Monday, October 13, 2014

Chile – De Santiago a Atacama e de volta a Santiago

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Voltei sexta feira do Chile, depois de 10 dias passeando por lá. Como eu já tinha explicado no post anterior, eu e meu irmão alugamos um carro em Santiago e fomos até San Pedro de Atacama. O plano inicial era alugar o carro até Antofagasta e voltar para Santiago de ônibus ou avião, mas por alguns contratempos que vou falar mais tarde, acabamos ficando de carro o tempo inteiro, o que foi muito bom porque a viagem saiu completamente diferente do planejado inicialmente.

Em resumo, o Chile é maravilhoso. Em todos os aspectos. As pessoas são muito simpáticas e atenciosas, o trânsito é civilizado, o serviço é de primeira linha, e as paisagens... ah, as paisagens são de tirar o fôlego! Quando fui pra Santiago da primeira vez e vi a cordilheira, tinha ficado embasbacada. Mas eu não sabia de nada, ainda. Não sabia nem de metade da história. Andando pelas estradas, a coisa só melhora, e melhora, e melhora. Fica difícil eleger a paisagem mais bonita. Nas palavras do meu irmão: "esse lugar não para de ser bonito". E essa frase resume a viagem. É muita beleza junta (quem quiser ler o post da minha outra viagem, tem algumas informações extras sobre o país, especialmente Santiago, é só clicar aqui). 

A belíssima cordilheira dos Andes vista do avião


Eu tenho muita coisa pra contar pra vocês, então provavelmente vou fazer vários posts. Mas aqui gostaria de dar uma resumida na viagem: 

As estradas:

Antes você precisa saber que as estradas lá são todas muito boas, inclusive as secundárias. Uma ou outra você encontra um pouco mais esburacada, ou sem acostamento, embora nada parecido com as nossas estradas em mal estado, mas eles estão duplicando muitas vias, e recapeando outras várias. Provavelmente até ano que vem, as estradas estarão 100%. 

Se você é motociclista e pretende fazer essa viagem, tome cuidado. As estradas são lotadas de caminhões, e embora eles não sejam malucos iguais aos nossos caminhoneiros, eles são maioria. Em segundo lugar vem as pick ups, tipo Hilux, L200, Nissan Frontier (que tem outro nome lá), que tem aos montes nas estradas de lá. Os carros de passeio são minoria. Outra coisa pra ficar muito atento é o vento. No trecho entre La Serena e Santiago (na volta), em trechos costeiros, o vento era tanto que chegou a tirar nosso carro da estrada mais de uma vez. Era um carro pequeno e leve, então imagino o que pode fazer com uma moto. 

O roteiro: 

Então primeiro saímos de Santiago (onde alugamos o carro) e fomos para La Serena. A ideia era ficar 2 dias, mas por causa de um imprevisto (que eu também vou contar com detalhes depois), decidimos só passar a noite e ficar mais tempo na nossa volta. Nesse trecho foram quase 500 km, no melhor trecho de estrada, praticamente inteira duplicada (se não foi inteira, não me lembro), mas também com o maior número de pedágios. Vou colocar os valores dos pedágios do fim do texto. O limite da estrada é entre 100 e 120 km/h, e não tem radar, mas todos respeitam. Claro que existem exceções, mas são exceções. A estrada é bem sinalizada, não tem como se perder. Pega a Ruta 5 e vai embora. Aliás, a Ruta 5 é sua grande amiga no caminho até o Atacama (e é linda). 

Uma das vistas da Ruta 5. Mas essa paisagem muda muito ao longo do caminho. 

Dormimos em La Serena, o tempo estava nublado, feio, mas depois descobrimos que lá é sempre nublado e feio, e que chove praticamente todos os dias. Um belo lugar para se morar, hein! Acordamos e seguimos para Chañaral, onde queríamos visitar o Parque Pan de Azucar. Foram mais cerca de 500 km de estrada. Esse trecho foi um pouco mais complicado, porque a estrada estava sendo duplicada, e a maior parte é trecho de serra. Então pegávamos caminhões no caminho, aqueles caminhões pesados, muitas vezes transportando cargas perigosas, como dinamite ou ácido sulfúrico, indo a 20 km/h numa estrada em que não existem pontos de ultrapassagem. Mas logo essa estrada estará duplicada e vai estar bem melhor. 

As obras na estrada, atrasando nossa chegada. Em alguns trechos, chegamos a ficar uns 20 minutos parados. Mas com essa vista, quem se importa?

De Chañaral partimos para Antofagasta, ou pelo menos era esse o nosso plano. O caminho era o mais curto, teoricamente. Seriam 300 km de estrada, que viraram quase 400, porque tivemos que fazer um desvio por Tal Tal para abastecer o carro* e de lá seguimos um trecho pelo litoral e depois por uma estrada secundária, o que acabou encompridando a viagem. Não bastasse isso, chegando em Antofagasta, nós não encontramos hotel para dormir. Essa é uma cidade grande, muito grande. E assim, muito movimentada e cara. O Ibis era o hotel mais barato lá, e estava R$ 250 a noite. Tudo bem, é preço de balcão, se tivéssemos agendado pagaríamos mais barato. Mas mesmo assim, é caro. Ia sair o que? R$ 200? Mas de qualquer forma, estava lotado, assim como todos os outros hoteis com preços razoáveis. O único que achamos vaga custava U$S 300 (dólares, não reais). Então depois de rodar por 2 horas na cidade procurando um hotel, literalmente, decidimos jantar e ir até a cidade mais próxima, que era Calama, e ficava a 3 horas. Pra quem já estava dirigindo havia umas 12 horas, o que seriam mais 3? Encarei o desafio e fomos. Lá achamos uma cama quentinha pra dormir e descansar os ossos. Ufa! 

