagem, teríamos conseguido. Mas vai arriscar, né?

De volta à Firenze
Quando voltamos à Florença, estávamos implorando por um cachorro quente. De manhã havíamos passado por uma lanchonete e passamos o dia inteiro pensando no hot dog que estava escrito na porta. Mas ao voltar, descobrimos que estava fechado. Esse era um dia que a maioria das lojas estavam fechadas, pois era o primeiro dia do ano. Demos sorte de encontrar um Pub ao lado do hotel que estava aberto, chamado Friends. O pub é muito simpático, estava bem cheio; é de uns orientais, provavelmente japoneses. Conseguimos comer uns hamburgueres gostosinhos, o Ale tomou uma(s) Guiness e voltamos alegres e contentes pro hotel para nos preparar pra viagem de volta pra São Paulo no dia seguinte.

Monday, January 11, 2010

Itália - Florença - Dia 08

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Último dia do ano! 31/12/2009.

Accademia
Nosso primeiro (e único) passeio do dia foi ir até a Accademia pra ver o Davi. Pegamos uma filinha pequena, de uns 10 minutos, pagamos 10 euros e entramos na galeria. A galeria é pequena e a única coisa que vale a pena lá (e realmente vale!!) é Michelangelo. Até chegar nele você passa por vários quadros renascentistas que me pareceram todos iguais. A temática era a mesma, as cores eram as mesmas, enfim, variavam praticamente só as posições dos personagens. Sem a menor graça. Aí no meio do caminho você passa por umas fotografias absolutamente-nada-a-ver de um expositor cujo nome eu não me lembro, porque eu nem parei pra prestar atenção. Acho que elas estavam em exposição na galeria por tempo limitado, mas totalmente desambientalizadas. Não tinha nada a ver com o resto das peças.
Aí você anda um pouquinho, chega num corredor cheio de esculturas inacabadas e lá no fundo vê o gigante Davi. É aí que a visita começa a valer a pena (desde que você ignore as fotografias no meio do caminho). As tais esculturas inacabadas são todas de Michelangelo. Eu fiquei na dúvida se é mais interessante ver uma estátua pronta ou ela no meio da produção. Com ela inacabada, sua imaginação corre solta. Imagina ele trabalhando aquele bloco enorme de mármore, quais seriam seus próximos movimentos, o que iria ser daquilo. Mas depois quando você chega no final do corredor e vê o Davi de perto, esquece da vida e acha que só existe ele. Ele é, sim, perfeito. Cada veia, cada músculo, cada tendão. A expressão no rosto dele, o olhar, é incrível. Mais uma daquelas coisas que você tem que ver de perto pra crer.

Depois de ver Davi, passamos por algumas outras esculturas de uns artistas xis. Todas parecem rabiscos perto do que a gente tinha acabado de ver! E mais quadros renascentistas iguais. Saímos de lá meio desmotivados pra ir em outras galerias e museus, onde provavelmente veríamos mais do mesmo. Resolvemos ir até a basílica, mas a fila pro Domo estava enorme, e como a gente já tinha subido em umas 3, desanimamos de novo de ir em mais uma pra ver mais paisagem.

A energia daquela cidade realmente não estava fazendo bem pra gente. Passamos num lugar qualquer pra comer e voltamos pro hotel debaixo da chuva mais forte que pegamos. Descansamos até a hora do reveillon.

O Reveillon
Saímos do hotel 15 minutos antes da meia noite, porque estava chovendo. Fomos até uma das praças onde tinha um pessoal (e seus guarda-chuvas) reunido e ficamos lá esperando uma contagem regressiva. Mas ela não existe. De repente alguns fogos começaram a estourar, a gente se deu feliz ano novo, todo mundo ou foi embora ou ficou extremamente bêbado em questão de segundos e a cidade começou a ficar meio bizarra. Fogos começaram a ser soltos naquelas ruazinhas estreitas, soltando estrondos que pareciam que iam derrubar prédios. No meio da rua alguns grupinhos mais alegres, outros mais agressivos. Nativos brigando com imigrantes africanos. A gente começou a ficar com medo. Resolvemos comer um waffle num café que a gente tinha visto à tarde e voltar pro hotel. Mas na volta nós nos perdemos, andamos um monte até voltar pro ponto inicial e fazer o caminho certo. Resumindo, o reveillon foi péssimo. Tirando o fato de eu estar com o Ale, todo o resto foi totalmente dispensável. Foi ali que a gente decidiu que definitivamente Florença não estava fazendo bem pra gente. Tínhamos que tomar uma atitude. Assim decidimos que nosso último dia em Florença nós passaríamos, na verdade, em Siena. Não poderíamos ter tomado decisão mais acertada.

Itália - Florença - Dia 07

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Depois de fechar Roma com chave de ouro, voltamos à rodoviária para pegar o trem para Firenze. Fomos de trem rápido novamente, cujas reservas já estavam feitas desde o primero dia de viagem. Uma hora e quarenta minutos até chegar lá.

Chegando na cidade
Nossa primeira impressão de Florença já foi ruim. A estação de trem é toda bagunçada. Até pra achar a saída a gente teve dificuldade. Não conseguíamos achar um transporte que nos levasse até o hotel, e quando fomos pedir informação (no guichê de informações) fomos super mal atendidos. Acabamos pegando um táxi mesmo depois de comprar o bilhete pro ônibus, já que não descobrimos onde ficava o ponto daquele ônibus específico.
Um detalhe é que pela primeira vez desde o começo da viagem nós esquecemos de ver o mapa da cidade pra saber como chegava até o hotel, se era perto ou longe, se dava pra ir a pé. Tivemos que comprar um mapa na estação mesmo, pra ter noção de onde estávamos indo.

