Thursday, October 30, 2014

Chile – de Chañaral a Calama

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Antofagasta, apelidada por nós carinhosamente de Mafagafinhos, foi a pior parte da viagem. Não digo da estrada. Seriam apenas cerca de 370 km de Chañaral até Antofagasta, que se transformaram em 400 por causa de um desvio que tivemos que fazer por causa de combustível. A rota planejada seria continuar até o final pela Ruta 5, mas vimos que teríamos que parar para abastecer. A cidade mais próxima era Taltal, uma cidadezinha litorânea sem muito a acrescentar. De lá, tínhamos duas opções: voltar para a ruta 5, ou continuar pelo litoral até Antofagasta. Escolhemos a segunda, obviamente, afinal a vista era muito mais bonita. Mas nós fomos enganados (não me lembro se pelas placas ou se pelo GPS), e no meio do caminho entramos em uma estradinha secundária que seguia entre o litoral e a Ruta 5, bem tranquila, quase sem movimento, mas ainda assim com asfalto bom. O problema é que não se via um posto de gasolina em nenhum lugar próximo nem distante, assim como nenhuma cidade à vista. Seria meio redundante dizer que o lugar parecia um deserto, porque... bem, estávamos em um. Acho que ali foi o lugar que mais me passou a sensação de deserto, mesmo.

Na estrada

A viagem durou aproximadamente 10 horas. Sim, tudo isso. Porque foi aquele esquema de sempre: fomos devagar, parando, paramos para almoçar, para tirar fotos, para fazer xixi e tal. Quando chegamos em Mafagafinhos, digo, Antofagasta, já eram cerca de 19h.

Antofagasta

Ao chegar lá, achamos que a cidade era legal. Ela é uma cidade litorânea, cuja entrada é bem à beira do mar. Acho que nós entramos pelo lado rico da cidade, e tivemos uma impressão legal. Tendo acabado de chegar de Chañaral, que era aquela cidade super esquisita (embora com todo seu charme), a gente estava feliz de chegar em um lugar mais bem estruturado, cheio de hotéis e restaurantes, e sei lá, tudo mais que a civilização pode te oferecer. Mas o sonho durou pouco. Quando paramos no hotel que eu havia selecionado, o Astore Hotel, nós levamos o primeiro choque. O hotel era horrível. Por fora ele era um prédio verde bizarro, e o hotel em si ficava em apenas um andar desse prédio. Totalmente esquisito. Estacionamos o carro e subimos, mas não havia vaga. Então decidimos parar no Ibis, que havíamos passado quando chegamos na cidade. Foi o segundo choque. O Ibis, que costuma ser barato, estava custando uma fortuna. 56 000 CLP. Isso dá mais de R$ 250. Por uma noite! No Ibis! Não, gente, não dava. Então saímos à procura de um hotel mais barato. O que eu vou dizer agora não é força de expressão: passamos DUAS horas rodando a cidade procurando um hotel. Todos lotados. Meu deus, o que acontece com essa cidade?? O que ela tem de tão especial? OK, pra não dizer que estavam todos lotados, achamos um que tinha vaga. Custava U$S 300. Isso, dólares. Mais de R$ 600 por uma noite. Resolvemos voltar no Ibis, e eles nos deram a infeliz notícia de que não só eles são o mais barato da cidade (!!) como eles não tinham vaga. Claro, né?

Bom, a essa altura nossos ânimos já estavam super alterados. Cansados de 10 horas de viagem e mais 2 circulando por uma cidade sem graça (porque a essa altura a gente já tinha se ligado que aquilo de legal que a gente viu quando chegou era só fachada), decidimos parar para jantar e esfriar a cabeça. Na ânsia de querer resolver logo a questão, paramos no primeiro restaurante que parecia decente. O que a gente não se deu conta é que ele também custava uma fortuna. Tudo o que eu me lembro é que era um restaurante peruano, e que a comida estava até que boa, mas não era nada de outro mundo. E também me lembro de ter pago muito dinheiro por ela. Mas entendi aquilo como um presente por todo o stress da noite, e que a gente merecia relaxar um pouco e comer bem.

De barriga cheia e cabeça fria, era hora de decidir nosso destino: dormir no carro ou dirigir até a próxima cidade? "Garçom, por favor, qual é a próxima cidade e quanto tempo leva pra chegar lá?" "Seria Calama, fica a 200 km. Em 3 horas você chega". Tá decidido. No carro eu não durmo, o que são 3 horas pra quem já dirigiu 12? E realmente, os 200 km pareceram 500 metros.

