Saturday, October 13, 2012

Caminho do Sol - Sobre os posts

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Pessoal, eu sei que os posts do Caminho do Sol estão meio bagunçados e tem muita coisa sobre ele. Peço desculpas a quem esteja lendo, mas é porque realmente tinha muita coisa para escrever, e pouco corpo pra tanta emoção. Se alguém se perder no meio dos posts, por favor me avise que a gente dá um jeito. =)


Friday, September 21, 2012

Caminho do Sol – De Salto a Elias Fausto

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Para fazer esse post, gostaria de transcrever exatamente como está no meu diário de viagem, pois nada do que eu disser aqui vai conseguir mostrar o agradecimento, o amor e o carinho que eu sinto pelas pessoas que passaram comigo essa jornada. Segue:

Escrito na Chácara do Seu Marino:
Acordei, levantei, arrumei minha mala e coloquei o tênis. Senti muita dor. Mesmo assim, tentei ir. A Rosana, uma das voluntárias, iria levar nossas coisas até a próxima pousada e também nos ensinar um atalho. Ela iria nos encontrar na saída da cidade.

Andei até o ponto onde a encontraríamos, sentindo tanta dor que parecia que eu estava andando de joelhos. Chorei de dor e de frustração, pois sabia que seria impossível caminhar os 30 km que me aguardavam. Meu irmão me acompanhou devagarzinho até a estrada.

Joguei a toalha e pedi arrego. Pedi carona para a Rosana, que acabou me deixando na chácara do seu Marino, que por enquanto serve como ponto de parada para o almoço dos peregrinos, já que o percurso é muito longo e ficaria muito tarde para almoçar em Elias Fausto.

(Nota1: Antes dessa parada, ela me levou ao pronto socorro de Salto, e o médico me recomendou tomar antibiótico e antiinflamatório, além de ficar 1 semana de repouso. Como eu ia ficar de repouso tendo mais metade do caminho pela frente?)

(Nota2: seu Marino e sua família são uns doces. Fazem o que podem e o que não podem para nos deixar à vontade, ou atender o que precisamos. Me fizeram escaldapés duas vezes, para tentar desinchar meus pés, e ainda me deram um pote com uma mistura de ervas para passar nos machucados).

O pessoal chegou aqui lá pelo meio dia, almoçamos, eles descansaram um pouco, com direito a uma cantoria emocionante do Seu Marino, e quando eles partiram eu fiquei. Fiquei com as minhas lágrimas de dor, tristeza e frustração, rezando para que, junto com a carona dele até Elias Fausto, venha a coragem para continuar o resto do caminho. Eu não gosto de desistir das coisas no meio, e não vai ser dessa vez que eu irei. Eu só preciso entender qual é a mensagem que estão tentando me passar com essa lição toda. Acho que está mais difícil entender isso do que aguentar a dor...

Escrito da Rodoviária de Itu, aguardando ônibus para São Paulo:
Seu Marino e sua esposa, Orlandina, são duas pessoas incríveis. Acordei à tarde, depois de passar umas 2 horas dormindo de pernas para cima na tentativa de desinchar mais os pés. Eles me chamaram para tomar um café. Como eu não tomo café, eles trataram de me arrumar um leite com direito a nescau. Comi os pães deliciosos feitos pela Orlandina e depois fomos todos para a pousada de Elias Fausto encontrar o resto do pessoal.

O meu destino foi chegar até ali, onde conheci o Rogério, o cara com a alma mais sábia que eu conheci. Cheguei lá com a receita de antibiótico que o médico de Salto havia receitado, e ele já sabia que eu estava precisando de uma farmácia e que não havia nenhuma aberta. Ele, não sei como, deu um jeito de "encomendar" o remédio para mim. Enquanto isso, o irmão dele, Thiago, me dizia que eu deveria ter uma segunda opinião médica, e não deveria sair tomando antibiótico, simplesmente.

Nesse meio tempo, o Thi, meu irmão, me fez prometer que eu iria desistir se no dia seguinte meu pé continuasse ruim. Nem cheguei até o dia seguinte...

Quando o Rogério voltou, me levou até o pronto socorro da cidade. Ficou comigo até eu sair lá com os pés enfaixados, parecendo duas meias, e outra receita com os mesmos remédios e as mesmas recomendações: faça repouso ou você vai piorar. Com muita dor no coração, mas já conformada, aceitei meu destino e voltei para a pousada.

Meus novos tênis =)
Foto do Maurício Ribeiro

No pronto socorro, conversei muito com o Rogério sobre destino e o por quê das coisas acontecerem, e essa conversa me ajudou muito. Ele é, junto com todos os outros, mais um cara absolutamente incrível (gente, desculpa, mas faltam adjetivos...).

Quando voltei para a pousada e contei que o jogo havia terminado, todos me deram muita força. É engraçado como as pessoas passam pela nossa vida. Tem muita gente no mundo que tem muita coisa para nos ensinar. Eu espero ter conseguido aprender um pouquinho com cada uma dessas pessoas que cruzaram meu caminho.

E experiência foi curta, mas a sensação de frustração já passou, e eu já entendi que meu destino era esse. Encontrei pessoas absolutamente incríveis, meu grupo era maravilhoso, todos eles. Thiago, Roger, Joel, Jomar, Fran, Fabi, Maurício, Álvaro. Todos fantásticos. O Thi, para começar, é um irmão que eu não sabia que eu tinha. Eu já era fã dele, e nunca escondi. Mas na verdade ele que escondia uma alma e um coração que acho que ninguém da minha família conhece. Eu precisava conhecer esse Thiago. Tem o Joel, que tem um coração tããão grande que não cabe dentro dele, e ele não tem medo de dividir. O Jomar dá uma lição de paciência e bom humor. O Maurício, dentro daquele jeito meio acelerado, tem uma alma enorme, e uma vontade de ajudar os outros que é até desconcertante. A força de vontade do Álvaro é gigante, ele só precisa acreditar mais nisso. A Fran, com todas as suas dúvidas e incertezas, lutou contra isso e renasceu. Tem a Fabi, que entrou por último no grupo, chegou com tanta naturalidade que é como se estivesse lá o tempo inteiro. E o Roger, com toda aquela calma que, mesmo com todas as dores e problemas, nunca pensou em desistir.

No final de tudo, pra fechar com chave de ouro, teve o Rogério (da pousada), que me ensinou, me fez rir e me fez chorar, e me adotou como irmã em umas 3 horas que tivemos de convivência. A vida é mesmo uma loucura...

Escrito em São Paulo, dias depois:
Agradeço a todos que estiveram comigo me dando forças. A quem ainda não fez o caminho e está lendo esses posts, saiba que cada dor, cada bolha (SE você tiver... pois o meu foi um caso isolado), cada gota de suor, cada sinal de cansaço, tudo isso é recompensado quando você recebe um carinho, um bom dia de um desconhecido, quando percebe o respeito das pessoas que cruzam seu caminho, quando percebe que as pessoas são muito melhores do que elas mesmas acreditam ser, e quando você percebe que você é muito melhor do que você achava que era. E pode ter certeza de que, quando você resolver fazer o caminho, vai ser porque tem alguma coisa lá esperando você. Seja uma resposta, seja uma pergunta. Seja um aprendizado, seja um crescimento que você vá estar preparado para receber. Quem sabe, seja até uma pessoa? A hora de fazer o caminho é ele mesmo quem escolhe. A gente não tem absolutamente nenhum poder de decisão.


Caminho do Sol – De Itu a Salto

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Até pouco tempo atrás, o caminho feito hoje era um pouco diferente. A pousada era feita na Fazenda Vesúvio, que, por problemas técnicos (não sei exatamente o que), não pode mais receber os peregrinos. Quando isso acontecia, a caminhada era dividida em uns 22 km em um dia, e 24 km em outro. Como a pousada teve que mudar, a caminhada passou a ter 16 km num dia (ou 14, não sei bem) e 30km no outro. Ou seja, um dia muito leve e outro muito pesado.

Pé na estrada
Esse era o dia leve. Nem despachamos nossas bagagens, pois a essa altura, já conseguíamos muito bem andar 16 km com toda a casa nas costas. E realmente o caminho foi bem tranquilo. Fomos mais ou menos juntos novamente, andando mais devagar, já que o percurso era curto, e, embora a região fosse muito árida, deu para andar até sem o lenço no rosto. Eu conseguia conversar normalmente durante uma subida, por exemplo (coisa impensável no dia anterior).

Cadê as árvores?? 
Foto do Álvaro Bombardi

Nem fizemos paradas no caminho. No máximo uma ou outra pequena pausa para dar uma alongada e repor a comida no estômago, mas nada muito longo. Incrível perceber como o corpo acostuma (e rápido) com as condições adversas. Aquele dia senti, sim, dificuldades. Mas nem se comparam com os primeiros dias. Mas havia um porém: meus pés já estavam começando a gritar. Nem tanto pelas bolhas, mas parecia que eu tinha um pouco de dificuldade de dobrar os dedos. Mas depois que o corpo esquenta, a gente vai embora e nem percebe.

Chegando a Salto
Quando chegamos na cidade, paramos em um mercado e na farmácia. Foi até um episódio engraçado, pois eu fui a terceira a chegar na farmácia, e assim que eu cheguei o balconista já perguntou: "micropore?". rs Estava todo mundo repondo os estoques de micropore. E aposto que muita gente de outros grupos faz isso também.

Supermercado BomBom, uma das referências para chegar no hotel.
Tá vendo a turma sentada encostada na sombra?
Foto do Álvaro Bombardi

Mas enfim, no mercado não havia nada muito "útil", como barras de cereais ou docinhos de banana. Compramos apenas as águas e seguimos mais 2 km até o hotel, que ficava na cidade.