O hotel
A cidade é bem pequena, então o hotel ficava relativamente próximo da estação. A corrida ficou em 10 euros. O nome do hotel é Viva Piti Palace, fica na boca da Ponte Vecchio, famosa por suas lojas de ouro. É bem pertinho do centro da cidade. Muito bem localizado. As instalações são bem boas, tem até banheira no banheiro. O único detalhe é que não havia água quente todos os dias. Não que ela ficasse totalmente gelada, mas não chegava a esquentar totalmente. Provavelmente por causa das banheiras, os hospedes deviam gastar muita água, e o hotel não consegue dar conta. Mas nem chegamos a reclamar. Conseguimos tomar banho todos os dias sem grandes problemas.
O café da manhã do hotel era o melhor de todos. Tinha muita variedade, e a vista do local de refeições era incrível.

Na cidade
Deixamos nossas coisas e fomos procurar um lugar pra almoçar. Muitas das ruas lá são só para pedestres, mas as que são permitidas entrar carros, vira uma bagunça. Quase não existe calçada, e você é praticamente obrigado a andar na rua. Então fica aquela disputa carro/lambreta x pedestre, uma coisa de louco.
Encontramos um lugarzinho pra almoçar próximo ao hotel, foi um dos almoços mais caros da viagem. Eles cobram serviço por fora, além da comida ser mais cara que nos outros lugares. Pagamos 43 euros pelo almoço, embora tenha sido um almoço um pouco mais caprichado, com direito a uma entrada e um vinho.

À tarde demos uma descansada e saímos à noite para passear, mas as lojas já estavam todas fechadas. Não que isso faria alguma diferença, porque as lojas lá são pra quem tem dinheiro. Coisas no nível de Prada, Georgio Armani, Ferrari, e por aí vai. Os restaurantes não são muito diferentes. Procuramos um restaurante pra gente da nossa laia, mas não encontramos. Achamos um mais baratinho, mas quando entramos, parecíamos dois extraterrestres. Sabe quando você entra no lugar e todo mundo vira pra te olhar? Foi o que aconteceu. Só porque a gente tava de gorro, mochila, casaco de qualquer jeito, enfim, parecendo dois manés. E aí os riquinhos pareceram meio incomodados com a nossa presença, pelo menos até o momento que eles viram que a gente não ia causar nenhum escândalo e ia ter dinheiro pra pagar a conta. Foi horrível.

Nesse momento eu já estava com uma impressão terrível da cidade. Não só por ser um ambiente onde a gente não se encaixava. Mas a cidade parecia ter uma atmosfera pesada, cheia de energia ruim. Imaginamos que talvez fosse só a fome que estivesse dando a impressão, porque afinal de contas, a cidade era bonitinha e era a casa do Davi. A vida noturna lá é agitadíssima, provavelmente fruto dos vários cursos de arte que tem na cidade. Deve ser lotada de estudantes. Mas tudo isso não me convenceu muito. Fomos deitar meio desgostoso desse primeiro dia de Florença, na esperança de que o dia seguinte fosse melhor, afinal de contas, seria o último dia do ano! Mas não foi bem assim...

* a foto tá ruim, mas é a vista da Ponte Vecchio pro Rio Arno. Temos poucas fotos de Florença.

Thursday, January 7, 2010

Itália - Roma - Dia 06

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Nosso terceiro dia de Roma foi, sem dúvida nenhuma, nosso melhor dia da viagem. Foi o dia que visitamos o Coliseu por dentro e a Capela Sistina. Acompanhe:

Sabíamos que seria um dia cheio de idas e vindas, então já compramos o bilhete de 24h do metrô. E ele foi devidamente pago. Nossa primeira parada foi no metro colosseo. Saímos com um tempo chuvoso. Tinha sido a primeira chuva desde que chegamos, o que nos surpreendeu, visto que essa época é mesmo chuvosa lá e eu esperava me molhar todos os dias. Nem o frio estava tão forte quanto eu imaginava. Em Milão nem neve nós pegamos.
Mas voltando à chuva, esse é um grande problema na Itália. Os italianos me parecem feito de açúcar, pois ao menor sinal de água caindo do céu, eles abrem os guarda-chuvas. É um medo incrível de se molhar! Coisa que eu nunca vi igual. E eu, que detesto guarda-chuva, tinha que ficar fugindo daqueles furadores de olhos impiedosos.

O Coliseu

O Coliseu estava bem cheio, principalmente pra um dia chuvoso. Como já era de se esperar, a bagunça na fila impera. Mas conseguimos. Pagamos 12 euros para entrar nas ruínas, e o ingresso te dá direito a entrar no Foro Romano e no Palatino, mas não fomos em nenhum desses dois. Se você quiser um guia, é só pagar mais 4 euros, e as visitas guiadas têm horário marcado (cuidado com essas visitas, pois normalmente os grupos são grandes e fica difícil de entender o que o guia está explicando). Lá dentro tivemos um pouco de dificuldade para nos achar. As indicações são quase escassas, e quando existem, são confusas. Mas isso pouco importava diante da maravilha que é aquela construção.
O Coliseu não impressiona só pelo tamanho. Impressiona saber que um monstro daqueles foi construído há quase 2 mil anos, e continua de pé, resistindo ao tempo, a guerras e ao mundo moderno. É estranho olhar aquelas paredes e pensar quantas mortes já ocorreram lá dentro. Quanto medo, quanta excitação e quantos tigres bravos já passaram por lá. Um local de festividade e morte. Como mudou nossa ideia de festa!

Saímos de lá em êxtase. Aquele é um local que definitivamente nos coloca pra pensar. E lá, pela primeira vez, nós conseguimos parar e degustar o que estávamos observando, sem ninguém tentando atropelar, sem ninguém empurrando querendo passar. Ali era como se só tivesse a gente, debaixo daquela chuva. Foi delicioso.
Antes de sair, demos uma paradinha para descansar. Sentamos na saída do Coliseu e ficamos filosofando sobre o que tínhamos acabado de ver. Era incrível demais pra absorver tudo de uma vez só.

Voltamos até a Repubblica para almoçar. Comemos num restaurante muito bom próximo ao metrô chamado Gran Caffé.