Calama

A parte legal dessa história toda é que a gente conseguiu ver o céu à noite longe das cidades pela primeira vez. Paramos o carro e ficamos observando as estrelas. Não era a mesma coisa do que se tivesse sem lua, mas foi gostoso mesmo assim. Um momento de paz depois de um dia tão conturbado.

Chegamos em Calama já de madrugada. Devia ser 1 ou 2 da manhã. Naquela cidade desértica, como encontrar um hotel? Depois de nos perdermos um pouquinho na cidade, encontramos um hotel razoável (não me lembro o nome) com um preço justo, e finalmente eu tive minha recompensa: uma cama quentinha!



Wednesday, October 22, 2014

Chile – De La Serena a Chañaral

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Essa parte da estrada foi a mais complicada e provavelmente a mais eclética. Pegamos cerca de 200 km de estrada de serra em mão única sendo duplicada, sem a menor possibilidade de ultrapassagem. Também não existia acostamento para que pudéssemos dar uma paradinha para tirar fotos, e passamos por paisagens que deram dó de passar reto. Foram paisagens de cactus, de pedras, de terra, de mar... de todos os jeitos que você puder imaginar. E os cactus floridos... tão lindos...

Flor de cactus

Mas fomos indo, devagar, estávamos sem pressa, o carro era bom, tudo estava indo bem exceto pelo cabo que ligava o nosso mp3 player ao som do carro que havia desaparecido. Sim, havíamos feito uma seleção de músicas especialmente para a viagem e conseguimos perder o cabo no nosso segundo dia. Gênios. A nossa sorte é que havia alguma música nos nossos celulares, então conseguimos nos virar com o que tínhamos. Mas quem conhece bem um de nós dois sabe quão grave esse problema era.

Foi chegando quase 17h, ainda não havíamos almoçado e o destino final ainda estava longe. Isso porque era um dos trechos mais curtos da nossa jornada, apenas 370 km e nós já estávamos há cerca de 8 horas na estrada. Chegamos em Copiapó, que ainda fica a 160 km de Chañaral, e decidimos parar para abastecer o carro e almoçar. Mas àquela hora seria bem difícil achar restaurantes abertos. Então paramos na primeira lanchonete que encontramos, que era bem razoável e não tinha guacamole no lanche (eles têm mania de colocar guacamole em todos os lanches, é bem esquisito), comemos rapidinho e botamos o pé na estrada.

Atacama
Algumas horas depois estávamos chegando no Atacama. "Ahn?", você me pergunta. É, bom, na verdade lá em Copiapó nós já estávamos. Nem todo mundo sabe, assim como eu demorei muito tempo pra entender, que o Atacama não é só aquele pedacinho que fica em São Pedro de Atacama. O deserto do Atacama é uma macro região que se estende desde aqui embaixo em Copiapó e vai até lá em cima no Peru (alguns defendem que vai até lá, outros que acaba no Chile). Mas independente de onde acaba, o que interessa é que ele é gigante, e que a região que realmente recebe o nome de Atacama é a região onde fica Chañaral, cidade onde passamos a noite, e cuja capital é Copiapó. Se quiser entender um pouquinho sobre essa história de como são as divisões de regiões do Chile, dá uma olhada nesse link do Wikipedia que está bem legal. San Pedro de Atacama fica na região de Antofagasta.

Chañaral
Essa é a cidade mais esquisita que eu já conheci. Começando porque logo na entrada da cidade tem 3 tanques gigantescos, como daqueles de petróleo da petrobrás, só que de ácido sulfúrico. Esses tanques ficam bem pertinho do mar, onde tem várias placas de sinalização de rotas de escape para o caso de tsunami. Oi? Devo me preocupar também com os tanques de ácido sulfúrico em caso de tsunami, ou só com o tsunami? Essas placas existem em todo o litoral, mas só Chañaral vi tanques como esses. Vou tentar conseguir as fotos com o meu irmão.

