Wednesday, January 26, 2011

Itália 2010 - Verona

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Verona, 08 de novembro.

Sol. Cerca de 12ºC. São 14h da tarde e acabei de descer do trem regional na estação de trem Verona Porta Nuova. Carrego apenas minha bolsa de mão com passaporte, ticket da Eurail, dinheiro, câmera fotográfica, cartão de crédito, vaselina para os lábios. Também tenho luvas, cachecol e gorro. A mala? Ficou trancada no armário do albergue em Bologna, já que vim aqui apenas passar a tarde (ou o que restou dela). E o mais legal de tudo: completamente sozinha! Não conheci ninguém no trem; não tive chance de me juntar a grupo algum. Pela primeira vez, estou so-zi-nha!

Apenas 5 horas!
Ainda na estação, entro na banca de jornais e peço "Mapa de la cittá, per favore!". Depois de estudar um pouco, decido onde ir primeiro: à Piazza Brà.

Verona é encantadora. Realmente, faz jus ao título de "piccola Roma", isto é, "pequena Roma". Até um anfiteatro estilo Coliseu eles têm! Mas o que me fez vir até aqui foi a casa de Giulietta. Isso mesmo, aquela da história de Romeu e Julieta, do Shakespeare. Principalmente depois de ter assistido ao filme "Cartas para Julieta", eu não poderia deixar de visitar a casa dela, non'è vero? Lá tem uma estátua de bronze da menina, e reza a lenda que quem colocar a mão no seio direito da estátua terá sorte no amor pra vida inteira. Até então, juro, não tinha pego nenhuma fila, pra nada! Haja paciência pra tirar essa foto, viu.... Pelo visto, problemas de coração partido são mais populares do que se imagina...

Ao invés de recomendar lugares pra visitar etc e tal, compartilho com vocês agora algumas anotações do meu diário de viagem. Afinal, a vida sempre reserva surpresas. Ainda mais pra quem se aventura a perambular, tipo, por 5 horas por uma cidade desconhecida...

Almoço espaguete à carbonara (bacon, queijo) em um restaurante na praça. O garçom do restaurante, um paquistanês simpático, tira fotos minhas de todos os ângulos! Um doce de pessoa.

Adoro a atmosfera da Piazza Brà e circulo por lá para fazer fotos. Um senhor bem velhinho, italiano, está sentado num dos bancos e grita alguma coisa pra mim. Quando me aproximo, ele repete e italiano, gesticulando, pra que eu compreenda de uma vez por todas: "Seus olhos riem primeiro que você!". Por que essa constatação me soa tão... familiar? Deve ser engraçado me observar andando por aí num momento destes, de perfeita harmonia com meu eu interior: olhar feliz e sonhador, saboreando tudo, um sorriso nos lábios.

Em uma das pontes do rio Fiume, conheço 2 caras que estudam na Universidade de Trento. Trocamos as máquinas para tirar fotos de recordação; o por do sol estava lindo! Após alguns minutos conversando, um deles me pergunta se não tenho medo de viajar sozinha. Admirada (e acostumada) com a surpresa dele, sorrio e respondo que não. Eles passam e eu sigo sozinha à margem do Fiume, até a Ponte Pietra (ao fundo), onde conheço 2 brasileiras que estudam Medicina em Bari. Ali em Verona, compartilhamos nossos conflitos e histórias de amor.

Já é noite quando, orientada por um morador, pego um ônibus até a estação de trem. Hora de voltar pra Bologna. No dia seguinte, quero chegar bem cedo em Veneza.

Enquanto isso, na casa de Giulietta em Verona, ganho um pequeno presente-recordação...

