Tuesday, September 18, 2012

Caminho do Sol – O final

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Vou abrir uma licença poética aqui e vou pro final antes de terminar o meio. É porque o pessoal terminou a caminhada antes que eu conseguisse terminar meus posts. E como eu fui encontrá-los e foi muito emocionante, queria contar pra vocês antes que perca a graça.

O final do caminho é em Águas de São Pedro, onde uma estátua de São Tiago recebe os peregrinos em frente à igreja da cidade. Na verdade, o final de verdade não é lá. Ele ocorre 100m a frente, em um lugar que parece uma pequena reserva, onde foi colocado um sino, e construído uma espécie de altar, onde ocorre a cerimônia do final da caminhada.

Eu fui com o Ale (meu marido), a esposa e o filho do Maurício (que estava fazendo o caminho) encontrá-los na frente da igreja, onde eles chegariam para "saudar" a estátua de São Tiago. Chegamos lá mais ou menos 1 ou 2 horas antes deles, e ficamos lá na pracinha sentados, ansiosos. Cadê eles que não chegam nunca? Liga pro Maurício, faltam "só" 3 km. Espera, espera, espera, e nada deles chegarem. Acho que nós estávamos mais ansiosos que eles. Mas toda espera valeu a pena quando eles chegaram.

A chegada

Na frente chegaram Thiago, Roger, Fabi, Fran e Maurício, e a turma do fundão foram Joel, Jomar e Álvaro. O abraço... ahhh o abraço. Como é gostoso o abraço de alguém que se espera muito. E eu tive 8.

Depois do oi, eles foram conhecer a estátua, eu entrei no grupo e fizemos a saudação a São Tiago da nossa forma: levantamos todos os cajados (eu levantei só a mão, já que estava totalmente destoante do grupo, de vestido, sandália e sem cajado) e gritamos o nome do grupo: Vida, que, segundo eles, foi dado em minha homenagem. Lindos!


O Sino



De lá, andamos os 100m restantes e fomos tocar o sino. A tradição diz que cada peregrino deve tocar o sino 3 vezes. Nós fizemos, um por um, e depois que todos já haviam tocado, todos nos juntamos e tocamos todos juntos (confesso que foi um pouco difícil, mas no final conseguimos). Ali a emoção já estava a mil. Ouvir o sino tocando, um por um, era de fazer arrepiar. Era como se cada um deixasse para trás uma vida na primeira badalada, e ganhasse uma nova na badalada seguinte. Muita energia delícia naquele lugar.

A Cerimônia
Essa foi a parte mais difícil de todas. Difícil no sentido de emoções. Impossível segurar alguma emoção ali. Quem não fez parte estava ali também, e também se emocionou muito. Ela começa com o Palma explicando algumas coisas sobre o caminho, e sobre o "certificado" que a gente recebe ao chegar lá. Mas não é ele quem dá o certificado. Quem recebe escolhe de quem quer receber. E depois faz um depoimento. Gente, vocês nem imaginam o quanto de lágrimas escorreu ali. Lágrimas boas, lágrimas de emoção.


Para mim foi um pouco mais difícil. Como eu não estive lá durante o caminho inteiro, alguns deles me deram presentes que guardaram ao longo do caminho para me dar ali na chegada. Desculpe a expressão, mas foi foda. Receber tanto carinho, pra gente que está acostumado com a loucura de uma cidade corrida, é até difícil de assimilar.

Eu não tenho a menor ideia de quanto tempo durou a cerimônia. Também não tenho ideia de quantos litros de lágrimas foram derramados. E nem de quantos sorrisos foram abertos. Se eu tivesse que definir em poucas palavras, definiria como "lavagem da alma".

A comemoração

Depois dessa chegada triunfal, e antes que eles perceberem que eles têm uma vida pra tocar (o tal do choque da realidade...), nós saimos para almoçar na cidade. Águas de São Pedro é uma gracinha de cidade, mas é bem pequena. Fomos almoçar quase 4 da tarde, e havia poucos lugares servindo almoço àquela hora. Achamos um restaurante pertinho da pousada e fomos todos lá. Comida boa, atendimento excelente (não tenho a menor ideia do nome do restaurante, mas dá quase de frente pra igreja), nos empanturramos de bife à parmegiana. De repente o garçom coloca pratinhos de sobremesa na mesa. Ué? Alguém pediu sobremesa? Não. Eis que chega um bolo pra mim! Ah é! Era meu aniversário! Mas quem pediu o bolo? Estou até agora tentando saber. Honestamente, não importa. Pode ter sido um, podem ter sido todos, pode ter sido o garçom que ouviu de alguém que era meu aniversário. O importante é que foi mais um momento mágico naquele conjunto maravilhoso que estávamos vivendo ali. Agradeço a todos vocês, meus amigos, que estiveram ali comigo. E queria também dizer que eu dividi a conta por 12, tá? Portanto, eu paguei também. hahaha.

A missa
À noite tem uma missa nessa igreja que eu já falei, e, se você der os nomes dos peregrinos para o padre, ele os chama lá na frente e os abençoa. Eu não sou católica, mas adorei a missa dele. Ele é um padre peregrino, e tem uma cabeça mais aberta. A missa dele é muito bacana, apesar de longa. No final ele nos chamou, nos abençoou, e depois carimbou nossos passaportes (sim, parece piada, mas na igreja também carimba). Quem estiver por lá e não for católico e não gostar de missa, eu recomendo que vá nessa. Eu achei que valeu a pena.

3 comments:

saosao said...

A gente também almoçou nesse restaurante! Só que não achamos o atendimento excelente, rs.

Parabéns pela conquista! Considere-se uma nova pessoa!

thais said...

Poxa, que pena. A gente até ganhou bolo! Mas é assim mesmo... as experiências nunca são iguais pra todo mundo. E isso vale, inclusive para a caminhada em si.
Beijo

Anonymous said...

Thais: gostaria de saber mais sobre suas fotos do "Caminho do Sol", que começa na cidade de Santana de Parnaíba e vai para cidade de São Pedro. snakazato1@gmail.com