Thursday, November 13, 2014

San Pedro de Atacama – O que levar na mala

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O deserto tem uma grande vantagem sobre o nosso clima quando se trata de conservação das roupas: é seco. O que isso significa na prática? Elas não fedem. Oh yeah, babe! Eu sei que parece meio nojento, mas você consegue usar várias vezes a mesma roupa sem precisar lavar por causa de cheiro. Troca só porque ela fica suja. Lá, como as ruas são de terra, você fica todo marrom muito fácil. Mas vai por mim, essa é a última preocupação que você vai ter que ter. Se você for se preocupar em ficar limpo o tempo inteiro, vai ficar louco. Conforme-se de que você vai ficar marrozinho por alguns dias que você fica bem.

Isso dito, o que, então, você precisa levar? Alguns itens são essenciais. Vamos lá:

Chapéu. NÃO SE ESQUEÇA DO CHAPÉU. Mas se esquecer, compre um lá, é fácil de achar. Não ande sem um. O sol lá é fortíssimo. Dê preferência a algum que fique bem grudadinho à cabeça, pois como lá venta bastante, você pode ter que ficar segurando ou acabar perdendo ele.

Protetor solar (para pele e para lábios). Preciso explicar?

Soro fisiológico, colírio e hidratante para pele. Eu ainda levei e usei bastante manteiga de cacau, porque meu lábio tem muita tendência a ressecamento. São itens que ajudam a manter seu corpo hidratado. Eu sinceramente não senti tanto os efeitos do tempo seco, porque estava vindo de São Paulo, e o tempo aqui estava ridiculamente seco. Mas tenho uma amiga cuja pele da perna rachou até sangrar por falta de hidratação. Eu levei aquele hidratante SkinSec. Ele é caro, mas é muito bom. Eu recomendo. Mas independente de você estar ou não se sentindo hidratada, passe todos os dias pelo menos mais de uma vez ao dia esses itens. Leve eles com você o tempo todo (menos o hidratante, né! Esse pode deixar pra passar só depois do banho).

Roupas leves e roupas pesadas. Caso você não se lembre das suas aulas de geografia do colégio, um fenômeno que acontece nos desertos é a grande variação térmica. Isso significa dias muito quentes e noites muito frias. Especialmente se você for no inverno. Por isso, pense em roupas que você possa usar em camadas, para ir colocando e tirando facilmente conforme o tempo for esquentando ou esfriando. Sobre a quantidade de roupa, vai depender de quanto tempo você vai ficar. Mas como eu disse lá em cima, é possível repetir a mesma roupa sem se sentir um porquinho. Só recomendo levar roupa íntima e meias para todos os dias, a menos que você tenha onde lavar.* Meninas, não recomendo levar saias e vestidos. Por causa do vento, pode ser desconfortável. Ah, e evite roupas brancas, já que suja muito fácil.

Óculos escuros. Tem gente que não se importa tanto com o sol, mas acontece que lá o grau de irradiação do sol é muito forte. Usar óculos escuros não é (só) para conforto, é para segurança dos seus olhos.

• Se você pretende ir aos Geiseres (e eu te garanto que você vai querer ir), você terá que levar algumas coisinhas extras, porque lá faz muito frio. Se você já pesquisou sobre o local, já deve ter lido sobre isso. Pois bem, acredite em tudo o que você lê. O que acontece é que, para aproveitar ao máximo a paisagem, as agências passam nos hotéis às 4h30 da manhã. A essa hora já é frio na cidade. Os Geiseres ficam a 4.500 m de altitude, ou seja, muito mais frio. No inverno a temperatura lá pode chegar a -30ºC, no verão fica entre -3º e -16ºC. Nós pegamos -9ºC. É muito frio. Não é brincadeira. Por isso, não tenha vergonha de levar casacos quentinhos, preferencialmente se você tiver casaco de neve, pode levar sem medo. Tinha gente até enrolado em cobertor. Vale de tudo lá em cima. Não se esqueça também de:
Luvas. É essencial que suas mãos fiquem quentinhas.
Meias. Use pelo menos duas. Extremidades quentes deixam o corpo quente.
Gorro: mesma coisa que eu disse acima. Não sobre usar dois. Sobre esquentar extremidades.
Segunda pele. Quando estamos pensando em roupa de frio, pensamos sempre em roupas pesadas. Mas na verdade camadas esquentam mais do que "peso". Invista em boas segundas-peles, tanto para calça como para blusa.
Lenço. Eu vi poucas pessoas usando, mas eu fui uma delas. Levei um lenço comigo e usei para tampar meu rosto contra o frio. Ficava só com os olhos de fora. Foi bastante útil, ajudou bastante. Inclusive ajudou também em outros lugares, como no Vale da Lua, onde tem muita terra e quando bate o vento voa tudo no seu rosto. Mas aí é conversa pra outro dia.
A agência dá a dica de você não sair do hotel já todo vestido. Eles pedem pra deixar pra colocar casacos, luvas, essas coisas só quando chega lá em cima. Tem a ver com aclimatação.