Museu do Vaticano e Capela Sistina

À tarde voltamos ao Vaticano, rezando para que a visita fosse melhor que do dia anterior. Dessa vez íamos visitar o Museu do Vaticano, que termina na Capela Sistina. A visita custa 12 euros. Na entrada do museu você passa por detectores de metais, compra seu bilhete e sobe uma rampa enorme. Você não percebe, mas alcança a mesma altura do domo da basílica.
O Museu do Vaticano é gigantesco. Mas todo mundo passa meio correndo, porque o que interessa mesmo é chegar no final, na Capela Sistina. Até existem meios de se chegar lá diretamente, mas eles meio que te obrigam a fazer o caminho inteiro. O que é até interessante. No caminho você passa por todas as estátuas que o Vaticano mandou capar por considerar inadequadas. Aí passa por metros e metros de salões com os tetos e as paredes pintadas por artistas que eu não tenho a menor ideia de quem sejam. Depois passa por galerias que - poucas pessoas notam - tem quadros de Salvador Dali, Diego de Riviera e até uma miniatura d'O Pensador, de Rodin.
Em determinado momento, você chega na Stanze of Rafael, que é a sala que Rafael pintou. Ela é uma prévia do que você vai ver na capela, já que a beleza é quase tão grande quanto. As pinturas parecem em 3D, como se se destacassem do teto. Me senti mal ali por não entender nada a respeito de Rafael, e não saber o que significavam aquelas pinturas. Cheguei à conclusão ali de que a melhor forma de se conhecer Roma é estudando muito antes de ir.
Continuando a caminhada por mais alguns bons metros, você chega finalmente na Capela Sistina. Ela é totalmente diferente do que eu jamais imaginei. Tinha na minha mente que ela seria uma capela normal, com um teto abobadado e pintado com a famosa pintura. Mas ao invés disso, ela é uma sala, quase como as outras, com o teto muito alto e um altar quase escondido. Na verdade fica difícil saber como ela é realmente, dado que ela estava tão cheia de gente. Mas o que interessava de verdade estava em cima, e não embaixo. As pinturas de Michelangelo são algo de cair o queixo. Algo que eu jamais imaginaria pelas fotografias, simplesmente porque elas são infotografáveis. Olhar as pinturas te dá um senso de profundidade impressionante, como se os anjos estivessem de fato flutuando. É difícil compreender o que é arquitetura e o que é desenho, porque as pinturas saltam aos olhos. É impressionante. Não existe outra palavra que defina o que a gente vê lá. E não adianta olhar fotografias, não adianta filmar (mesmo que pudesse). É algo que você só pode compreender se estiver lá.

Pasmos e muito felizes com o nosso dia, saímos da capela e compramos um livro sobre o Michelangelo. Não por empolgação, mas porque nós queríamos muito entender um pouco mais sobre as obras desse que de fato foi um gênio. Paramos para tomar um café na frente do museu (eu tomei um sorvete) e descansar os pés.

Escadaria Espanhola

À noite fomos até a Escadaria Espanhola, famosa por ser um ponto de encontro para paquera. Havia muitos casais aos beijos e abraços, mas nós não nos empolgamos muito. O lugar lá fedia demais. Ficamos tempo suficiente pra tirar umas fotos e voltamos pra casa. Jantamos no McDonald´s, pois queríamos uma comida rápida, já que estávamos exaustos. O atendimento lá é beeeem mais lento que aqui, e a comida é tão de plástico quanto a nossa. hehe.

Wednesday, January 6, 2010

Itália - Roma - Dia 05

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Dormimos até o limite do horário, o café da manhã no Le Petit é servido somente até às 9:30h. Deve ser uma tática pra obrigar os turistar a acordar cedo pra conseguir ver tudo o que a cidade tem a oferecer, mesmo que você esteja morto de cansado do passeio do dia anterior. O programa de hoje era o Vaticano.

O Vaticano
Pegamos o metrô até a estação Ottaviano, a mais próxima do Vaticano. Também daria pra ir a pé, mas seria uma longa caminhada. Depois de analisar nosso mapinha salvador, descobrimos como fazia pra chegar até lá. Mas é basicamente seguir a boiada. A grande maioria das pessoas que desembarcam naquela estação acabam indo pro Vaticano. E quando a grande maioria das pessoas segue pro mesmo lugar, sabe o que acontece? Filas. Enormes. Com certeza não tão grandes quanto as que se formam no verão, mas estavam grandes o suficiente por ser época de natal, quando muitos cristãos têm sua cristianidade aflorada e resolvem visitar o Papa. Não bastassem as filas enormes, ainda tivemos que lidar com a mania irritante dos italianos de furar a fila. Ah, pelamordedeus! Falem mal o quanto quiserem do Brasil, mas pelo menos aqui a gente respeita as filas. Mas ok, quando alguém tentava furar fila na nossa frente, a gente muito educadamente pedia licença e mandava o cara pastar.

Entramos na primeira fila, que circundava a praça inteira. Uns 20 minutos depois, chegamos lá na frente e descobrimos mais 2 filas: uma para ver os túmulos dos papas (que era de graça) e outra para subir no dome da Basílica. Como turistas pobres que somos, primeiro entramos na fila dos túmulos, mas não sem antes pegar o audioguide (5 euros), que se revelou inútil pois ele serve apenas para dentro da igreja (informação que estava explícita, mas não prestamos atenção), e nós não pretendíamos olhar a igreja (exceto pela Pietá). Os túmulos dos papas é um lugar ao mesmo tempo pesado e bonito. Se você parar pra pensar, vai perceber que aquilo é um cemitério. Mas muita gente acha que é ponto turístico. Já notou que quando você entra num cemitério, automaticamente você adota uma postura de respeito, silêncio e introspecção? Lá nos túmulos dos papas isso não é verdade. Não sei se muita gente não entende direito o que aquilo significa, e acha que são apenas esculturas no chão. Fato é que existem vários avisos ao longo do percurso dizendo que aquele é um ambiente sagrado, e pedindo para se fazer silêncio. Mas os avisos são ignorados. Ao longo de grande parte do percurso fomos ouvindo sons altos de conversa, até que alguém começou a fazer shhh e os sons baixaram. Nessa hora, alguém começou a rezar e a fila começou a ficar mais lenta. Notei que estávamos chegando ao túmulo de João Paulo II. Algumas pessoas iam parando em frente ao túmulo dele, que tinha algumas flores e era guardada por um segurança. Essas pessoas rezavam com tanta vontade que quase que eu, uma pessoa não-católica, parei para rezar junto. A cena foi tão inesperada quanto emocionante. Foi muito bonito ver a devoção das pessoas ao falecido papa, e aquele foi um dos momentos inesquecíveis da minha viagem.