Chegando em Chañaral

Na segunda vez que nós ficamos nessa cidade, na volta para Santiago, uma coisa muito engraçada aconteceu. Estávamos muito cansados e estressados porque não tinha sido uma viagem fácil e havíamos nos perdido na cidade, e quando finalmente conseguimos chegar e nos instalar no quarto, começamos a ouvir uma sirene muito, mas muito alta. Aquelas sirenes mecânicas tipo de bombeiro, em que você só consegue entender "f***u!" Eu e ele nos olhamos e pensamos "É tsunami!!!". Deve ser algum alerta pra cidade pra correr pro alto, só pode ser. Corremos pra janela pra saber o que o pessoal da cidade estava fazendo, se estava se escondendo em casa, se estava saindo correndo, enfim, pra gente poder fazer igual. Vimos algumas pessoas paradas na rua, tranquilas, aí a gente ficou mais tranquilo também. Depois ficamos sabendo que era acidente de caminhão na estrada. A cidade tem um sistema de alerta que deve avisar todos os socorros (bombeiro, ambulância, polícia), já que eles têm muitas substâncias tóxicas. Mas devo confessar que o susto foi grande. Já pensei que eu fosse morrer no Chile, e de pijama! hehe

Parque Pan de Azucar
Depois de sobreviver a um tsunami que nunca aconteceu, nós acordamos cedinho no dia seguinte para continuar nossa viagem. A ideia era continuar a caminho de Antofagasta, mas no meio do caminho paramos no Parque Pan de Azucar, que fica bem pertinho de Chañaral. Eu queria ir lá, mas não tinha a menor ideia do que encontrar. Sabia que tinha algumas pinguineiras, mas no final das contas os barcos não estavam lá para nos levar. Aliás, o dia estava tão feio, mas tão feio, que só havíamos nós no parque. Literalmente.

Esse parque normalmente as pessoas vão com guias. Nós quisemos ir por conta mas acabamos nos arrependendo. Um pouco porque queríamos economizar (o guia cobrava muito caro, acho que 20 e poucos mil pesos por pessoa) e um pouco porque não sabíamos direito o que era o parque, e não sabíamos se era necessário. Resolvemos arriscar. Mas existem áreas lá que só se entra com guia, e acho que muita coisa lá só se entende o que é se alguém te explica. O Parque é uma enormidade (acho que eu criei um neologismo aqui?) de grande, e é muito bonito, fica à beira mar, mas como eu disse, o dia estava feio e perdeu metade do encanto.

É possível acampar lá, mas custa uma fortuna. Se eu não me engano, sai em torno de 60 mil pesos a noite. Também tem uns quiosques, dá pra fazer uns picnics, tem churrasqueira e tudo mais. Mas é um baita vento e aquele vento polar gelado. Leve casacos.

Apesar de não ter conseguido ver tudo, eu não me arrependo de ter ido. Achei o parque muito bonito, e achei que valeu a visita. O Thi fez mais fotos lá do que em qualquer outro lugar, eu acho. Então eu fiquei feliz por ele também.

Fotos: Thiago Ventura (Flickr)

Friday, October 17, 2014

Chile – La Serena e Vicuña

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Como eu contei no post anterior, meus passeios que estavam planejados para fazer no caminho de ida em La Serena deram todos errados. Então fomos até o Atacama e, na volta, planejamos para ficar 2 dias em La Serena e ter tempo de fazer o que queríamos com mais calma. Eu poderia seguir a ordem cronológica aqui, mas prefiro seguir a ordem das cidades e continuar falando de La Serena.

Então a ideia era irmos fazer o passeio da Isla Damas e ir ao Observatório. Acabamos não indo à ilha pois achamos muito caro. Na verdade não é mais caro que os passeios no Atacama, mas como já era final de viagem, já estávamos pobres. Fazendo pela agência, saía de 33 a 37 mil CLP. Isso dá mais ou menos R$ 150 (preço por pessoa). Você passa o dia inteiro na ilha, e o almoço está incluso. Mas mesmo assim, era um dinheiro que ia pesar no bolso. Ao invés disso, decidimos aproveitar que estávamos de carro e passear pelo vale do Elqui. 

O Vale do Elqui
Essa foi a grande surpresa da viagem. Nós fomos para lá sem ter noção do que íamos encontrar (literalmente. A conversa minha com meu irmão foi assim: "o que tem lá?" "Não tenho a menor ideia"), e no final nos deparamos com um lugar interessantíssimo, com paisagens lindas, de enormes plantações de uva para produção de pisco na beira da cordilheira. 