O hotel

Entrada do hotel de Salto
Foto do Álvaro Bombardi

O hotel foi a grande "decepção" da viagem. E pior de tudo: ele foi decepcionante pois era muito bom. Por causa daquele problema que eu contei no início do post, eles tiveram que achar uma outra solução de pousada, e a única que acharam foi esse hotel 3 estrelas que fica no centro da cidade. O hotel é ótimo, tem uma piscina incrível, um café da manhã delicioso e um almoço também super gostoso (o almoço não está incluso na diária). Mas acontece que estávamos tão acostumados a quartos coletivos, e a ficarmos juntos em pousadas simples, que quando chegamos lá levamos um choque. Como assim íamos ter que ficar em quartos separados, longe um do outro? Eu, por exemplo, acabei ficando sozinha no quarto, já que estávamos em número ímpar. Nós nem sabíamos em que quarto estavam as outras pessoas. Tirando o tempo que passamos juntos na piscina antes do almoço, todo o resto do dia ficamos dispersos. Formamos pequenos grupos e passeamos cada um pro seu lado, pois não havia comunicação. Por esse lado, foi horrível. Queríamos estar juntos. Queríamos pensar juntos em qual seria o passeio. Mas não ocorreu. Apesar de termos uma estadia num lugar ótimo, faltou o que a gente mais tem no Caminho do Sol, que é o calor das pessoas.

A piscina incrível do hotel. 
Foto do Maurício Ribeiro

Nosso passeio
Depois de dar uma descansada à tarde (coisa que raramente fazíamos), eu encontrei o Thi, o Roger, a Fabi, o Joel e o Jomar na piscina e de lá saímos para dar uma volta na cidade e comer. Adorei Salto. Me deu até vontade de morar lá. É uma cidade que parece ser bem arrumada, com bom comércio, e próxima a várias cidades grandes. Sei lá, quem sabe um dia?

Chegando no hotel, ficamos na área da piscina um tempão costurando (mais) bolhas e fazendo massagens uns nos outros. Que que eu posso falar? Que foi mágico? Que foi maravilhoso? Não sei. Só sei que a noite estava uma delícia e todos estavam em sintonia. Eu sei que parece romântico demais, mas quando você estiver lá, vai entender o que eu estou dizendo. É tipo aquilo que você ouvia da sua mãe, saca? "Quando você for mãe, vai entender!". Esse tipo de momento, só estando lá para entender o tamanho da energia. Mas espero que eu esteja conseguindo passar o espírito da coisa...

Caminho do Sol – de Cabreúva a Itu

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Agora que eu já contei o final, vamos voltar para o meio da história...

Contei, no post de Pirapora a Cabreúva, que a Márcia era super legal e fez pra gente um café da manhã super gostoso. Tinha vários tipos de pães, frios, frutas, café, leite, bolo... enfim, tudo de gostoso que pode ter num café da manhã.

Escalaminhada
Nesse dia, excepcionalmente, tínhamos que sair todos juntos, pois a Márcia iria nos levar por um caminho por trás da pousada, para evitarmos ter que pegar estrada. Só que o trecho é chamado de "escalaminhada". Dá pra sacar o por quê? A trilha fica em um trecho de mata, e é um morro bastante íngreme, que é bem complicado de fazer se você não estiver usando seu cajado. Até dá, mas fica bem mais difícil. Ainda mais porque o tempo estava muito seco e o chão estava cheio de folhas, o que deixava tudo bem escorregadio (imagino que em época de chuva deva piorar sensivelmente). Se você está subindo e não está conseguindo, vai ter que dar um jeito. Porque descer é mil vezes pior. No nosso caminho, o Álvaro estava sentindo muitas dificuldades para subir. A Márcia, que estava lá na frente de um grupo de 9 pessoas, teve que descer para ajudá-lo. Ela desceu praticamente de bunda, pois era impossível não descer escorregando. Agora, imagina descer tudinho de volta! É mais fácil continuar.

No final tudo deu certo, o Alvaro conseguiu subir devagarzinho, e quando a gente chega lá cima, esquece todas as dificuldades. A vista é linda.

Por favor ignorem que a foto está torta, ok? rs

Lá em cima é um descampadão cheio de cercas de arame farpado. Aí começa a corrida com obstáculos. Tivemos que passar por cima, por baixo, pelo meio... de tudo quanto é jeito. 

O pessoal tentando passar por uma das cercas

Depois de andar um tanto, que me falaram que eram 2 ou 3 km (eu ainda duvido desse número, mas ok), chegamos até a estrada, onde a Márcia nos deixaria. Ela dá as últimas instruções e solta a boiada (nós). Aí somos nós por nós mesmos. Esse dia foi bem bacana, pois como saímos todos juntos, passamos praticamente o caminho inteiro juntos, nos dividimos em grupos de 2 ou 3 e uma hora andávamos num grupo, outra hora andávamos em outro. Quando parávamos, parávamos todos juntos. Foi muito legal. Além desse detalhe, na minha opinião esse trecho é o que tem a vista mais bonita (aproveitem, pois depois começam os canaviais...). São pedras gigantes no meio de descampados (hoje pastos), e ninguém sabe como chegaram lá. Existe a teoria dos ETs, mas a que eu acredito mais é a de que ali já foi mar. Não sei porque as pedras sobraram só lá, mas eu sei que é lindo. E pra completar, ainda tem uns cactus no meio das pedras, lembrando que você está praticamente atravessando o deserto. Não é, mas é como se fosse, tamanho o calor. 


As pedras você vê lá no fundão. Clique para ver ampliada. 
Foto do Álvaro Bombardi. 

O Oásis
No meio do caminho, está o Oasis: o Armazém do Limoeiro. É uma espécie de bar que serve petiscos, lanches e vários tipos de bebidas no meio do nada. Nesse dia, como era feriado, estava lotado de ciclistas e pessoas que acredito serem turistas. Para completar, ainda estavam filmando um comercial da Eco Sport nova lá, então estava a maior bagunça. Paramos um pouco por lá (talvez até mais do que devêssemos), tiramos os tênis, comemos, reabastecemos as águas e continuamos.

Depois do Oásis...
A partir dali a paisagem começa a fica mais árida. Raríssimas árvores e muita terra. Respirar começa a ficar um pouco mais difícil, então é bastante recomendado que se coloque a fralda molhada no rosto para aliviar a respiração. Com isso, considere na sua bagagem também a água para molhar a fralda, para não precisar usar sua água de beber. Falando em água, no meio do caminho entre o Armazém do Limoeiro e a pousada, há uma fazenda onde dá para reabastecer e, quem precisar, desabastecer (usar o banheiro). Não sei dizer exatamente onde fica, mas sei que fica numa espécie de "esquina". Quando chegamos lá, aproveitamos para sentar um pouco na grama e dar uma esticada. Descansamos mais um pouco e seguimos. Faltava pouco.

A pousada
Depois de 24km, chegamos à pousada, que era, na verdade, um Haras. Chama-se Haras do Mosteiro. O lugar também nos recebe com uma subida nada amigável, mas muito menos pior que aquela da Márcia...

Vista do Haras. Lugar belíssimo. 
Foto do Álvaro Bombardi

Quando chegamos, o almoço já estava servido, mas precisava tomar banho e lavar minhas roupas, ainda. O lugar ali é muito legal, achei os dormitórios muito bacanas. Havia um "chalé" com dois dormitórios coletivos, um com 3 camas onde ficaram as meninas, e no do lado ficaram os meninos. Os banheiros, que ficavam dentro do quarto, eram como se fossem vestiários. Havia duas cabines para toalete e 3 de chuveiro. Achei incrível.

Como, mais uma vez, estávamos no meio do nada, não havia muito o que fazer. Mas isso não era problema para nós. Depois que nós almoçamos, fomos para o quarto costurar mais bolhas. O Jomar realmente vai pro céu. Ele, com tooooda aquela paciência que deus deu para ele, costurou novamente minhas bolhas, que a essa altura já eram incontáveis, e depois disso ficamos na varanda do quarto, todos juntos, batendo papo. Tem coisa mais gostosa que essa? Sentar pra jogar conversa fora depois de um dia fritando no sol, num haras? Pode não fazer o seu estilo, mas tenho certeza que se você estiver lá, vai achar a melhor coisa do mundo!

Meu pé, depois de 2 sessões de costura de bolhas...
Foto do Álvaro Bombardi



Tuesday, September 18, 2012

Caminho do Sol – O final

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Vou abrir uma licença poética aqui e vou pro final antes de terminar o meio. É porque o pessoal terminou a caminhada antes que eu conseguisse terminar meus posts. E como eu fui encontrá-los e foi muito emocionante, queria contar pra vocês antes que perca a graça.

O final do caminho é em Águas de São Pedro, onde uma estátua de São Tiago recebe os peregrinos em frente à igreja da cidade. Na verdade, o final de verdade não é lá. Ele ocorre 100m a frente, em um lugar que parece uma pequena reserva, onde foi colocado um sino, e construído uma espécie de altar, onde ocorre a cerimônia do final da caminhada.

Eu fui com o Ale (meu marido), a esposa e o filho do Maurício (que estava fazendo o caminho) encontrá-los na frente da igreja, onde eles chegariam para "saudar" a estátua de São Tiago. Chegamos lá mais ou menos 1 ou 2 horas antes deles, e ficamos lá na pracinha sentados, ansiosos. Cadê eles que não chegam nunca? Liga pro Maurício, faltam "só" 3 km. Espera, espera, espera, e nada deles chegarem. Acho que nós estávamos mais ansiosos que eles. Mas toda espera valeu a pena quando eles chegaram.

A chegada

Na frente chegaram Thiago, Roger, Fabi, Fran e Maurício, e a turma do fundão foram Joel, Jomar e Álvaro. O abraço... ahhh o abraço. Como é gostoso o abraço de alguém que se espera muito. E eu tive 8.

Depois do oi, eles foram conhecer a estátua, eu entrei no grupo e fizemos a saudação a São Tiago da nossa forma: levantamos todos os cajados (eu levantei só a mão, já que estava totalmente destoante do grupo, de vestido, sandália e sem cajado) e gritamos o nome do grupo: Vida, que, segundo eles, foi dado em minha homenagem. Lindos!