Saturday, January 22, 2011

Itália 2010 – Bologna: a diversão começa agora (4)

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Sair à noite na Europa. Taí uma atividade que eu adoro - e que, provavelmente, é do que mais sinto falta do Velho Mundo porque é uma liberdade só!
Em geral, o ritual lá consiste em sair de casa a pé até o primeiro bar, depois ir para um segundo bar e, quem sabe lá pelas tantas, terminar numa boate. Ou voltar para o primeiro bar, já que os lugares podem até bombar a noite inteira - mas em geral ficam badalados por apenas um período dela. O único inconveniente é que a festa acaba cedo: costuma ir das 22h às 03h.
Lá é tudo assim: pertinho, concentrado, seguro. Dá pra ir e voltar andando ou de transporte público. Ao contrário do Rio de Janeiro, onde o fluxo é um pouco mais complicado - a começar por ter que chamar o táxi para ir a um lugar específico. Vamos combinar: é bem mais legal sair por aí a esmo, parando pra verificar a temperatura de cada lugar.
O que fazer à noite em Bologna?
Resumindo minhas 4 noites em Bologna:
  • 07/nov (domingo): apenas 10 minutos depois de ter chegado em Bologna e no albergue, saio para jantar e fazer um tour noturno com um aficionado pela arquitetura da cidade: o designer gráfico belga Frederic, que eu nunca havia visto na vida.
  • 08/nov (segunda): cheguei tão tarde e cansada de Verona que apenas tomei uma minestra (sopa) no restaurante bem próximo ao albergue (não lembro o nome, mas fica na Via Montegrappa; esse vale a pena porque um dos garçons é um italiano de Nápoli apaixonante, simpático e lindo. Bem, pelo menos até dia 08/11/2010).
  • 09 e 10/nov (terça e quarta): me diverti até na área universitária, que começa nas Duas Torres, passa pelas ruas Via Zamboni, Via San Vitale, adjacentes e termina na Piazza Giuseppe Verdi (clique aqui para ver o mapa).
Até mesmo em Bologna, os lugares da moda mudam de tempos em tempos. Para saber onde estão rolando as festas mais quentes, antes de partir visite o site da Associação de Alunos Internacionais de Bologna, ESEG Unibo (em italiano), e inscreva-se para receber a newsletter deles em seu e-mail.
Devido a minha cara de pau combinada à generosidade de brasileiros, italianos, ingleses e belgas que conheci/encontrei em Bologna, nas últimas duas noites eu fui parar aqui:
* Soda Pops – nesse clube e bar subterrâneos, curti uma festa promovida pela ESEG Unibo com entrada gratuita e drinks também, até determinado horário. Onde: Via Castel Tialto, 6.
* Arteria – bar e clube subterrâneos, tem banda ao vivo e lá pelas tantas toca música de Nápoli (aquela canção animada que tocava em Terra Nostra, lembra?). No mínimo, você vai bater palmas. No máximo, vai dançar como um(a) típico(a) napolitano(a). Entrada gratuita. Onde: Vicolo Broglio, 1E.

* Ateneu – por favor: compartilhe agora quem tiver encontrado lugar mais barato do que esse para beber na Europa! Mais conhecido como 'Bar dos Shots de 1 euro', serve, obviamente, shots de várias bebidas por apenas 1 euro (a medida é aquele copinho plástico de cafezinho). Em frente está o famoso Café Paris, que opera no mesmo esquema – mas os drinks no Ateneu têm mais qualidade. O único banheiro do lugar não tem maçaneta nem tranca, o que torna tudo ainda muito mais... divertido. Popular entre os estudantes, fui lá 2 vezes, inclusive na minha última noite em Bologna. Aí estou eu, acompanhada dessa galera (Andy, Karine, Tisya, David, Marina e Rafa). Pena que ainda não bebia - ou teria aproveitado mais as ofertas a preço de banana. Onde: Via Zamboni, próximo a Piazza Verdi.
* VIP (ex-Kasamatta) – foi no banheiro desta boate que, por acaso, conheci as brasileiras Karine e Marina. Elas rapidamente me agregaram ao grupo de amigos delas – e nos divertimos muito pela cidade! Onde: Via Sampieri, 3.
* Pizza de abobrinha – no fim da noite, às 4h da manhã, nada como uma deliciosa fatia de pizza de abobrinha pra repor as energias! É a melhor pizza custo-benefício da madrugada, feita por italianos mesmo. Em qualquer outro lugar aberto a essa hora, as pizzas são feitas por pessoas de outras nacionalidades e aí perde o charme. Onde: Via San Vitale, praticamente em frente ao Soda Pops.
A diversão está só começando. Tem ainda muito chão pela frente...
Antes daqui, passei por:

Itália 2010 – Bologna: a diversão começa agora (3)

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Ok. Eu sei que vocês estão loucos pra saber sobre a parte boa da viagem (leia-se: nights). Mas eu tenho que mencionar essa “curiosidade”: sabia que Bologna também é conhecida pela excelente comida? Minhas 5 refeições foram ótimas - mas não experimentei nada que me deixasse em estado de choque.
Se você está acompanhando este blog há um tempo, provavelmente já percebeu que quase nunca listo lugares para comer - a menos que seja uma experiência fenomenal ou ruim demais pra ser verdade. “Gosto” é pessoal, intransferível, cada um tem o seu.
Além do mais, restaurante ma-ra-vi-lho-so em 2008 pode estar péssimo em 2010. Amore, vá por mim: melhor evitar expectativas. Ou então perguntar a um morador local onde ir. Mas, mesmo que você não acredite nisso, eu sei que você é suficientemente capaz de explorar os restaurantes confiando única e exclusivamente na sua própria intuição. Até porque, vamos combinar: na Itália, a sorte do ser humano tem que estar muito do avesso pra escolher só restaurantes ruins.
A essa altura do campeonato - minha 2ª semana na Europa -, já tinha experimentado muitos pratos buoníssimos em Roma e na Toscana. Por isso, em Bologna foi simplesmente natural negligenciar almoços e jantares - e focar em novas experiências.
Ok. Depois dessa pequena pausa para um café, “bora” pra night.
Antes daqui, passei por:

Thursday, January 13, 2011

Itália 2010 – Bologna: a diversão começa agora (2)

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Dois dias antes de partir, enviei de Roma um e-mail ao dono do albergue Il Castello Residence. Ele deveria me pegar na estação de trem Bologna Centrale no domingo às 19h, mas quando desço do Eurostar não vejo ninguém segurando plaquinhas com meu nome na plataforma. Sorte que aprendi a usar orelhão em Roma, então consulto o número do telefone no meu diário de viagem e ligo para Stefano.
Em menos de 5 minutos, ele aparece pra me pegar em seu carro (€10 o serviço); em cerca de 3, estamos na garagem do albergue descendo com as malas; dali a 20, estou devidamente familiarizada e instalada.
Onde ficar em Bologna? O que fazer durante o dia?
É a 1ª vez na vida que me hospedo em um albergue e acho que escolhi bem: a infra-estrutura, a qualidade do serviço e a localização do Il Castello são ótimas. Sorte de principiante? Quem sabe...
Endereço: Via Porta di Castello 4.
Impressões: aconchegante, tranquilo, silencioso, seguro e limpo. É, na realidade, um grande apartamento italiano que foi recentemente reformado por Stefano para acomodar turistas e executivos no centro de Bologna. Fica no 1º andar de um prédio residencial e possui acesso por escadas e elevador (este último ainda é luxo na Itália, na minha opinião). Não tem portaria e cada hóspede recebe 3 chaves: do prédio, da porta de entrada e do seu próprio quarto, podendo entrar e sair livremente. Todos os funcionários são simpáticos e prestativos.

Ficar aqui é uma maravilha: os principais pontos turísticos moram ao lado (clique no mapa para ampliar). E, vamos combinar, é uma delícia andar a pé por qualquer cidade italiana! Talvez você não conheça tantas pessoas quanto se estivesse hospedado num lugar mais ativo e recheado de programação para jovens alberguistas. Eu tive sorte: conheci um belga e um inglês, que me renderam boa companhia e muitas risadas, bem nas noites em que já estava conformada passar sozinha. Recomendo, mesmo para quem viaja sozinho(a) e não tem nem 1/3 da minha cara de pau.