As plantações de uva para Pisco no Vale de Elqui

O Vale fica na região de Vicuña, uma cidadezinha a 62 km de La Serena. Para chegar lá nós sentimos um pouco de dificuldade porque não é tão bem sinalizado. Saindo de La Serena até tem placa, mas em Vicuña você deve seguir placas para Rivadavia. Em determinado momento aparecem placas novamente para o Vale. Chegando no Vale, você entra em uma estradinha que beira a cordilheira, e vai acompanhando as plantações de uva. Seguindo por ela até o final, passa por diversas "vilas". Uma delas, a penúltima, é a Horcón, onde fica o pueblo artesanal, com quiosques bem bonitos de artesanatos. As peças são caras, mas são diferentes de todo o resto que se vê pelo Chile. 

Um pequeno achado na Vila artesanal de Horcón: uma cachoeira para relaxar

Nessa região você encontra muitas terapias relaxantes e alternativas, como reiki, yoga, essas coisas. Minha dica é a seguinte: se você estiver de carro (se não tiver, tem ônibus que chega lá também) e gostar de sol, hospede-se lá ao invés de La Serena. La Serena só chove, faz um tempo horrível, é uma cidade grande, meio chata, meio blah. O Vale é super charmoso. Eu não sei quanto a valores de estadia, não tivemos a oportunidade de ficarmos por lá. Mas ficaríamos se tivesse dado. 

Sobre Vicuña, que é a cidade onde o Vale do Elqui se encontra, não tem nada de mais lá. Parece uma cidade do interior de São Paulo. 

Espera! Uma grade... na... parede? Essa é Vicuña. 

O Observatório
Lá existe uma porção de observatórios, e quando eu estava pesquisando para ir fiquei na maior dúvida de qual escolher. O mais famoso para turismo na região é o Mamalluca, que é pra onde todas as agências e hoteis levam. E adivinha onde ele fica? Sim! No Vale do Elqui! Não estou dizendo que esse lugar tem coisas incríveis? Pois então. 

As agências cobram 18 mil CLP para ir até lá, e saem às 19h. Nós perdemos o passeio no primeiro dia por causa disso, chegamos atrasados. O que não sabíamos, porém, é que podemos fazer o passeio por conta própria, e que sai MUITO mais barato. O esquema é o seguinte: você vai até o centro de Vicuña, no endereço Gabriela Mistral, nº 260 (fica bem pertinho da praça central, a um quarteirão). Como a cidade é muito pequena, o Google (e provavelmente o GPS também) não acha as ruas. Se você estiver se guiando por eles, procure pela Torre Bauer. Essa é a praça central. Guie-se por lá. Bom, lá você pode comprar diretamente os tickets para entrar no observatório. Pelo que eu entendi, eles têm algumas subidas ao longo da noite, eu não sei quando é a primeira. Eu peguei a das 22h30, e a última é às 00h. Tem que chegar lá até 22h para comprar. Eles falam em reservar com 24h de antecedência, mas nós não tínhamos reserva e a moça da bilheteria falou que não precisava. Você também pode subir com o seu próprio carro ou com a van deles, mas a van deve ser paga à parte (não sei o valor, mas não deve ser caro). Ah, sim! O valor da entrada é 4.500 CLP, muito mais barato do que com a agência! 

Infelizmente estávamos com muito azar e pegamos noite de lua cheia. Eu sabia que isso ia acontecer desde antes da viagem, mas queria ir lá mesmo assim. Porque mesmo que não veja as estrelas, pelo menos escuta a explicação dos guias. Mas a lua estava tão cheia, tão cheia, que nem cratera dela deu pra ver. Realmente não era meu dia... Se você pretende fazer uma viagem para lá para ver a lua, eles explicam que a melhor época é de junho a outubro, quando a galáxia está "pra dentro", ou qualquer coisa assim, e dessa forma podemos ver mais estrelas. E, obviamente, em noites de lua nova, em que o céu está totalmente escuro. Eu até acertei a época do ano, mas errei na noite. rs.

Foto do telescóspio mostrando a Lua. 

Onde um grande meteoro a atingiu. 

Essa foto abaixo, que parece até que está de dia, foi tirada lá do observatório às 2h da manhã, em longa exposição. O céu lá é lindo. Queria tanto ter visto numa noite escura... (lágrimas escorrem). 

Foto dos arredores do Observatório de Mamalluca, em longa exposição

Fotos: Thiago Ventura (Flickr)
Update: coloquei umas fotinhos da Lua. 