O Sino



De lá, andamos os 100m restantes e fomos tocar o sino. A tradição diz que cada peregrino deve tocar o sino 3 vezes. Nós fizemos, um por um, e depois que todos já haviam tocado, todos nos juntamos e tocamos todos juntos (confesso que foi um pouco difícil, mas no final conseguimos). Ali a emoção já estava a mil. Ouvir o sino tocando, um por um, era de fazer arrepiar. Era como se cada um deixasse para trás uma vida na primeira badalada, e ganhasse uma nova na badalada seguinte. Muita energia delícia naquele lugar.

A Cerimônia
Essa foi a parte mais difícil de todas. Difícil no sentido de emoções. Impossível segurar alguma emoção ali. Quem não fez parte estava ali também, e também se emocionou muito. Ela começa com o Palma explicando algumas coisas sobre o caminho, e sobre o "certificado" que a gente recebe ao chegar lá. Mas não é ele quem dá o certificado. Quem recebe escolhe de quem quer receber. E depois faz um depoimento. Gente, vocês nem imaginam o quanto de lágrimas escorreu ali. Lágrimas boas, lágrimas de emoção.


Para mim foi um pouco mais difícil. Como eu não estive lá durante o caminho inteiro, alguns deles me deram presentes que guardaram ao longo do caminho para me dar ali na chegada. Desculpe a expressão, mas foi foda. Receber tanto carinho, pra gente que está acostumado com a loucura de uma cidade corrida, é até difícil de assimilar.

Eu não tenho a menor ideia de quanto tempo durou a cerimônia. Também não tenho ideia de quantos litros de lágrimas foram derramados. E nem de quantos sorrisos foram abertos. Se eu tivesse que definir em poucas palavras, definiria como "lavagem da alma".

A comemoração

Depois dessa chegada triunfal, e antes que eles perceberem que eles têm uma vida pra tocar (o tal do choque da realidade...), nós saimos para almoçar na cidade. Águas de São Pedro é uma gracinha de cidade, mas é bem pequena. Fomos almoçar quase 4 da tarde, e havia poucos lugares servindo almoço àquela hora. Achamos um restaurante pertinho da pousada e fomos todos lá. Comida boa, atendimento excelente (não tenho a menor ideia do nome do restaurante, mas dá quase de frente pra igreja), nos empanturramos de bife à parmegiana. De repente o garçom coloca pratinhos de sobremesa na mesa. Ué? Alguém pediu sobremesa? Não. Eis que chega um bolo pra mim! Ah é! Era meu aniversário! Mas quem pediu o bolo? Estou até agora tentando saber. Honestamente, não importa. Pode ter sido um, podem ter sido todos, pode ter sido o garçom que ouviu de alguém que era meu aniversário. O importante é que foi mais um momento mágico naquele conjunto maravilhoso que estávamos vivendo ali. Agradeço a todos vocês, meus amigos, que estiveram ali comigo. E queria também dizer que eu dividi a conta por 12, tá? Portanto, eu paguei também. hahaha.

A missa
À noite tem uma missa nessa igreja que eu já falei, e, se você der os nomes dos peregrinos para o padre, ele os chama lá na frente e os abençoa. Eu não sou católica, mas adorei a missa dele. Ele é um padre peregrino, e tem uma cabeça mais aberta. A missa dele é muito bacana, apesar de longa. No final ele nos chamou, nos abençoou, e depois carimbou nossos passaportes (sim, parece piada, mas na igreja também carimba). Quem estiver por lá e não for católico e não gostar de missa, eu recomendo que vá nessa. Eu achei que valeu a pena.

Friday, September 14, 2012

Caminho do Sol - De Pirapora a Cabreúva

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O segundo dia de caminhada já foi mais puxado. Agora, ao invés de 14 rápidos km, eram 23. A ideia era sairmos bem cedo, para não pegarmos muito sol no caminho, mas acabamos saindo um pouco mais tarde que no dia anterior. Mas beleza, a gente ia andando rápido, então a princípio isso não era um grande problema.


Preparação para a saída
O café da manhã em Pirapora foi bom, tinha variedade de pães, frios e frutas. Fiz um lanchinho para comer no meio do caminho, já que a caminhada seria longa. Também na cidade nós compramos umas barrinhas de amendoim e umas balinhas de banana (aquelas doces), para dar um pouco mais de energia. Você nem imagina o pique que umas mordidinhas num doce de amendoim pode dar!

O caminho
Começamos nossa caminhada umas 7h30, bem depois do previsto. O pessoal saiu na frente, e eu fiquei para trás com o Thi (meu irmão) e o Roger (amigo dele). Caminhamos os primeiros 11km sem grande esforço. A paisagem nesse trecho é linda, apesar de ser asfalto, ainda (porém com muito menos movimento que a de Santana de Parnaíba). A dica era para andarmos no asfalto na contramão, e não no mato, pois por ser uma área de preservação tem muitas cobras. Nós achamos uma (na foto). Tá certo que ela não oferecia nenhum perigo, mas ainda assim era uma cobra... 

A super-cobra

Nesse trecho, que é um dos mais bonitos do caminho, eu recomendo que você ande sem ouvir música (caso você esteja levando seu MP3). Digo isso porque tem tantos passarinhos cantando por ali, alguns macacos, tanta vida silvestre que dá dó perder isso. Música a gente ouve em casa. Mas quantas oportunidades a gente tem de passar por uma estrada e aproveitar tudo o que ela tem a oferecer, além da paisagem? 

Um pouquinho da vista do trecho

Quando estávamos mais ou menos no km 8 ou 9, achamos um pequeno recuo na estrada. Aproveitamos para fazer uma parada um pouco mais longa, tiramos as mochilas das costas, os tênis, refizemos os curativos, atualizamos o talco (atualizamos o desodorante também... hahaha), e comemos um pouco. Os meninos haviam comprado frutas na cidade, eu comi umas bananinhas doces para ajudar pro resto do caminho. E ainda havia muito caminho pela frente! Aliás, o plano altimétrico que diz lá no guia nesse trecho é meio enganador. Ele diz que é praticamente todo plano, mas ele é totalmente cheio de subidas! 

Abastecimento de água
Depois de nos reabastecermos, continuamos andando, e depois de uma longa descida, descobrimos uma bica de água. Ela fica bem numa curva, do lado direito, logo que você chega no nível do rio, que nessa altura ainda é cheio de espuma. Foi nos dito para não bebermos água de bica, principalmente quem não está acostumado. Mas havia vários ciclistas parando ali, e um deles garantiu que a água era de qualidade. Aproveitamos para trocar nossas águas, que já estavam num nível quase crítico. 
Obs.: não sofremos nenhum efeito colateral por causa da água.

Um pouco mais para frente, paramos no mercado IVO, um dos pontos de apoio onde podemos carimbar nossos passaportes. Lá eu consegui ir ao banheiro (é, meninas... temos que aproveitar esses momentos! Matinho bom pra fazer xixi é difícil de encontrar), paramos por um bom tempo, dei uma alongada, compramos mais água e continuamos. Ainda tínhamos cerca de 13 ou 14 km pela frente. Ou seja, o dobro do que já havíamos andado. E já era perto do meio dia, o sol estava judiando demais. De lá até o final, para mim foi terrível. Não estava preparada para tanto sol na cabeça, e minha pressão caía a toda hora. Tinha que fazer pequenas pausas o tempo todo (tinha que ser pequena, para não esfriar o corpo), meu quadril doía bastante e eu segui à base de antiinflamatório e dorflex. Chegar ao marco da cidade de Cabreúva é uma ilusão, pois a pousada ainda está muito longe de lá. Andamos mais uns 2 km até chegar no centro, e depois mais uns 2 até chegar na pousada. 4km pode parecer pouco, mas não é depois de já ter andado 20. Tudo o que eu queria era um lugar para me jogar e descansar. Eu já estava esgotada. 

Eis que, finalmente, cruzamos o portão da pousada. Soltei rojões de alegria, pois havíamos chegado. Mas minha alegria durou pouco. Depois de passar o portão, a gente ainda sobe cerca de 800m, em uma subida alucinante (tudo bem que é bonito, no meio do mato). O Thi e o Roger estavam na frente, mas eu não aguentei e tive que parar no meio da subida, prestes a desmaiar. Sentei, comi mais uma pouco de glicose e tomei mais água, fiquei uns 5 minutos até me recuperar e voltei a subir. Logo depois encontrei uma escada. Comecei a dar risada, porque eu tinha certeza que era uma piada. Eu precisava urgentemente de um guincho. Eu jamais conseguiria chegar até os chalés! Mas como eu não tinha muita saída, e faltava muito pouco, segui em frente. 

Para minha imensa alegria (e dessa vez foi de verdade), na pousada havia uma piscina. Só foi o tempo de eu tirar meu tênis e as meias, pra me jogar na piscina. Aquela água gelada foi extremamente revigorante. 

Ao chegar, fui recepcionada calorosamente pelos meninos que já haviam chegado bem antes, e fiquei muito emocionada. A sensação de ter chegado, de ter cumprido uma etapa difícil, e ter gente lá te apoiando é muito gostosa. 
A coisa só deixou de ser gostosa depois que eu olhei para o meu pé. Eu não estava sentindo, mas foi ali que meu pé começou a encher de bolhas. Até hoje não entendi como não senti nenhuma delas se formando, mas o fato é que tinha até bolha de sangue embaixo de uma das unhas. Passei metade da tarde com o Joel e o Jomar costurando minhas bolhas, na maior paciência! Esses caras são incríveis! 

Atenção nas bolhas, tá? Não reparem no pé. 

À noite a moça da massagem chegou. Uma dica importante: se você tiver a oportunidade, não perca essa massagem. Ela bota TUDO no lugar. O Roger, por exemplo, estava com o joelho travado, não conseguia mais dobrar a perna. Ela botou no lugar e ele não teve mais problemas. Eu estava com muita dor no pescoço por causa da mochila que estava mal regulada (contei que quebrou a fivela da minha cintura, né? Eu ainda não estava usando o truque do nó), e ela também consertou. Seja para relaxar ou para consertar alguma coisa fora do lugar, os R$ 50 valem a pena. 

A Márcia, dona da pousada, é uma pessoa extremamente extravagante e alegre. Faz o possível para que a nossa estadia seja a melhor. Nos fez um almoço, uma janta e um café da manhã incríveis. Foi realmente uma pena deixar aquela pousada. Como estávamos bem longe da cidade, nos restou ficarmos todos juntos conversando e falando besteira. Como eu disse, era como se nos conhecessemos há anos...

DICA IMPORTANTE: Acabei esquecendo de falar, mas em algumas pousadas existe um serviço de alguns voluntários (embora isso seja pago) no qual você pode enviar suas malas ou, se for o caso, se enviar até a próxima pousada. O preço é fixo por carro, como se fosse um táxi. Quanto mais gente usar o serviço, mais barato fica para cada um. Então, em Pirapora, nós arranjamos uns sacos de lixo, colocamos tudo o que não iríamos usar durante o caminho (roupas, necessaries, essas coisas) e deixamos só o essencial. Isso aliviava o peso em cerca de 3Kg. Fazíamos isso todas as vezes que o caminho era muito longo. Vale a pena. 

Thursday, September 13, 2012

Caminho do Sol - De Stna de Parnaíba a Pirapora

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E aqui começa de verdade a aventura. Iríamos sair no dia 05, mas pediram para dormirmos na pousada em Santana de Parnaíba já no dia 04, para que pudéssemos receber as últimas instruções, ajustar as mochilas e receber o material do caminho.

Fomos eu, o Thi (meu irmão) e o Roger (amigo dele) para a pousada. Lá conhecíamos bem, afinal de contas, praticamente nascemos ali. A pousada fica bem no centro da cidade, próxima à Matriz, e é muito simples. Na nossa chegada, não nos esperam com janta. A tradição é a de que a turma peça uma pizza, faça o rateio entre eles, e coma no guardanapo, sem direito a garfo, faca ou prato. Dizem que já é para irmos nos acostumando com o que vem pela frente...

A pousada e nossos companheiros de jornada.

A organização
Fomos os últimos a chegar, e a pizza já havia sido devidamente deglutida. Sobraram 3 pedaços, que eu e o Thi demos conta de terminar. Quando chegamos, o Palma, idealizador do projeto, já estava com a turma arrumando as mochilas. Nos juntamos a eles. No total, estávamos em 2 mulheres e 6 homens, sendo que mais uma mulher nos encontraria no meio do caminho, em Cabreúva. De cara, já nos demos bem. Todos eram muito simpáticos e cordiais. "Deu liga".

Acabamos a sessão de mochilas, o Palma nos entregou nossas credenciais (é um "passaporte" que vamos carimbando em pontos-chave no meio do caminho, além das pousadas que ficamos). Também entregou o manual para quem comprou. Sobre esse manual, vou falar uma coisa: eu não comprei, mas faz falta. Ele nos explica pontos que podemos ter dúvidas, e evita que a gente se perca no meio do caminho, apesar de estar bem sinalizado (de repente você está empolgado numa conversa e acaba não percebendo alguma seta). Aconteceu de pessoas sem o manual se perderem, e quem estava com o manual fazer o caminho certinho. Então, na dúvida, eu recomendaria a compra. Já o cajado, é mais uma lembrança. Eu prefiro comprar um que seja retrátil, pois o que eles vendem é um bambu, e dependendo de onde você estiver, ele pode até atrapalhar. Eu não peguei e não me arrependo (apesar dele ser lindo).

Não tinha muito o que fazer por lá, fomos dormir cedo, afinal de contas, no dia seguinte às 5h30 já estaríamos de pé. Tomamos o café da manhã da pousada (que era bem ok) e partimos.

O início do caminho


Subida do Cala Boca

O caminho entre Santana de Parnaíba e Pirapora é o pior de todos. Ele é feito 100% em via asfaltada, a maior parte sem asfalto, e com muitos caminhões passando, e muitos carros correndo feito loucos. Precisa ter muito cuidado. A trilha é curta, apenas 14km, mas o stress é grande e parece que a gente andou 35. Passamos por duas subidas bem complicadas, uma delas, inclusive, se chama "cala boca", um nome bem sugestivo. É mais ou menos assim "ou você fala ou você sobe". Mas daí você chega num mirante lá em cima e percebe o quanto você subiu (e o quanto vai ter que descer...). Esse primeiro trecho é pra te testar e aquecer, mas se você não for bem nele, não desista. O Álvaro, por exemplo, é um senhor que estava conosco. Ele fez esse primeiro dia sentindo muitas dores e bastante cansado. Fomos devagarzinho, atrás de todo mundo. Chegamos cerca de 1hora depois de todo mundo, e ele chegou a pensar que não fosse conseguir. No dia seguinte, achou melhor não caminhar, e de lá para os outros dias, fazia inveja nos mais novos. Portanto, é o que dizem: se você pensa em desistir, tome a decisão apenas no dia seguinte.

Chegada em Pirapora
Chegamos em Pirapora mais ou menos na hora do almoço. Tomamos banho, lavamos as roupas (tem que lavar logo que chega pra dar tempo de secar), e fomos almoçar. Lá ficamos numa pousada chamada Casarão, que fica bem ao lado da Matriz, no centro da cidade. A pousada é simpléééérrima, mas o dono é super simpático. Preparou um escaldapé para os mais necessitados (eu já era um deles... rs). Isso pode ser bom para o pé, mas dói até na alma. Apesar da dor, vale a pena, pois alivia as dores, depois.

Depois do almoço, fomos fazer uma visita ao Seminário, onde o Padre Godofredo nos recebeu. Muito simpático, um padre belga de mais de 90 anos que está no Brasil há mais de 60, ele nos conta a história da cidade e de alguns acontecimentos interessantes de lá e de cidades vizinhas, como Santana de Parnaíba. Depois nos convidou a fazer uma visita ao museu do seminário e a conhecer as instalações. Não tenho fotos de lá, talvez consiga com alguém alguma para postar aqui. Mas é um lugar muito bonito.

Passamos o resto do dia tomando cerveja, sorvete e comendo. Como o caminho nesse dia foi muito curto e nós chegamos cedo, tínhamos tempo de sobra. O centro de Pirapora é muito pequeno e não tem muito o que fazer.

Descobrimos que não haveria janta na pousada, e que também não havia restaurantes. Tivemos que nos virar com a padaria, que fechava às 19:30h. Comemos e fomos dormir, pois estávamos exaustos.

Vista do mirante de Pirapora. De lá da pra ver o seminário, aquela construção
grandona bem no meio da foto, e ao fundo, o Rio Tietê cheio de espuma.

Um pouco de reflexão
O mais legal desse dia é que foi o nosso primeiro dia juntos. Olhando agora para trás, parecia que nos conhecíamos há anos. A conexão foi imediata. Louco isso, não?

* Clique nas fotos para vê-las maiores. 

Caminho do Sol - Quanto dinheiro levar?

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Uma questão que aflige os futuros peregrinos é: quanto dinheiro eu devo levar?? A resposta está em outra pergunta: você usa cheque? A questão é que todas as pousadas por onde eu passei aceitavam cheques. Nas cidades (mercados e afins), muitos lugares aceitavam cartão, exceto se a compra for muito pequena.

Eu havia levado R$ 500 de reserva, mas cheguei na metade do caminho com uns R$ 450. Então não há necessidade de levar grandes quantidades. Além do mais, em algumas passamos por dentro das cidades, então há a possibilidade de fazer saques. Se seu banco for Bradesco ou Santander, fica mais fácil ainda, pois eles são muito comuns no interior. Não me lembro de ter visto Itaú, mas também não procurei muito.

Sobre os valores das pousadas, calcule uma média de R$ 100 a R$ 120 para as primeiras pousadas, pois, embora café da manhã, almoço e janta estejam inclusos, as bebidas não estão. Também na pousada em Cabreúva há um serviço de massagem que custa uns R$ 50, e que eu aconselho fazer. A mulher é realmente muito boa.

Um pouco mais pra frente as pousadas vão ficando mais baratas. Em alguns casos, a gente passava em mercados e comprava frutas e comidas calóricas e energéticas (compre barras de amendoim. São ótimas para dar energia!). Nesses casos, é bom ter um dinheiro no bolso, caso o mercado não aceite cartão.

Resumindo, se você usar cheque, leve pouco dinheiro e um cartão. Se você não usar, leve dinheiro e lembre-se que há a possibilidade de sacar dinheiro em algumas cidades (mas não em todas, portanto, programe-se. Pergunte sempre ao dono da pousada, eles vão dando as dicas).

PS.: Preços de Setembro de 2012

Caminho do Sol – As meias

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Prometi que eu ia escrever sobre as meias que eu usei, então aí vai uma rapidinha sobre as minhas impressões dos 3 modelos que eu levei:

Quechua - Forclaz 500 Blister Guard
Essa foi a que eu achei piorzinha. Achei ela muito quente e que deixou o pé mais úmido. Mas quando eu estava usando, meu pé já estava no pior dos dias, bastante inchado e quase já não cabia mais no tênis. Essa meia ajudou a piorar a situação, pois ela é bem grossa. Tem quem fale muito bem dela, pode ser que eu tenha dado azar devido às minhas condições físicas, mas eu não compraria de novo. Apesar de tudo, ela é a mais barata, paguei cerca de R$ 35,00 dois pares na Decathlon, mesmo valor de cada uma das outras abaixo, que vem só um par.



Curtlo 
Essa eu achei na Mundo Terra. Achei melhor que a Quechua, é um pouco mais fina e mais respirável. Achei ok. Não tenho nenhum ponto contra ela, achei que segurou bem a bronca. 

Endurance
Confesso que essa eu não sei se é mesmo a marca, pois não fui eu que comprei. Mas a cara dela é igual.  Das 3 que eu usei, achei essa a melhor. Mesmo quando eu estava usando ela sem a segunda pele, ela foi muito bem. Essa também tem pra comprar na Mundo Terra



Coolmax Liner
Essa é a tal da segunda pele. É uma meia bem fininha, que se veste por baixo da mais grossa. Ela que vai segurar melhor toda a umidade do pé, além de diminuir o atrito do seu pé com o fio grosso da meia de cima. O problema é que seu pé fica mais apertado, e é por isso que seu tênis tem que ser maior que o seu número usual. No meu caso, meu pé inchou tanto que no final eu não consegui mais usá-la. Portanto, quando for comprar o tênis, lembre-se de calcular o espaço para as meias e a possibilidade de um pé inchado... 


PS.: Preços de Agosto de 2012

Wednesday, September 12, 2012

Caminho do Sol – o equipamento (check list)

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Quando estamos fazendo a mala para uma longa caminhada, temos que lembrar que essa mala ficará nas nossas costas durante 3, 4 ou, em alguns casos, até 6 ou 7 horas. Por isso é importantíssimo que ela esteja o mais leve possível. Isso significa levar apenas o estritamente necessário, e, como eu disse no post anterior, às vezes o que achamos que é necessário descobrimos lá no meio que era desnecessário. Vi gente enviando pelo correio mais de 2kg de coisas que estavam na mochila, ou seja, é possível sim fazer uma mochila leve. Algumas pessoas dispensaram, inclusive, as necessaries que estavam levando. Jogaram tudo num saco (aqueles zip lock) e mandaram a necessarie embora. Pode não parecer, mas elas são pesadas. Nesse momento, quaisquer 200g são lucro.

Como eu fiz a caminhada numa época de verão e tempo muito muito muito seco, a quantidade de roupas era significativamente pequena. Não posso falar sobre malas de inverno, então vou falar sobre itens necessários para o verão seco, ok?

Itens INdispensáveis

Roupas:
- Duas camisetas dry fit
- um short
- uma calça (se for aquela calça que vira short, melhor ainda)
- uma jaqueta tipo corta-vento, bem fininha, só pra sair de manhã, que é mais friozinho
- duas ou três peças íntimas
- para as mulheres: 2 tops dry fit
- 2 pares de meias boas (depois vou falar mais sobre elas)
- Capa de chuva. Procure uma leve. Por mais que o tempo esteja seco, nunca se sabe quando a chuva pode vir. É sempre importante ter uma por perto.
- Um bom tênis, obviamente.
- Um par de chinelos. Tem gente que leva papete, mas uma havaianas serve. A vantagem da papete é que se a bolha estiver incomodando muito, dá pra fazer um trecho de papete com meias. Mas na minha turma ninguém precisou.
- Um lenço de tecido ou fralda (aquelas de criança) de algodão, para umedecer e cobrir o rosto em estradas de terra. Passamos por muitos canaviais, e a poeira é muito grande.
- Um boné legionário, aquele que tem proteção para o pescoço e você fica parecendo o Chaves. É horrível, mas é bem importante

Banheiro e afins:
- Escova de dentes (acho que dispensa explicações, né? rs)
- Pasta de dentes, de preferência aquela menorzinha, de 50g.
- Shampoo. Compre na farmácia aqueles kit-viagem, e coloque apenas a quantidade necessária para os 11 dias, que, dependendo do frasco, dá pra encher só até a metade.
- Sabonete
- Sabão de coco (sim, você vai ter que lavar suas roupas!). Apenas 1/4 do sabão já é suficiente.
- Protetor solar FPS 60, no mínimo. No calor que pegamos, o FPS 30 não aguentava nem até às 7 da manhã.
- Alfinetes de segurança (aqueles de fraldas) nº 3, para usar como pregador. Muitas pousadas têm varal, mas não têm pregador.

Farmácia:
A farmácia é algo muito pessoal, mas existem coisas que não dá pra deixar de levar. São elas:
- Micropore. Compre daqueles mais largos, com a maior metragem possível. Acredite em mim, você vai gastar tudo e ainda vai comprar mais no caminho. Só assim você vai conseguir evitar ao máximo as bolhas.
- Vaselina. Eles dão a opção de usar hidratante, mas vaselina é muito melhor.
- Talco (aqueles de pé, mesmo). Importante principalmente pra quem sua muito no pé.
- Nebacetin. Importante para qualquer tipo de ferida que apareça, inclusive as bolhas.
- Linha e agulha, para costurar bolhas (embora os médicos não recomendem. Eles recomendam que você pare de caminhar depois que aparece a primeira bolha. rs).
- Merthiolate e algodão, para desinfetar a agulha, caso precise furar a bolha. Não esqueça também de desinfetar a linha.
- Cataflan pomada. Boa para passar nos ombros, panturrilha ou onde mais estiver doendo.
- Antiinflamatório (comprimido), caso você tenha algum problema um pouquinho mais crônico, tipo uma dor no joelho, ou quadris. O antiinflamatório ajuda a segurar a dor. É bom falar com o médico antes, caso esse seja seu caso. Assim ele te passa o remédio certo.
- Para as meninas: se você estiver ou estiver para ficar menstruada, recomendo levar absorventes suficientes. Nem todas as pousadas são na cidade, e não é todo dia que você vai ter oportunidade de passar por uma farmácia. Em todo caso, vá perguntando nas pousadas qual é o circuito seguinte, para se planejar.
Obs.: Nunca coloque o micropore em cima de uma bolha sem antes passar uma pomada, como a Nebacetin. Depois, quando tirar o micropore, pode arrancar a pele da bolha e essa dor você não vai querer sentir.

Outros:
- Bastão de caminhada, ou cajado. Apenas um é suficiente, mas é importantíssimo. Te ajuda nas subidas e nas descidas, principalmente nos terrenos irregulares. Eu comprei o meu na Decathlon, na Quechua (modelo Forclaz 300), ele não tinha a ponteira para asfalto, mas aguentou bem a bronca.
- Óculos escuros. Quem esqueceu, sentiu falta. O sol lá é muito forte, e só o boné nem sempre é suficiente.
- Cantil para água. Eu levei um Camel Back, aqueles sacos para colocar água. Como eu não tinha bolsos para colocar garrafinhas, achei que esse seria o mais prático. E gostei muito da solução. Mantém a água fresca por mais tempo e é prático para beber. O único problema é que você tem que ficar atento com o nível da sua água. Como ele fica dentro da mochila, você perde o controle e pode acabar sem água no meio do caminho. Verifique sempre e reabasteça sempre que puder.
- Mochila. Deve ser de no mínimo 35L e ter aqueles ajustes de cintura e peitoral, no mínimo (algumas tem alguns outros tipos de ajustes, mas esses dois são essenciais). Sem o ajuste da cintura, você vai acabar sem ombro. Uma dica: se essas fivelas quebrarem no meio do caminho, abra todo o cordão e dê um nó no próprio cordão. Eu estava com a minha fivela da cintura quebrada, e amarrei as cordas, deu super certo.

Itens opcionais Dispensáveis

Algumas coisas eu acabei levando e não precisei usar. Pode ser que você precise, mas na falta dos itens, a criatividade sempre entra em ação:

- Toalha superabsorvente. eu usei uma vez pra entrar na piscina. Todas as pousadas por onde passei dispunham de toalhas para os hóspedes (e algumas, inclusive, davam o sabonete também). Não sei se mais pra frente o pessoal precisou, preciso checar quando eles voltarem.
- Lanterna pequena. Eu até usei um dia, no Haras do Mosteiro. Mas também dava para sobreviver sem. E sempre vai ter alguém que vai poder te emprestar, ou, se não tiver, use a luz do seu celular. Ou reze para a lua estar cheia. =)
- Canivete. Eu levei o meu e até tentei usar. Como ele era muito ruim, não usei e também não fez falta.
- Cordão de Nylon. Eles pedem pra levar para fazer varal. Mas todas as pousadas por onde passei dispunham de varal. E também, na falta deles, a gente improvisa. Usa o cajado, usa a cama, usa a mochila, enfim, dá-se um jeito. E se não secar de um dia pro outro, usa seus alfinetes, pendura na mochila no dia seguinte e caminha com as roupas penduradas. Seca rapidinho.
- Camiseta extra. Eu levei 3 camisetas e mais uma de manga comprida. A de manga comprida eu nem sonhei em usar, mas achei que 3 camisetas foram ok. Quem levou 2 sobreviveu bem. Então vai de cada um. Se eu fosse de novo, levaria 3 de novo.

Itens TOTALMENTE dispensáveis

Essa vai principalmente pras meninas:
- Esqueça que existe maquiagem, esmalte, ou qualquer outro item de beleza. Se possível, deixe inclusive seu condicionador em casa.
- Esqueça moletom e sapatos.
- Esqueça pijama. Você vai dormir com a roupa do dia seguinte.
- Esqueça roupa bonitinha para passear na cidade. Você vai passear com a roupa que você dormir, a mesma do dia seguinte.
- Enfim, esqueça qualquer coisa da sua vida urbana cotidiana. Se você não consegue sair um dia sem maquiagem, te garanto que no segundo dia você nem vai lembrar o que é maquiagem. E vai descobrir que é muito mais bonita sem ela.

Acho que é isso. O post ficou longo, mas acho que dá uma base boa pra quem estiver precisando de ajuda para fazer a mala. Se eu lembrar de alguma coisa eu edito aqui depois e aviso.

Tuesday, September 11, 2012

Caminho do Sol - A experiência

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A turma mais incrível que poderia estar comigo. 
Foto do Rogério, dono da pousada e de um coração maravilhoso. 

O Caminho do Sol se resume a uma coisa: coração. Você se prepara, prepara seu corpo, sua mente... mas só lá você percebe que faltou preparar o coração, e para isso não existe nenhum tipo de preparo.

Cada um faz o Caminho com um objetivo. Alguns são físicos, outros espirituais, alguns religiosos, etc. Eu fui com o objetivo de testar meus limites físicos. Queria saber até onde conseguia ir. E infelizmente (ou não) achei esse limite um pouco antes do que eu gostaria. Voltei para casa antes de terminar o caminho, pois meu pé, que tem a pele muito fina, teve muitas bolhas e acabou infeccionando. As opções eram duas: voltar para casa ou voltar para casa. Nessa hora eu entendi que meu objetivo inicial se divergia completamente do meu destino. 

