Wednesday, November 12, 2014

Chile – Chegando em San Pedro de Atacama

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Depois dos mais de 600 km dirigidos no dia anterior em um total de cerca de 12 horas, eu merecia uma viagenzinha curta. Calama é muito perto de San Pedro de Atacama, cerca de 100 km apenas, então a viagem foi super tranquila.

Guanacos
No meio do caminho, na verdade já bem pertinho de San Pedro, vimos nossos primeiros amigos animais. Paramos para tirar umas fotos. Descobrimos que conseguíamos chegar relativamente perto deles, e conseguimos boas imagens, até. No começo achei que eram lhamas (grande conhecedora de animais, eu!), mas depois descobri que eram guanacos. Eu nunca tinha ouvido falar que esses animais existiam. São camelídeos muito simpáticos, e são aparentados com outra espécie que também vive por lá, as vicunhas. Elas são muito parecidas, com exceção da cara. Enquanto a vicunha tem a pelagem da cor do resto do corpo, os guanacos têm a cor da cara preta. Outra diferença muito importante entre elas é que as vicunhas só sobrevivem acima de 3.800 m de altitude. Não sei explicar por quê.

Vulcões
Enquanto tirávamos fotos dos nossos novos amigos, eu olhei para o horizonte e não acreditei no que vi. Vulcões. No plural! Eu estava preparada pra chegar lá e ver só o grande Licancabur, mas não, são vários, vários vulcões. Quase chorei. Era um dos meus sonhos ver vulcões. Eu sei, é um sonho bobo. Mas eles são lindos. Não são como uma montanha qualquer. Têm um formato todo especial. Claro que o famoso Licancabur é o mais charmoso e mais majestoso de todos. Mas existem muitos outros. Fiquei muito empolgada pra chegar logo na cidade e ficar mais próxima deles. Ah sim, só lembrando, alguns deles ainda são ativos. O Lascar, por exemplo, expele continuamente fumaça, e sua última erupção foi em 2006. Dizem os moradores que, quanto mais tempo um vulcão passa sem uma erupção, mais tensos eles (os moradores) ficam, pois significa que o vulcão está acumulando mais energia e a próxima virá mais forte. Mas pelo que eu entendi da conversa, o Lascar não expele lava, então o máximo que vai acontecer é você ficar coberto de cinzas. =)

Vulcão Licancabur em primeiro plano,
e um outro que eu não lembro o nome em segundo plano


Chegando na cidade
Deixando os vulcões e os guanacos de lado, pegamos a estrada de novo e chegamos na cidade. Se é que podemos chamar San Pedro de Atacama de cidade: ela é quase uma vila. São 4 ou 5 ruas apenas (e mesmo assim a gente conseguiu se perder quase todos os dias, hahahaha), cuja rua principal é a Caracoles. É lá e na Tocopilla que estão todas as agências de turismo e os hotéis. Mas não se engane: não é apenas lá que os hotéis existem, e se você procurar fora desse "miolo", encontra preços muito mais em conta. Nós encontramos diferenças de mais de 15 mil CLP por noite pelo mesmo serviço e mesmo nível de hotel, só pelo fato de estarmos um pouquinho mais afastado. E quando eu digo um pouquinho, é um pouquinho mesmo, tipo 2 quarteirões.

O hotel
Nós ficamos num hotel chamado Camiño del Inca. Foi o mais barato que encontramos, mas não tinha café da manhã. Eles têm uma cozinha comunitária, toda equipada, então podíamos comprar comida e deixar lá. O problema é que, assim como acontece roubo de marmita na firma, lá também pode acontecer roubo de comida na geladeira. Meia garrafa de vinho foi devidamente surrupiada da geladeira sem o nosso consentimento. Mas tudo bem, passada a indignação, nos conformamos e seguimos com a vida (ó drama). Achei que esse pequeno incidente não tirou o mérito do hotel. Ele era confortável, limpo, o pessoal era simpático, ficava ao lado de um mercadinho que vendia água barata e ficava perto da saída da cidade. Bom, não sei se isso é vantagem. hahaha.

A agência
Qualquer blog que você encontrar por aí vai te recomendar a mesma coisa: feche todos os seus passeios quando você chegar na cidade. Isso porque muitos deles (a maioria, mas nem todos) fecham pacotes com os principais passeios que são procurados pelos turistas. Esses passeios são 4: os Geyseres del Tatio, o Vale da Lua, as Lagunas Altiplânicas e a Laguna Cejar. Dentro desses passeios geralmente eles encaixam outros lugares, como o Vale de la muerte, o Salar do Atacama, uma visita a algumas formações rochosas, enfim, várias coisas.

Todas as agências têm pacotes muito parecidos, mas preços bem diferentes. Não confie que o mais barato seja o melhor negócio. Vá com referências. Já li muita gente desgostoso das agências que pegou. PORÉM é importante saber que acontece de às vezes você contratar uma e acabar com outra. Isso é comum. Acho que acontece porque não deve completar o número de pessoas e, pra não deixar a galera na mão, eles mandam quem já fechou o pacote pra outras agências. O problema é que eles não avisam, e aí deixa algumas pessoas meio bravas. Conosco não aconteceu, mas tivemos um acidente com um guia em um dos nossos passeios (foi bem assustador, ele caiu e bateu a cabeça, mas não aconteceu nada grave no final), e a gente teve que voltar com outro pessoal. Tudo correu bem, os guias também eram bons, é só ir com a cabeça aberta.

Eu gostei muito, mas muito mesmo da agência que contratamos, a Lyana. Os guias deles são muito bons. São extremamente atenciosos, todos falam espanhol, inglês e alguns ainda falam português (ou portunhol). Eu havia pego boas referências deles na internet, que foram confirmadas pelo hotel. Eles não são a agência mais barata, mas não quisemos arriscar.

Bom, eu tenho muito o que falar sobre o Atacama, e esse assunto vai render alguns posts. Eu até vou falar sobre os passeios que fizemos, mas sobre isso você vai achar em qualquer blog que você procurar. Eu vou contar porque foi a minha experiência e quero contar meu ponto de vista. Mas além disso, quero contar um pouquinho sobre o que não pode faltar na sua mala, sobre a água do deserto, sobre os bichos de lá, sobre como funcionam os restaurantes... enfim, tem muito assunto. Fica por aí que logo tem mais.

PS.: Ainda faltam fotos. Fico devendo.



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