Tuesday, October 14, 2014

Chile – De Santiago a La Serena

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Vou começar o post um pouquinho antes de Santiago. Vamos começar por São Paulo. Gosto de comentar os voos que pego, principalmente quando é um que eu gosto. Dessa vez voei de Gol, pela primeira vez. Fomos num Boeing 737-800, segundo eles com maior distância entre as poltronas. Meu irmão, no alto dos seus 1,92 m, aprovou. A Gol começou a fazer viagens para o Chile recentemente, e os valores estavam bem parecidos com os da Tam, um pouco mais baratos. Gostei bastante de voar com eles, exceto pela comida. MEU DEUS que comida horrorosa!!!!!!! Ok, na volta estava um pouco melhor, mas na ida não deu nem pra comer a sobremesa. E olha que desperdiçar a sobremesa não é pra qualquer um!

Fuso horário
Tomamos um voo noturno e chegamos lá de madrugada. Nos enrolamos com o fuso horário, que normalmente é de -4 GMT (1 hora a menos que o Brasil, ou seja, se aqui são 10, lá ainda são 9), porém eles estavam em horário de verão e estava igual ao nosso. Nós não nos atentamos a isso e passamos literalmente metade da viagem com os relógios errados. Só fomos arrumar quando realmente precisamos saber as horas, no Atacama, para fazer os passeios.

Hotel
Santiago foi a única cidade que fizemos reserva em hotel. O motivo disso é que era a única cidade que tínhamos certeza quando íamos chegar. Escolhemos ficar no Ibis, que além de ser relativamente barato, tem estrutura de hotel grande, é 24 horas, a gente não precisa ficar preocupado em ter que acordar o dono da pousada às 3 horas da manhã. Lá tem 3 Ibis, o Estación Central, onde ficamos, o Providencia, e o Manquehue Norte. São todos mais ou menos próximos, pelo menos no mapa. Escolhemos o que era mais próximo da locadora de carros. Essa foi a outra premissa para a nossa escolha de hotel.

Quanto à qualidade do hotel, é qualidade Ibis. É bom, confortável, bom atendimento, tem um café da manhã razoável, tem estacionamento, mas não ficava na melhor das vizinhanças. Mas também não era na pior.

Aluguel do carro
Bom, no aluguel do carro o bicho pegou. Eu tinha escolhido alugar na Localiza, lembra? Quando você faz a reserva do carro no site, eles vão te dando o valor total, conforme você vai colocando quantos dias de aluguel, se você vai devolver na mesma cidade ou não, e tal. Daí no final aparece o total, você dá ok e está reservado. Meu total tinha dado duzentos e poucos dólares, nós íamos devolver em outra cidade e ficar apenas 4 dias com o carro. Quando nós chegamos pra pegar o carro, eles fizeram o cálculo e nos passaram o valor de setecentos!!!! Sim, 700 dólares! E alguns trocados. Perguntei por quê, e eles explicaram que era devido a um percentual que se cobra por km rodado quando se devolve em outra cidade. Ou seja, além do aluguel, das taxas, você ainda paga um percentual pela kilometragem. Mas tudo bem, até aí eu estava sabendo, porque estava escrito no site. O que eu não sabia é que esse valor não estava sendo calculado no meu valor total que ele estava me mostrando. Achei muita sacanagem. Mas naquela altura, a gente não tinha muito o que fazer. Pedimos pra eles calcularem o valor total para ficarmos os 10 dias com o carro e voltarmos com ele para Santiago. Acreditam que ficava mais barato (cerca de U$S 590, com aluguel de GPS)? Fizemos por cima as contas de gasolina e pedágio*, e ainda assim valia a pena. Não tivemos dúvida, optamos pelo óbvio e pegamos o carro pelos 10 dias. E foi a nossa sorte. Porque a viagem saiu toda torta comparada com o planejamento inicial, e se dependêssemos do carro para executá-la, estaríamos fritos.

* Para ver os valores de gasolina e pedágio, vá para esse post.

Chegando em La Serena
Já contei no post anterior como é a qualidade das estradas, então não vou ficar me repetindo. Só vou dizer que esse foi o trecho mais fácil, mas não o mais bonito.

La Serena é uma cidade bem maior do que eu imaginava. Talvez pelo nome, pensava em uma cidadezinha fofa, cheia de charme, mas na verdade ela é grande, agitada, e o único pseudocharme dela é ser costeira. Mas justamente por causa disso, segundo um dos habitantes de lá, o tempo fica nublado praticamente todos os dias do ano, e chove quase todos os dias. Os dias lá são meio deprimentes.

Apesar disso, é nas redondezas que fica um dos melhores observatórios do mundo. Aliás, vários. Porque é em Vicuña, cidade vizinha, que fica um dos céus mais claros e estrelados do planeta. De lá de perto também tem vários passeios interessantes de se fazer, como a Isla Damas, uma ilha onde pode-se ver pingüins Humbolt, lobos marinhos, morsas, entre outros animais costeiros. Quis parar nessa cidade só pra fazer esses passeios. Qual não foi minha surpresa ao chegar lá numa segunda feira e descobrir que segunda e terça a ilha não abre para visitação. Pra fechar minha onda de azar, naquele dia o passeio para o observatório já tinha saído (eles saem às 19h da pousada, mas depois descobrimos que dá pra fazer um outro esquema. Depois eu conto melhor em outro post).

Decidimos ficar apenas aquela noite em La Serena, e não os dois dias previamente planejados, e
partir logo pela manhã para Chañaral.

Hotel em La Serena
Na ida ficamos em um Hostal chamado El Punto. É bem bacaninha. Pegamos um quarto com banheiro privado, pagamos 25 mil CLP pelo quarto + mil e pouco pelo café da manhã por pessoa (banheiros compartilhados saem por 18 mil). Eles fazem os passeios, tirei essa foto de lá. Mas acho que todos os hoteis lá devem fazer os passeios.


O hotel que eu fiquei na volta, que chama Hostal Avenue, também fazia. Eles mesmos que me disseram que não valia a pena fazer os passeios pela agência. Esse hostal é bem pertinho do El Punto, mais simples e mais barato também. Se for pra indicar, indico o primeiro, mas se sua grana está muito curta, o Avenue não é de todo mal.


Monday, October 13, 2014

Chile – De Santiago a Atacama e de volta a Santiago

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Voltei sexta feira do Chile, depois de 10 dias passeando por lá. Como eu já tinha explicado no post anterior, eu e meu irmão alugamos um carro em Santiago e fomos até San Pedro de Atacama. O plano inicial era alugar o carro até Antofagasta e voltar para Santiago de ônibus ou avião, mas por alguns contratempos que vou falar mais tarde, acabamos ficando de carro o tempo inteiro, o que foi muito bom porque a viagem saiu completamente diferente do planejado inicialmente.

Em resumo, o Chile é maravilhoso. Em todos os aspectos. As pessoas são muito simpáticas e atenciosas, o trânsito é civilizado, o serviço é de primeira linha, e as paisagens... ah, as paisagens são de tirar o fôlego! Quando fui pra Santiago da primeira vez e vi a cordilheira, tinha ficado embasbacada. Mas eu não sabia de nada, ainda. Não sabia nem de metade da história. Andando pelas estradas, a coisa só melhora, e melhora, e melhora. Fica difícil eleger a paisagem mais bonita. Nas palavras do meu irmão: "esse lugar não para de ser bonito". E essa frase resume a viagem. É muita beleza junta (quem quiser ler o post da minha outra viagem, tem algumas informações extras sobre o país, especialmente Santiago, é só clicar aqui). 

A belíssima cordilheira dos Andes vista do avião


Eu tenho muita coisa pra contar pra vocês, então provavelmente vou fazer vários posts. Mas aqui gostaria de dar uma resumida na viagem: 

As estradas:

Antes você precisa saber que as estradas lá são todas muito boas, inclusive as secundárias. Uma ou outra você encontra um pouco mais esburacada, ou sem acostamento, embora nada parecido com as nossas estradas em mal estado, mas eles estão duplicando muitas vias, e recapeando outras várias. Provavelmente até ano que vem, as estradas estarão 100%. 

Se você é motociclista e pretende fazer essa viagem, tome cuidado. As estradas são lotadas de caminhões, e embora eles não sejam malucos iguais aos nossos caminhoneiros, eles são maioria. Em segundo lugar vem as pick ups, tipo Hilux, L200, Nissan Frontier (que tem outro nome lá), que tem aos montes nas estradas de lá. Os carros de passeio são minoria. Outra coisa pra ficar muito atento é o vento. No trecho entre La Serena e Santiago (na volta), em trechos costeiros, o vento era tanto que chegou a tirar nosso carro da estrada mais de uma vez. Era um carro pequeno e leve, então imagino o que pode fazer com uma moto. 

O roteiro: 

Então primeiro saímos de Santiago (onde alugamos o carro) e fomos para La Serena. A ideia era ficar 2 dias, mas por causa de um imprevisto (que eu também vou contar com detalhes depois), decidimos só passar a noite e ficar mais tempo na nossa volta. Nesse trecho foram quase 500 km, no melhor trecho de estrada, praticamente inteira duplicada (se não foi inteira, não me lembro), mas também com o maior número de pedágios. Vou colocar os valores dos pedágios do fim do texto. O limite da estrada é entre 100 e 120 km/h, e não tem radar, mas todos respeitam. Claro que existem exceções, mas são exceções. A estrada é bem sinalizada, não tem como se perder. Pega a Ruta 5 e vai embora. Aliás, a Ruta 5 é sua grande amiga no caminho até o Atacama (e é linda). 

Uma das vistas da Ruta 5. Mas essa paisagem muda muito ao longo do caminho. 

Dormimos em La Serena, o tempo estava nublado, feio, mas depois descobrimos que lá é sempre nublado e feio, e que chove praticamente todos os dias. Um belo lugar para se morar, hein! Acordamos e seguimos para Chañaral, onde queríamos visitar o Parque Pan de Azucar. Foram mais cerca de 500 km de estrada. Esse trecho foi um pouco mais complicado, porque a estrada estava sendo duplicada, e a maior parte é trecho de serra. Então pegávamos caminhões no caminho, aqueles caminhões pesados, muitas vezes transportando cargas perigosas, como dinamite ou ácido sulfúrico, indo a 20 km/h numa estrada em que não existem pontos de ultrapassagem. Mas logo essa estrada estará duplicada e vai estar bem melhor. 

As obras na estrada, atrasando nossa chegada. Em alguns trechos, chegamos a ficar uns 20 minutos parados. Mas com essa vista, quem se importa?

De Chañaral partimos para Antofagasta, ou pelo menos era esse o nosso plano. O caminho era o mais curto, teoricamente. Seriam 300 km de estrada, que viraram quase 400, porque tivemos que fazer um desvio por Tal Tal para abastecer o carro* e de lá seguimos um trecho pelo litoral e depois por uma estrada secundária, o que acabou encompridando a viagem. Não bastasse isso, chegando em Antofagasta, nós não encontramos hotel para dormir. Essa é uma cidade grande, muito grande. E assim, muito movimentada e cara. O Ibis era o hotel mais barato lá, e estava R$ 250 a noite. Tudo bem, é preço de balcão, se tivéssemos agendado pagaríamos mais barato. Mas mesmo assim, é caro. Ia sair o que? R$ 200? Mas de qualquer forma, estava lotado, assim como todos os outros hoteis com preços razoáveis. O único que achamos vaga custava U$S 300 (dólares, não reais). Então depois de rodar por 2 horas na cidade procurando um hotel, literalmente, decidimos jantar e ir até a cidade mais próxima, que era Calama, e ficava a 3 horas. Pra quem já estava dirigindo havia umas 12 horas, o que seriam mais 3? Encarei o desafio e fomos. Lá achamos uma cama quentinha pra dormir e descansar os ossos. Ufa! 

No dia seguinte foi fácil, fácil. Como já estávamos em Calama, foram só 100 km até San Pedro. Não deu nem pro cheiro. Aqui é a primeira vez que a gente sai da Ruta 5 (a gente já tinha saído naquele trecho que eu comentei acima, mas dá pra seguir até lá em cima por ela), pegando a 23. Mas como eu disse, você não precisa saber de nada disso. A estrada é super bem sinalizada. 