Acomodação: oferece hospedagem em quartos individuais e/ou coletivos. Os 2 banheiros (apenas 1 com chuveiro) da casa são compartilhados. A internet wi-fi e o café da manhã estão inclusos na diária.
Principais pontos negativos: ausência de uma cozinha para uso dos hóspedes – ou de pelo menos um bebedouro, pra quem não quer beber água direto das torneiras; o preço: €50 por noite em quarto individual. Em períodos de ferias executivas e dias mais festivos, o valor deste mesmo quarto sobe para €80. Foi a estadia mais cara de toda a minha viagem (e olha que fui a Londres!), mas acho que não tem como ser diferente em Bologna...
Distâncias a pé:
* 17 minda estação de trem Bologna Centrale, seguindo direto pela Via dell’Independenza.

* 3 min – da Piazza Maggiore e seus arredores, onde estão a Fontana del Nettuno e o Palazzo d’Accursio. São meus lugares favoritos, especialmente a piazza em dia de chuva, uma constante por lá.
* 30 min – do Giardino Regina Margherita (lindo jardim, passei por lá só de carro; deixei pra caminhar na próxima).
* 7 min - das Duas Torres (Torri degli Asinelli e della Garisenda, mais conhecidas como Due Torri, em italiano). Quem tem disposição para subir os 500 degraus da Torri Asinelli (€3 euros) – beeeem mais alta do que a torre de Pisa -, recebe como recompensa uma vista panorâmica 360º de Bologna.
Guarde este último lugar, é importante. Não, gente, não tem nada a ver com O Senhor dos Anéis. É porque é justamente aqui, a partir das Duas Torres, que começa a área universitária. Sim, sim, sim, sim: onde estão os bares e clubes mais badalados da cidade.
Antes daqui, passei por:

Friday, January 7, 2011

Itália 2010 – Bologna: a diversão começa agora (1)

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Todas as vezes que comentei com alguém “Vou passar por Bologna”, sempre recebi de volta aquele silêncio. Com razão, os mais indignados por eu ter escolhido passar um tempo em uma cidade fora do Top 10 destinos mais turísticos da Itália exclamavam: “Hã? Bologna?! O que tem pra fazer em Bologna, gente?!

Boa pergunta.
Se você digitar “Bologna” no Google, vai ver que a cidade não tem muito apelo turístico para construções ou monumentos.
Pra completar, eu estava vindo de Roma e da Toscana, que tiram o fôlego de qualquer um, e por isso minha primeira impressão não foi lá das melhores.
O que me salvou de uma possível depressão à bolonhesa (cuja causa é a simples “falta de atividades diurnas para me manter suficientemente ocupada”), foi ter decidido reservar apenas 1 único dia para explorar o local, usando-a como base para passeios bate-e-volta. “Dormir na cidade” não significa “ter que aproveitar seus dias por lá” e, no caso de Bologna, algumas horas bastam para visitar as principais atrações arquitetônicas.
Além disso, o pernoite é um dos mais caros da Europa, mesmo em albergue (falarei mais sobre isso no próximo post). Então, por que raios fiquei 4 noites aqui? Para experimentar a vida noturna – que começa às 22h e termina às 3h –, considerada bastante badalada aliás, especialmente às 3ªs e 4ªs. Bom, é o mínimo que se espera de uma cidade onde vivem... 200 mil alunos universitários.
Nota preventiva: dependendo do mês, suas noites podem ser tão frustrantes quanto seu dia (pense bem antes de ficar mais de um; depois não diga que não avisei). Eu não pisaria lá em julho, agosto, fim de dezembro e até meados de janeiro, quando todos estão de férias. Se estiver viajando sozinho(a) ainda por cima, é tentativa de suicídio. Na certa.
Essa história continua... Aguardem.
Antes daqui, passei por: