Friday, September 21, 2012

Caminho do Sol – de Cabreúva a Itu

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Agora que eu já contei o final, vamos voltar para o meio da história...

Contei, no post de Pirapora a Cabreúva, que a Márcia era super legal e fez pra gente um café da manhã super gostoso. Tinha vários tipos de pães, frios, frutas, café, leite, bolo... enfim, tudo de gostoso que pode ter num café da manhã.

Escalaminhada
Nesse dia, excepcionalmente, tínhamos que sair todos juntos, pois a Márcia iria nos levar por um caminho por trás da pousada, para evitarmos ter que pegar estrada. Só que o trecho é chamado de "escalaminhada". Dá pra sacar o por quê? A trilha fica em um trecho de mata, e é um morro bastante íngreme, que é bem complicado de fazer se você não estiver usando seu cajado. Até dá, mas fica bem mais difícil. Ainda mais porque o tempo estava muito seco e o chão estava cheio de folhas, o que deixava tudo bem escorregadio (imagino que em época de chuva deva piorar sensivelmente). Se você está subindo e não está conseguindo, vai ter que dar um jeito. Porque descer é mil vezes pior. No nosso caminho, o Álvaro estava sentindo muitas dificuldades para subir. A Márcia, que estava lá na frente de um grupo de 9 pessoas, teve que descer para ajudá-lo. Ela desceu praticamente de bunda, pois era impossível não descer escorregando. Agora, imagina descer tudinho de volta! É mais fácil continuar.

No final tudo deu certo, o Alvaro conseguiu subir devagarzinho, e quando a gente chega lá cima, esquece todas as dificuldades. A vista é linda.

Por favor ignorem que a foto está torta, ok? rs

Lá em cima é um descampadão cheio de cercas de arame farpado. Aí começa a corrida com obstáculos. Tivemos que passar por cima, por baixo, pelo meio... de tudo quanto é jeito. 

O pessoal tentando passar por uma das cercas

Depois de andar um tanto, que me falaram que eram 2 ou 3 km (eu ainda duvido desse número, mas ok), chegamos até a estrada, onde a Márcia nos deixaria. Ela dá as últimas instruções e solta a boiada (nós). Aí somos nós por nós mesmos. Esse dia foi bem bacana, pois como saímos todos juntos, passamos praticamente o caminho inteiro juntos, nos dividimos em grupos de 2 ou 3 e uma hora andávamos num grupo, outra hora andávamos em outro. Quando parávamos, parávamos todos juntos. Foi muito legal. Além desse detalhe, na minha opinião esse trecho é o que tem a vista mais bonita (aproveitem, pois depois começam os canaviais...). São pedras gigantes no meio de descampados (hoje pastos), e ninguém sabe como chegaram lá. Existe a teoria dos ETs, mas a que eu acredito mais é a de que ali já foi mar. Não sei porque as pedras sobraram só lá, mas eu sei que é lindo. E pra completar, ainda tem uns cactus no meio das pedras, lembrando que você está praticamente atravessando o deserto. Não é, mas é como se fosse, tamanho o calor. 


As pedras você vê lá no fundão. Clique para ver ampliada. 
Foto do Álvaro Bombardi. 

O Oásis
No meio do caminho, está o Oasis: o Armazém do Limoeiro. É uma espécie de bar que serve petiscos, lanches e vários tipos de bebidas no meio do nada. Nesse dia, como era feriado, estava lotado de ciclistas e pessoas que acredito serem turistas. Para completar, ainda estavam filmando um comercial da Eco Sport nova lá, então estava a maior bagunça. Paramos um pouco por lá (talvez até mais do que devêssemos), tiramos os tênis, comemos, reabastecemos as águas e continuamos.

Depois do Oásis...
A partir dali a paisagem começa a fica mais árida. Raríssimas árvores e muita terra. Respirar começa a ficar um pouco mais difícil, então é bastante recomendado que se coloque a fralda molhada no rosto para aliviar a respiração. Com isso, considere na sua bagagem também a água para molhar a fralda, para não precisar usar sua água de beber. Falando em água, no meio do caminho entre o Armazém do Limoeiro e a pousada, há uma fazenda onde dá para reabastecer e, quem precisar, desabastecer (usar o banheiro). Não sei dizer exatamente onde fica, mas sei que fica numa espécie de "esquina". Quando chegamos lá, aproveitamos para sentar um pouco na grama e dar uma esticada. Descansamos mais um pouco e seguimos. Faltava pouco.

A pousada
Depois de 24km, chegamos à pousada, que era, na verdade, um Haras. Chama-se Haras do Mosteiro. O lugar também nos recebe com uma subida nada amigável, mas muito menos pior que aquela da Márcia...

Vista do Haras. Lugar belíssimo. 
Foto do Álvaro Bombardi

Quando chegamos, o almoço já estava servido, mas precisava tomar banho e lavar minhas roupas, ainda. O lugar ali é muito legal, achei os dormitórios muito bacanas. Havia um "chalé" com dois dormitórios coletivos, um com 3 camas onde ficaram as meninas, e no do lado ficaram os meninos. Os banheiros, que ficavam dentro do quarto, eram como se fossem vestiários. Havia duas cabines para toalete e 3 de chuveiro. Achei incrível.

Como, mais uma vez, estávamos no meio do nada, não havia muito o que fazer. Mas isso não era problema para nós. Depois que nós almoçamos, fomos para o quarto costurar mais bolhas. O Jomar realmente vai pro céu. Ele, com tooooda aquela paciência que deus deu para ele, costurou novamente minhas bolhas, que a essa altura já eram incontáveis, e depois disso ficamos na varanda do quarto, todos juntos, batendo papo. Tem coisa mais gostosa que essa? Sentar pra jogar conversa fora depois de um dia fritando no sol, num haras? Pode não fazer o seu estilo, mas tenho certeza que se você estiver lá, vai achar a melhor coisa do mundo!

Meu pé, depois de 2 sessões de costura de bolhas...
Foto do Álvaro Bombardi



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