* falando em abastecimento, postos de gasolina lá são coisa rara. Não acontece como aqui no Brasil (ou pelo menos como aqui em São Paulo) que os postos são na estrada. Até tem, mas são bem poucos. Na maior parte das vezes, tem que esperar chegar em alguma cidade, e em muitas das vezes, as cidades estão a 20, 30 km de distância da estrada. Portanto, sempre que houver a chance de abastecer, faça. Não conte com a sorte, principalmente se seu carro tiver o tanque pequeno, como era o nosso caso. Entramos na reserva apenas uma vez, não foi nada desesperador, mas sabíamos que não podíamos ir além de 100 km/h, para economizar gasolina. Além do mais, esse é um item que custa uma fortuna. Existem 3 octanagens que são vendidas, em alguns postos apenas 2. É a 93, 95 e 97. Eu não entendo nada disso, nem pesquisei a respeito antes de ir, então não sei contar pra vocês, mas eu sempre colocava a 95. O preço dela é 0,920 num preço bom. Isso equivale a cerca de R$ 4! Ida e volta nós gastamos mais ou menos R$ 1200 de combustível. Só de combustível. 

Os pedágios:

Pedágio é uma das partes dolorosas da viagem de carro. De Santiago até San Pedro do Atacama são 9 pedágios. Na volta pegamos 6, mas demos umas desviadas no caminho e acabamos fugindo de um deles. Os valores dos que pegamos seguem abaixo: 

Ida

Entre Santiago e La Serena: 
1. CLP 2700
2. CLP 1000
3. CLP 2400
4. CLP 2400
5. CLP 1700
6. CLP 2800

Entre La Serena e Chañaral: 
1. CLP 3400
2. CLP 2050

Entre Chañaral e Calama: 
1. CLP 1500

Volta

Entre San Pedro e Chañaral: 
1. CLP 1500

Entre Chañaral e La Serena:
1. CLP 2050
2. CLP 3400

Entre La Serena e Santiago: 
1. CLP 2700
2. CLP 2400
3. CLP 2400

Lembrando que o valor do peso chileno, hoje (out/2014) é o equivalente a 0,004 reais. 

Os Carabineiros:

Para quem não sabe, a polícia chilena são os Carabineiros. Eles são militares, e pra ser sincera, me dá um certo medinho deles. Quando fui lá da primeira vez, pro Lollapalooza, era impressionante ver como os chilenos respeitavam os caras. Eles nem precisavam abrir a boca pra dar uma ordem. Em um sinal deles, as pessoas já se movimentavam. Nesse dia, eu percebi o poder que eles têm. Então quando peguei o carro lá, fiquei bem receosa da possibilidade de fazer alguma besteira no trânsito, ou de ter alguma coisa errada na documentação, ou qualquer coisa assim. Mas quer saber? Eles são super respeitosos. Eles não chegam botando medo como a nossa polícia. Em 10 dias que eu fiquei lá, vi muitos deles, e em todos os lugares. Eles são meio onipresentes. Mas são simpáticos, cumprimentam, e mantém a ordem como deve ser. 

Fomos parados na chegada de San Pedro. Entreguei meu RG (estava sem meu passaporte) e minha carteira de motorista. Aliás, lá não precisa de nenhum documento especial para dirigir. A nossa CNH vale lá. Ele não pediu nem documento do carro. Deu uma olhada, só perguntou se o plástico da minha CNH era válido aqui, porque ele é fosco. Eu disse que sim e ele nos liberou. Bem tranquilo. Eu continuei tendo o maior respeito por eles, meu medo diminuiu um pouco, mas gostei muito da postura deles. 

O carro: 

Por último hoje, queria só contar qual foi o carrinho que nós alugamos. Pegamos um Kia morning, que eu nem sei se tem aqui no Brasil. O que eu peguei era automático com ar condicionado, mas nem precisamos usar o ar. Mas a parte do automático ajudou bastante em tantas horas de estrada. Eu gostei muito desse carro, ele é muito confortável, teve dias que eu passei 15 horas dirigindo e não senti dor no corpo, a autonomia dele é boa, embora tenha tanque pequeno, ele tem 3 marchas, não é muito um carro pra estrada, mas dá conta do recado. Na hora de fazer ultrapassagens, tem resposta rápida, é esperto. O único problema é que ele é um carro muito leve e eu senti um pouco de medo nos trechos onde tinha muito vento. Tive que reduzir muito a velocidade pra que eu não fosse jogada longe. Mas fora isso, recomendo muito esse carro.

O Kia Morning, nosso companheiro de todos os dias

Por hoje é só. Depois volto com mais. Eu ainda estou sem as fotos! Não sei quando vou conseguir. =( Por enquanto só essas. 
Update: Habemus fotos. Os créditos das fotos bonitas são todas do meu irmão, Thiago Ventura. Tem mais fotos da viagem lá no Flickr dele. Corre lá que tem uma mais linda que a outra.