Não parece, mas sou eu

• Agora o que eu vou falar parece papo de menina fútil (rapazes, não me xinguem), mas meninas, prestem atenção: levem condicionador. Isso é seríssimo! hahaha. Eu tenho o cabelo liso, e aqui em São Paulo nem sempre uso, não preciso. Como não cabia o condicionador na minha necessáire, eu não levei. Só que eu não contava com aquele clima esturricante do Atacama. Eu não sou vaidosa e nem pensei que o clima seco fosse atacar o meu cabelo. Mas xesus! Era impossível ficar com o cabelo solto. Portanto, se vocês têm algum carinho pelo cabelo de vocês, não se esqueçam do condicionador, e talvez até de um anti-frizz.

Tênis e uma papete. Leve um tênis bastante confortável para caminhadas, de preferência se for de trilha. E uma sandália ou uma papete para andar na cidade quando não for fazer nenhum passeio. É importante fazer todos os passeios de tênis. Se você for pra Laguna Cejar, leve também um chinelo.

Trajes de banho: Pra ir pra Laguna Cejar você vai precisar de trajes de banho. Isso inclui uma toalha, um biquini ou uma sunga (ou uma bermuda, se você não for adepto da sunga), e um chinelo, como falei aqui em cima.

Água. Bom, obviamente a água você não vai levar daqui, mas não vejo lugar melhor para encaixar esse tópico tão importante. A água lá é sua amiga número um. Vem antes do que seu marido, do que sua esposa, do que sua amiga que está viajando com você, enfim, você entendeu. Você vai SEMPRE andar com uma garrafa de água com você e nunca vai esquecê-la no hotel. Compreendeu, né? Agora a dica é a seguinte (na verdade são 2): 1. Não caia na pegadinha da água-sem-gás-tem-tampa-azul. Lá é o contrário. Água com gás tem tampa azul, água sem gás tem tampa vermelha. É esquisito, demora pra acostumar. A gente comprou umas 3 garrafas erradas. Leia o rótulo antes de comprar. E 2. Compre uma garrafa grande de 1,5L e um galão de 6 L pra ir enchendo a garrafa menor depois. Senão você vai à falência. O garrafão é quase o mesmo preço da garrafa menor em alguns mercados.

* Lá na cidade existe uma lavanderia, e tem um preço razoável (não me lembro quanto é, desculpe!). Se você levar a roupa ainda de manhã, ela deixa pronta para o fim do dia. Se levar à tarde, ela deixa pronta para o dia seguinte. Não usamos porque não ia dar tempo, acabamos lavando no próprio hotel. Como o tempo é seco, de um dia pro outro a roupa seca. Mas soube de casos de roupas que congelaram, provavelmente no inverno. Então acho mais recomendável levar na lavanderia, mesmo. Ela fica quase em frente ao único banco que tem na cidade.

Acho que de importante era isso. O resto é coisa normal que você coloca na mala. Não se esqueça que na sua mala de mão você não pode colocar líquidos que contenham mais de 100 ml, mesmo que a embalagem esteja quase vazia. Portanto, por via das dúvidas, despache tudo o que tiver de líquidos dentro da sua necessáire. Amanhã (ou depois) volto com mais. Aguarde.

Wednesday, November 12, 2014

Chile – Chegando em San Pedro de Atacama

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Depois dos mais de 600 km dirigidos no dia anterior em um total de cerca de 12 horas, eu merecia uma viagenzinha curta. Calama é muito perto de San Pedro de Atacama, cerca de 100 km apenas, então a viagem foi super tranquila.

Guanacos
No meio do caminho, na verdade já bem pertinho de San Pedro, vimos nossos primeiros amigos animais. Paramos para tirar umas fotos. Descobrimos que conseguíamos chegar relativamente perto deles, e conseguimos boas imagens, até. No começo achei que eram lhamas (grande conhecedora de animais, eu!), mas depois descobri que eram guanacos. Eu nunca tinha ouvido falar que esses animais existiam. São camelídeos muito simpáticos, e são aparentados com outra espécie que também vive por lá, as vicunhas. Elas são muito parecidas, com exceção da cara. Enquanto a vicunha tem a pelagem da cor do resto do corpo, os guanacos têm a cor da cara preta. Outra diferença muito importante entre elas é que as vicunhas só sobrevivem acima de 3.800 m de altitude. Não sei explicar por quê.