Depois de ver essa primeira parte, pegamos a segunda fila para subir no dome da Basílica de São Pedro. Ela é demorada porque existe apenas uma pessoa para vender os tickets. Para subir você tem duas opções: ou pega a escada direto até lá em cima e paga 5 euros (não me lembro quantos degraus são, mas se não me engano eram uns 500), ou pega o elevador até certo ponto (3 andares) e sobe o resto de escada. "O resto" são 320 degraus de uma escadinha claustrofóbica, super apertada, que vai inclinando conforme você vai chegando ao topo. Não dá pra desistir, porque simplesmente não tem por onde voltar. Mas não cansa tanto, porque o pessoal vai devagar e não dá tempo de cansar. Essa opção custa 7 euros. Depois de pegar a fila para comprar os tickets, você pega outra fila para pegar o elevador (caso tenha sido essa sua opção). Dessa vez a gente não teve que lutar contra os furadores de fila, mas sim contra uma família de alemães que não sabiam manter meio metro de distância entre duas pessoas. Não é que eles encostavam na gente. Eles praticamente subiam na gente, ficavam meio que se apoiando na nossa mochila, totalmente sem noção de espaço. E juro que não é chatice minha. O Ale também estava quase jogando eles lá de cima. Mas eles foram de escada, então conseguimos nos livrar deles por um tempo.
Lá em cima, descobrimos que definitivamente não havíamos feito uma boa escolha de programa. Ao contrário do mirante de Turim, que era bem espaçoso, lá no dome era super apertadinho, não tinha espaço pras pessoas se mexerem direito, e era difícil chegar até a grade pra conseguir contemplar a vista e conseguir tirar uma foto. As pessoas lá estavam todas muito eufóricas, ansiosas, não sei se pela falta de espaço, mas elas saíam atropelando as outras sem querer saber. Nós ficamos super incomodados, tiramos duas ou três fotinhos lá em cima e descemos correndo (depois de pegar MAIS UMA fila). Esse não foi um dinheiro bom gasto, mas a gente só saberia se tivesse ido, mesmo.

Na entrada e na saída da escada tem umas lojinhas de souveniers. Tenho que tirar meu chapéu e dizer que o vaticano mandou muito bem nas peças. Eu que nem gosto dessas coisas quase comprei um terço pra mim. Tinha cada terço mais lindo que o outro, e cada pingente de crucifixo que eram verdadeiras jóias. Coisas lindas mesmo. Não que eu concorde com a venda dessas coisas lá dentro, mas que elas eram bonitas, eram.

Antes de ir embora, demos uma passada dentro da igreja para ver a Pietá, que era a única coisa que eu fazia questão de ver lá. Eu achava que tinha que pagar pra vê-la, mas o acesso era aberto. Porém, o acesso aberto significa milhares de pessoas amontoadas tentando fotografá-la (com flash), e aquilo me deixou extremamente irritada. Até consegui chegar lá na frente, mas não consegui ficar o tempo que eu queria contemplando a escultura. As pessoas chegavam e se amontoavam como se a estátua fosse sair correndo em questão de minutos. Saí de lá totalmente decepcionada.

A visita inteira ao vaticano nesse dia me deixou decepcionada, não fosse pelo episódio no túmulo do papa. Tivemos que analisar a Pietá através da foto, sendo que eu estava ali do lado horas antes!! A impressão de que a maioria daquelas pessoas que estavam lá não tinham a menor idéia do que elas estavam fazendo naquele local e estavam lá apenas para tirar fotos e dizerem que foram, me desanima. Por um lado é legal, porque você sabe que muitas pessoas estão interessadas na cultura. Mas quantas daquelas pessoas entendem o que elas estão vendo? Quantas de fato sabem o que a estátua significa? Nossa visita ao vaticano deixou a sensação de que aquele, segundo definição do Ale, é um lugar oco interessado em fazer dinheiro. Não agrega em nada. Mesmo pra quem é católico e vai lá, a não ser pelo túmulo do papa, não consegue encontrar um ambiente de paz. Encontra aquela excitação turística, beirando a falta de respeito. Encontra pixações e vandalismos. Encontra falta de noção.

Saímos do Vaticano sem visitar a Capela Sistina. Esperávamos voltar depois do almoço, mas estávamos tão cansados de Vaticano que não tínhamos forças para voltar, sem contar que ele fecha às 16:30h. Além do mais, resolvemos almoçar longe dali, porque tudo lá perto parecia cheio e caro. Almoçamos no mesmo restaurante do dia anterior, perto do hotel.
 Para aproveitar o resto do dia, caminhamos até o Pantheon, mas estava tendo uma missa que ia até às 18h. Depois abriria para o público. Para matar o tempo, fomos até a Piazza Navona, que era ali pertinho. Na Piazza tem uma feirinha de cacarecos, que vende desde comida até brinquedos e roupas. Tem também umas barraquinhas de diversão, tipo aquelas de festa junina, ou dos nossos parques de diversão (atire na lata, pescaria, etc). Tinha bastante gente por lá. É nessa praça que fica a embaixada brasileira.

Um pouco antes das 18h nós voltamos para o Pantheon, e ainda não estava aberto. Ficamos sentados lá na frente aproveitando a noite que estava deliciosa. Foi um dos momentos mais gostosos. Simplesmente sentar e curtir, que é algo que a gente ainda não havia feito desde que chegamos. Às 18h entramos, demos uma olhada nos túmulos que tem lá dentro. Um deles é o do Imperador Vitorio Emanuelle, e o mais cobiçado é o da tartaruga ninja (ops) Rafael. Mais uma vez, aquela aglomeração pra tirar fotos do túmulo do Rafael. Nem consegui ver direito. Aproveitei mais meu tempo lá fora do que dentro do Pantheon. Mas valeu a pena, porque estava uma noite realmente muito gostosa.