O Caminho do Sol se diverge um pouco dos outros que existem por aí (inclusive o de Santiago, no qual se inspirou) pois ele é feito em grupo. Existem pessoas que organizam as saídas e a logística de todas as pousadas por onde passamos, de forma que, quando chegamos, tudo já está pronto esperando por nós. Percorrer 240Km (ou até menos, como foi o meu caso) em grupo faz com a gente crie uma ligação extremamente forte com quem está junto conosco. E você vai aprendendo um pouquinho com cada pessoa que estiver lá com você, e com cada pessoa que cruzar o seu caminho. Pode ser o dono da pousada, ou outro romeiro que você vai cruzar no meio do caminho. Pode ser alguém que simplesmente se interesse por você e chegue até você para perguntar que raio de maluquice é essa que a gente está fazendo. Mas para aprender, você tem que estar com o coração aberto. E esse foi o maior desafio para mim. 

Lá, a gente aprende que nem tudo é o que parece ser. A gente aprende a doar, a ajudar e se deixar ser ajudado. A gente aprende que existem pessoas que vão te dar o último band-aid (e acredite, isso é muito importante!) porque você está precisando mais do que ele. Lá a gente descobre que tem pessoas que têm o coração tão grande que não cabe no próprio corpo. Almas tão generosas que não medem esforços. E cabeças tão experientes que não têm medo de dividir a própria experiência. A gente aprende que uma pousadinha simples pode ser milhões de vezes melhor que um hotel 3 estrelas. A gente aprende a apreciar as coisas simples da vida, os pequenos gestos, os pequenos detalhes.  

O primeiro grande aprendizado é na hora de fazer as malas: deixar para trás tudo o que é excesso e a viver só com o básico do básico. Conforme os dias vão passando, vamos descobrindo que o básico ainda pode conter excessos. Mas o que nunca falta são pessoas dispostas a mover o mundo por você. 

Quando descobri que não iria conseguir terminar a jornada, meu primeiro choro foi de frustração. Não acreditava que ia ter que deixar a coisa pela metade. E ao mesmo tempo, de tristeza, por ter que deixar pessoas tão incríveis. Depois, o choro passou a ser de reconhecimento, tentei entender por que aquilo estava acontecendo. Qual era a mensagem daquilo? Por que quiseram que eu não terminasse o caminho? Qual era o ensinamento? Chorei por 2 dias seguidos tentando entender. Nesse meio tempo, conheci outra alma maravilhosa, que me ajudou de todas as formas possíveis e que me disse tudo o que eu precisava ouvir. Foi quando eu entendi qual era a mensagem e que meu caminho realmente deveria terminar ali, pois não havia mais nada que o caminho pudesse fazer por mim. 

Chorei por mais 2 dias, mas não foi um choro ruim. Foi um choro bom, de limpeza, de saudade, de emoção por ter vivido o que eu vivi e conhecido o que (e quem) eu conheci. Re-conheci até meu próprio irmão, que estava junto e eu não tinha a menor ideia do tamanho do coração que ele tem. 

Eu acho que o Caminho tem a sua hora para ser feito, mas não é você que escolhe ele, é o momento que escolhe você. Mas só entende mesmo tudo isso que eu escrevi quem já esteve lá. Palavra nenhuma é digna para fazer tentar entender o que é o Caminho. Só experimentando para saber. Eu recomendo!  

PS.: Obviamente não vou poder dar as dicas do caminho inteiro, mas acompanhe os posts que tem muito pra contar sobre o Caminho do Sol. 

Sunday, September 2, 2012

TPC - Tensão pré caminho

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Saio de casa para a primeira pousada na terça feira à noite. Ela fica em Santana de Parnaíba, de onde saem os peregrinos. Nós dormimos lá de terça para quarta, que é quando realmente partimos para nossa aventura, pois como nós saímos muito cedo, é bom que todo mundo já esteja junto.

Eu estou sofrendo de Tensão Pré-Caminho, pois, embora seja só na terça, segunda e terça eu não terei tempo de arrumar nada. Logo, minha mala deve estar pronta hoje. Olha ela aí embaixo com (quase) tudo o que eu estou levando.

Clique na foto para ampliar

Aqui ainda faltaram algumas coisas básicas, como por exemplo o tênis, o bastão e o saco de colocar água (comprei daqueles que parecem um saco de soro de hospital, que tem um canudinho). Mas a roupa está toda ensacadinha pra facilitar na organização. Comprei aqueles sacos zip lock, que usa pra congelar alimentos, sabe? Assim tem um saco pra camisetas, outro pra tops, outro pra bermudas, outro pra meias, outro pra calcinha, e por aí vai. Aquele saco pequenininho verde ali no meio, com um fiozinho laranja pendurado, é a toalha (pequena assim). Ela é superabsorvente. E o que tem ao lado direita dela é a capa de chuva (também vem num saquinho). Essa capa de chuva que eu comprei é prática pois ela cobre a mochila também. Assim economiza em mais uma capa de chuva exclusiva para mochilas. 

Na foto também da pra ver uma lanterninha, um canivete "suiço" chinês, uma necessaire para coisas de banho (e protetor solar) e outra para a farmacinha (a minha é meio grande). Tem também o boné, e, claro, meu diário de bordo, onde vou registrar tudinho pra contar pra você depois. Essa mala ficou com 5,5 kg (pesei na farmácia), um pouquinho acima do que eu gostaria, pois ainda tenho que considerar pelo menos 1L de água, sendo que cabem 2L no saco. Queria levar no máximo 6Kg de peso. Acho que isso não será possível. 

Eu tive que comprar praticamente tudo, exceto a mochila e algumas roupas que eu já tinha. Meu cálculo de gasto é de cerca de R$ 1000,00 (sem contar gastos que terei com estadia, que deve ficar em torno de mais R$ 1000,00). Boa parte dessa grana foi no tênis, e eu espero que compense. Meias boas também são importantes. Estou levando 3 tipos, depois conto qual foi a melhor. 

Ah, também comprei um joguinho ótimo para colocar shampoo e condicionador, daqueles que são próprios para viagem. Isso dá uma boa aliviada no peso, pois assim não é necessário levar o pote inteiro de shampoo, que é sempre o que pesa mais. 

Enfim, daqui 3 dias estarei com o pé na estrada, e só volto com notícias daqui mais ou menos 15 dias. Mas espero voltar com as melhores notícias e ótimas dicas pra dar pra quem pretende fazer o Caminho do Sol ou qualquer outra caminhada longa. Já já eu volto. Segura aí! 


Sunday, August 19, 2012

Caminho do Sol – Planejamento parte II

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Estamos a mais ou menos 2 semanas da minha saída para a caminhada. Admito, estou bastante ansiosa. Semana passada fui assistir à palestra, que foi muito legal e muito elucidativa. O Claudio, senhor que deu a palestra, é um entusiasta apaixonado pelo Caminho. A palestra durou umas 3 horas, e pelo menos metade disso foi ele empolgado contando algumas histórias que ocorreram nos tantos anos que ele acompanha os peregrinos. Foi emocionante.

Lá ele falou sobre o caminho em si, para onde iremos, em quais pousadas iremos dormir, quanto custa em média cada uma, e outros tipos de detalhes que precisamos saber para fazer a caminhada sem percalços. Além disso, também deu algumas dicas, muito parecidas com o que eu já tinha lido (e que eu falei no post anterior). Eles dão um check list gigante de coisas que a gente deve levar para a caminhada, e ele ainda deu umas sugestões de coisas que não estão na lista, como apito de emergência (para caso você tenha um problema e esteja longe do grupo), e mini lanterna (para o caso de você querer ir ao banheiro no meio da noite e não ter que acender a luz do quarto).

Sobre o bastão de caminhada, ele falou que é realmente muito importante, pois sustenta 30% do peso do nosso corpo, principalmente em subidas (quando nos ajuda a ter força para subir) e descidas (que ajuda a nos freiar).

Então hoje, último final de semana vago que tenho antes da viagem, tirei o dia para ir fazer as compras dos equipamentos do check list. Fui lá na Decathlon, mas já falo sobre isso. Queria antes falar que no dia da palestra, que foi na loja Mundo Terra, eu aproveitei para comprar o meu tênis. No meu último post, eu disse que estava em dúvida entre dois modelos da Nômade, mas lá na loja eles me convenceram a comprar um da Salomon (mesmo porque nem tinha o da Nômade lá), que, segundo eles, é uma das melhores marcas. Não comprei o modelo mais caro, comprei um intermediário, que já é muito bom e acho que aguenta a bronca. Andei com ele por São Paulo nessa última semana para amaciá-lo, e em uma semana já achei ele bem amaciadinho. Gostei bastante, e acho que valeu o investimento. Foi bem carinho, por sinal.

Aí hoje lá na Decathlon eu comprei praticamente todo o resto do equipamento. Apesar da bagunça da loja, que torna o trabalho de encontrar produtos quase uma arte, consegui encontrar praticamente tudo. Comprei o bastão de caminhada, que eu não sei se é o mais adequado pois ele não tem a ponteira mais lisinha, só tem aquela que parece uma agulha. Mas dizia lá que era para todos os terrenos, então levei. Também achei o boné que eles recomendam, que é daqueles que cobre as orelhas e o pescoço, e embora eu ficasse parecendo o Chaves, eu comprei. Achei também a capa de chuva de cobre a mochila também, mas ainda não testei com a mochila. Meu marido falou que eu fiquei parecida com o Batman vestindo a capa. Eu fiquei me imaginando de capa de chuva com o boné. Vou ficar parecida com o Chaves fantasiado de Batman, eu acho.

Comprei mais meias, tops, camisetas dry fit. Não achei camiseta de manga longa, mas peguei emprestado da minha mãe. Também a calça que vira bermuda (aquelas que tem um ziper na altura do joelho) não me serviu, mas nem vou comprar. Vou com uma calça (também emprestada de mamis) e de bermuda por baixo, e aí se precisar, eu só tiro a calça. Vamos ver se funciona.

Achei o "cantil", que na verdade são aqueles sacos de água que você coloca dentro da mochila. Me parece bem prático.

Enfim, comprei bastante coisa, e cheguei à conclusão de que depois disso, terei que fazer muitas outras caminhadas para compensar o investimento. hehe. Para uma pessoa como eu, que não tinha praticamente nada, o investimento acaba sendo grande. Mas por ser uma caminhada pesada, estou investindo em coisas boas (principalmente o tênis), pois às vezes o barato sai caro, como diz o velho deitado. E quando eu voltar, conto o quanto o investimento realmente valeu a pena e o que não foi necessário.

Pensei em postar aqui o check list, mas acho que farei isso depois que eu voltar. Assim já coloco o que é realmente necessário, o que fez falta e o que sobrou. Pode ser?

Thais

Sunday, August 5, 2012

Caminho do Sol – o planejamento

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Quando decidi tirar minhas férias, resolvi que seriam 20 dias feitos para total descanso. Queria me isolar da humanidade e da civilização o máximo que eu conseguisse, pois estava (estou) muito cansada, tanto mental quanto fisicamente (acho que mais mental do que físico, talvez). Mas há muito tempo, talvez uns 3 anos, que estou ensaiando para fazer o Caminho do Sol. Para quem não conhece, explico: o Caminho do Sol é uma peregrinação inspirada em Santiago de Compostela, mas muito, muito, muito menor. São 240 km feitos em 11 dias, feitos em uma média de 20 a 26 km por dia. Ele começa em Santana de Parnaíba (SP) e vai até Águas de São Pedro (também SP).

Quando meu irmão disse que estava querendo fazer também e que conseguiria tirar férias na mesma época que eu, me empolguei e fui atrás. Resumo da história, vamos os dois (e quem sabe, até minha minha mãe) fazer o tal do Caminho do Sol daqui um mês.


Estou super excitada com a ideia, e tenho relativamente pouco tempo para ir atrás de tudo o que eu preciso. De tudo o que eu pesquisei até agora, aí vai um resumo:

• Para fazer o caminho, é necessária a presença em uma das palestras que eles dão, onde provavelmente explicam tudo sobre o caminho. Essa palestra é dada na loja Mundo Terra, que pelo que eu andei vendo, é bem carinha. Eles vão tentar vender umas coisas (afinal, tudo na vida é marketing, certo?), mas pesquise preços antes de ir, para saber se vai valer a pena comprar lá. Parece que pra quem assiste a palestra tem um desconto, mas não sei de quanto.

• Como eu já fiz um pedaço desse caminho (andei apenas 14 Km), sei que um bom tênis faz toda a diferença (na minha pequena experiência, eu perdi a unha do meu dedinho). Quando eu fiz, estava com o meu Timberland, mas com o tempo e a experiência (e experiência de outras pessoas), soube que Timberland não é uma boa marca. Agora estou atrás de uma chamada Nômade, que eu nunca tinha ouvido falar, mas é bem conhecida pra quem é do meio. Estou entre os modelos Titã ou X-Pro, mas preciso experimentar para saber. Elas têm uma tecnologia toda especial, e que a Timberland não tem, pelo menos até onde eu sei.
* Edição: Acabei optando por um modelo da Salomon, que descobri que é mais indicado do que o Nômade. Ele tem uma tecnologia melhor e é mais leve. Se você tiver uma graninha pra investir e amor pelos seus pés, vá nele. Não comprei o modelo mais caro, mas eles não são baratos. E na dúvida entre comprar um tênis e uma bota, opte pela bota, pois ela protegerá seu tornozelo de uma possível torção.  

• Meias para trekking! Isso deve fazer toda a diferença também. Sim! Isso existe. Elas também têm uma tecnologia toda especial, que diminui o impacto e o suor do pé. Pode parecer frescura, mas quando se está andando 25 Km por dia, nenhuma tecnologia especial é frescura.

• Bastão de caminhada: Eles diminuem o impacto no seu joelho e ajudam a tirar o peso das suas costas. A escolha entre usar um ou dois é de preferência pessoal. Eu usei um pedaço de tronco no final dos meus 14 Km e foi com isso que consegui subir a última ladeira. Sem isso, eu teria que ser guinchada.
Observação importante: não economize no bastão e substitua por um tronco. Nesse caso, seus pés ficarão sem bolhas, mas suas mãos ficarão com várias. Eu só usei um porque não tinha outra opção. Além do mais, eles não são muito caros. =)

• A mochila também tem que ser daquelas de mochileiro, que amarra no peito e na cintura. Isso ajuda a tirar o peso dos ombros. Muito importante. E deve ser o mais leve possível. Mulherada, favor deixar a maquiagem em casa. =P

• Filtro solar e boné. Nem preciso dizer mais, né? E isso independe de ser inverno ou verão.

•  Câmera fotográfica: não deve ser muito legal levar sua super máquina, apesar de você perder fotos maravilhosas no meio do caminho. Talvez valha a pena se sua mala estiver beeeem leve. Caso contrário, um peso de 1Kg ou 500g pode fazer muita diferença no final das contas. Tente levar uma máquina leve.

• Roupas que sequem rápido. Você vai precisar que elas sequem de um dia pra outro. Invista em roupas com essa característica.

Quem quiser mais informações sobre o caminho, pode entrar no site e ver as datas das palestras e saídas. Só fique atento às datas, pois o depósito para assistir as palestras (R$ 15,00) tem que ser feito 2 dias antes. O próximo vai ser dia 11 de agosto, em na Mundo Terra de Higienópolis.


Essas fotinhos são da minha primeira caminhada (não tinha muitas opções, não tirei muitas fotos). Essa aí de cima são as setas que indicam o caminho do peregrino para ele não se perder, já que nem sempre eles andam em grupos.

Não vejo a hora de ir pra lá de novo. Pode ser que eu não descanse meu corpo, mas minha mente certamente vai voltar beeeem descansada. E aí eu volto contanto tudo sobre a experiência. Segura aí que eu já volto!

Thais

Wednesday, July 25, 2012

Passagens Aéreas "Baratas"

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Esta semana, notei um fato curioso. 

Há uns 5 dias, ando pesquisando cotações de passagens aéreas online. Seja rota simples (por exemplo, Rio-Buenos Aires-Rio) ou múltiplas cidades (como Sydney-Los Angeles-Rio-Sydney), boa parte do dinheiro reservado para uma viagem é destinado em gastos com passagens aéreas. E os períodos do ano que vou levantar voo são os mais caros do mundo - Natal, Ano Novo e Páscoa -, o que, somado a épocas de alta temporada, contribui para um precinho ainda mais salgado.

Como boa brasileira, entrei no site Decolar.com e Submarino Viagens para fazer as cotações. Abismada com os preços, só de curiosidade, entrei no site oficial da American Airlines e da Aerolineas Argentinas - duas companhias aéreas que operam nos trechos que vou voar e indicadas pelo Decolar.com e pelo Submarino. Digitei a mesma cidade de origem, a mesma cidade de destino, as mesmas datas de ida e volta e... os sites oficiais me retornaram sugestões mais em conta (ok, apenas alguns míseros dólares, mas mesmo assim tá valendo). Isso sem falar em opções de voo com tempo de viagem mais curto, que nem sequer foram listados nos sites de busca de passagens aéreas.

Então, fica a dica: antes de comprar seu ticket, faça uma pesquisa online nos sites oficiais das companhias aéreas. Também sugiro solicitar cotações a pelo menos 2 agências de viagens, só pra ver qual é. Nem sempre acontece, mas às vezes sai mais barato reservar via agência.

Sunday, July 22, 2012

Austrália: Sydney (3)

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Nessa terceira edição sobre o que fazer no centro da cidade de Sydney, você encontra alguns dos meus favoritos - especialmente para quem está viajando sozinho(a). Postarei a 4a e última edição em breve,  com dicas de compras.

A primeira e segunda edições você encontra aqui e aqui.

O que fazer de dia e à noite

1 - Free tour
Como eu já havia comentado antes, circular pelo centro é fundamental, inclusive para descobrir o que está rolando no momento na cidade.

Pra começar sua jornada em Sydney, recomendo o Free tour. Já fiz duas vezes e iria de novo! Como o nome já diz, é "de grátis" e tem todos os dias, inclusive feriados, em dois horários: 10h e 14h30. Se for ficar em Sydney mais que uma semana, o melhor dia e horário é sábado às 10h. Por quê? Não conto; faça e depois me conte aqui =) Você aprende sobre a história da cidade e presta atenção em detalhes que passam super despercebidos até pra quem mora aqui. E, se tiver entediado, pode juntar-se ao grupo novamente qualquer dia às 18h para o free tour macabro...

2 - Cruzeiro
Existem alguns programas que, como turista em Sydney, você simplesmente não pode perder. Sydney Showboat Dinner Cruise - marinheiro de primeira viagem aqui em Sydney tem que reservar uma sexta ou sábado à noite para este passeio. Aliás, sugiro que qualquer pessoa se programe para estar em Sydney em uma sexta ou sábado, exclusivamente para fazer este passeio. Tudo é fantástico: a comida, o show de mágicas, o show internacional, o porto, a vista... Há duas opções de prato principal e o preço varia: $ 130 para carne vermelha e $ 88 para frango. Entrada, sobremesa e bebidas - incluindo alcoolicas - estão contempladas no preço.

3 - Pubs, boates, restaurantes

Os pubs e nights mais populares do centro: Scruffy Murphy's (também considerado o mais nojentinho), Star Bar (destaque para a decoração do segundo andar e pela boa comida), Three Monkeys (cobra entrada, porque tem música ao vivo) e Century Bar (bebidas a $ 4 todos os dias da semana; o melhor DJ toca às sextas).

Se você é do tipo sofisticado: Blu Bar, no 36 andar do Shangri-la Hotel (imperdível a qualquer um, é de onde se tem vista panorâmica da cidade inteira, entrada grátis, drinks a $ 20) e Ivy Bar (drinks grátis das 18h às 20h às quintas-feiras, belíssimo e amplo espaço, vá bem arrumadinho).

Os meus lugares favoritos (que são, curiosamente, os melhores parar dançar uma salsa): Establishment (excelente ambiente, aula e noite de salsa às terças, a partir das 20h); Cargo Bar (noite boa às sextas e sábados); La Cita (salsa somente às quintas-feiras) e Cruise Bar (às sextas).

O melhor restaurante da cidade para mim, pelo menos até o momento, é o famoso La Bodeguita Del Medio. O preço é bem salgado e as porções dos pratos principais não são generosas, mas qualquer coisa do cardápio é tão espetacular que você paga sorrindo de orelha a orelha. 

Tá a fim de tomar um café ou comer um docinho? Max Brenner é o seu lugar (e o meu também!): a melhor chocolateria da cidade. Vá fundo no Explosion Chocolate Shot ( $ 5.50) e no Chocolate Souflé ($ 10).

Já fast-food saudável, segura e em conta, aqui em Sydney, tem apenas 1 opção: take-aways de comida japonesa. Eles estão por toda a parte e oferecem desde rolinhos de sushi ($3.50 - $5.50, no fim do dia eles fazem 2 por $ 4) a bentôs (marmita, de $7.50 - $10). 

4 - Cinema, teatros, shows (etc)

Cinema aqui é experiência única. Se tiver tempo e (principalmente) dinheiro, experimente o Gold Class no Event Cinemas. O ingresso é $ 39.50, sem desconto pra estudante. Sessões com no máximo 40 pessoas, há garçons no meio da sessão para tirar seu pedido de drink e/ou jantar e as poltronas mais confortáveis do mundo. A sala Vmax (ingresso $ 22.50) é a alternativa mais em conta à esse luxo todo, vale a pena pelo conforto dos assentos. O IMAX não tem assentos tão confortáveis mas tem a maior tela de cinema do mundo. Excelente para curtir um 3D.

Peças de teatro, musicais da Broadway, concertos no Opera House e jogos de rúgbi estão por toda a parte. Pesquise e compre tickets aqui.

5 - The Rocks (e mais restaurants)

Área mais velha da cidade e, portanto, a mais europeia. Eu adoro passar o dia (e a noite) aqui, acho O charme em arquitetura, muito agradável! Viajo no tempo total.... Imperdível principalmente aos sábados, quando até às 16h rola uma feirinha de produtos e comidas - bem carinha, por sinal, mas que vale a pena conferir. Dá pra comprar pérolas por um preço camarada - mas daí também duvido se as pérolas são de verdade.

Deixe-se perder por aqui, sem medo. Encontre os restaurantes Lowenbrau Keller (alemão) e Pancakes on The Rocks (auto-explicativo), ambos perfeitos para almoço ou jantar. Tente também achar onde está o pub mais velho da cidade inteira. Sim, ele está escondido por aqui e tem música típica/ao vivo rolando todo sábado.

Fotos por Bruna Ribeiro.

Austrália: Sydney (2)

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Assim que cheguei em Sydney, há 8 meses, compartilhei minhas primeiras impressões sobre a cidade, com diversas dicas do que fazer. Hoje atualizo aquele post, com mais dicas e coisas legais que fiz nos últimos meses. Já rodei bastante pela cidade inteira, mas vamos por partes: por enquanto, somente pelo Centro de Sydney - ou City, CBD, Inner City. Aliás, eu sou fã do centro da cidade. É o melhor lugar para estar quando o tédio bate.

Adeus Lonely Planet! Bye bye Google!
Sydney é uma das melhores cidades pra qualquer viajante sozinho (ou sozinha) aterrisar, por uma razão muito simples: todo fim de semana tem algo para fazer aqui e, o melhor, é que 99% dos eventos são gratuitos.  

É ano novo ocidental, ano novo chinês, é Natal em julho, é feriado do Australia Day, é corrida do câncer, ópera, musical, concerto, festival de jazz, cinema a céu aberto, fogos de artifício pra cá, show de luzes pra lá, até um festival de aromas de um dia só que vai durar 8 horas... e muito mais! 
Toda semana um acontecimento diferente, produzido com uma qualidade pra ninguém botar defeito, organização impecável. E, como estes eventos são oportunidades únicas e sazonais, você como viajante esperto que é vai querer conferir.

Mas como você fica sabendo o que tá rolando? Essa é pra mim a melhor parte: dando uma voltinha 
pelo centro de Sydney. 

Isso aí, esqueça
Lonely Planet (aliás, eu odeio este guia) e Google. O
 governo aqui é tão eficiente que promove tudo por meio dessas bandeirolas nos postes, devidamente trocadas a cada 7 ou 15 dias. Espalhadas pela cidade inteira, postes de rua do centro da cidade - onde geral passa pelo menos uma vez por dia - carregam essa brilhante forma de propaganda. 

Essa é a minha primeira dica: vai com tudo no que tiver sendo anunciado pelas bandeirolas. Você vai se surpreender. 

No próximo post: meus lugares, programas, pubs e restaurantes favoritos pela City.

Thursday, June 7, 2012

Visto x Passaporte

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Às vezes o que é óbvio para gente não é óbvio para outras pessoas. Há um tempo uma leitora do blog me fez uma pergunta que a princípio até achei estranha, por me parecer tão óbvia, mas depois percebi que para muita gente essa confusão pode existir. Por isso achei importante dividir aqui com vocês, já que a dúvida dela pode ser a de muitas outras pessoas: afinal de contas, qual é a diferença entre o passaporte e o visto?

Passaporte
O passaporte é aquele documento que serve como nossa identificação oficial quando estamos fora do país. Em outras palavras, é o nosso "RG internacional". É o único documento aceito internacionalmente. Não vai adiantar você estar lá nos EUA e mostrar o seu RG brasileiro, porque eles nem vão saber do que se trata. Já o passaporte tem normas internacionais, e é igual para todo o mundo, com pequenas diferenças, como por exemplo a cor da capa, que mostra justamente de que país ou região a pessoa é. Por exemplo, nosso passaporte, antes verde, agora é azul, mostrando que somos parte do mercosul. Moradores da União Europeia têm passaporte bordô. O americano também é azul. Alguns africanos são verdes, e por aí vai.

É o passaporte que você vai mostrar ao fiscal da imigração quando estiver entrando ou saindo de um país. É nele que ele vai carimbar o seu visto de entrada e saída. Mas chegaremos nisso mais tarde.

Aqui no Brasil o passaporte é emitido pela Polícia Federal. Em geral (pelo menos aqui em São Paulo e no Rio) o processo é simples, ocorre com hora marcada, e já está todo digitalizado. Além disso, o passaporte chega dentro de poucos dias. Porém, não aconselho ninguém a deixar para tirar o passaporte na última hora antes de uma viagem. Programe-se sempre com antecedência. Principalmente em épocas de alta temporada, os horários para tirar o passaporte são sempre mais concorridos.

Visto
O visto é o seu carimbo de entrada para o país de destino. É ele que vai dizer se você pode ou não entrar naquele país, e aquele país tem regras definidas de acordo com o acordo que fizeram com o seu país (nossa, gente, desculpa, essa frase ficou horrorosa, mas deu pra entender?). É assim: seu país tem um acordo com o país que você quer visitar. Segundo esse acordo, você tem um tipo de visto ou outro tipo de visto. Essas regras são as mais variadas. Por exemplo: para ir aos EUA, nós do Brasil precisamos tirar o visto antecipadamente para entrar nos EUA e Canadá, mas para entrar em países da União Europeia, não, desde que seja para passar até 6 meses a passeio. O visto é concedido na fronteira, na hora de chegada ao país (estudo e trabalho configuram outro tipo de visto). Moradores da união europeia não precisam de visto para entrar nos EUA. Por isso, antes de viajar, estude sobre qual é o tipo de visto que é necessário para o país de destino, e qual é a dificuldade de entrar naquele país, mesmo que não precise de visto.

Digo isso, pois a falta de necessidade de visto antecipado não é garantia que você vá entrar no país. Aliás, nem que você tenha o visto é garantia de entrada no país. Nos EUA, por exemplo, você pode ter o visto, mas pode ser barrado na entrada já lá no país. É raro, mas pode acontecer. Já em países da UE, em que o visto é obtido quando você está entrando no país, você passa por uma entrevista com o fiscal. Se ele gostar de você, você passa sem maiores problemas. Mas pode ser que aconteça como eu, que dei o maior azar, e ele te encha de perguntas. Algumas pessoas nem conseguem entrar no país, e voltam pro Brasil. Mas esses são casos relativamente raros. O normal é eles darem uma canseira no imigrante, mas depois deixarem passar. Aqui nesse post eu conto minha experiência e dou algumas dicas. Vale dar uma lida. Alguns países são mais chatos que outros. Por exemplo, a Espanha é famosa por ser pentelha com os imigrantes. Portugal eu acho que é mais tranquila de entrar. Londres também é chatinha. Acho que países mais populares dão uma segurada. Agora deve estar pior, já que eles estão em crise.

Bom, mas eu estou fugindo do tópico. Me empolguei. O importante é que cada país tem seu modo de usar o visto, e não adianta eu dizer aqui que é assim ou assado, pois não existe uma fórmula. O negócio é pesquisar nos consulados para saber como deve proceder para aquele país que você deseja ir.

Uma coisa legal que acontece na UE é que, uma vez que você entrou em um país, tem livre acesso a todos os outros que fazem parte da união. Eles olham o carimbo da sua entrada, perguntam alguma coisa do tipo "quanto tempo você pretende ficar" e te deixam passar. Sem stress. Então dá pra conhecer vários países sem se preocupar com fronteiras, desde que não exceda o tempo máximo que tem no seu visto de entrada, que geralmente é de 6 meses.

Dica importante:
Só lembrando de uma coisa importante: não importa o país para o qual você deseja ir, se você deseja trabalhar lembre-se sempre que precisa de um visto especial para isso. Acredito que para qualquer país seja da mesma forma, pois chegar como turista e ficar como trabalhador configura trabalho ilegal. E se for pego fazendo isso, você pode ser extraditado, e isso não é uma coisa bacana pro seu currículo, pois aí você vai ter um problemão pra viajar pro exterior outra vez. E a gente não quer que as pessoas deixem de viajar. =)