Vulcões
Enquanto tirávamos fotos dos nossos novos amigos, eu olhei para o horizonte e não acreditei no que vi. Vulcões. No plural! Eu estava preparada pra chegar lá e ver só o grande Licancabur, mas não, são vários, vários vulcões. Quase chorei. Era um dos meus sonhos ver vulcões. Eu sei, é um sonho bobo. Mas eles são lindos. Não são como uma montanha qualquer. Têm um formato todo especial. Claro que o famoso Licancabur é o mais charmoso e mais majestoso de todos. Mas existem muitos outros. Fiquei muito empolgada pra chegar logo na cidade e ficar mais próxima deles. Ah sim, só lembrando, alguns deles ainda são ativos. O Lascar, por exemplo, expele continuamente fumaça, e sua última erupção foi em 2006. Dizem os moradores que, quanto mais tempo um vulcão passa sem uma erupção, mais tensos eles (os moradores) ficam, pois significa que o vulcão está acumulando mais energia e a próxima virá mais forte. Mas pelo que eu entendi da conversa, o Lascar não expele lava, então o máximo que vai acontecer é você ficar coberto de cinzas. =)

Vulcão Licancabur em primeiro plano,
e um outro que eu não lembro o nome em segundo plano


Chegando na cidade
Deixando os vulcões e os guanacos de lado, pegamos a estrada de novo e chegamos na cidade. Se é que podemos chamar San Pedro de Atacama de cidade: ela é quase uma vila. São 4 ou 5 ruas apenas (e mesmo assim a gente conseguiu se perder quase todos os dias, hahahaha), cuja rua principal é a Caracoles. É lá e na Tocopilla que estão todas as agências de turismo e os hotéis. Mas não se engane: não é apenas lá que os hotéis existem, e se você procurar fora desse "miolo", encontra preços muito mais em conta. Nós encontramos diferenças de mais de 15 mil CLP por noite pelo mesmo serviço e mesmo nível de hotel, só pelo fato de estarmos um pouquinho mais afastado. E quando eu digo um pouquinho, é um pouquinho mesmo, tipo 2 quarteirões.

O hotel
Nós ficamos num hotel chamado Camiño del Inca. Foi o mais barato que encontramos, mas não tinha café da manhã. Eles têm uma cozinha comunitária, toda equipada, então podíamos comprar comida e deixar lá. O problema é que, assim como acontece roubo de marmita na firma, lá também pode acontecer roubo de comida na geladeira. Meia garrafa de vinho foi devidamente surrupiada da geladeira sem o nosso consentimento. Mas tudo bem, passada a indignação, nos conformamos e seguimos com a vida (ó drama). Achei que esse pequeno incidente não tirou o mérito do hotel. Ele era confortável, limpo, o pessoal era simpático, ficava ao lado de um mercadinho que vendia água barata e ficava perto da saída da cidade. Bom, não sei se isso é vantagem. hahaha.

A agência
Qualquer blog que você encontrar por aí vai te recomendar a mesma coisa: feche todos os seus passeios quando você chegar na cidade. Isso porque muitos deles (a maioria, mas nem todos) fecham pacotes com os principais passeios que são procurados pelos turistas. Esses passeios são 4: os Geyseres del Tatio, o Vale da Lua, as Lagunas Altiplânicas e a Laguna Cejar. Dentro desses passeios geralmente eles encaixam outros lugares, como o Vale de la muerte, o Salar do Atacama, uma visita a algumas formações rochosas, enfim, várias coisas.

Todas as agências têm pacotes muito parecidos, mas preços bem diferentes. Não confie que o mais barato seja o melhor negócio. Vá com referências. Já li muita gente desgostoso das agências que pegou. PORÉM é importante saber que acontece de às vezes você contratar uma e acabar com outra. Isso é comum. Acho que acontece porque não deve completar o número de pessoas e, pra não deixar a galera na mão, eles mandam quem já fechou o pacote pra outras agências. O problema é que eles não avisam, e aí deixa algumas pessoas meio bravas. Conosco não aconteceu, mas tivemos um acidente com um guia em um dos nossos passeios (foi bem assustador, ele caiu e bateu a cabeça, mas não aconteceu nada grave no final), e a gente teve que voltar com outro pessoal. Tudo correu bem, os guias também eram bons, é só ir com a cabeça aberta.

Eu gostei muito, mas muito mesmo da agência que contratamos, a Lyana. Os guias deles são muito bons. São extremamente atenciosos, todos falam espanhol, inglês e alguns ainda falam português (ou portunhol). Eu havia pego boas referências deles na internet, que foram confirmadas pelo hotel. Eles não são a agência mais barata, mas não quisemos arriscar.

Bom, eu tenho muito o que falar sobre o Atacama, e esse assunto vai render alguns posts. Eu até vou falar sobre os passeios que fizemos, mas sobre isso você vai achar em qualquer blog que você procurar. Eu vou contar porque foi a minha experiência e quero contar meu ponto de vista. Mas além disso, quero contar um pouquinho sobre o que não pode faltar na sua mala, sobre a água do deserto, sobre os bichos de lá, sobre como funcionam os restaurantes... enfim, tem muito assunto. Fica por aí que logo tem mais.

PS.: Ainda faltam fotos. Fico devendo.