Na volta paramos num cafezinho muito charmoso chamado Lunatico. Tomamos um chocolate e um café e finalmente voltamos para o hotel.

Segue o mapinha do metrô de Roma. Clique pra ampliar.

Mais fotinhos no meu flickr.

Tuesday, January 5, 2010

Itália - Roma - Dia 04

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No nosso quarto dia de viagem, levantamos cedo e pegamos novamente o trem, dessa vez rumo a Roma. Essa é uma viagem muito longa, por isso optamos ir com o trem de alta velocidade, que reduz a viagem em cerca de 2 horas. Em mais ou menos 4 horas estávamos chegando na Estação Termini de Roma, depois de uma viagem bastante agradável. Fomos na primeira classe do trem da Eurostar, com assentos reservados na janela, de onde pudemos ir observando aquela linda paisagem dos Alpes. Esse trem é bem mais confortável que o de baixa velocidade. As poltronas são mais largas e mais macias, reclinam, e existem estribos para colocar as malas acima dos bancos e em uma espécie de armário aberto que fica na entrada de cada vagão (aconselho colocar lá quem tem mala grande).

O hotel
O hotel que ficamos em Roma era bastante perto da estação, dava 5 ou 10 minutos a pé. Era o Le Petit, um hotelzinho, como diz o nome, bem pequeno. Fica num predio de 6 andares junto com outras coisas, como uma clínica de fisioterapia, e apenas 2 ou 3 andares pertencem ao hotel. Nós tivemos o desprazer de ficar num dos dois quartos ao lado da recepção, e temos a impressão de que não foi por acaso. O recepcionista nos disse que os últimos ocupantes daquele quarto eram todos brasileiros. Algo me diz que é de propósito...
Mas conspirações à parte, o hotel tinha lá o seu conforto. Apesar do quarto ser bem pequeno e ter uma decoração bastante pesada, ele tinha uma energia  gostosa e fez a gente se sentir muito bem lá dentro. Além disso, a calefação dele era a mais confortável dos hoteis que passamos até então. A staff do hotel era simpática, especialmente o recepcionista, que parecia ligado no 220V. Só o café da manhã é que era bem esquisito. Você chegava na mesa e já tinha te esperando um pratinho com dois pães salgados e um doce. Café, leite e cereal eram à vontade.

O almoço
Chegamos na cidade já na hora do almoço. Procuramos um restaurante perto do hotel, encontramos um bem na esquina que parecia bom. Chama-se Cucina Nazionale. O atendimento é bom desde que você pegue o garçom certo, mas a comida é bem gostosa (desde que você não peça pizza. Mas pizza lá é ruim em qualquer lugar, então o problema não é do restaurante). Comemos duas massas por 25 euros, um preço bastante bom pelo que vínhamos pagando.

A cidade
Depois do almoço, saímos a pé pela cidade. Descobrimos que quase tudo em Roma é muito fácil de se chegar a pé, mas se você quiser economizar tempo, vá de metrô. No primeiro dia andamos muito a pé para conhecer a cidade, mas depois começamos a fazer tudo de metrô para economizar tempo. Como o metrô tem aquele ticket que você paga por dia e pode fazer quantas viagens quiser pagando apenas 4 euros, acaba valendo a pena.
Nosso primeiro passeio foi até a Coluna Trajana, que eu sinceramente nem sabia que existia, mas o Ale queria ver por causa de um trabalho que ele fez sobre ela na faculdade. Ela fica no final da rua do hotel, muito fácil de se chegar. O hotel está realmente muito bem localizado.
A coluna Trajana é um monumento enorme (assim como quase tudo em Roma) que foi erguido pelo imperador Trajano em comemoração à vitória de Roma sobre a Romênia nas campanhas militares. Antigamente existia uma estátua do imperador no topo da coluna, se não me engano de bronze, mas ela foi roubada e substituída por uma de São Pedro. Tudo a ver.

Ao lado da Coluna Trajana tem o Monumento a Vitorio Emanuelle II, uma construção colossal, chega a ser bizarro de tão grande. As pessoas parecem de brinquedo perto dela. Assim que tiver um tempo vou colocar o vídeo que fiz de lá aqui pra mostrar o que eu estou dizendo. O monumento estava em reforma, nem sei se dava pra entrar. Nós só olhamos por fora. Tinha um elevador que te levava até o topo, mas achamos besteira gastar dinheiro com isso. O que eu achei de lá? Boa pergunta. Na verdade é um monumento que eu também não sabia que existia, e saí de lá sem saber o que significa. Então só achei um prédio grande demais. Se você estiver sem tempo em Roma e tiver outras prioridades, recomendo que deixe esse pra depois.

A única coisa que realmente valeu a pena de estar lá foi descobrir que de lá do mezanino do monumento era possível ver o Coliseu. Eu não tinha ideia de que estávamos tão perto. Eu estava em Roma praticamente apenas para ver o Coliseu, e aquela imagem me emocionou. Essa foto abaixo foi tirada do Monumento. Foi muito legal ver o coliseu pela primeira vez e de maneira tão inesperada.

Antes de partirmos para o Coliseu, demos uma olhada nas ruínas do Foro Romano que ficam por lá. Também tem que pagar pra olhar mais de perto, e como nós somos turistas pobres, olhamos tudo de cima. Não achamos que ia agregar muito olhar tudo de perto, principalmente porque aparentemente não havia nenhum tipo de informativo, assim como acontece em todos os lugares da Itália. Ruínas por ruínas, prefiro ver de longe e de graça. Mas de qualquer forma, é bonito e interessante de ver como as coisas conseguem sobreviver depois de tantos anos.

Como ainda estávamos com tempo (não sei o que acontece, mas lá o tempo se multiplica, já falei isso aqui, né?), resolvemos dar um pulo no Coliseu pra ver se ele era de verdade. Alguns minutinhos a pé e nós chegamos naquela construção maravilhosa e impressionante. Tentamos entrar, e até teríamos conseguido, mas teríamos apenas 1 hora para ver lá dentro e queríamos fazer tudo com calma. Decidimos voltar outro dia. O horário de fechamento do Coliseu depende da época do ano. Ele fecha ao por do sol, isso significa que no inverno fica aberto até às 15:30, e no verão, até às 20h, mais ou menos.
Mesmo que eu não conseguisse ver o Coliseu por dentro, eu já estava feliz. Ver aquele gigante de perto era algo que eu esperava há tempos.

Como ainda estava relativamente cedo, embora já escurecendo, decidimos procurar alguma coisa que ficasse aberta o tempo todo. Decidimos pela Fontana de Trevi, que afinal de contas, fica no meio da rua e não tem horário de fechamento. Pegamos o metrô e fomos, porque a essa altura nós já estávamos esgotados. Juro que eu fiquei chocada quando eu cheguei lá. Não era nada do que eu estava esperando. Eu imaginava a Fontana de Trevi num espaço grande, bem aberto, uma praçona onde as pessoas pudessem apreciar a fonte e passear à vontade. Mas ao contrário disso, ela fica na junção de uma porção daquelas ruelinhas apertadas de Roma, num espaço que até poderia ser grande, mas tinha tanta gente aglomerada que mal dava pra ver onde terminava a fonte e começava o chão (tá, não tinha taaaaanta gente assim, mas estava bem cheia). Italiano gosta de uma aglomeração, e turista italiano é pior ainda. Nós notamos que lá a maioria dos turistas são italianos que viajam dentro do próprio país. Mas eles são mal educados e não tem muita noção de espaço, então a coisa lá na Fontana ficava bem feia.
Mas a gente precisava descansar, então decidimos comprar um sorvete (mesmo com aquele frio todo), e sentar, afinal de contas todo mundo dizia que o sorvete italiano era o melhor sorvete do mundo. Não querendo ser garota enxaqueca, mas achei o sorvete de lá igualzinho o daqui. Não vi nada de especial nele.
Arrumamos um espacinho lá na borda da fonte e ficamos descansando as patas. Aí fomos jogar as tradicionais moedas na fonte, como reza a tradição. Dizem que quem jogar uma moeda na fontana de trevi garante sua volta à Itália. Mas com o euro a quase 3 pra 1, e nós como bons turistas pobres, não quisemos gastar nosso rico dinheirinho, e jogamos reais na fontana. Considere isso como nossa contribuição brasileira para a fauna monetária da fonte (só pra constar, a ideia não foi minha, tá!).

Voltamos a pé pro hotel, pra aproveitar a noite que estava deliciosa. Demos uma descansada no hotel e fomos tentar jantar no Hard Rock cafe, porque eu estava sedenta por um bom hamburger. Depois de andar um montão até chegar lá, descobrimos que a fila de espera iria demorar quase 2 horas, e acabamos voltando prum bar ao lado do hotel. Comemos um lanche gostosinho, mas foi mais caro que uma refeição inteira. Mas valeu a pena pela diversão de ver um grupo de crianças italianas brincando ao lado de seus pais e tios. A certa altura, elas começaram a cantar "Piazza da Roma, Piazza da Roma", querendo dizer "Piazza Navona". A mãe tentou corrigi-los, sem muito sucesso. A musiquinha virou um marco pra nós, que ficamos cantando o resto da viagem.
Cansados e de barriga cheia, voltamos pro hotel e dormimos que nem crianças.

Aí vai o mapinha de Roma pra quem tiver interesse. Tava meio detonado pelas nossas andanças, ele foi muito util. Tá todo emendado porque tive que escanear em várias partes.

Edição: Lembrei que eu não falei sobre o Roma Pass. Esse passe é fácil de ser achado pelas ruas e no metrô de Roma, e é legal pra quem pretende ir a vários museus e algumas atrações específicas. Mas fique atento: vale a pena fazer contas se você sabe o que pretende fazer. Nem todos os lugares aceitam o pass (o vaticano é um deles), e ele tem algumas condições de utilização. Além do mais, muitas coisas em Roma acabam sendo de graça, como o Pantheon, as escadarias espanholas e a Fontana de Trevi. Portanto, antes de sair comprando, veja se vale mesmo a pena. No nosso caso não valia. Optamos por comprar tudo separado.

Monday, January 4, 2010

Itália - Turim - Dia 03

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No dia 26 de dezembro as coisas ainda permanecem fechadas na cidade. Não sei se isso acontece no país inteiro ou se é só em Turim. Só sei que as lojas lá estavam todas fechadas, e abertos só estavam os restaurantes e as atrações. Ainda bem, senão o que seria de nós??

Acordamos sem pressa, com tempo só pra pegar o café da manhã ainda na mesa. É estranho que lá o dia é muito curto nessa época do ano, que é inverno no hemisfério norte e escurece lá pelas 3:30 da tarde. No entanto, os dias são incrivelmente produtivos. A gente acordava relativamente tarde, andava, andava, andava, via um monte de coisa, e 4 ou 5 da tarde já estávamos de volta. Não sei não, mas acho que o relógio lá tem um tempo diferente do nosso...

Armeria Reale
Bom, brincadeiras à parte, nosso primeiro passeio do dia foi no museu do armamento real (ou Armeria Reale), onde estão expostos armas, armaduras e alguns cavalos empalhados dos Cavaleiros Templários e de Napoleão. O ingresso custa 4 euros, e a exposição é bem pequena. Como todos os museus da Itália, o museu vale pela beleza das peças, mas como informação ele não serve pra nada. Como o Ale bem descreveu, os museus de lá são basicamente coleções, e não exatamente museus. Ele é historiador e entende disso um pouco melhor do que eu, mas eu como leiga, percebi que os museus lá são bem fracos de informação. Você chega lá e vê um monte de peça exposta na parede. Não sabe da onde veio, por que veio, por que tá lá, ou o que aquilo significa. Esse museu eu gostei de ter visto porque gosto de armas, principalmente de espadas. Além disso, acabei de ler O Código da Vinci, onde Dan Brown explora os Cavaleiros Templários e a simbologia deles. Lá pude ver algumas armaduras que pertenceram a eles e os símbolos talhados nelas. Foi legal por isso, mas não havia nada explicando sobre o que era, ou deixava de ser.
A Armeria Reale fica na Piazza del Castelo, a praça onde concentra a maior parte das coisas pra se fazer em Turim. Tem museu de tudo quanto é tipo lá, e é preciso selecionar quando o tempo de estadia é curto.

Como o passeio por esse museu foi curto, ainda sobrou bastante tempo pra gente ver outras coisas. Estávamos perto do Giardini Reale, jardim do Palácio Real que foi desenhado pelo mesmo cara que fez o jardim do Palácio de Versalhes. Resolvemos procurar o tal do jardim, e eu estava esperando um jardim maravilhoso. Mas nos deparamos com um jardim morto por causa do inverno, e fechado por causa da neve que havia se transformado em gelo. Lá havia apenas uma pista de patinação no gelo, mas nem perguntei quanto era. A idéia de ficar patinando em círculos pequenos não me agrada muito.

Museu Egizio
Almoçamos uma massa num restaurante em frente ao museu do cinema, foi um dos almoços mais baratos. Pagamos 33 euros por um gnocci e uma lasagna, que estavam muito bons. De lá, fomos até o Museu Egípcio, ou Museu Egizio. Eu e o Ale estávamos com dificuldade pra encontrar, estávamos na rua certa prestes a virar à direita nos perguntando se o museu era pra lá, quando eu foquei o prédio à minha esquerda e percebi duas estátuas egípcias imensas na frente do prédio. Como assim a gente não tinha visto aquilo??

Ao contrário do museu anterior, que era só um andar de exposição, o Egípcio tinha tanta coisa, mas tanta coisa, que em determinado ponto a gente já não aguentava mais ver sarcófagos e objetos egípcios. O ingresso custa 7 euros, e pra quem gosta de egito, acho que vale a pena ir. Mais uma vez, ele não é nada informativo, mas vale a pena pra ver as múmias e os sarcófagos. Aliás, parece que essa exposição já veio pro Brasil uma vez, e se eu não me engano eu fui (não falei que minha memória era boa?).

Na saída do museu, tinha uma bandinha meia boca tocando na rua pra ganhar uns trocados. Ficamos um tempo lá escutando eles, jogamos umas moedinhas e fomos embora. Descobrimos um caminho muito mais fácil pra voltar do que estávamos fazendo.
Aliás, segue aí um mapinha do centro de Turim pra quem se interessar (clique nele pra ampliar). Ele está riscado porque o recepcionista do hotel estava explicando pra gente como chegar do hotel até o centro pelo tram que a gente pegou errado.



* A primeira foto não é do museu da armeria reale, mas é da Piazza del Castelo, onde fica o museu.
   A segunda foto é do Giardini Reale, fechado por causa do gelo da neve. 
   A terceira foto é da entrada do museu egizio, com as estátuas gigantes na porta. 
   A quarta eu acho que dispensa explicações, mas é de uma múmia de dentro do museu. 

Itália - Turim - Dia 02

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Acordamos cedinho pra pegar o trem pra Turim. Como eu contei no post anterior, passei um pouco de frio no banho, mas tudo foi recompensado pelo leitinho quente delicioso no café da manhã. Arrumamos as malas, o Ale foi fazer o check-out e eu resolvi preencher o formulário do hotel dizendo que eu tinha gostado de lá. Essa minha inteligente manobra quase nos fez perder o trem. Tivemos que entrar no trem num vagão qualquer, e andar com as malas por dentro dele, até chegar no assento que a gente queria, que era na primeira classe (presente do Ale).

Esse trem que nós pegamos era o de baixa velocidade, que não precisa de reserva. Ele alcança 155km/h, pelo menos é o que o marcador da cabine dizia. O trem estava vazio, então foi bem tranquilo achar um lugar. Aliás, tivemos que achar um lugar pra gente e outro pras nossas malas, já que elas não cabiam no compartimento de malas que fica acima dos bancos. Os bancos nesse tipo de trem não são nada confortáveis, não reclinam e o encosto de cabeça é bem mais ou menos. Mas como a viagem até Turim era relativamente curta (2 horas), esse não foi um grande problema. A paisagem até lá é maravilhosa, a gente passa pertinho (ou aparentemente pertinho) dos Alpes. É definitivamente uma viagem que vale a pena estar acordado.

Chegando na cidade
Da estação, descobrimos qual era o tram que nos levava até o hotel. Aliás, em Turim nós só andamos de tram, aqueles bondinhos que andam sobre trilhos no meio da cidade. O valor da passagem é o mesmo do metrô (1 euro), mas diferentemente do metrô, você não precisa do ticket pra entrar. Você entra e valida o ticket. Logo, se você não tiver um pra validar, você pode andar nele e correr o risco de ser pego na fiscalização. Isso a gente foi descobrir quando entramos a primeira vez em um, achando que teria um jeito de comprar o bilhete lá dentro, talvez uma máquina daquelas que você coloca as moedas e ele imprime o ticket. Mas não havia. Então andamos rezando pra que não subisse a fiscalização. No caminho, notamos que ninguém validava o ticket, então resolvemos arriscar nas outras viagens, e validamos somente duas viagens. Nunca vimos fiscalização, não sei se por causa da época do ano ou se porque é habitual, mesmo.

A primeira impressão que eu tive da cidade foi bem positiva. Ouvi opiniões de algumas pessoas dizendo que Turim era feio e que não valia a pena ir pra lá. Nós resolvemos ir porque um amigo do Ale morou lá e disse que valia a pena. Chegando lá, não vi nada de feio. A cidade é toda medieval, com as ruas sem lógica nenhuma, e os prédios são bem antigos - assim como em toda a Itália - e a conservação deles depende da região. Com o passar dos dias, notamos que Turim tem um lado meio negro. Ali na região da Piazza dela Repubblica a coisa é meio pesada. Rola tráfico de drogas e chegamos a ver até seringas sujas de sangue no lixo. Mas fora de lá, não senti em nenhum momento ameaça, perigo, ou coisas assim. No geral foi tudo bem tranquilo.

O Hotel 
Ficamos no Mercure, que só não foi melhor pela sua localização, que ficava longe tanto da estação quanto do centro. Mas como a circulação por trams é muito fácil, até que não foi tão ruim. O hotel era bom, apesar de alguns poréns: o secador de cabelo do nosso quarto estava quebrado, e a luz não era nada intuitiva de se ligar. Era aquele sistema de colocar o cartão no buraquinho, mas o buraquinho você tinha que descobrir onde era. O negócio era tão complicado que quando eu fui perguntar na recepção, eles tinham um modelo do interruptor pra mostrar como fazia. Provavelmente eu não era a primeira a perguntar.
Quando chegamos no hotel, descobrimos o inesperado: nossa reserva havia sido feita pra um mês antes, ou seja, novembro. Como já havíamos pago, teoricamente teríamos perdido o dinheiro. Mas o recepcionista foi muito solícito e se ofereceu para ver o que poderia fazer por nós. Isso nos surpreendeu, porque na verdade tanto eu quanto o Ale já estávamos conformados em ter que pagar as diárias novamente, já que o erro tinha sido nosso e não podíamos cobrar uma atitude do hotel. No final das contas, saímos de lá sem ter que pagar pelo nosso erro, eles deixaram nossa estada por conta e pagamos apenas o chocolate que comemos do frigobar. Foi um grande "UFA!".
De legal no hotel tinha a cama, que era gigantesca. O quarto como um todo era bem confortável. Tinha uma poltroninha, um hall pra colocar a mala, e o banheiro também tinha um tamanho agradável. A temperatura do quarto nesse e em todos os outros hoteis que ficamos (sem contar o de Milão) podia ser controlada por nós, o que era uma grande vantagem. O café da manhã no hotel tinha o básico, mas tinha muito mais pães doces do que salgado. Achei um café razoável.

Passeando pela cidade
No nosso primeiro passeio pela cidade, pegamos o tram pro lado errado. Quase fomos parar muito longe, quando percebemos (lê-se = o Ale percebeu) que havíamos feito besteira. A gente já estava se sentindo dois idiotas, depois de ter feito reserva errada, não ter conseguido acender a luz do quarto e ainda por cima ter pego o transporte errado depois de ter pedido informação pro recepcionista do hotel. Caímos na risada.
Descemos, atravessamos a rua, refizemos todo o percurso e aí, sim, fomos pro centro da cidade. Mas era dia 25 de dezembro, e estava tudo fechado, com exceção de alguns poucos restaurantes. Entramos em um que estava servindo um almoço por 55 euros por pessoa! Agradecemos a atenção e saímos de fininho. Achamos um outro que pagamos 50 euros pelos dois. Esse restaurante era o Piccirida, na Repubblica, um restaurante muito simpático que tem várias coisas agregadas, o restaurante, uma doceria e uma outra coisa que eu não lembro o que era. Pedimos um prato simples de massa, mas saía cada prato lá inacreditável. Lá tem muito fruto do mar, e naquele restaurante tinha muita lagosta, umas enormes!
Aliás, um costume lá é o Slow Food, o inverso do Fast Food. Você passa o dia inteiro comendo. Come uma entrada, que geralmente é uma bruschetta, uma salada ou uma sopa. Depois vai pro primeiro prato, que é uma massa. Aí tem o segundo prato, que é uma carne ou um frango. Por último, a sobremesa. Tudo isso regado a bons goles de vinho. Pra sair rolando. Mas as pessoas lá não são gordas, porque além de você comer tudo muito devagar, são em geral comidas saudáveis, ao contrário dos hot dogs e hamburgueres americanos.

Museu do Cinema
Depois do almoço saímos pra passear pela cidade e constatamos que estava mesmo tudo fechado. Fomos até o museu do cinema, que é o prédio onde tem a Mole Antonelliana, símbolo de Turim (essa da foto). Pra nossa surpresa, estava aberto e vazio. Lá você pode pagar 9 euros pra subir na torre e visitar o museu, ou um valor só pro museu ou só pra torre, que eu não lembro de quanto era, acho que 5 euros. Nós pagamos os 9. Primeiro entramos na fila pro elevador, que nos leva até 85m de altura. O vento lá em cima é considerável, mas a vista vale a pena. De todos os lugares que vimos do alto (Turim, Roma e Milão), essa sem dúvida é a vista que mais vale a pena. Além da cidade ser muito mais bonitinha e mais colorida que as outras, tem a vista da cadeia de montanhas cheia de neve no topo, que é de encher os olhos. Essa foto aqui embaixo foi tirada lá de cima da torre.

Quanto ao museu, ele só vale a pena para quem é realmente amante de cinema, e principalmente do cinema antigo. Ele até é divertido, interativo, mas muito pouco informativo. pra mim, que conheço muito pouco sobre o cinema, saí de lá sabendo tanto quanto eu entrei. Existem várias salas que são ambientes de filmes, e não existe nenhuma referência de qual filme aquele ambiente pertence. Achei que não vale o quanto se paga, se fosse pra voltar, voltaria só pra ir no Mole.

A pizza italiana
A janta foi ao lado do hotel, numa pizzaria turca. Nós entramos na pizzaria, que tinha uns pedaços de pizza na vitrine e pedimos duas margheritas, achando que ele iria servir dois pedaços. Quando demos conta, eles estavam fazendo duas pizzas INTEIRAS! Como não sabíamos como explicar que não era aquilo que a gente queria, e também não tínhamos certeza se aquilo era mesmo pra gente, deixamos rolar. Depois fomos descobrir que é assim que os italianos comem pizza: eles comem uma pizza inteira por pessoa, mas é uma massa tão fininha que dá pra comer tranquilo. Só não podemos dizer que a pizza lá é tão deliciosa quanto a nossa. Aliás, a melhor pizza que a gente comeu lá foi essa, feita por turcos. No geral a pizza deles é sem gosto e com quase nenhum recheio. A nossa é muito melhor, e olha que eu acho pizza tudo igual!