No dia seguinte foi fácil, fácil. Como já estávamos em Calama, foram só 100 km até San Pedro. Não deu nem pro cheiro. Aqui é a primeira vez que a gente sai da Ruta 5 (a gente já tinha saído naquele trecho que eu comentei acima, mas dá pra seguir até lá em cima por ela), pegando a 23. Mas como eu disse, você não precisa saber de nada disso. A estrada é super bem sinalizada. 

* falando em abastecimento, postos de gasolina lá são coisa rara. Não acontece como aqui no Brasil (ou pelo menos como aqui em São Paulo) que os postos são na estrada. Até tem, mas são bem poucos. Na maior parte das vezes, tem que esperar chegar em alguma cidade, e em muitas das vezes, as cidades estão a 20, 30 km de distância da estrada. Portanto, sempre que houver a chance de abastecer, faça. Não conte com a sorte, principalmente se seu carro tiver o tanque pequeno, como era o nosso caso. Entramos na reserva apenas uma vez, não foi nada desesperador, mas sabíamos que não podíamos ir além de 100 km/h, para economizar gasolina. Além do mais, esse é um item que custa uma fortuna. Existem 3 octanagens que são vendidas, em alguns postos apenas 2. É a 93, 95 e 97. Eu não entendo nada disso, nem pesquisei a respeito antes de ir, então não sei contar pra vocês, mas eu sempre colocava a 95. O preço dela é 0,920 num preço bom. Isso equivale a cerca de R$ 4! Ida e volta nós gastamos mais ou menos R$ 1200 de combustível. Só de combustível. 

Os pedágios:

Pedágio é uma das partes dolorosas da viagem de carro. De Santiago até San Pedro do Atacama são 9 pedágios. Na volta pegamos 6, mas demos umas desviadas no caminho e acabamos fugindo de um deles. Os valores dos que pegamos seguem abaixo: 

Ida

Entre Santiago e La Serena: 
1. CLP 2700
2. CLP 1000
3. CLP 2400
4. CLP 2400
5. CLP 1700
6. CLP 2800

Entre La Serena e Chañaral: 
1. CLP 3400
2. CLP 2050

Entre Chañaral e Calama: 
1. CLP 1500

Volta

Entre San Pedro e Chañaral: 
1. CLP 1500

Entre Chañaral e La Serena:
1. CLP 2050
2. CLP 3400

Entre La Serena e Santiago: 
1. CLP 2700
2. CLP 2400
3. CLP 2400

Lembrando que o valor do peso chileno, hoje (out/2014) é o equivalente a 0,004 reais. 

Os Carabineiros:

Para quem não sabe, a polícia chilena são os Carabineiros. Eles são militares, e pra ser sincera, me dá um certo medinho deles. Quando fui lá da primeira vez, pro Lollapalooza, era impressionante ver como os chilenos respeitavam os caras. Eles nem precisavam abrir a boca pra dar uma ordem. Em um sinal deles, as pessoas já se movimentavam. Nesse dia, eu percebi o poder que eles têm. Então quando peguei o carro lá, fiquei bem receosa da possibilidade de fazer alguma besteira no trânsito, ou de ter alguma coisa errada na documentação, ou qualquer coisa assim. Mas quer saber? Eles são super respeitosos. Eles não chegam botando medo como a nossa polícia. Em 10 dias que eu fiquei lá, vi muitos deles, e em todos os lugares. Eles são meio onipresentes. Mas são simpáticos, cumprimentam, e mantém a ordem como deve ser. 

Fomos parados na chegada de San Pedro. Entreguei meu RG (estava sem meu passaporte) e minha carteira de motorista. Aliás, lá não precisa de nenhum documento especial para dirigir. A nossa CNH vale lá. Ele não pediu nem documento do carro. Deu uma olhada, só perguntou se o plástico da minha CNH era válido aqui, porque ele é fosco. Eu disse que sim e ele nos liberou. Bem tranquilo. Eu continuei tendo o maior respeito por eles, meu medo diminuiu um pouco, mas gostei muito da postura deles. 

O carro: 

Por último hoje, queria só contar qual foi o carrinho que nós alugamos. Pegamos um Kia morning, que eu nem sei se tem aqui no Brasil. O que eu peguei era automático com ar condicionado, mas nem precisamos usar o ar. Mas a parte do automático ajudou bastante em tantas horas de estrada. Eu gostei muito desse carro, ele é muito confortável, teve dias que eu passei 15 horas dirigindo e não senti dor no corpo, a autonomia dele é boa, embora tenha tanque pequeno, ele tem 3 marchas, não é muito um carro pra estrada, mas dá conta do recado. Na hora de fazer ultrapassagens, tem resposta rápida, é esperto. O único problema é que ele é um carro muito leve e eu senti um pouco de medo nos trechos onde tinha muito vento. Tive que reduzir muito a velocidade pra que eu não fosse jogada longe. Mas fora isso, recomendo muito esse carro.

O Kia Morning, nosso companheiro de todos os dias

Por hoje é só. Depois volto com mais. Eu ainda estou sem as fotos! Não sei quando vou conseguir. =( Por enquanto só essas. 
Update: Habemus fotos. Os créditos das fotos bonitas são todas do meu irmão, Thiago Ventura. Tem mais fotos da viagem lá no Flickr dele. Corre lá que tem uma mais linda que a outra. 

1 comment:

Madalena said...

Aguardo ansiosa o segundo capitulo:)